Carteiras renda fixa setembro: travar o prefixado curto?

Na semana em que o Copom decide e o Fed também se reúne, o investidor de renda fixa costuma ouvir o mesmo refrão: “corte de juros muda tudo”. Na prática, o que muda é menos o número da Selic e mais o tom do comunicado. E é exatamente aí que as carteiras renda fixa setembro de casas como XP, Itaú BBA e BTG entram no radar: elas já deslocaram peso para o prefixado, mas com um freio claro de prazo.

Se você tem dinheiro parado em liquidez, reserva bem montada e uma fatia disponível para travar taxa, a pergunta da Superquarta não é abandonar o CDI. É decidir se faz sentido travar prefixado de até cerca de três anos antes do Copom de 16/09/2026, ou carregar percentual do CDI até ler se o Banco Central abre ou fecha a porta dos próximos cortes.

O mix das carteiras de setembro — reserva em pós-fixados, pré curto e IPCA+ no miolo — vira checklist objetivo abaixo, com taxas citadas pelas casas e referências reais de CDB com FGC no comparador. A ideia é decidir com calma, sem misturar produto de varejo com crédito privado sem FGC.

Copom 16/09: o que já está precificado e por que o tom importa mais que o corte

Vamos do começo. A Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, está em 14,00% ao ano após o corte de 0,25 ponto percentual em agosto, segundo indicadores atualizados em 13/09/2026. A próxima reunião do Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil, está marcada para 15 e 16 de setembro, com decisão na quarta-feira.

O mercado já precificou quase tudo do corte em si. As Opções de Copom na B3, no fechamento de 08/09, apontavam cerca de 95% de chance de novo corte de 0,25 ponto, levando a Selic a 13,75%, e apenas cerca de 3,5% de chance de manutenção em 14%. Em outras palavras: se o BC cortar 0,25, pouca gente deve se surpreender com o número.

O que ainda não está fechado é a narrativa. Reportagens de 13/09 reforçam o consenso de corte cauteloso: Itaú e C6 trabalham com 13,75% e comunicação serena, sem antecipar o ritmo seguinte. XP e Safra, por outro lado, ainda enxergam Selic em 13,25% no fim de 2026, com três cortes de 0,25 (setembro, novembro e dezembro).

Esse detalhe importa. Um corte de 0,25 pode vir acompanhado de forward guidance restritivo, a linguagem que o BC usa para sinalizar que não está comprometido com uma sequência rápida de alívios. Quando isso acontece, o DI curto, a taxa implícita de juros futuros próxima à Selic, pode se segurar. E o “ganho de marcação” imediato do prefixado fica mais tímido do que o investidor imagina ao olhar só o headline do corte.

Para ter dimensão do cenário além de setembro: projeções agregadas de mercado apontam Selic em torno de 13,75% em 2026, 12% em 2027 e 10,5% em 2028. O DI de referência, na leitura de meados de setembro, rodava perto de 13,90%. Já o IPCA, o índice que mede a alta geral dos preços, veio negativo em 0,32% em agosto e acumulava 4,22% em 12 meses, ainda acima do centro da meta de 3%, mas dentro da banda de tolerância.

A Superquarta, com Fed e Copom na mesma janela, aumenta o ruído de curto prazo. Para renda fixa brasileira, porém, o termômetro decisivo continua sendo o comunicado do BC e o que ele faz com a curva de juros local. Quem quiser aprofundar como o tom do Copom mexe em pré e CDI encontra análise específica no blog; aqui o foco é o que as carteiras de setembro já traduziram em alocação.

Carteiras renda fixa setembro: o que XP, Itaú BBA e BTG colocaram

As carteiras recomendadas de setembro, reunidas em cobertura especializada com XP, BTG, Itaú BBA e Banco do Brasil, convergem em um desenho parecido: não é “tudo em CDI”, nem “tudo em pré longo”. É um mix de três camadas.

Na XP Research, o deslocamento para prefixados aparece com freio de prazo: prioridade a vencimentos de até cerca de três anos, justamente para reduzir volatilidade se a taxa de juros se mover de forma irregular. Exemplos citados na tabela da casa incluem o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2029, perto de 13,38% ao ano, e um CDB PicPay prefixado a 14,78% com vencimento em agosto de 2029 e rating AA−.

No lado pós-fixado, a XP mantém o Tesouro Selic 2029 (Selic + 0,01%) e cita LCI Inter a 86% do CDI com vencimento em setembro de 2027. LCI é investimento isento de Imposto de Renda ligado ao crédito imobiliário; o percentual do CDI, a taxa de referência da renda fixa próxima à Selic, precisa ser lido em conjunto com a isenção para comparar com CDB tributado.

No miolo de proteção contra inflação, a mesma carteira aponta Tesouro IPCA+ 2032 com juros semestrais em torno de IPCA + 7,39% e Tesouro IPCA+ 2035 perto de IPCA + 7,10%. Ou seja: IPCA+ continua no portfólio, mas não como a única aposta da semana do Copom.

Itaú BBA e BTG, nas amostras publicadas, reforçam crédito privado em paralelo ao básico de Tesouro e pós-fixados. No Itaú BBA aparecem, por exemplo, CRI Multiplan prefixado a 13,89% (janeiro de 2031, AAA) e CRI Iguatemi próximo de 93,8% do CDI até 2032. No BTG, a amostra do app em 09/09 inclui CRA 3tentos a 105% do CDI (outubro de 2030), CRI Rede D’Or a IPCA + 7,79% (junho de 2029) e debênture Equatorial Goiás a IPCA + 7,67% (2038, perfil qualificado).

Aqui cabe um aviso de leitura. CRI, CRA e debêntures são títulos de crédito privado: o investidor empresta a uma estrutura ou empresa e não conta com o Fundo Garantidor de Créditos, o FGC, que protege até R$ 250 mil por CPF por instituição em produtos elegíveis como CDB, LCI e LCA de bancos. Parte dessas ofertas ainda exige perfil de investidor qualificado. Para o leitor de varejo, use essas linhas como referência de “o que as casas estão olhando”, não como lista de compras automática.

CamadaPapel na carteira de setembroExemplos citados nas casas
Pós-fixado / liquidezReserva e caixa táticoTesouro Selic 2029; LCI % do CDI
Prefixado curto (≤ ~3 anos)Travar taxa no ciclo de cortesTesouro Pref. JS 2029 ~13,38%; CDB PicPay 14,78%
IPCA+ mioloProteção real de médio prazoTesouro IPCA+ 2032 ~+7,39%; 2035 ~+7,10%
Crédito privadoSpread extra (sem FGC)CRI/CRA/DEB nas mesas Itaú BBA e BTG

O consenso editorial das casas, em setembro de 2026, não é “apostar o patrimônio no pré longo”. É carregar liquidez em pós-fixados, travar uma fatia em pré curto e manter IPCA+ como âncora intermediária. O resto é calibração de risco de crédito e de prazo.

Por que o limite de cerca de 3 anos no prefixado

Prefixado é o título em que a taxa é conhecida na compra. Se você carrega até o vencimento, recebe exatamente o combinado (descontados impostos e custos, quando houver). O problema começa quando a vida financeira pede liquidez antes da data final.

Títulos públicos e muitos papéis de renda fixa sofrem marcação a mercado: o preço sobe ou desce conforme a curva de juros do dia. Quanto maior o prazo médio ponderado do título (a duration), maior a sensibilidade a variações de juros. Um prefixado de 2032 ou 2035 oscila bem mais do que um papel que vence em 2028 ou 2029.

Por isso a XP, nas carteiras renda fixa setembro, prioriza o freio de cerca de três anos. Não é uma regra mágica. É uma forma de reduzir a chance de o investidor ver o extrato vermelho no meio do caminho e vender no pior momento. Se o objetivo é travar taxa, a disciplina correta é: só aloque no pré o dinheiro que você consegue carregar até o vencimento.

Mesmo o pré curto ainda tem marcação a mercado. Se a curva se ajustar porque o Copom soou mais duro do que o esperado, o preço do título pode cair temporariamente. Quem carrega até o fim não realiza essa perda. Quem precisa vender antecipa o ajuste.

Outro ponto: alongar demais o prefixado agora, antes de ler o comunicado, é misturar duas decisões diferentes. Uma é “quero travar juros altos enquanto o ciclo de cortes começa”. Outra é “quero duration longa porque acredito que a Selic vai cair rápido e longe”. A segunda hipótese é exatamente o tipo de aposta que o mercado ainda discute, inclusive no por que evitar alongar o prefixado demais. As carteiras de setembro, de forma geral, não empurram o varejo para essa segunda aposta nesta semana.

O que isso significa para o seu dinheiro

Imagine R$ 50 mil disponíveis além da reserva. Se você trava R$ 20 mil em um prefixado até 2029 e carrega até o vencimento, a taxa contratada é o que importa. Se você trava os mesmos R$ 20 mil em um título bem mais longo e precisar resgatar em 18 meses, o resultado pode ser bem diferente do “13% e pouco” que você leu na tela no dia da compra.

Por isso o limite de cerca de três anos funciona como filtro psicológico e financeiro: reduz a chance de o prazo do produto ficar maior que o prazo do seu objetivo.

Números práticos: Tesouro pré, CDB PicPay e CDBs %CDI do dia

Números sem contexto viram propaganda. Com contexto, viram ferramenta de decisão. Abaixo, as taxas que as casas citaram em setembro — inclusive referências de títulos no Tesouro Direto —, lado a lado com ofertas realistas de CDB com FGC vistas no comparador em 13/09/2026.

Produto (referência 09/2026)Indexador / taxaVencimento / prazoObservação
Tesouro Prefixado JS 2029 (XP)~13,38% a.a. pré02/01/2029Soberano; tem marcação a mercado
CDB PicPay (XP)14,78% a.a. pré03/08/2029FGC; rating AA− citado na casa
Tesouro Selic 2029 (XP)Selic + 0,01%01/03/2029Reserva / pós-fixado
LCI Inter (XP)86% do CDI01/09/2027Isenta de IR
CDB DM Financeira118% CDI (~14,59% líq.)curto / prateleira do diaFGC; via Genial (13/09)
CDB Banco Arbi117% CDI (~14,46% líq.)curto / prateleira do diaFGC; via Terra Investimentos
CDB Sorocred118% CDI (~13,98% líq.)12/09/2029FGC; prazo 2–3 anos (Inter)
CDB Banco Paulista116% CDI (~13,74% líq.)janela 2–3 anosFGC; prateleira do comparador

Em português de investidor: o Tesouro prefixado perto de 13,4% é a referência limpa de “travar juros soberanos”. O CDB pré a 14,78% paga mais porque embute risco de crédito do emissor, ainda que com cobertura do FGC até o limite. Já os CDBs a 116%–118% do CDI não travam a taxa nominal: se a Selic cair, o rendimento percentual do CDI também cai, embora continue alto enquanto a taxa básica estiver em dois dígitos.

Esse contraste é o coração da decisão da semana. Prefixo curto compra certeza de taxa. Percentual do CDI compra flexibilidade e carrega o ciclo de juros enquanto ele acontece. Nenhuma das duas opções é “errada”; o erro é misturar o produto com o objetivo errado.

Sobre a poupança: na leitura de 12 meses, ela rendia cerca de 8,31%, bem atrás do CDI com Selic em dois dígitos. A regra de 0,5% ao mês mais TR só muda se a Selic cair para 8,5% ou menos. Ou seja, para reserva que exige liquidez e rendimento, a poupança ainda perde para o CDI neste patamar de juros.

Antes de decidir entre um CDB pré de casa e um CDB %CDI de outro banco, vale comparar taxas líquidas, mínimo de aplicação, vencimento e se o emissor está sob o teto do FGC que você já usa. A Meelion reúne opções de diferentes instituições para você simular essas variáveis sem depender só da prateleira de uma única corretora.

Onde podem estar as oportunidades

Para quem já tem reserva em Tesouro Selic, fundo DI ou CDB com liquidez diária, a oportunidade da semana tende a estar na fatia tática de prefixado curto (Tesouro ou CDB com FGC até cerca de três anos), desde que o prazo case com o objetivo. Para quem ainda não tem reserva, a oportunidade é outra: montar liquidez primeiro. Travar pré com dinheiro que pode ser preciso em seis meses é inverter a ordem do portfólio.

Crédito privado com taxas altas (CRI, CRA, debêntures) pode aparecer como “melhor taxa da tela”, mas exige leitura de risco de crédito, subordinância, carência e, em alguns casos, perfil qualificado. Não trate a amostra das mesas institucionais como substituto automático do CDB de varejo.

Checklist pré-Copom: travar agora, esperar o comunicado ou só rebalancear

Com o corte de 0,25 quase precificado, a decisão prática se divide em três caminhos. Nenhum deles exige pressa teatral. Exige clareza sobre caixa, prazo e tolerância a ver o preço do título oscilar.

1) Quanto fica em liquidez e percentual do CDI?

Defina primeiro a reserva de emergência e o dinheiro com data curta (até 12 meses). Esse pedaço continua em pós-fixados com liquidez: Tesouro Selic, CDB com liquidez diária ou fundo DI conservador. O corte de 0,25 ponto na Selic não invalida essa camada; ele só reduz um pouco o carregamento futuro. Quem precisa de um roteiro de liquidez com Selic ainda alta encontra um manter a reserva em liquidez mesmo com corte no blog.

Regra prática: se a reserva ainda não está feita, o Copom de 16/09 não muda a prioridade. Faça a reserva. Depois discuta prefixado.

2) Há caixa para travar prefixado de até cerca de 3 anos?

Se a resposta for sim, as carteiras de setembro sustentam a tese de travar uma fatia agora, enquanto as taxas nominais ainda estão elevadas. Referências das casas: Tesouro Prefixado JS 2029 perto de 13,38% ou CDB pré como o PicPay a 14,78% até 2029. No comparador, a alternativa “não travar, mas carregar juros altos” são CDBs a 116%–118% do CDI, com taxas líquidas ilustrativas na casa dos 13,7%–14,6% dependendo do prazo e do emissor.

Como escolher entre pré e %CDI nessa fatia tática:

  • Use pré curto se o seu objetivo é certeza de taxa e você carrega até o vencimento.
  • Use %CDI se você quer manter opcionalidade até ler o tom de novembro e dezembro, tema já explorado no cenário de novos cortes após setembro.
  • Não use o mesmo dinheiro para as duas coisas ao mesmo tempo.

Para quem está entre “travar um pouco” e “esperar o comunicado”, um meio-termo comum é alocar só parte do caixa tático antes da quarta e deixar outra parte para depois do texto do Copom. Isso não é hedge sofisticado. É reconhecimento de que o preço do pré já embute muita probabilidade de corte, e o residual de informação está no tom.

3) O que não alongar até ler o comunicado

Evite, nesta janela, alongar demais o prefixado (vencimentos bem além de três anos) ou concentrar IPCA+ muito longo só porque “os juros vão cair”. IPCA+ no miolo (como 2032 nas carteiras) continua fazendo sentido como proteção real, não como aposta de marcação da Superquarta.

Também evite vender pós-fixados da reserva para “entrar tudo no pré” na véspera. Se o BC soar cauteloso, a curva curta pode não entregar o alívio que a manchete do corte sugere. A discussão sobre CDI ou pré curto no casadão de juros continua válida exatamente por isso.

O que fazer na quarta à noite

Quando o Copom divulgar a decisão e o comunicado:

  1. Confirme o tamanho do corte (o consenso aponta 0,25 ponto, para 13,75%).
  2. Leia o parágrafo de forward guidance: o BC sugere paciência, dependência de dados ou abertura para novos cortes?
  3. Olhe o DI e as taxas de Tesouro prefixado curto no dia seguinte, não só o headline.
  4. Se você já travou a fatia tática de pré ≤3 anos com dinheiro que carrega até o vencimento, resista à tentação de girar a posição por ruído de uma sessão.
  5. Se você deixou caixa em %CDI de propósito, aí sim reavalie se a taxa pré curta ainda compensa o trade-off de travar.

Para novembro, as Opções de Copom citadas na cobertura de mercado já mostravam uma disputa mais aberta: cerca de 58% de chance de novo corte de 0,25 versus cerca de 28% de manutenção. Ou seja, setembro está quase “comprado” pelo mercado; novembro ainda é campo de leitura de comunicado. Por isso o checklist da semana privilegia prazo curto e reserva intacta.

Como proteger seu patrimônio nesta Superquarta

Proteção, aqui, não é sumir do mercado. É separar o que é reserva, o que é taxa travada e o que é proteção contra inflação. Três gestos concretos:

  • Não misture CRI/CRA/DEB sem FGC com a fatia que você trata como “seguro”.
  • Não ultrapasse, em um único banco emissor de CDB, o limite mental do FGC (R$ 250 mil por CPF por instituição), especialmente se já tiver outros produtos no mesmo conglomerado.
  • Não alongue duration só porque a probabilidade de corte em setembro está em 95%. Probabilidade alta no próximo movimento não elimina incerteza no ritmo seguinte.

O olhar da Meelion

O diferencial útil nesta semana não é descobrir um papel exótico de ticket alto. É colocar lado a lado o que XP, Itaú BBA e BTG já sinalizaram nas carteiras de setembro e o que o varejo consegue executar com FGC ou Tesouro: pré curto para quem quer travar, %CDI alto para quem quer carregar o ciclo, IPCA+ no miolo para quem pensa além do Copom da quarta. O resto é disciplina de prazo e leitura do comunicado, não pressa.

Erros comuns ao seguir carteiras renda fixa setembro

Alguns deslizes se repetem sempre que o BC se reúne. Conhecê-los ajuda a transformar a Superquarta em rotina, não em drama.

Trocar a reserva inteira por prefixado. Reserva existe para ser resgatável. Prefixado existe para ser carregado. São funções diferentes.

Olhar só a taxa bruta do CDB pré e ignorar o emissor. Taxa maior sem FGC ou acima do limite por instituição muda o risco. Taxa maior com FGC ainda exige diversificar emissores se o volume for alto.

Comparar LCI a 86% do CDI com CDB a 100% do CDI sem ajustar IR. A isenção da LCI/LCA pode aproximar ou até superar o CDB tributado, dependendo do prazo e da alíquota. Faça a conta líquida.

Assumir que corte de 0,25 = alta imediata no preço do pré. Se o corte já está precificado e o tom for duro, o ajuste de marcação pode ser pequeno ou até negativo no curto prazo.

Alongar IPCA+ ou pré longo “porque a inflação veio negativa em agosto”. Um mês de IPCA negativo não redefine sozinho a duration do seu portfólio. As carteiras de setembro mantêm IPCA+ no miolo, não como all-in.

FAQ rápido antes de 16/09

Preciso vender meus CDBs %CDI antes do Copom?
Não por causa do corte em si. Se a Selic cair 0,25 ponto, o CDI acompanha gradualmente. A pergunta certa é se parte desse caixa já tem prazo e objetivo para virar prefixado curto.

Tesouro prefixado a 13,38% é “pouco” perto de CDB a 14,78%?
São riscos diferentes. O Tesouro é soberano. O CDB embute crédito do banco, com FGC até o limite. A diferença de taxa existe por isso.

E se o Copom mantiver a Selic em 14%?
É o cenário minoritário nas Opções de Copom (~3,5% na leitura de 08/09). Se acontecer, a curva curta tende a se ajustar para cima e o pré curto pode sofrer na marcação. Quem carrega até o vencimento segue com a taxa contratada; quem especulava marcação sente o tombo.

Posso usar CRI/CRA das carteiras das casas na mesma lógica do CDB?
Não automaticamente. Sem FGC, com risco de crédito e, em alguns papéis, restrição de perfil, a lógica de sizing é outra. Trate como camada opcional, não como reserva.

O Fed importa para o meu CDB?
Indiretamente. A Superquarta aumenta volatilidade de mercado e pode afetar câmbio e humor de risco. Para o CDB com FGC e o Tesouro Selic da sua reserva, o efeito prático imediato costuma ser menor do que o do comunicado do Copom sobre a curva local.

Quanto alocar no pré curto?
Não existe percentual universal. Um ponto de partida conservador, depois da reserva feita, é tratar o pré ≤3 anos como fatia tática (por exemplo, uma parte do caixa que sobra além dos 6 a 12 meses de liquidez), não como destino de 100% do portfólio.

Conclusão

As carteiras renda fixa setembro de XP, Itaú BBA e BTG não pedem que você abandone o CDI na véspera do Copom. Pedem um desenho mais adulto: liquidez em pós-fixados, prefixado curto para quem consegue carregar até o vencimento, IPCA+ no miolo e cautela com duration longa e com crédito privado sem FGC. Com cerca de 95% de probabilidade de Selic a 13,75% já nas Opções de Copom da B3, o número do corte importa menos do que o tom do texto de 16/09.

Se a sua reserva está em ordem e sobra caixa com prazo compatível, travar uma fatia de prefixado de até cerca de três anos antes do comunicado é coerente com o que as casas estão recomendando. Se ainda falta liquidez, ou se você quer ler o forward guidance antes de decidir, carregar percentual do CDI por mais alguns dias também é decisão racional. O que separa investimento consciente de impulso de Superquarta é exatamente essa clareza de prazo, produto e objetivo. Este artigo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento. Confirme taxas, disponibilidade, riscos e condições diretamente com a instituição financeira antes de aplicar.

Glossário

  • Selic: taxa básica de juros da economia brasileira. Influencia empréstimos, financiamentos e a remuneração da renda fixa pós-fixada.
  • Copom: Comitê de Política Monetária do Banco Central, responsável por definir a Selic.
  • CDI: taxa de referência dos investimentos em renda fixa, em geral muito próxima da Selic.
  • Prefixado: investimento cuja taxa de juros é definida no momento da aplicação, desde que carregado até o vencimento.
  • Pós-fixado: investimento cuja remuneração acompanha um indexador, como Selic ou CDI, ao longo do tempo.
  • IPCA: índice que mede a alta geral dos preços (inflação oficial ao consumidor).
  • IPCA+: título ou papel que paga a variação do IPCA mais uma taxa real prefixada.
  • Tesouro Direto: plataforma de compra de títulos públicos federais pelo investidor pessoa física.
  • CDB: empréstimo que o investidor faz ao banco em troca de uma remuneração acordada.
  • LCI / LCA: investimentos isentos de Imposto de Renda ligados ao crédito imobiliário (LCI) ou ao agronegócio (LCA).
  • CRI / CRA: títulos de crédito privado lastreados em recebíveis imobiliários (CRI) ou do agronegócio (CRA), sem cobertura do FGC.
  • Debêntures: títulos de dívida emitidos por empresas para captar recursos.
  • FGC: Fundo Garantidor de Créditos, que protege até R$ 250 mil por CPF por instituição em produtos elegíveis.
  • Marcação a mercado: atualização do preço do título conforme as taxas de juros do dia, relevante se houver venda antes do vencimento.
  • Duration: prazo médio ponderado de um título; quanto maior, mais sensível às variações de juros.
  • Forward guidance: comunicação do banco central sobre a possível trajetória futura da política monetária.
  • DI: taxa de juros futura negociada no mercado, usada como referência da curva de juros.
  • Superquarta: semana em que o Fed (EUA) e o Copom (Brasil) decidem juros em janelas próximas.

Fontes Consultadas

  • Seu Dinheiro — https://www.seudinheiro.com/2026/renda-fixa/cdi-prefixado-ou-ipca-veja-onde-investir-na-renda-fixa-queda-juros-mlim/
  • R7 Conta em Dia — https://noticias.r7.com/prisma/conta-em-dia/taxa-selic-deve-baixar-para-1375-nesta-semana-mas-com-cautela-do-bc-13092026/
  • B3 (Opções de Copom) — https://www.b3.com.br/pt_br/noticias/opcoes-de-copom-da-b3-indicam-95-de-chance-de-corte-de-0-25-p-p-na-selic-em-setembro.htm
  • Estadão E-Investidor (agenda Superquarta) — https://www.estadao.com.br/einvestidor/cenarios-e-mercado/semana-decisiva-para-juros-tem-super-quarta-com-fed-e-copom-veja-o-que-mexe-com-seus-investimentos/
  • BMC News — https://bmcnews.com.br/investimentos-e-financas/selic-em-setembro-o-que-fazer-com-tesouro-cdb-e-poupanca/
  • XP Conteúdos (renda fixa) — https://conteudos.xpi.com.br/renda-fixa/
  • Meelion Indicadores — https://www.meelion.com/indicadores-financeiros/
  • Meelion Selic — https://www.meelion.com/indicadores-financeiros/selic/
  • Meelion DI — https://www.meelion.com/indicadores-financeiros/di/
  • Meelion Comparar Investimentos — https://www.meelion.com/renda-fixa/comparar-investimentos/
  • ANBIMA (taxas de títulos públicos) — https://www.anbima.com.br/pt_br/informar/taxas-de-titulos-publicos.htm
  • Valor Econômico (Finanças) — https://valor.globo.com/financas/
  • InfoMoney (hub renda fixa) — https://www.infomoney.com.br/tudo-sobre/renda-fixa/
Dan Mark Printes

Dan Printes é fundador da Meelion e empreendedor na área de tecnologia. Atua com inteligência artificial, produtos digitais e investimentos, com especial interesse em renda fixa e na aplicação de tecnologia para tornar decisões financeiras mais simples e inteligentes. Neste espaço, compartilha insights sobre investimentos, economia, renda fixa e outros temas relacionados ao mercado financeiro.

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