Selic a 15% novamente
A taxa básica de juros do Brasil, a Selic, atingiu 15% ao ano mais uma vez – um patamar que não víamos desde meados de 2006. Esse retorno aos 15% traz mudanças importantes para a economia e, principalmente, reacende grandes oportunidades para os investidores em renda fixa. Mas de onde veio essa alta? Ela vai durar? E como tirar o melhor proveito de juros tão elevados nos seus investimentos?
Neste artigo, vamos repassar o histórico recente da Selic, entender o cenário atual, conferir previsões futuras – inclusive a possibilidade de queda nos próximos anos – e detalhar como aproveitar essa taxa nas aplicações de renda fixa. Tudo isso em um tom direto e claro, no estilo da Meelion, voltado para você que já tem alguma experiência no mercado e quer se manter bem informado. Vamos lá!
Selic em 15% de novo: contexto histórico e como chegamos aqui
Nos últimos anos, a Selic passou por um verdadeiro vaivém histórico. Em 2020, para enfrentar a crise econômica, o Banco Central reduziu a Selic à sua mínima histórica de 2% ao ano. Esse foi um período atípico de juros extremamente baixos no Brasil. Contudo, a partir de 2021, com a inflação voltando a subir forte, iniciou-se um ciclo agressivo de alta dos juros.
De lá para cá, a taxa saiu rapidamente dos patamares baixos e voltou aos dois dígitos. Em 2016, por exemplo, o país já havia enfrentado juros altos (Selic a 14,25% ao ano naquela época). Agora, em 2025, a Selic não só superou aquele nível como alcançou 15%, algo não visto em quase 20 anos.
A escalada mais recente ocorreu ao longo de 2025. No início do ano, a Selic estava em 13,25% (após sucessivos aumentos desde 2021) e o mercado já projetava que ela chegaria perto de 15% até o final do ano. De fato, o Comitê de Política Monetária (Copom) continuou elevando os juros: 13,25% em janeiro, depois 14,25% em março, 14,75% em maio, até atingir 15% ao ano em junho de 2025. A partir de então, a taxa foi mantida nesse patamar nas reuniões seguintes, configurando uma super alta da Selic.
Por que os juros subiram tanto? Diversos fatores explicam esse ciclo de aperto monetário. Em primeiro lugar, a inflação tem ficado persistentemente acima da meta do Banco Central, exigindo juros elevados para contê-la. O cenário internacional também contribuiu: houve aumento de juros em outros países nos últimos anos e tensões externas (como inflação global, guerra, políticas dos EUA) que pressionaram o dólar e os preços domésticos. Internamente, a economia aquecida em 2022-2023, a piora das expectativas de inflação e até preocupações fiscais (como aumento da dívida pública) criaram um ambiente em que o Copom julgou necessário subir fortemente a Selic para segurar a alta de preços. Em resumo, chegamos aos 15% ao ano para frear a inflação e estabilizar a economia, ainda que ao custo de desacelerar o crescimento.
O que esperar daqui para frente: previsões e possibilidade de queda
Com a Selic tão alta, a grande questão agora é quando os juros vão começar a cair. A boa notícia é que o mercado já enxerga alívio nas taxas nos próximos anos, embora a palavra de ordem no Banco Central seja cautela.
No curto prazo, o Copom tem sinalizado que pretende manter a Selic em 15% por um período prolongado para garantir a convergência da inflação às metas. Ou seja, novos aumentos não estão no radar, mas também não há pressa em começar cortes imediatamente. De fato, na última reunião, a taxa foi mantida e o BC não deu nenhum sinal claro de corte iminente.
Entretanto, muitos economistas projetam que o ciclo de queda dos juros deve iniciar no ano que vem (2026). O relatório Boletim Focus – a pesquisa semanal do Banco Central com analistas do mercado – aponta uma Selic em torno de 12,25% ao fim de 2026. Ou seja, o consenso hoje é que os juros começariam a ceder ao longo de 2026, saindo dos atuais 15% para algo perto de 12% em um ano aproximadamente. Essa trajetória implicaria cortes graduais, possivelmente a partir do primeiro semestre de 2026, caso a inflação continue perdendo força.
Há, inclusive, quem esteja mais otimista: alguns especialistas acreditam que pode ocorrer um pequeno corte já no final de 2025, se a inflação permitir. De fato, a inflação mostra sinais de arrefecimento – o IPCA-15 de agosto registrou até deflação mensal – e as expectativas para a inflação oficial vêm caindo a cada novo Focus. Com a atividade econômica enfraquecendo e a inflação sob maior controle, ganha força a discussão sobre quando virão os primeiros cortes na Selic.
O próprio mercado financeiro já antecipa esse futuro alívio: a chamada curva de juros futura (negociações de DI Futuro na B3) embute expectativas de cortes, mesmo com o juro à vista ainda em 15%. Em outras palavras, investidores já apostam que a Selic começará a cair em breve e calibram suas aplicações conforme esse cenário.
Em resumo, a tendência para os próximos anos é de queda dos juros, ainda que lenta e condicionada à inflação comportada. As projeções atuais (Focus) sugerem Selic descendo para 12% em 2026, 10,5% em 2027 e 10% em 2028. Vale lembrar que essas projeções podem mudar conforme os dados econômicos, mas é um indicativo de que o pior já teria ficado para trás e, eventualmente, teremos juros menores adiante. Para o investidor, isso significa que o cenário ultra atrativo da renda fixa pode durar mais alguns meses, mas não será para sempre – o que nos leva ao ponto principal: como aproveitar essa oportunidade enquanto ela existe.
Selic nas alturas: o que significa para seus investimentos?
Uma Selic em 15% ao ano tem efeitos profundos na economia e nos investimentos. Em termos simples, o dinheiro fica mais caro: empréstimos, financiamentos e crédito em geral sofrem com juros altos, encarecendo parcelas e desestimulando o consumo. Isso explica por que setores como imóveis e varejo esfriam quando os juros disparam – o custo de financiar casa, carro ou compras no cartão aumenta bastante. Por outro lado, para quem tem recursos para investir, juros elevados significam retornos muito maiores em aplicações de renda fixa.
Estamos falando de um nível de juros que proporciona um retorno real (acima da inflação) excepcional. Com Selic a 15% e a inflação girando em torno de 5%, o juro real ultrapassa os 9% ao ano – um dos mais altos do mundo atualmente. Para dimensionar: 15% ao ano equivale a cerca de 1,17% ao mês de rendimento bruto, enquanto a inflação mensal média fica por volta de 0,3–0,4%. Poucas vezes na história recente o investidor brasileiro teve uma oportunidade de ganhar algo próximo de 1% ao mês limpo de inflação em aplicações conservadoras. Não à toa, o Brasil ostenta hoje o segundo maior juro real do planeta, perto de 9,7% ao ano.
Em termos práticos, isso significa que a renda fixa voltou a brilhar. Como já destacamos no artigo “Super Alta da Selic: o que a taxa de 14,75% significa” do blog da Meelion, a alta dos juros reacende o protagonismo da renda fixa entre os investidores. Produtos como títulos públicos e CDBs recuperam espaço nas carteiras, pois estão entregando ganhos robustos com baixo risco. Com Selic alta, é possível conseguir retornos líquidos de dois dígitos ao ano praticamente sem volatilidade, algo impensável em ambientes de juro baixo. De maneira geral, investimentos pós-fixados atrelados à Selic ou ao CDI acompanham imediatamente essa alta – um Tesouro Selic ou um fundo DI, por exemplo, passa a render muito mais agora do que rendia há dois anos.
No entanto, é importante investir com critério e estratégia, e não apenas correr atrás dos juros altos de forma cega. Juros de 15% ao ano apresentam oportunidades excelentes, mas também exigem atenção a alguns pontos:
Para quem tem dívidas, por exemplo, esse cenário é desafiador. As mesmas taxas de 15% que fazem a alegria do investidor podem ser um pesadelo para quem está devendo – financiamentos e créditos pessoais ficam caros. Por isso, antes de investir, avalie se não vale a pena amortizar dívidas caras. Como ensina Jeff Patzlaff em análise para a B3, se o custo efetivo total do seu financiamento for bem maior que o rendimento líquido que você consegue investindo (ex.: dívida ao custo de 17% a.a. vs investimento rendendo 13% a.a.), pague a dívida. Mas se sua dívida custa menos (ex.: 9% a.a.) e você consegue investir a 13% líquido, aí vale investir, pois você “lucra” a diferença enquanto carrega a dívida. Ou seja, com Selic alta, o investimento de renda fixa tende a ganhar do custo de muitas dívidas, mas é preciso fazer as contas.
Para a economia como um todo, juros em 15% significam crescimento mais lento e crédito escasso, mas também ajudam a derrubar a inflação e a estabilizar a moeda. Empresas enfrentam custos maiores para tomar empréstimos e investir em expansão, o que pode afetar lucros e, por tabela, a bolsa de valores (ações de setores dependentes de financiamento ficam menos atrativas). Não por acaso, vimos o Ibovespa patinar em 2023-2024 enquanto os juros subiam. Em compensação, esse cenário abre espaço para que investidores estrangeiros se interessem pelos títulos brasileiros, aproveitando o chamado carry trade (ganho com diferença de juros entre países). Isso dá fôlego ao câmbio (tende a valorizar o real) e ajuda a controlar ainda mais a inflação via dólar barato. Ou seja, há efeitos colaterais positivos e negativos – tudo depende de que lado você está: tomador de crédito ou aplicador.
Resumindo: juros de 15% ao ano travam alguns setores econômicos, mas premiam quem poupa e investe em renda fixa. Se você está no time dos investidores, este é um momento de colher excelentes rendimentos com risco baixíssimo. Na seção a seguir, vamos explorar como aproveitar na prática essa oportunidade na sua carteira de investimentos.
Como aproveitar a Selic de 15% na renda fixa
Diante de um cenário tão favorável à renda fixa, a pergunta-chave é: onde e como investir para tirar o máximo proveito dos juros altos? A seguir, listamos algumas estratégias e produtos de renda fixa que merecem atenção especial enquanto a Selic permanece elevada:
Tesouro Selic e fundos DI: São opções básicas e líquidas para estacionar seu dinheiro rendendo próximo de 100% da Selic. Um título Tesouro Selic (título público pós-fixado) praticamente acompanha a taxa básica: com 15% a.a., ele entrega cerca de 15% bruto ao ano (um pouco menos após taxas e IR). É ideal para reserva de emergência ou para quem quer segurança total, pois tem risco mínimo e liquidez diária. Fundos DI ou CDBs pós-fixados de grandes bancos têm função similar, normalmente rendendo perto de 100% do CDI (lembrando que o CDI anda colado com a Selic). Com esses produtos, você garante os juros altos agora e, se a Selic começar a cair, seu rendimento vai caindo junto aos poucos – ou seja, você não sofre marcação a mercado negativa, apenas passa a ganhar um pouco menos para frente. São investimentos simples e efetivos para aproveitar o momento.
Tesouro IPCA+ (títulos atrelados à inflação): Esses títulos públicos pagam uma taxa prefixada real + a variação da inflação (IPCA). No cenário atual, tornaram-se os queridinhos de muitos especialistas. Isso porque estão oferecendo juros reais na casa de 6% a 8% ao ano (dependendo do vencimento) – ou seja, você garante algo como IPCA + 6%/7% a.a. agora. É um retorno excelente: mesmo que a inflação caia, você travou um ganho real alto por vários anos. Além disso, esses títulos tendem a valorizar em preço quando os juros caem. Por exemplo, quem comprar um Tesouro IPCA+ 2035 hoje vai receber cupons e principal corrigidos pela inflação mais uma taxa fixa alta; se em 2026 a Selic começar a cair e as novas taxas de mercado recuarem, o valor de mercado do seu título antigo sobe – permitindo até um lucro extra caso decida vendê-lo antes do vencimento. Em resumo, os títulos indexados à inflação oferecem proteção contra a alta de preços e são uma excelente estratégia para travar juros altos no longo prazo, especialmente se você acredita que o ciclo futuro é de queda de juros. Vale destacar apenas que eles têm prazos longos e alguma volatilidade no caminho, então é importante estar disposto a carregá-los pelo tempo necessário.
Títulos prefixados: Os prefixados puros (seja Tesouro Prefixado ou debêntures prefixadas) pagam uma taxa fixa anual definida na compra. Com a Selic em 15%, esses papéis também passaram a oferecer taxas nominais muito altas – por exemplo, Tesouro Prefixado 2029 girando em torno de 12% a 13% ao ano no momento. Investir neles significa travar um juro fixo agora, o que pode ser ótimo se de fato os juros caírem bastante nos próximos anos. Você garante o patamar alto mesmo quando a Selic já tiver recuado. Além disso, assim como no caso anterior, se os juros caírem seu título prefixado valoriza, podendo gerar lucro se vendido antecipadamente. Mas atenção: prefixados exigem mais cuidado, pois carregam todo o risco de os juros não caírem como esperado (ou subirem ainda mais). Se houver surpresas negativas – por exemplo, inflação volta a subir ou a situação fiscal piora – o Banco Central poderia demorar mais para cortar juros, e os prefixados podem sofrer desvalorização no preço. Por isso, muitos especialistas recomendam ter prefixados com parcimônia ou prazos não tão longos, ou até esperar sinais mais claros de virada antes de se comprometer pesado neles. Em resumo, é uma aposta de cenário: lucrativa se o ciclo for mesmo de baixa (você ganha mais do que todos), porém arriscada se algo sair do roteiro.
CDBs, LCIs e LCAs de bancos médios: Fora do Tesouro Direto, o investidor encontra ótimas taxas em títulos privados também. Com a Selic alta, muitos bancos médios e fintechs estão ofertando CDBs que pagam, por exemplo, 120% do CDI, 130% do CDI ou mais, o que resulta em rendimentos acima de 15% a.a. (lembrando que 100% do CDI hoje equivale a ~15% a.a. bruto). Esses CDBs contam com garantia do FGC até R$250 mil, então o risco de crédito até esse limite é coberto, tornando-os bastante interessantes para turbinar sua renda fixa. Já as LCI e LCA (Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio) oferecem um diferencial: são isentas de imposto de renda para pessoa física. Apesar de normalmente pagarem um percentual do CDI um pouco menor (já que o banco não recolhe IR do investidor), o fato de serem isentas faz com que o rendimento líquido fique muito atrativo. Em cenário de 15% a.a. de Selic, é comum encontrar LCI/LCA pagando algo como 95% a 100% do CDI sem imposto – o que líquido equivale praticamente aos 15% ao ano. São ótimas opções para prazos médios (geralmente têm carência de alguns meses) e para quem quer diversificar além do Tesouro. Apenas cuide para respeitar a liquidez (você ficará sem poder resgatar até o vencimento).
Debêntures e crédito privado: As emissões de empresas (debêntures, CRIs, CRAs etc.) também passam a competir com os títulos públicos quando os juros sobem. No entanto, recentemente vimos um fenômeno: com a demanda alta por papéis privados, os prêmios (spreads) diminuíram – ou seja, muitas debêntures estão pagando taxas não muito acima da Tesouro Direto comparável. Isso quer dizer que o apelo relativo do crédito privado caiu um pouco frente aos títulos públicos sem risco. Ainda assim, é possível garimpar boas oportunidades, principalmente em debêntures incentivadas (isentas de IR) de empresas sólidas. Se optar por esse caminho, redobre a análise do emissor e do setor – juros altos podem pressionar empresas endividadas, então prefira aquelas mais resilientes. Em suma, o investidor moderado/conservador não precisa se aventurar muito em crédito privado agora, pois o governo já está pagando muito bem. Mas para diversificação e prazos específicos, podem entrar na carteira com critério.
Poupança: Vale um parêntese aqui – a caderneta de poupança rende atualmente apenas cerca de 6,17% ao ano + TR (pois quando a Selic está acima de 8,5%, a regra da poupança fixa o rendimento em 0,5% ao mês). Isso dá menos de metade da Selic! Portanto, deixar dinheiro parado na poupança neste momento significa perder potencial de ganho. Só mantenha na poupança o dinheiro que realmente precisa pela simplicidade ou algo muito curto prazo. Para todo o resto, existem alternativas de renda fixa igualmente seguras e muito mais rentáveis, como vimos acima.
Em resumo, com a Selic a 15% você tem um leque de opções de renda fixa muito rentáveis. A estratégia inteligente é combinar algumas delas de acordo com seus objetivos e horizonte:
Curto prazo/emergência: Tesouro Selic, fundos DI ou CDBs pós-fixados (alta liquidez, acompanhando a Selic).
Médio prazo (1-3 anos): CDBs de bancos médios, LCI/LCA com vencimentos alinhados ao seu objetivo, talvez um prefixado curto.
Longo prazo (>5 anos): Títulos públicos IPCA+ visando travar juros reais altos, debêntures incentivadas seletivas, e até uma pitada de ações/fundos imobiliários pensando no ciclo de baixa dos juros.
E por falar nisso, não ignore completamente a renda variável: com os juros nas alturas agora, muitos ativos de bolsa ficaram descontados. Quando os cortes de juros vierem, espera-se uma recuperação em ações e fundos imobiliários. Portanto, aproveitar a Selic alta não significa abandonar outras classes – pelo contrário, é colher o melhor da renda fixa agora, mas já se preparar para rebalancear a carteira quando o cenário virar. Diversificação continua sendo a regra de ouro.
Conclusão
A volta da Selic aos 15% ao ano cria uma situação singular para investidores no Brasil. Se por um lado encarece o crédito e impõe desafios à economia, por outro abre uma janela rara de ganhos elevados com baixo risco. Quem investe em renda fixa encontra hoje rendimentos que superam com folga a inflação, algo que melhora substancialmente o poder de construção de patrimônio no longo prazo.
Mas é preciso ficar atento: essa fase não será permanente. A própria expectativa é de que os juros comecem a cair nos próximos trimestres, diminuindo gradualmente essa abundância de retornos fáceis na renda fixa. Aproveitar a Selic em 15% significa agir agora – reforçar reservas, investir em bons títulos, travar taxas atrativas – mas sem perder de vista o futuro. Tenha em mente a estratégia para quando os cortes de juros chegarem: talvez migrar uma parte para renda variável, talvez alongar prazos, enfim, ajustar-se ao novo ciclo.
Em suma, desfrute do momento excepcional da renda fixa brasileira, fazendo o dinheiro trabalhar ao máximo a seu favor, e use essa oportunidade para consolidar sua saúde financeira. Juros altos como os atuais podem ser um divisor de águas para quem sabe aproveitar com inteligência e cautela.
Bons investimentos!
Glossário
Selic: Sigla para Sistema Especial de Liquidação e Custódia, mas que na prática designa a taxa básica de juros da economia brasileira. É definida pelo Banco Central e serve de referência para todas as demais taxas de juros do país, influenciando empréstimos, financiamentos e investimentos. Quando falamos que a “Selic está em 15%”, queremos dizer que esse é o juro básico anual determinado pelo Copom.
Copom: Comitê de Política Monetária do Banco Central. É o órgão que se reúne aproximadamente a cada 45 dias para definir a meta da taxa Selic. O Copom avalia a conjuntura econômica (inflação, atividade, riscos) e decide se vai subir, cortar ou manter os juros básicos, de forma a perseguir a meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.
Boletim Focus: Relatório semanal divulgado pelo Banco Central com as expectativas do mercado financeiro para indicadores econômicos futuros. Nele são compiladas as projeções de dezenas de economistas de bancos, corretoras e consultorias para inflação, PIB, câmbio, Selic, entre outros, nos próximos anos. É uma forma de medir o sentimento do mercado em relação à economia.
Tesouro Direto: Plataforma do governo federal para pessoas físicas investirem em títulos públicos. Permite aplicar em títulos emitidos pelo Tesouro Nacional – como Tesouro Selic, Tesouro Prefixado e Tesouro IPCA+ – de forma fácil e acessível, com valores baixos. Esses títulos financiam a dívida pública e oferecem diferentes tipos de rentabilidade (pós-fixada, prefixada, atrelada à inflação), sendo considerados dos investimentos mais seguros do mercado local.
Tesouro Selic: Título público pós-fixado cuja rentabilidade está atrelada à taxa Selic diária. Também chamado de LFT, é ideal para reserva de emergência pois praticamente não sofre volatilidade e pode ser resgatado a qualquer momento. Renderá sempre próximo à Selic do período em base proporcional.
Tesouro IPCA+: Título público indexado à inflação (IPCA). Paga ao investidor uma taxa de juros fixa acima da inflação. Ex: IPCA + 6% a.a. Isso garante ganho real, independentemente da variação do nível de preços. Em cenários de juros altos, as taxas fixas desses títulos costumam subir, tornando-os atraentes para travar retornos altos no longo prazo. Possuem prazos mais longos e podem oscilar em preço antes do vencimento conforme o mercado projeta juros diferentes.
CDI: Sigla para Certificados de Depósito Interbancário. É uma taxa de juros praticamente equivalente à Selic, usada entre os bancos para empréstimos de curtíssimo prazo. Muitos investimentos de renda fixa referenciam o CDI (por exemplo, CDB que paga “120% do CDI”). Quando a Selic muda, o CDI acompanha de perto. Assim, 100% do CDI rende quase o mesmo que 100% da Selic.
CDB: Certificado de Depósito Bancário. É um título de renda fixa emitido por bancos para se financiarem. O investidor empresta dinheiro ao banco e recebe de volta com juros. Pode ter rentabilidade prefixada, pós-fixada ao CDI ou híbrida. A maioria dos CDBs oferece um percentual do CDI (ex: 110% do CDI). Conta com proteção do FGC até R$ 250 mil por instituição, o que o torna relativamente seguro (desde que dentro desse limite).
LCI/LCA: Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio, respectivamente. Títulos de renda fixa emitidos por bancos para financiar setores imobiliário e agropecuário. Seu grande atrativo é a isenção de IR para pessoa física, o que torna o rendimento líquido muito bom. Em troca dessa isenção, costumam pagar um percentual do CDI um pouco menor que CDBs equivalentes. Também são cobertos pelo FGC até R$ 250 mil. Geralmente não têm liquidez antes do vencimento (prazo mínimo ~3 meses ou mais).
Debêntures: Títulos de dívida emitidos por empresas (exceto instituições financeiras) para captar recursos no mercado. Ao comprar uma debênture, o investidor está emprestando dinheiro para a empresa, que pagará juros (podendo ser prefixados, pós-fixados ao CDI ou indexados à inflação). Debêntures incentivadas (de projetos de infraestrutura) são isentas de IR, sendo atrativas para PF. Não têm garantia FGC, portanto o risco é o crédito da empresa emissora. Em cenários de juros altos, debêntures precisam pagar prêmio acima dos títulos públicos para valer o risco.
Juros reais: Taxa de juros após descontar a inflação. Representa o ganho efetivo de poder de compra proporcionado pelo investimento. Por exemplo, se a Selic é 15% e a inflação anual for 5%, o juro real aproximado é 10%. O Brasil atualmente apresenta juros reais em torno de 9-10%, o que é altíssimo em comparação internacional e históricomeelion.com. Juros reais elevados permitem ao investidor aumentar o valor real (ajustado pela inflação) do seu dinheiro ao longo do tempo.
Inflação (IPCA): O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é o indicador oficial de inflação no Brasil, calculado pelo IBGE. Mede a variação de preços de uma cesta de produtos e serviços consumidos pelas famílias. A meta de inflação do Banco Central (por exemplo, 3% ao ano atualmente, com tolerância de 1,5 p.p.) é definida em termos do IPCA. A Selic é usada como instrumento para trazer o IPCA efetivo para perto da meta ao longo do tempo. Em 2025, as expectativas apontam IPCA em torno de 4%–5%, acima da meta, o que justificou manter juros altoscnnbrasil.com.br.
Fontes Consultadas
B3 – A Selic pode começar a cair? Quais setores podem se beneficiar na Bolsa? (02/09/2025)
B3 – Com a Selic a 15%, vale mais a pena amortizar dívidas ou investir? (31/10/2025)
CNN Brasil – Focus: Mercado mantém projeções para taxa Selic e inflação (10/11/2025)
InfoMoney – Selic em 15% ao ano: como investir em renda fixa, ações, fundos… (05/11/2025)
C6 Bank – Taxa Selic 2025: histórico mês a mês, decisões do Copom e impactos (04/09/2025)

Escrito por:
Equipe de Redação da Meelion.
Ela é formada pelos founders Dan Mark Printes e Eduardo Horvarth e também escritores convidados. Entre em contato aqui.











