Casal organiza a carteira de eleição 2026 renda fixa em etapas, movendo um bloco do pós-fixado para o IPCA+ num quadro de planejamento

Eleição 2026 renda fixa: pós, IPCA+ ou pré na reta final?

Faltam sete dias para o primeiro turno, e é bem provável que você já tenha ouvido duas previsões opostas sobre o que vai acontecer com os juros na segunda-feira seguinte à votação. Uma diz que o mercado vai comemorar. A outra diz que vai sofrer. As duas soam convincentes, e é exatamente por isso que nenhuma delas deveria decidir a sua carteira.

A pergunta que importa para quem investe em eleição 2026 renda fixa é mais prosaica e muito mais útil: quanto do seu dinheiro deve ficar no pós-fixado esperando, quanto merece a proteção da inflação e quanto, se algum, vale travar em prefixado agora? E, para quem tem dinheiro novo para aplicar, é melhor entrar de uma vez ou em etapas?

Neste guia, reunimos o que gestoras, bancos e consultores disseram nesta reta final, cruzamos com as taxas do Tesouro Direto de sexta-feira (25/09) e com o ranking de CDBs deste domingo (27/09), e transformamos tudo em três carteiras e um calendário de aportes em reais. Sem palpite de urna.

O calendário que manda na carteira: 04/10, 25/10 e 04/11

Vamos do começo. O primeiro turno das eleições presidenciais acontece no domingo, 4 de outubro de 2026. Se houver segundo turno, ele está marcado para 25 de outubro. E a próxima reunião do Copom, o comitê do Banco Central que define a Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, acontece só em 4 de novembro.

Esse detalhe importa. Entre hoje e o próximo Copom, o investidor vai atravessar duas votações sem nenhuma decisão de juros no meio. Na prática, a Selic segue em 13,75% ao ano durante todo o período eleitoral, até pelo menos 04/11, e o CDI, a taxa de referência da renda fixa, próxima à Selic, segue perto de 13,65% ao ano, segundo os indicadores de 27/09/2026.

O que se mexe nessas semanas não é a taxa do seu CDB pós-fixado. É o preço dos títulos que já travaram uma taxa: prefixados e Tesouro IPCA+. É neles que cada pesquisa eleitoral aparece, para cima ou para baixo.

O mercado espera mais Selic em queda, mas devagar

O Boletim Focus de 21/09/2026, a pesquisa semanal do Banco Central com economistas do mercado, passou a projetar a Selic em 13,50% ao fim de 2026 (antes, 13,75%), em 12% ao fim de 2027 e em 10,50% ao fim de 2028. A inflação esperada para 2026 subiu de 4,90% para 4,92%. Você pode acompanhar a série completa na página oficial do Boletim Focus no Banco Central.

Ou seja: o cenário-base ainda é de juros cedendo aos poucos. A eleição não muda essa direção por si só, mas pode mudar a velocidade e, principalmente, o prêmio que o mercado cobra para emprestar dinheiro por prazos longos.

O que os especialistas dizem sobre eleição 2026 renda fixa

Em reportagem publicada em 26/09/2026, o InfoMoney ouviu gestoras, bancos e planejadores financeiros a uma semana do pleito. O retrato é de uma disputa sem favorito claro para o mercado, tratada como um cenário binário. E, diante de um cenário binário, a recomendação quase unânime foi não transformar a carteira em aposta eleitoral.

“A única coisa que você precisa evitar agora é fazer grandes apostas.”
André Leite, CIO da TAG Investimentos, ao InfoMoney (26/09/2026)

O roteiro que emergiu das entrevistas tem quatro peças:

  • Renda fixa como base da carteira, com o pós-fixado no centro.
  • Tesouro IPCA+ como principal recomendação do mês, evitando os vencimentos mais longos.
  • Prefixados em doses menores, preferencialmente em prazos curtos ou intermediários.
  • Aportes graduais: Pedro Carneiro, gestor da Asset1, sugere dividir a entrada em três aportes até novembro, estratégia que, segundo a Franklin Templeton, vem sendo adotada pelo mercado.

A volatilidade não é maior, mas os solavancos são mais bruscos

Um levantamento do UBS com anos eleitorais anteriores, citado pelo InfoMoney em 04/09 e novamente em 26/09, não encontrou aumento consistente da volatilidade da Bolsa, do câmbio e da renda fixa nesses períodos. O que muda, segundo os especialistas, é a intensidade das reações: cada nova pesquisa altera as apostas sobre a política fiscal dos próximos anos e pode provocar movimentos fortes em poucos dias.

A Tivio Capital, por exemplo, espera oscilação relevante no dia seguinte à votação, qualquer que seja o vencedor. Para ter dimensão do que isso significa para você: quem precisar vender um prefixado ou um IPCA+ justamente nessa segunda-feira pode realizar um preço ruim, mesmo que o título, levado até o vencimento, fosse pagar exatamente o combinado.

Por que o pós-fixado é a “poltrona de espera”

“O carrego do pós-fixado é a melhor poltrona de espera.”
Jeff Patzlaff, planejador financeiro, ao InfoMoney (26/09/2026)

Carrego é o rendimento que o título entrega simplesmente por você mantê-lo na carteira. No pós-fixado, esse carrego acompanha o CDI ou a Selic dia após dia, e o preço praticamente não oscila com as pesquisas. É por isso que ele funciona como sala de espera: o dinheiro rende bem enquanto a incerteza se resolve. Já exploramos essa lógica ao analisar o carrego do pós-fixado com a Selic acumulada em 14,22%.

Quanto rende esperar, em reais

Esperar não é ficar parado. Veja duas opções de pós-fixado com dados verificados:

Opção pós-fixadaRemuneraçãoGarantiaData do dado
Tesouro Selic 2031Selic + 0,0746% ao anoTesouro Nacional25/09/2026
CDB Afinz pós-fixado118% do CDI (13,90% a.a. líquido projetado), vencimento 17/09/2029FGC27/09/2026
CDB Neon pós-fixado116% do CDI (13,80% a.a. líquido projetado)FGC27/09/2026
CDB Banco Arbi pós-fixado116% do CDI (13,79% a.a. líquido projetado)FGC27/09/2026

No ranking de CDBs deste domingo (27/09), o CDB Afinz a 118% do CDI aparece com taxa líquida mensal de 1,16%. Para R$ 100 mil, isso equivale a algo perto de R$ 1.160 por mês já descontado o Imposto de Renda de 15%, a alíquota para quem fica mais de dois anos. É uma conta ilustrativa: a rentabilidade projetada depende do caminho do CDI até o vencimento.

O CDB, vale lembrar, é um empréstimo que o investidor faz ao banco em troca de uma remuneração. Ele conta com o FGC, o Fundo Garantidor de Créditos, que protege até R$ 250 mil por CPF por instituição. As regras completas estão no site oficial do Fundo Garantidor de Créditos. Para quem tem mais do que isso, a saída é dividir entre emissores.

O varejo já votou com o bolso

Os dados oficiais do Tesouro Direto de agosto, divulgados em 25/09/2026, mostram para onde o investidor pessoa física está levando o dinheiro. As vendas bateram recorde de R$ 15 bilhões no mês, e os títulos atrelados à Selic (Tesouro Selic e Tesouro Reserva) somaram R$ 7 bilhões, ou 46,9% do total. Os títulos de inflação ficaram com R$ 5,5 bilhões (36,3%) e os prefixados, com R$ 2,5 bilhões (16,7%).

Esse movimento não começou agora. Em julho, já mostramos o boom da renda fixa pós-fixada no pré-eleição. A diferença é que, a uma semana da urna, a pergunta deixou de ser “se” e passou a ser “até quando” ficar só no pós.

Tesouro IPCA+ no miolo da curva: a proteção do mês

O Tesouro IPCA+ é um título do governo federal, comprado diretamente pelo investidor, que paga a inflação medida pelo IPCA, o índice que mede a alta geral dos preços, mais uma taxa fixa combinada na compra. Essa taxa fixa é o chamado juro real.

Em 25/09/2026, às 9h23, o Tesouro IPCA+ 2032 pagava IPCA + 7,65% ao ano, abaixo dos 7,67% da véspera. O IPCA+ 2040 estava em IPCA + 7,27%, e o IPCA+ 2050, em IPCA + 7,14%. A leitura do dia foi curiosa: a prévia da inflação, o IPCA-15 de setembro acima do esperado (0,70%, contra 0,53% previstos em pesquisa da Reuters), não impediu a queda das taxas, puxada pelo alívio no Oriente Médio.

Na reportagem do InfoMoney, o UBS classificou os títulos atrelados à inflação como muito atrativos e peça central das carteiras de longo prazo. A orientação mais frequente, porém, foi evitar os vencimentos mais longos, que oscilam mais. A Ghia Multi Family Office mira um prazo médio em torno de seis anos, o que coloca o IPCA+ 2032 perto do centro dessa faixa.

O que isso significa para o seu dinheiro

Um juro real de 7,65% ao ano é alto para os padrões históricos e internacionais, mas ele só é garantido para quem leva o título até 15/08/2032. Se o objetivo é proteger o poder de compra de um dinheiro que só será usado daqui a seis anos ou mais, a oscilação da semana eleitoral é ruído. Se existe chance real de precisar do valor antes, o IPCA+ pode entregar menos do que o prometido na hora da venda.

Um ponto que os especialistas reforçaram: vender títulos IPCA+ para dolarizar só por causa da eleição está entre os movimentos desaconselhados nesta reta final.

Prefixado: dose menor e prazo curto

O prefixado trava uma taxa nominal na compra. Em 25/09/2026, o Tesouro Prefixado 2029 estava em 13,91% ao ano, e o Prefixado 2032, em 14,13%. Nas plataformas de bancos e corretoras, a XP oferecia no mesmo dia CDBs prefixados de até 14,50% ao ano para prazos acima de 12 meses.

Um estudo da XP citado pelo InfoMoney mostra que, historicamente, os prefixados batem o CDI na maior parte das vezes, mas por margem pequena. As vitórias mais expressivas vieram quando o investidor conseguiu travar taxas altas antes de o mercado precificar os cortes de juros. É exatamente a aposta que o prefixado faz hoje, e é por isso que ele pede moderação.

Uma conta em R$ para o Prefixado 2029

Suponha R$ 100 mil aplicados no Tesouro Prefixado 2029 a 13,91% ao ano, com vencimento em 01/01/2029, pouco mais de dois anos e três meses a partir de hoje. Levado até o fim, o valor bruto chegaria a cerca de R$ 134,2 mil. Descontado o Imposto de Renda de 15% sobre o ganho, sobrariam perto de R$ 129,1 mil, sem considerar a taxa de custódia da B3. É uma simulação didática, com taxa constante.

O número é bom, mas repare: ele só existe no vencimento. Até lá, o preço do título sobe e desce com a curva de juros. Se quiser entender como esse vencimento reagiu recentemente ao mercado futuro, vale revisitar nossa análise do Prefixado 2029 depois da alta do DI.

Há também uma dimensão eleitoral específica, que discutimos em setembro ao olhar o prêmio eleitoral embutido nos juros futuros: parte da taxa de hoje remunera justamente a incerteza sobre o próximo governo. Se essa incerteza se dissipar a favor do cenário que o mercado considera mais fiscalmente responsável, os prefixados tendem a ganhar. Se acontecer o contrário, tendem a perder no curto prazo.

Eleição 2026 renda fixa: três carteiras com números em R$

Os especialistas ouvidos pelo InfoMoney no início de setembro, e retomados na reportagem de 26/09, propuseram divisões diferentes para a renda fixa. Aplicamos cada uma a uma carteira hipotética de R$ 300 mil para ficar mais concreto:

PerfilPós-fixadoIPCA+PrefixadoEm R$ 300 mil
Mais conservador (Jeff Patzlaff)70% Tesouro Selic20%10%R$ 210 mil / R$ 60 mil / R$ 30 mil
Equilibrado (Leonardo Mendes, Manchester)30%40%30%, metade até 2 anosR$ 90 mil / R$ 120 mil / R$ 90 mil
Mais exposto a juros (Robson Casagrande, GT Capital)25% Tesouro Selic45% (2029 a 2032)30% (2029 a 2031), em 2 ou 3 etapasR$ 75 mil / R$ 135 mil / R$ 90 mil

Não existe carteira certa para todos. A escolha depende de quando você vai precisar do dinheiro e de quanto aguenta ver o extrato oscilar sem vender. Quem tem objetivo de curto prazo, ou ainda está montando a reserva de emergência, fica naturalmente mais perto da primeira linha.

O calendário de três aportes, na prática

A sugestão de dividir a entrada em três aportes até novembro se encaixa perfeitamente no calendário eleitoral. Imagine que você tem R$ 90 mil novos para alocar entre IPCA+ e prefixado:

  1. Agora, antes de 04/10: todo o valor entra no pós-fixado (Tesouro Selic ou um CDB com FGC e boa taxa). Ele rende desde o primeiro dia. Se o seu plano prevê IPCA+, a primeira parcela de R$ 30 mil pode ir já para um vencimento intermediário.
  2. Depois do resultado, em 04/10 ou 25/10: com o cenário mais claro, uma segunda parcela de R$ 30 mil sai do pós para o IPCA+ ou para o prefixado curto, conforme o seu perfil.
  3. Depois do Copom de 04/11: com a decisão de juros e os primeiros sinais do novo comando da economia, a última parcela completa a alocação.

Esse escalonamento não garante o melhor preço. Ele garante algo mais valioso: que você não aposte tudo em um único dia. Como disse Patzlaff ao InfoMoney, vale mais entrar pagando um pouco mais caro depois de conhecido o novo comando da economia do que tentar adivinhar o resultado agora.

Marcação a mercado: o risco de vender na semana da urna

Marcação a mercado é a atualização diária do preço de um título de acordo com as taxas negociadas no mercado. Quando os juros sobem, o preço dos prefixados e dos IPCA+ já comprados cai, e vice-versa.

A reportagem do InfoMoney lembra que uma alta inesperada dos juros pode gerar perdas de alguns pontos percentuais em papéis de cinco anos para quem precisar vender antes do vencimento. Uma conta aproximada ajuda a visualizar. A sensibilidade de um título a juros se mede pela duration, o prazo médio ponderado do título: quanto maior, mais sensível às variações de juros.

Título (taxa de 25/09)Prazo aproximado até o vencimentoEfeito aproximado de +1 ponto percentual na taxa
Tesouro Selic 2031cerca de 4 anos e 5 mesespraticamente nulo
Tesouro Prefixado 2029 (13,91%)cerca de 2 anos e 3 mesesqueda de cerca de 2% no preço
Tesouro IPCA+ 2032 (IPCA + 7,65%)cerca de 5 anos e 11 mesesqueda de cerca de 5,5% no preço

Cálculo didático para títulos sem cupom, usando a duration modificada aproximada. Não é projeção.

Esse é o ponto mais subestimado quando se fala em eleição 2026 renda fixa. A mensagem prática é simples: aplique em prefixados e IPCA+ apenas o dinheiro que pode ficar parado até o vencimento. Esse foi, aliás, o principal cuidado apontado pelos especialistas para os dois tipos de título.

Como proteger seu patrimônio nesta semana

  • Separe o dinheiro com data marcada (viagem, reforma, impostos de início de ano) e mantenha no pós-fixado.
  • Não venda IPCA+ ou prefixado no calor de uma pesquisa. A oscilação só vira perda se você realizar.
  • Se você já tem prefixado e IPCA+ acima do que o seu perfil pede, rebalanceie com calma, não na segunda-feira pós-urna.
  • Confira o limite do FGC por instituição antes de concentrar valores altos em um único banco.

Crédito privado, dólar e o que evitar na reta final

No crédito privado, a palavra de ordem dos especialistas é seletividade. Os FIDCs, fundos de investimento em direitos creditórios, que compram recebíveis de empresas, atraíram tantos investidores que as taxas caíram, e algumas cotas seniores já pagam em torno de CDI + 2%, patamar que gestores consideram baixo diante do risco de inadimplência. Há relatos de deterioração nas cotas subordinadas, as primeiras a absorver perdas.

“A taxa importa, mas a estrutura que protege essa taxa importa mais.”
Leandro Turaça, sócio-gestor da Ouro Preto Investimentos, ao InfoMoney (26/09/2026)

Se você carrega debêntures, CRIs ou CRAs, vale reaplicar o filtro de crédito privado que já usamos em setembro: quem origina o crédito, quão pulverizada é a carteira e qual é o histórico de perdas.

Dólar como seguro, não como aposta

Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, fez uma conta que ajuda a pôr o dólar no lugar certo: com o câmbio estável, o título de 10 anos do Tesouro americano rende bem menos que a renda fixa brasileira depois de impostos e custos de câmbio, e a moeda precisaria subir perto de 10% em 12 meses para empatar. Ele sugere entre 15% e 20% do patrimônio em dólar para o perfil moderado, como proteção contra um cenário ruim, e não como busca de rentabilidade. O dólar estava em R$ 5,19 neste domingo.

Já discutimos alternativas de proteção cambial na carteira sem abandonar a renda fixa local. Um ponto de consenso entre os especialistas: evitar produtos no exterior com proteção cambial, que anulam justamente o efeito da alta do dólar.

A lista do que evitar

Entre os movimentos desaconselhados nesta reta final, segundo a reportagem de 26/09:

  • Vender títulos IPCA+ para dolarizar só por causa da eleição.
  • Comprar produtos de investimento no exterior com proteção cambial.
  • Escolher FIDCs apenas pela taxa.
  • Concentrar a carteira em um único cenário eleitoral.

Depois da urna: o que vai mexer nos juros

Passada a votação, o que deve guiar os preços é menos o nome do vencedor e mais os primeiros passos do eleito. Um levantamento do Goldman Sachs com eleições anteriores, citado pelo InfoMoney, mostra que o câmbio reagiu mais a desdobramentos concretos, como a escolha de ministros e o avanço de reformas, do que ao resultado em si. A Tivio avalia que o investidor estrangeiro se importa mais com um sinal de ajuste fiscal logo após o pleito do que com quem vence.

Para a renda fixa, isso sugere três sinais para acompanhar entre outubro e novembro: o nome do ministro da Fazenda, as primeiras declarações sobre as contas públicas e o tom do Copom de 04/11. É nessa sequência que o prêmio dos prefixados e dos IPCA+ longos deve se redefinir.

O olhar da Meelion

A eleição é um evento binário, mas a sua carteira não precisa ser. No tema eleição 2026 renda fixa, a boa notícia é que o ponto de partida é confortável. Com a Selic em 13,75% e um juro real implícito perto de 9,14% ao ano (calculado a partir da Selic e da inflação de 12 meses, de 4,22%), a renda fixa brasileira paga bem para quem espera, e paga ainda melhor para quem tem paciência de levar títulos até o vencimento. O maior risco desta semana não é o resultado das urnas. É tomar uma decisão grande com base em uma pesquisa.

Antes de mover qualquer parcela, vale comparar taxas de CDB, LCI, LCA e títulos com a mesma régua: rentabilidade líquida, prazo e garantia. A Meelion reúne ofertas de diferentes bancos e corretoras para você simular lado a lado.

Perguntas frequentes

Devo tirar o dinheiro da renda fixa antes da eleição?

Não há motivo para sair da renda fixa. O consenso dos especialistas é justamente usá-la como base da carteira na eleição, com o pós-fixado como principal lugar de espera. O que merece atenção é o tamanho da posição em prefixados e IPCA+ longos, que oscilam com as pesquisas.

O Tesouro Selic perde dinheiro se o resultado desagradar o mercado?

O Tesouro Selic tem oscilação muito pequena, porque acompanha a taxa básica dia a dia. Em momentos de estresse, pode haver variações mínimas no preço, mas ele segue como o título público mais estável para quem precisa de liquidez.

Vale travar o Prefixado 2029 a 13,91% antes do primeiro turno?

Pode valer para uma fração da carteira, com dinheiro que ficará até 01/01/2029. Os especialistas recomendam doses menores e compras em etapas. Travar tudo agora é uma aposta de que os juros vão cair, e essa aposta pode sofrer no curto prazo se o mercado se frustrar.

IPCA+ 2032 ou IPCA+ 2050?

Para a maioria dos investidores nesta reta final, os vencimentos intermediários fazem mais sentido. O IPCA+ 2032 pagava IPCA + 7,65% em 25/09, acima do IPCA+ 2050 (IPCA + 7,14%), e oscila bem menos. A orientação mais frequente dos especialistas foi evitar os vencimentos mais longos.

CDB pós-fixado ou Tesouro Selic para esperar a eleição?

Os dois cumprem o papel. O Tesouro Selic tem garantia do Tesouro Nacional e liquidez diária. CDBs de bancos médios costumam pagar mais, como os 118% do CDI do CDB Afinz no ranking de 27/09, mas têm prazo definido e dependem do FGC até R$ 250 mil por CPF por instituição.

Se houver segundo turno, muda alguma coisa?

Muda o calendário: a incerteza se estende até 25/10. Por isso o escalonamento em três aportes é útil, porque ele se adapta a um ou a dois turnos sem exigir que você acerte o desfecho.

Erros comuns na reta final da eleição

  • Confundir oscilação com perda. Um IPCA+ que caiu no extrato só perde de fato se for vendido antes do vencimento.
  • Olhar só a taxa bruta. Compare sempre o rendimento líquido, depois do Imposto de Renda, e a garantia de cada produto.
  • Usar o dinheiro da reserva para “aproveitar” a eleição. A reserva de emergência fica no pós-fixado com liquidez, em qualquer cenário.
  • Mudar a estratégia a cada pesquisa. A volatilidade média de anos eleitorais não é maior, segundo o UBS. O que cresce é a tentação de reagir.

Conclusão

A reta final da eleição 2026 renda fixa não pede heroísmo. Pede método: um balde de espera no pós-fixado, rendendo perto de 100% do CDI ou mais; um balde de proteção em IPCA+ intermediário, para o dinheiro de longo prazo; e, se o seu perfil permitir, uma fatia menor de prefixado, comprada em etapas. O calendário 04/10, 25/10 e 04/11 organiza o resto.

Quem chega à urna com a carteira dividida dessa forma não depende do resultado para dormir tranquilo. E isso, em ano eleitoral, vale tanto quanto qualquer ponto percentual de taxa.

Este artigo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento. Taxas e rankings citados referem-se às datas indicadas e podem mudar.

Glossário

  • Selic: taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Copom. Ela influencia empréstimos, financiamentos e investimentos de renda fixa.
  • CDI: taxa de referência da renda fixa, próxima à Selic. É a base dos investimentos pós-fixados.
  • Copom: Comitê de Política Monetária do Banco Central, que se reúne a cada 45 dias para decidir a Selic.
  • IPCA: índice oficial de inflação, que mede a alta geral dos preços ao consumidor.
  • Boletim Focus: pesquisa semanal do Banco Central com as projeções de economistas para Selic, inflação, PIB e câmbio.
  • CDB: empréstimo que o investidor faz ao banco em troca de uma remuneração.
  • FGC: o Fundo Garantidor de Créditos, que protege até R$ 250 mil por CPF por instituição.
  • Tesouro Selic: título público pós-fixado que acompanha a Selic, com baixa oscilação de preço.
  • Tesouro IPCA+: título público que paga a inflação mais uma taxa de juro real definida na compra.
  • Prefixado: título com taxa nominal travada na compra, conhecida desde o início.
  • Carrego: rendimento que um título entrega enquanto é mantido na carteira.
  • Marcação a mercado: atualização diária do preço de um título conforme as taxas negociadas no mercado.
  • Duration: prazo médio ponderado do título. Quanto maior, mais sensível às variações de juros.
  • Juro real: rendimento acima da inflação.
  • FIDC: fundo de investimento em direitos creditórios, que compra recebíveis de empresas.
  • Cota sênior e cota subordinada: classes de cotas de um FIDC. A subordinada absorve as primeiras perdas e protege a sênior.

Fontes Consultadas

  • InfoMoney: O que fazer com seu dinheiro a uma semana da eleição? Especialistas respondem (26/09/2026): https://www.infomoney.com.br/onde-investir/eleicoes-2026-o-que-fazer-investimentos/
  • InfoMoney: A um mês para a eleição, é melhor investir agora ou esperar? (04/09/2026): https://www.infomoney.com.br/onde-investir/um-mes-para-as-eleicoes-e-melhor-investir-agora-ou-esperar/
  • InfoMoney: Taxas do Tesouro Direto recuam apesar do IPCA-15 acima do esperado (25/09/2026): https://www.infomoney.com.br/onde-investir/tesouro-direto-abertura-fechamento-25092026/
  • Valor Investe: Taxas do Tesouro Direto ficam estáveis com IPCA-15 forte (25/09/2026): https://valorinveste.globo.com/produtos/renda-fixa/tesouro-direto/noticia/2026/09/25/taxas-do-tesouro-direto-ficam-estaveis-com-ipca-15-forte-e-alivio-no-preco-do-petroleo.ghtml
  • InfoMoney: Renda Fixa Hoje, taxas de CDBs, LCIs e LCAs na XP (25/09/2026): https://www.infomoney.com.br/onde-investir/renda-fixa-hoje-as-taxas-de-cdbs-lcis-e-lcas-na-xp-com-previa-da-inflacao-em-alta/
  • InfoMoney: Tesouro Direto bate recorde em agosto com R$ 15 bi (25/09/2026): https://www.infomoney.com.br/onde-investir/tesouro-direto-bate-recorde-em-agosto-com-r-15-bi-em-investimentos/
  • InfoMoney: Boletim Focus reduz projeção da Selic para 13,50% em 2026 (21/09/2026): https://www.infomoney.com.br/economia/boletim-focus-projecoes-21092026/
  • Safra O Especialista: Eleições e geopolítica exigem nova alocação: https://oespecialista.safra.com.br/eleicoes-geopolitica-carteiras-volatilidade-2026/
  • Meelion: Indicadores Financeiros (27/09/2026): https://www.meelion.com/indicadores-financeiros/
  • Meelion: Melhores Investimentos em CDB hoje (27/09/2026): https://www.meelion.com/renda-fixa/melhores-investimentos/cdb/
  • Banco Central do Brasil: Boletim Focus: https://www.bcb.gov.br/publicacoes/focus
  • Fundo Garantidor de Créditos: https://www.fgc.org.br/
Dan Mark Printes

Dan Printes é fundador da Meelion e empreendedor na área de tecnologia. Atua com inteligência artificial, produtos digitais e investimentos, com especial interesse em renda fixa e na aplicação de tecnologia para tornar decisões financeiras mais simples e inteligentes. Neste espaço, compartilha insights sobre investimentos, economia, renda fixa e outros temas relacionados ao mercado financeiro.

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