Treasury ou CDI: o título americano a 5,2% compensa em reais?
Durante seis anos, uma das maiores gestoras de recursos do mundo manteve distância dos títulos do governo americano. Em 13 de outubro de 2026, ela mudou de ideia. Quando uma casa desse porte volta a comprar algo que evitava desde 2020, é natural que o investidor brasileiro faça a pergunta que abre este artigo: Treasury ou CDI, onde o seu dinheiro trabalha melhor daqui para a frente?
A dúvida tem fundamento. O Treasury de 10 anos, título de dívida emitido pelo Tesouro dos Estados Unidos, paga perto de 5,2% ao ano, a taxa mais alta em mais de duas décadas. Do lado de cá, o CDI hoje, a taxa de referência dos investimentos em renda fixa no Brasil, está em 13,65% ao ano. À primeira vista, a disputa parece encerrada antes de começar. Mas a comparação certa não é entre duas taxas. Uma está em moeda americana, a outra em reais, e a ponte entre elas tem nome: a cotação do dólar.
Vamos do começo. Nas próximas seções, você vai entender o que a BlackRock mudou e por que preferiu o prazo curto, ver a conta em reais com seis cenários para o câmbio daqui a um ano, conhecer os caminhos que a pessoa física tem para investir em Treasury e, principalmente, descobrir qual papel esse título pode cumprir numa carteira brasileira. Adiantando a conclusão: ele funciona muito melhor como seguro do que como aposta.
O que a BlackRock mudou e por que isso importa para quem está no CDI
O BlackRock Investment Institute, braço de pesquisa e estratégia da gestora, mantinha desde outubro de 2020 uma posição underweight em Treasuries. Para o leitor que não vive o mercado diariamente, uma tradução rápida: underweight significa ter menos de um ativo do que a carteira de referência sugere. O oposto, overweight, é ter mais. Neutro é ficar exatamente no peso de referência.
Em outubro de 2020, o Treasury de 10 anos pagava perto de 0,9% ao ano. Emprestar dinheiro ao governo americano por uma década em troca de menos de 1% ao ano fazia pouco sentido, e a BlackRock preferiu ficar de fora. Seis anos depois, com o mesmo título perto de 5,2%, a conta mudou.
Na nota publicada em 13/10/2026, assinada por Jean Boivin, Wei Li e Rick Rieder, diretor de investimentos de renda fixa global da casa, a gestora fez três movimentos:
- Treasuries de curto prazo: passaram para overweight, ou seja, compra acima do peso de referência.
- Treasuries de longo prazo: saíram de underweight para neutro.
- De onde veio o dinheiro: a troca foi financiada rebaixando ações americanas para neutro e reduzindo para neutro os MBS de agências, títulos lastreados em financiamentos imobiliários garantidos por agências ligadas ao governo dos EUA.
A justificativa veio em uma frase: “Agora, os rendimentos se ajustaram em direção à nossa visão de longa data de juros mais altos, e queremos garantir uma renda atrativa”. Em outras palavras, a gestora sempre achou que os juros americanos ficariam mais altos por mais tempo. Agora que o mercado chegou lá, ela considera que vale a pena travar essa remuneração.
A aposta contra o excesso de pessimismo com o Fed
Há um segundo argumento, mais sutil. Os swaps de juros, contratos em que duas partes trocam uma taxa fixa por uma flutuante e que funcionam como um termômetro das expectativas do mercado, embutem pelo menos três altas de 0,25 ponto percentual do Fed, o banco central americano, nos próximos 12 meses. Para a BlackRock, essa expectativa é “excessiva”.
Esse detalhe importa. Os títulos de prazo curto são os que mais reagem às decisões do Fed. Se o banco central subir menos do que o mercado precifica hoje, as taxas desses papéis tendem a cair, e quem comprou antes ganha com a valorização. É por isso que o trecho curto foi o escolhido para o overweight.
A gestora ainda calculou uma margem de segurança: segundo a nota, os rendimentos “poderiam subir mais 75 pontos-base nos próximos 12 meses antes que o retorno total dos Treasuries fique negativo”. Pontos-base são centésimos de ponto percentual, então 75 pontos-base equivalem a 0,75 ponto. Na prática, a BlackRock diz que os juros recebidos no período compensariam uma perda de preço até esse limite.
A BlackRock não está sozinha
Na mesma semana, a JPMorgan Asset Management afirmou, por meio da estrategista Marina Valentini, que “se abriu uma janela de oportunidade em trechos de curto prazo” da curva americana, com preferência pelo meio da curva, perto de 5 anos. Para ela, os prazos longos “não compensariam ainda”. Já a Pimco, outra gigante da renda fixa global, disse estar com a duration de sua carteira “tão longa quanto há muito tempo não tínhamos”. Duration é o prazo médio ponderado de um título: quanto maior, mais sensível ele é às variações de juros.
Três notícias no mesmo dia, uma só pergunta
O 13 de outubro trouxe ainda dois fatos que mexem diretamente com o bolso do investidor brasileiro. A B3 começou a negociar quatro contratos futuros de Treasuries, e o Goldman Sachs revisou sua projeção para o câmbio, passando a ver o dólar em R$ 4,70 em três meses. A primeira notícia amplia o acesso institucional aos juros americanos. A segunda, como você verá adiante, é a que mais pesa na decisão de quem pensa em trocar o CDI pelo Treasury.
Treasury de 2, 10 e 30 anos: o que cada prazo paga hoje e qual o risco
Antes de qualquer conta, um esclarecimento: “Treasury” não é um título único. O governo americano emite papéis de vários prazos, e cada trecho da curva conta uma história diferente. Se quiser revisar a base, este conteúdo explica o que são os Treasuries e como eles funcionam. Aqui, o foco é o que cada prazo está pagando agora.
| Data | Treasury 2 anos | Treasury 10 anos | Treasury 30 anos |
|---|---|---|---|
| 16/09/2026 (dia da alta do Fed) | 4,74% | 5,01% | 5,35% |
| 05/10/2026 | n/d | 5,31% (máxima de fechamento) | n/d |
| 07/10/2026 | n/d | n/d | 5,67% |
| 08/10/2026 | 4,75% | 5,22% | 5,60% |
| 13/10/2026 (abertura) | 4,71% | 5,19% | n/d |
No início de outubro, o Treasury de 10 anos chegou a tocar perto de 5,35% durante o pregão, o maior nível desde 2002. Em 13/10, recuava cerca de 5 pontos-base, para a casa de 5,19% a 5,20%. O de 2 anos abria em 4,71%.
O que está empurrando os juros americanos
O Fed subiu os juros em setembro de 2026. Para a reunião de 28 de outubro, o mercado espera manutenção; para 9 de dezembro, nova alta. Christopher Waller, diretor do Fed, afirmou que novas elevações são necessárias, mas “não necessariamente consecutivas”.
Waller também deu uma leitura interessante sobre a escalada das taxas longas. Para ele, a alta vem de crescimento econômico real, de gastos com inteligência artificial e do volume de dívida pública, e não de inflação descontrolada. Ele ainda estimou que uma eventual perda do “status de refúgio” dos Treasuries poderia somar 50 a 70 pontos-base aos rendimentos.
Nem todos os dados apontam na mesma direção. O payroll fraco de setembro, relatório oficial de empregos dos EUA, mostrou criação de apenas 29 mil vagas, contra 90 mil esperadas, com desemprego de 4,2%. Em 2 de outubro, o Treasury de 2 anos caiu 10 pontos-base, para 4,69%, refletindo a dúvida sobre quantas altas o Fed realmente fará.
Uma analogia para o investidor brasileiro
Para ter dimensão, pense nos títulos americanos como versões em dólar de produtos que você já conhece:
- Treasury curto (até 2 anos): tecnicamente é um prefixado, mas se comporta quase como um “Tesouro Selic em dólar”, o título brasileiro que acompanha a taxa básica de juros da economia. Oscila pouco de preço, porque o prazo é curto e o título vence logo.
- Treasury longo (10 a 30 anos): se parece com um “prefixado longo em dólar”. A taxa fica travada por muitos anos, e o preço do título varia bastante no caminho.
Essa variação de preço se chama marcação a mercado: o valor do título é atualizado todos os dias conforme as taxas negociadas. Quando os juros sobem, o preço dos títulos já emitidos cai, porque ninguém quer pagar caro por um papel que rende menos do que os novos. Como regra prática, um título com duration de 8 anos perde perto de 8% do valor se as taxas subirem 1 ponto percentual. Um título com duration de 2 anos perde perto de 2%.
É exatamente por isso que a BlackRock comprou o curto e ficou apenas neutra no longo. No curto, o investidor recebe 4,7% ao ano com pouco risco de preço e ainda pode ganhar se o Fed subir menos do que o previsto. No longo, recebe um pouco mais, mas fica exposto a qualquer nova escalada das taxas, inclusive à perda do status de refúgio mencionada por Waller.
Treasury ou CDI na conta em reais: quanto o dólar precisa subir para empatar
Resposta direta: com IOF de 1,1%, spread de câmbio de 0,6% na ida e na volta e Imposto de Renda de 15% sobre o ganho em reais, o Treasury de 2 anos a 4,71% só empata com um CDB de 100% do CDI em 12 meses se o dólar subir cerca de 10,7%, para perto de R$ 5,54. No de 10 anos, o empate fica em R$ 5,52.
Cada peça dessa conta pesa. É aqui que as comparações apressadas costumam errar.
As premissas
- Valor investido: R$ 50.000.
- Dólar de partida: R$ 5,0096, cotação de 13/10/2026.
- IOF de 1,1%: o Imposto sobre Operações Financeiras cobrado na remessa ao exterior quando ela é classificada como investimento do próprio titular.
- Spread de câmbio de 0,6% na entrada e na saída: a diferença entre o câmbio oficial e o que a instituição efetivamente cobra. Varia por corretora; aqui é uma premissa.
- Treasury carregado por 12 meses com a taxa da compra e a curva parada, ou seja, sem ganho nem perda de preço.
- IR de 15% sobre o ganho total em reais, conforme a Lei 14.754/2023.
- Comparação: CDB de 100% do CDI a 13,65% ao ano, com IR de 17,5%, alíquota para aplicações de 361 a 720 dias. Um CDB é um empréstimo que o investidor faz ao banco em troca de uma remuneração.
Com IOF e spread, cada dólar sai por R$ 5,0951. Os R$ 50.000 compram US$ 9.813,36. Já o CDB entrega, ao fim de 12 meses, R$ 55.630,63 líquidos, um ganho de 11,26% depois do imposto.
Os cenários de câmbio
| Dólar em 12 meses | Variação sobre R$ 5,0096 | Treasury 2 anos (4,71%) | Treasury 10 anos (5,20%) | CDB 100% do CDI |
|---|---|---|---|---|
| R$ 4,50 (Goldman, com ajuste fiscal) | -10,17% | R$ 45.962,63 (-8,07%) | R$ 46.177,72 (-7,64%) | R$ 55.630,63 (+11,26%) |
| R$ 4,70 (projeção do Goldman) | -6,18% | R$ 48.005,41 (-3,99%) | R$ 48.230,06 (-3,54%) | R$ 55.630,63 (+11,26%) |
| R$ 5,00 | -0,19% | R$ 50.909,15 (+1,82%) | R$ 51.112,29 (+2,22%) | R$ 55.630,63 (+11,26%) |
| R$ 5,0096 (dólar parado) | 0% | R$ 50.992,50 (+1,98%) | R$ 51.196,02 (+2,39%) | R$ 55.630,63 (+11,26%) |
| R$ 5,50 | +9,79% | R$ 55.250,07 (+10,50%) | R$ 55.473,52 (+10,95%) | R$ 55.630,63 (+11,26%) |
| R$ 5,80 (cenário fiscal ruim do Goldman) | +15,78% | R$ 57.854,62 (+15,71%) | R$ 58.090,25 (+16,18%) | R$ 55.630,63 (+11,26%) |
A leitura é clara. Com o dólar parado, o Treasury rende perto de 2% em reais, enquanto o CDB rende mais de 11%. O título americano só passa à frente no cenário em que o real se deprecia de forma relevante, algo como R$ 5,52 a R$ 5,54. Abaixo disso, o CDI vence.
Por que “o dólar precisa subir 8%” não é a conta completa
Muita gente faz a comparação dividindo uma taxa pela outra: 1,1365 dividido por 1,0471 dá 8,5% no Treasury de 2 anos, e 8,0% no de 10 anos. Esse é o diferencial bruto de juros, e ele está correto como ponto de partida. Mas ignora três custos que só aparecem na vida real.
O primeiro é o IOF, cobrado logo na saída. O segundo é o spread, pago duas vezes: na compra e na venda do dólar. O terceiro é o Imposto de Renda, que no investimento no exterior incide sobre todo o ganho em reais, inclusive a parte que veio da alta do dólar. Somados, esses custos levam o empate de 8% para 10,2% a 10,7%. É uma diferença que separa uma aposta razoável de uma aposta bem mais exigente.
Para comparação, um cálculo semelhante publicado em setembro pela Gravus Capital, com o Treasury de 10 anos a 4,95% e o dólar a R$ 5,14, chegou a um retorno líquido de 2,2% com câmbio parado e empate perto de R$ 5,65. Os números mudaram, mas a conclusão é a mesma: o empate exige um dólar cerca de 10% mais caro em um ano.
E se o CDI cair?
É uma objeção justa. O Boletim Focus de 13/10/2026, pesquisa semanal do Banco Central com economistas do mercado, reduziu a projeção da Selic para o fim de 2026 de 13,50% para 13,25%. A Selic está hoje em 13,75%, e o CDI anda colado nela, sempre um pouco abaixo.
Se o CDI médio dos próximos 12 meses ficar em 13,40% em vez de 13,65%, o CDB entrega R$ 55.527,50, e o empate do Treasury de 2 anos cai para cerca de R$ 5,53. No de 10 anos, para R$ 5,51. São poucos centavos. A conclusão não muda.
O risco que a tabela não mostra
A coluna do Treasury de 10 anos supõe que a taxa fique parada em 5,20%. Se os juros americanos subirem, haverá perda de marcação a mercado, que se soma ao efeito do câmbio. A BlackRock calcula uma folga de cerca de 75 pontos-base em 12 meses antes que o retorno total, em dólar, fique negativo. É uma estimativa da gestora, não uma garantia. Para o título de 2 anos, esse risco é bem menor, o que reforça a escolha pelo prazo curto.
Real forte ou real fraco: o que dizem Goldman, JPMorgan e o histórico
Se o resultado depende quase todo do câmbio, a pergunta seguinte é inevitável: para onde vai o dólar? Ninguém sabe com certeza, mas as projeções nomeadas ajudam a calibrar a expectativa.
O cenário do Goldman Sachs
Depois do primeiro turno das eleições, o Goldman Sachs abandonou qualquer cenário de dólar acima de R$ 5 em todo o seu horizonte de projeção. O banco passou a ver a moeda americana em R$ 4,70 em três meses, com espaço para R$ 4,50 se houver consolidação fiscal, ou seja, se as contas públicas mostrarem trajetória mais equilibrada.
Antes do primeiro turno, o mesmo banco descrevia dois caminhos opostos: uma faixa entre R$ 4,50 e R$ 4,80 em um cenário favorável ao mercado e R$ 5,80 se nada mudasse na política fiscal. O ponto central é que, hoje, o banco que mais recentemente revisou sua projeção vê o dólar cerca de R$ 0,80 abaixo do nível de empate.
O segundo turno segue no radar como fator de câmbio. Se você está pensando em como posicionar o caixa nas próximas semanas, vale ler a análise sobre renda fixa até o 2º turno.
O histórico lembrado pela JPMorgan
Do outro lado da balança, a JPMorgan Asset lembra que o real perdeu, em média, 3,3% ao ano contra o dólar na última década. É um dado que ajuda a entender por que tantos investidores mantêm uma parte do patrimônio em moeda forte.
Mas vamos fazer a conta. Se esse ritmo médio se repetir nos próximos 12 meses, o dólar iria para perto de R$ 5,17. Nesse cenário, os R$ 50.000 no Treasury de 2 anos virariam cerca de R$ 52.428, alta de 4,86%. No de 10 anos, R$ 52.638, alta de 5,28%. Melhor do que o dólar parado, mas ainda bem abaixo dos 11,26% do CDB. Mesmo a depreciação histórica média não basta para o empate em um ano.
O diferencial de juro real encolheu
Um dado técnico ajuda a explicar por que a dolarização ficou mais barata do que já foi. O spread entre o juro real de 10 anos do Brasil, medido pela NTN-B, título do Tesouro corrigido pela inflação, e o dos EUA, medido pelo TIPS, equivalente americano, caiu abaixo de 4 pontos percentuais, o menor nível desde meados de 2024. Juro real é o que sobra da taxa depois de descontada a inflação.
Na prática, a vantagem de ficar em reais diminuiu. Ela continua grande, como a tabela mostrou, mas o “custo de carregar dólar” já foi maior. Se quiser entender como esse movimento também afeta os títulos brasileiros, leia sobre o efeito dos juros americanos no prefixado brasileiro.
Uma prova de 2026: câmbio e marcação somando perdas
Nada ilustra melhor o risco do que um exemplo real. O BIEI39, recibo negociado na B3 que replica um fundo de Treasuries de 3 a 7 anos, acumulava queda de 9,20% em reais no ano até 9 de outubro, sendo 2,79% só no mês. Duas forças agiram juntas: o real se valorizou, o que reduz o valor em reais de qualquer ativo em dólar, e os juros americanos subiram, o que derrubou o preço dos títulos.
O BSHY39, que replica Treasuries de 1 a 3 anos, também caiu, mas bem menos: 2,42% em reais no ano até 22 de setembro. A diferença entre os dois mostra, na prática, por que o prazo curto sofre menos quando os juros sobem.
O que isso significa para o seu dinheiro
Se você comprar Treasury esperando bater o CDI em 12 meses, estará apostando que o dólar sobe mais de 10%, contra a projeção de um dos maiores bancos do mundo. É possível, e o cenário fiscal ruim do próprio Goldman mostra isso. Mas não é o cenário central de quem revisou as contas mais recentemente.
Por outro lado, um estudo da XP citado pelo Seu Dinheiro mostrou correlação quase nula entre dólar e CDI entre 2016 e 2026. Em linguagem simples: os dois raramente andam juntos. É justamente essa independência que dá valor ao dólar dentro de uma carteira brasileira, não como fonte de retorno, mas como proteção para quando as coisas vão mal por aqui.
Como investir em Treasury sendo pessoa física: conta no exterior, ETF ou BDR na B3
Uma dúvida comum é se dá para comprar Treasury pelo Tesouro Direto. Não dá. O Tesouro Direto vende apenas títulos emitidos pelo governo federal brasileiro, comprados diretamente pelo investidor. Para chegar aos títulos americanos, há basicamente dois caminhos para a pessoa física.
Caminho 1: conta em corretora no exterior
O investidor envia reais para uma conta em dólar e compra os títulos ou ETFs de Treasuries diretamente. ETF é um fundo negociado em bolsa que replica uma carteira, como um índice de títulos de determinado prazo.
- IOF: 1,1% quando a remessa é classificada como investimento do próprio titular. Uma transferência genérica para conta própria, sem essa finalidade, paga 3,5%. Confirme a classificação com a instituição antes de enviar. Sobre a volta do dinheiro, confira a regra aplicável diretamente com a corretora.
- Imposto de Renda: pela Lei 14.754/2023, juros, ganhos e variação cambial de aplicações financeiras no exterior são tributados a 15% na Declaração de Ajuste Anual, sem deduções, pelo regime de caixa. A variação cambial sobre o valor investido é tributada no resgate, na venda ou no vencimento.
- Detalhe útil: a variação cambial de dinheiro parado em conta-corrente não remunerada no exterior é isenta de IR, conforme a mesma lei.
Caminho 2: BDR de ETF de Treasuries na B3
BDR é um certificado negociado na bolsa brasileira que representa um ativo emitido no exterior. Você compra em reais, pela sua corretora habitual, sem remessa de câmbio. A BlackRock mantém uma família de BDRs de ETFs de Treasuries que cobre praticamente toda a curva:
| Ticker | Exposição | Paralelo no Brasil |
|---|---|---|
| DOLL39 | Treasuries de 0 a 3 meses | Caixa em dólar |
| BSHV39 | Treasuries de curtíssimo prazo (Short Treasury) | Tesouro Selic em dólar |
| BSHY39 | Treasuries de 1 a 3 anos | Prefixado curto em dólar |
| BIEI39 | Treasuries de 3 a 7 anos | Prefixado intermediário em dólar |
| BIYT39 | Treasuries de 7 a 10 anos | Prefixado longo em dólar |
| BTLH39 | Treasuries de 10 a 20 anos | Prefixado longo em dólar |
| BTLT39 | Treasuries de mais de 20 anos | Prefixado muito longo em dólar |
| BGOV39 | Curva americana inteira | Carteira diversificada de prazos |
| BTFL39 | Treasuries de taxa flutuante | Pós-fixado em dólar |
| BGOZ39 | STRIPS de 25 anos ou mais | Título sem cupom, muito longo |
STRIPS são Treasuries “desmembrados”, que pagam tudo no vencimento, sem juros intermediários. Por isso são os mais sensíveis a variações de taxa.
O BDR tem vantagens práticas, mas também custos menos visíveis:
- Retenção nos EUA: as distribuições do ETF que serve de lastro sofrem retenção de 30% na fonte americana, compensável na declaração, além da tarifa do banco depositário.
- Taxa de administração: no caso do ETF por trás do BIEI39, 0,15% ao ano.
- Liquidez baixa: o BIEI39 negocia em média perto de R$ 88,7 mil por dia, e o BSHY39, cerca de R$ 35 mil. Para valores maiores, comprar e vender pode exigir paciência.
- Tributação na venda: o BDR é tratado como ativo doméstico e segue as regras de renda variável na B3, sem a isenção de R$ 20 mil mensais que vale para ações.
E os novos contratos futuros da B3?
A B3 lançou em 13/10/2026 quatro contratos futuros de Treasuries: T02 (2 anos), T05 (5 anos), T1U (10 anos Ultra) e TBN (Bond, com 15 a 25 anos remanescentes). Contrato futuro é um acordo para comprar ou vender um ativo em data futura por um preço definido hoje, com depósito de margem como garantia.
O tamanho deixa claro o público: US$ 200 mil de valor de face no contrato de 2 anos e US$ 100 mil nos demais. O objetivo da bolsa é trazer para o Brasil operações que fundos e gestoras hoje fazem no exterior, com menor custo e sem estrutura offshore. É uma boa notícia para o mercado, mas não é um produto pensado para o investidor pessoa física.
Cuidado com o hedge cambial
Alguns fundos brasileiros investem em títulos americanos com hedge cambial, uma proteção que neutraliza a variação do dólar. Parece seguro, mas, se o objetivo é justamente ter exposição ao dólar como proteção contra um cenário ruim no Brasil, o hedge anula esse efeito. Antes de escolher, leia o regulamento e entenda se a variação cambial está ou não incluída.
| Via | Custo de entrada | Imposto de Renda | Para quem |
|---|---|---|---|
| Conta no exterior | IOF de 1,1% (investimento) e spread de câmbio | 15% sobre o ganho em reais, na declaração anual | Quem quer o título direto e tem valores maiores |
| BDR de ETF na B3 | Corretagem e spread de compra e venda na bolsa | Regras de renda variável na venda; retenção de 30% nos EUA sobre distribuições | Quem quer praticidade, em reais, sem abrir conta fora |
| Futuros de Treasury na B3 | Margem de garantia | Regras de derivativos | Fundos e gestoras |
Treasury ou CDI na carteira: quanto dolarizar e o que manter em reais
Chegamos à pergunta que realmente importa. Se o Treasury dificilmente bate o CDI em 12 meses, por que alguém deveria comprá-lo? A resposta está em mudar o papel do título na carteira: de fonte de retorno para seguro.
O que fica em reais, sem discussão
A reserva de emergência e qualquer objetivo com data e valor em reais, como a entrada de um imóvel ou a escola dos filhos, devem continuar em renda fixa brasileira, de preferência pós-fixada e com liquidez. Um gasto em reais pede um ativo em reais. Expor esse dinheiro ao câmbio é adicionar um risco que não protege nada.
A fatia dolarizada como seguro
A lógica da dolarização do patrimônio é proteger o poder de compra em um cenário adverso. Especialistas da Gravus Capital sugerem algo entre 15% e 20% em dólar para um perfil moderado, com horizonte mínimo de 18 a 24 meses. A JPMorgan Asset faz um alerta importante: “a exposição global não deve competir com a exposição doméstica”. Ou seja, a fatia internacional complementa, não substitui.
Vamos a um exemplo. Imagine uma carteira de R$ 200 mil, com R$ 30 mil (15%) dolarizados em Treasury de 2 anos e o restante no CDI. Em 12 meses, nos cenários da tabela anterior:
- Dólar a R$ 4,70: a fatia em Treasury perde cerca de R$ 1.197.
- Dólar parado: a fatia ganha cerca de R$ 594.
- Dólar a R$ 5,80: a fatia ganha cerca de R$ 4.713.
- Os mesmos R$ 30 mil em CDB de 100% do CDI: ganhariam cerca de R$ 3.378.
Com o dólar parado, a diferença entre o CDB e o Treasury na fatia de R$ 30 mil é de perto de R$ 2.784 no ano, cerca de 1,4% da carteira total. Esse é o “prêmio do seguro”: o quanto você deixa de ganhar para ter uma parcela que se valoriza justamente se o Brasil passar por um choque fiscal e o real se desvalorizar com força.
Como proteger seu patrimônio sem exagerar na dose
- Entre em etapas: dividir a compra de dólares em várias datas reduz o risco de concentrar tudo em um câmbio desfavorável.
- Prefira o curto ou o intermediário: é a mesma escolha da BlackRock e da JPMorgan. O longo adiciona risco de preço a um investimento que já carrega risco cambial.
- Respeite o horizonte: a dolarização faz sentido para dinheiro que pode ficar pelo menos 18 a 24 meses sem uso.
- Some os custos antes: IOF, spread, taxa de administração e IR mudam a conta de forma relevante, como você viu.
Onde podem estar as oportunidades em reais
Enquanto o Treasury paga 4,7% a 5,2% em dólar, a renda fixa brasileira segue entre as mais generosas do mundo. Para medir o ganho real, comece pela inflação: o IPCA acumulado em 12 meses, o índice que mede a alta geral dos preços, está em 4,58%, e o Focus projeta 5,22% para 2026. Na abertura de 13/10/2026, o Tesouro Prefixado 2029 pagava 12,40% ao ano, e o Tesouro IPCA+ 2032 pagava a inflação mais 6,68%, um juro real bem acima do oferecido pelos títulos americanos.
No crédito bancário, as taxas também chamam atenção. Um CDB prefixado do C6 a 15,35% até maio de 2030 equivale a cerca de 13,37% líquidos, com aplicação mínima de R$ 100. E uma LCI do Banco de Brasília a 15,4% prefixados até abril de 2027, distribuída pelo Banco Inter, entrega a taxa cheia por ser isenta de IR, com mínimo de R$ 1.000. LCI é um investimento isento de Imposto de Renda ligado ao setor imobiliário. Ambos contam com a proteção do FGC, o Fundo Garantidor de Créditos, que protege até R$ 250 mil por CPF por instituição.
Antes de decidir, compare as taxas disponíveis: a Meelion reúne CDBs, LCIs e outros títulos de diferentes bancos para você simular o rendimento líquido lado a lado com o que o dólar precisaria entregar.
O olhar da Meelion
A virada da BlackRock é uma notícia relevante, mas foi escrita para uma carteira global que pensa em dólar. Para quem pensa em reais, a matemática de 13 de outubro é direta: o Treasury só vence o CDI em um ano se o dólar subir mais de 10%, contra a projeção de queda do Goldman Sachs. Isso não torna o título americano uma má ideia. Torna-o uma ferramenta específica: uma fatia moderada, de prazo curto ou intermediário, comprada aos poucos, com a função de proteger o patrimônio em cenários ruins para o Brasil. O núcleo da carteira, por enquanto, continua muito bem servido pela renda fixa local.
Checklist antes de dolarizar a renda fixa
- Minha reserva de emergência e meus objetivos em reais já estão protegidos?
- O dinheiro pode ficar pelo menos 18 a 24 meses aplicado?
- Calculei o retorno líquido com IOF, spread e IR, e não só a taxa bruta?
- Escolhi um prazo compatível com o risco que aceito (curto, intermediário ou longo)?
- O produto escolhido tem exposição cambial de fato, sem hedge?
- A fatia em dólar está dentro de uma faixa moderada da carteira total?
Perguntas frequentes: Treasury ou CDI?
O Treasury tem garantia do FGC?
Não. O FGC protege apenas produtos emitidos por instituições financeiras brasileiras associadas, como CDB, LCI e LCA. No Treasury, o risco de crédito é o do governo americano, considerado um dos menores do mundo. Para o investidor brasileiro, os riscos principais são outros: o câmbio e a marcação a mercado.
O Treasury paga Imposto de Renda no Brasil?
Sim. Se comprado por conta no exterior, os rendimentos e a variação cambial são tributados a 15% na declaração anual, conforme a Lei 14.754/2023. Se o acesso for por BDR na B3, a venda segue as regras de renda variável, e as distribuições do ETF chegam com retenção de 30% nos EUA, compensável na declaração.
Qual o melhor prazo de Treasury agora?
BlackRock e JPMorgan, duas das maiores gestoras do mundo, preferem hoje o trecho curto e intermediário da curva, até cerca de 5 anos. O argumento é receber uma taxa próxima de 4,7% com pouco risco de preço. Os prazos longos pagam um pouco mais, mas oscilam bastante quando os juros sobem.
Dá para comprar Treasury pelo Tesouro Direto?
Não. O Tesouro Direto negocia apenas títulos do governo brasileiro. Para investir em Treasury, a pessoa física precisa de uma conta em corretora no exterior ou pode comprar BDRs de ETFs de Treasuries na B3, como BSHY39 ou BIEI39.
O contrato futuro de Treasury da B3 serve para pessoa física?
Na prática, não. Os contratos têm valor de face de US$ 100 mil a US$ 200 mil, exigem depósito de margem e foram desenhados para fundos e gestoras. Para o investidor individual, BDRs ou conta no exterior são caminhos mais adequados.
Vale trocar todo o CDB por Treasury?
Pela conta de hoje, não. Com custos e impostos, o Treasury de 2 anos precisa de um dólar perto de R$ 5,54 em 12 meses para empatar com um CDB de 100% do CDI. A abordagem mais equilibrada é manter o núcleo em renda fixa brasileira e usar uma fatia moderada em dólar como proteção.
Por que o Treasury de 10 anos está pagando tanto?
Segundo Christopher Waller, do Fed, a alta das taxas longas reflete crescimento econômico real, investimentos em inteligência artificial e o volume de dívida pública americana, e não inflação descontrolada. Somam-se a isso as altas de juros do Fed e o debate sobre o papel do Treasury como ativo de refúgio.
Conclusão: o Treasury como seguro, não como substituto do CDI
A BlackRock voltou a comprar Treasuries porque, para uma carteira em dólar, travar 4,7% a 5,2% ao ano depois de seis anos de juros baixos é uma decisão sensata. Para o investidor brasileiro, a escolha entre Treasury ou CDI passa por outra variável. Com o CDI a 13,65%, o título americano só vence em 12 meses se o dólar subir para perto de R$ 5,52 a R$ 5,54, enquanto o banco que mais recentemente revisou sua projeção vê R$ 4,70.
Isso não fecha a porta para o Treasury. Abre outra: a de usá-lo com propósito, como uma fatia moderada de proteção, de prazo curto ou intermediário, comprada em etapas e mantida por pelo menos dois anos. O restante da carteira pode seguir aproveitando um dos ambientes mais generosos da renda fixa brasileira em muitos anos. Investir com consciência, aqui, é saber exatamente que papel cada ativo cumpre.
Este artigo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento. Dados de mercado de 13/10/2026; taxas, cotações e projeções estão sujeitas a alteração. Confira condições, custos e tributação diretamente com a instituição financeira antes de investir.
Glossário
- Treasury: título de dívida emitido pelo Tesouro dos Estados Unidos. Os de curto prazo se comportam quase como um “Tesouro Selic em dólar”; os longos, como um “prefixado longo em dólar”.
- Fed: Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, responsável pela taxa básica de juros americana.
- Overweight / underweight / neutro: ter mais, menos ou exatamente o peso de um ativo previsto na carteira de referência de uma gestora.
- Pontos-base: centésimos de ponto percentual. 100 pontos-base equivalem a 1 ponto percentual.
- Swap de juros: contrato em que duas partes trocam uma taxa fixa por uma flutuante; usado como termômetro das expectativas de juros do mercado.
- MBS de agências: títulos lastreados em financiamentos imobiliários, garantidos por agências ligadas ao governo americano.
- Duration: prazo médio ponderado de um título. Quanto maior, mais sensível ele é às variações de juros.
- Marcação a mercado: atualização diária do preço de um título conforme as taxas negociadas. Juros em alta derrubam o preço dos títulos já emitidos.
- CDI: taxa de referência dos investimentos em renda fixa, próxima à Selic.
- Selic: taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Copom.
- IPCA: o índice oficial de inflação, que mede a alta geral dos preços.
- CDB: empréstimo que o investidor faz ao banco em troca de uma remuneração.
- LCI: investimento isento de Imposto de Renda ligado ao setor imobiliário.
- FGC: Fundo Garantidor de Créditos, que protege até R$ 250 mil por CPF por instituição.
- Tesouro Direto: plataforma de títulos emitidos pelo governo federal brasileiro, comprados diretamente pelo investidor.
- NTN-B e TIPS: títulos públicos corrigidos pela inflação, no Brasil e nos EUA, respectivamente.
- Juro real: rendimento que sobra depois de descontada a inflação.
- IOF: Imposto sobre Operações Financeiras. No câmbio para investimento do próprio titular no exterior, a alíquota é de 1,1%.
- Spread de câmbio: diferença entre a cotação de referência do dólar e a cotação efetivamente cobrada pela instituição.
- ETF: fundo negociado em bolsa que replica uma carteira ou índice.
- BDR: certificado negociado na B3 que representa um ativo emitido no exterior.
- STRIPS: Treasuries desmembrados que pagam todo o rendimento no vencimento, sem juros intermediários.
- Contrato futuro: acordo para comprar ou vender um ativo em data futura por preço definido hoje, com margem de garantia.
- Hedge cambial: proteção que neutraliza a variação do câmbio sobre um investimento.
- Boletim Focus: pesquisa semanal do Banco Central com as projeções de economistas do mercado.
- Lei 14.754/2023: lei que define a tributação de 15% sobre rendimentos de aplicações financeiras de pessoas físicas no exterior.
Fontes Consultadas
- InfoMoney: BlackRock vê oportunidade em títulos dos EUA pela primeira vez em seis anos (13/10/2026) | https://www.infomoney.com.br/onde-investir/blackrock-ve-oportunidade-em-titulos-dos-eua-pela-primeira-vez-em-seis-anos/
- InfoMoney: entrevista com Marina Valentini, JPMorgan Asset | https://www.infomoney.com.br/onde-investir/jpmorgan-asset-marina-valentini-entrevista/
- InfoMoney: Tesouro Direto, abertura e fechamento de 13/10/2026 | https://www.infomoney.com.br/onde-investir/tesouro-direto-abertura-fechamento-13102026/
- InfoMoney: Dolarizar ficou mais barato, a conta versus o CDI | https://www.infomoney.com.br/onde-investir/dolarizar-mais-barato-conta-versus-cdi/
- InfoMoney: Goldman vê real mais forte após o 1º turno | https://www.infomoney.com.br/mercados/goldman-real-pode-se-fortalecer-mais-apos-1o-turno-e-dolar-pode-chegar-a-r-450/
- InfoMoney: guia de Treasuries | https://www.infomoney.com.br/guias/treasuries-tesouro-americano/
- Acionista: abertura de mercado dos títulos do Tesouro americano (13/10/2026) | https://acionista.com.br/abertura-de-mercado-as-taxas-dos-titulos-do-tesouro-americano-operam-em-baixa/
- Admiral Markets: decisão de juros do Fed, outubro de 2026 | https://admiralmarkets.com/pt/analytics/traders-blog/decisao-juros-fed-outubro-2026
- Times Brasil: rendimentos dos Treasuries sobem após Waller | https://timesbrasil.com.br/empresas-e-negocios/rendimentos-dos-treasuries-sobem-apos-waller-do-fed-dizer-que-mais-altas-de-juros-sao-necessarias/
- Investing.com: expectativas de inflação nos EUA bem ancoradas, diz Waller | https://br.investing.com/news/economy-news/expectativas-de-inflacao-nos-eua-estao-bem-ancoradas-diz-waller-do-fed-2090212
- Bloomberg Línea: mercado reduz aposta em alta do Fed após payroll | https://www.bloomberglinea.com.br/mercados/mercado-reduz-aposta-em-alta-do-fed-com-sinais-de-fraqueza-no-mercado-de-trabalho/
- Valor Econômico: B3 amplia prateleira de negociação de Treasuries (13/10/2026) | https://valor.globo.com/financas/noticia/2026/10/13/b3-amplia-prateleira-de-negociacao-de-treasuries.ghtml
- Valor Econômico: Goldman Sachs abandona cenário de dólar acima de R$ 5 | https://valor.globo.com/financas/intraday/post/2026/10/goldman-sachs-abandona-cenario-de-dolar-acima-de-r-5.ghtml
- Valor Econômico: NTN-Bs e o diferencial de juros com os EUA | https://valor.globo.com/financas/intraday/post/2026/10/ntn-bs-desafiam-alta-global-dos-juros-reais-mas-diferencial-com-eua-limita-rali.ghtml
- Valor Econômico: como fica o IOF | https://valor.globo.com/financas/noticia/2025/07/17/afinal-como-fica-o-iof-agora.ghtml
- Estadão E-Investidor: Goldman Sachs vê eleição abrindo cenários opostos para o dólar | https://www.estadao.com.br/einvestidor/cenarios-e-mercado/goldman-sachs-ve-eleicao-abrindo-cenarios-opostos-para-o-dolar-e-aponta-o-fator-decisivo/
- B3: Ofício Circular 061/2026-VPC, lançamento dos contratos futuros de US Treasuries | https://www.b3.com.br/data/files/F1/11/61/7B/2F3D0A105BF9020AAC094EA8/OC%20061-2026-VPC%20LANCAMENTO%20DOS%20NOVOS%20CONTRATOS%20FUTUROS%20DE%20US%20TREASURIES_PT.pdf
- B3: Ofício Circular 042/2026-PRE, modelo de apreçamento dos futuros de Treasuries | https://www.b3.com.br/data/files/DA/E7/FF/1C/48D11A103BBB511AAC094EA8/OC%20042-2026%20PRE%20MODELO%20DE%20APRECAMENTO%20DOS%20NOVOS%20CONTRATOS%20FUTUROS%20DE%20US%20TREASURY%20NOTES%20E%20US%20TREASURY%20BOND%20(PT).pdf
- B3 Bora Investir: cotação BIEI39 | https://borainvestir.b3.com.br/cotacoes/etfs/BIEI39/
- B3 Bora Investir: cotação BSHY39 | https://borainvestir.b3.com.br/cotacoes/etfs/BSHY39/
- BlackRock Brasil: BDRs de ETFs | https://www.blackrock.com/br/products/bdr
- Dividendos FIIs: BIEI39, custos e retenção | https://dividendosfiis.com.br/etfs/biei39
- Seu Dinheiro: vale a pena investir em dólar com a Selic alta? | https://www.seudinheiro.com/2026/renda-fixa/vale-a-pena-investir-em-dolar-quando-a-selic-esta-pagando-14-mlim/
- Avenue: CDI vs dólar | https://connection.avenue.us/educacional/cdi-vs-dolar/
- Planalto: Lei 14.754/2023 | https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/lei/l14754.htm
- Receita Federal: Perguntas e Respostas sobre a Lei 14.754 | https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/noticias/2024/abril/receita-federal-e-secretaria-da-reforma-tributaria-lancam-atualizacao-do-perguntas-e-respostas-sobre-tributacao-de-rendimentos-no-exterior/perguntas-e-respostas-offshores-lei-14-754-e-in-rfb-2-180.pdf
- O Tributo: IOF 2026, alíquotas e fatos geradores | https://o-tributo.com/iof-2026-aliquotas-fatos-geradores
- Meelion: dólar hoje e DI, indicadores de 13/10/2026 | https://www.meelion.com/indicadores-financeiros/dolar-hoje/ e https://www.meelion.com/indicadores-financeiros/di/

Dan Printes é fundador da Meelion e empreendedor na área de tecnologia. Atua com inteligência artificial, produtos digitais e investimentos, com especial interesse em renda fixa e na aplicação de tecnologia para tornar decisões financeiras mais simples e inteligentes. Neste espaço, compartilha insights sobre investimentos, economia, renda fixa e outros temas relacionados ao mercado financeiro.














