JP Morgan rebaixa Brasil e DI sobe: o que fazer com o pré
JP Morgan rebaixa Brasil e DI sobe: o que fazer com o pré
Em um único pregão, o mercado brasileiro recebeu dois sinais que costumam chegar separados. De um lado, o J.P. Morgan reduziu a recomendação para o Brasil de overweight (exposição acima da média) para neutra. De outro, pesquisas eleitorais reforçaram o favoritismo de um candidato e a curva de juros futuros reagiu. O dólar subiu quase 1%. O DI janeiro/2027, a taxa de referência dos juros futuros de curto prazo, avançou para 13,755%. Para quem acompanha o JP Morgan rebaixa neste cenário, a pergunta que importa não é “a bolsa caiu?”, e sim: o que fazer com o prefixado quando o prêmio de risco volta a mandar na curva?
Se você carrega Tesouro Prefixado, CDB pré ou LCI/LCA pré, ou pensa em travar taxa agora, o dia 11 de agosto de 2026 deixou um recado claro. O prêmio político e fiscal voltou ao centro da formação de preços, em detrimento de leitura puramente técnica de IPCA e ata do Copom. Entender essa mudança de regime é o primeiro passo para decidir se a taxa atual do pré compensa o risco de marcação a mercado nas próximas semanas.
O que vem a seguir é o sell-off de 11/08 em checklist prático: o que o J.P. Morgan realmente mudou, por que o DI e o dólar subiram juntos, se faz sentido travar o pré curto (até cerca de janeiro/2027) ou esperar, como repartir a carteira entre pós-fixado, IPCA+ e prefixado, e o que evitar enquanto o prêmio eleitoral continuar abrindo a curva.
JP Morgan rebaixa: o que a casa mudou e por que a renda fixa sentiu
Antes de qualquer decisão de carteira, vale separar duas ideias que o mercado mistura com frequência. O que o J.P. Morgan fez em 11 de agosto de 2026 não foi um rebaixamento de rating soberano, daqueles emitidos por S&P, Fitch ou Moody’s. Foi uma mudança de recomendação de investimento: a casa saiu de overweight para neutra. Em português claro, o banco americano deixou de sugerir exposição acima da média no Brasil e passou a tratar o país como posição média no portfólio global.
Segundo reportagens do Valor Econômico e do Seu Dinheiro, a tese do banco combina três frentes. O ciclo de corte da Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, estaria perto do fim. A atividade econômica desacelera. E o ciclo de crédito piora. Na visão da casa, ainda haveria espaço para um corte de 0,25 ponto percentual em setembro, levando a Selic de 14,00% para 13,75%, seguido de uma pausa longa até o segundo trimestre de 2027.
Esse detalhe importa para a renda fixa. Se o mercado passa a precificar menos cortes e mais tempo com juros altos, o pós-fixado atrelado ao CDI, a taxa de referência dos investimentos em renda fixa, próxima à Selic, ganha atratividade relativa. Ao mesmo tempo, o prefixado precisa oferecer uma taxa que compense o risco de a curva continuar abrindo se o humor político e fiscal piorar.
O rebaixamento de recomendação também veio acompanhado de um ajuste no preço-alvo do Ibovespa para o fim de 2026, de 190 mil para 185 mil pontos. Cite isso apenas como barômetro de humor: o foco deste texto não é a bolsa. O ponto para quem investe em CDB, Tesouro Direto ou LCI/LCA é outro. Quando uma casa global grande reduz a exposição sugerida ao Brasil no mesmo dia em que o dólar sobe e o DI sobe, o fluxo estrangeiro e o prêmio de risco passam a pesar mais na curva do que o dado de inflação do dia.
Para quem não vive o mercado diariamente: overweight → neutro não significa “o Brasil quebrou”. Significa que, na leitura daquela casa, a combinação de juros, atividade e crédito já não justifica carregar mais Brasil do que a média. No pregão, isso se soma a pesquisas e a saída de capital externo. O resultado aparece na taxa que o mercado exige para emprestar ao governo e aos bancos no futuro. E é essa taxa que você vê no prefixado.
DI, dólar e pesquisas: o prêmio de risco voltou à curva
No fechamento de 11 de agosto de 2026, segundo o Valor Econômico, a curva de DI mostrou alta em vários vértices. O DI janeiro/2027 saiu de 13,745% no ajuste da véspera para 13,755%. O DI janeiro/2028 foi de 13,825% para 13,895%. O DI janeiro/2029, de 14,09% para 14,18%. O DI janeiro/2031, de 14,355% para 14,41%. Em outras palavras: o curto subiu pouco; o médio e o longo subiram mais.
Esse formato de curva, com inclinação mais acentuada nos prazos maiores, costuma sinalizar prêmio de risco. O mercado pede mais remuneração para travar taxa por mais tempo. Não porque a inflação do mês tenha explodido, mas porque o horizonte político e fiscal ficou mais incerto no preço.
No mesmo dia, o dólar à vista fechou em alta de cerca de 0,98%, a R$ 5,1606, com máxima perto de R$ 5,1776 e mínima perto de R$ 5,0983. O euro comercial ficou em torno de R$ 5,9566. Reportagens do Valor e de veículos como O Povo associaram o movimento ao rebaixamento do J.P. Morgan e ao reforço do favoritismo eleitoral nas pesquisas CNT/MDA e Futura, citadas como gatilho de aversão a risco. A pesquisa CNT/MDA apontava vantagem de cerca de 13,7 pontos percentuais no primeiro turno e quase 9 pontos em eventual segundo turno, no recorte divulgado pela imprensa.
Contraste útil. Em 7 de agosto, apenas quatro dias antes, o DI janeiro/2027 havia fechado a 13,745% com apoio externo após um payroll fraco nos Estados Unidos. Ou seja: o nível de 13,75% no curto prazo já estava no radar. O que mudou em 11/08 não foi só “mais um ponto-base no DI curto”. Foi o catalisador. O prêmio eleitoral e a leitura de fluxo estrangeiro passaram a mandar mais do que o alívio externo recente.
Segundo economista da Reach Capital citado pelo Valor, se o dólar se estabilizar em patamares de R$ 5,25 ou mais, fica difícil até o último corte de 0,25 ponto percentual precificado. A assimetria na curva de curto prazo ficaria limitada. Para quem pensa em prefixado, a mensagem prática é: a taxa “bonita” de hoje pode ser exatamente o preço do risco que o mercado já embute. Não é promoção. É prêmio.
A Selic vigente, conforme os indicadores financeiros da Meelion e as decisões do Banco Central do Brasil, permanece em 14,00% ao ano, com a próxima reunião do Copom marcada para 16 de setembro de 2026. Enquanto o Copom não se reunir, a curva de DI e o câmbio continuam sendo o termômetro diário do humor. E o humor, em 11/08, foi de mais risco precificado.
O que isso significa para o seu dinheiro
Se você tem dinheiro parado no CDI ou em CDB pós-fixado, a alta do DI e a visão de pausa longa da Selic reforçam o carrego: a taxa de referência da renda fixa tende a permanecer atrativa por mais tempo. Se você já carrega prefixado longo e precisa vender antes do vencimento, a abertura da curva pode gerar marcação a mercado negativa. Se pensa em comprar pré agora, a decisão deixa de ser só “a taxa está alta?” e passa a ser “eu aguento carregar até o vencimento se o prêmio continuar abrindo?”.
JP Morgan rebaixa e prêmio eleitoral: travar jan/27 ou esperar?
O prefixado paga uma taxa fixa conhecida na compra — no Tesouro Direto ou em CDB e LCI/LCA pré. Se você leva o título ao vencimento, recebe o que contratou, independentemente do sobe e desce diário da curva. O problema começa quando o horizonte do dinheiro é mais curto que o vencimento do título, ou quando a dose de pré na carteira é grande demais para o estômago emocional do investidor.
No pregão de 11/08, o DI janeiro/2027 a 13,755% ficou muito perto do nível que o mercado já vinha discutindo. Já escrevemos sobre quando travar o pré com DI perto de 13,75%. A diferença agora é o catalisador: rebaixamento de casa global, pesquisas e abertura mais clara nos vértices médios e longos. Travamento tático no curto prazo pode fazer sentido. Alongar agressivamente só porque “14% parece alto” é outra história.
Vamos do começo. Imagine R$ 50.000 disponíveis para um horizonte até o início de 2027. Um CDB prefixado a 13,75% ao ano, bruto, com liquidez no vencimento, entrega um carrego conhecido. Se a Selic cair menos do que o mercado esperava há semanas, você “travou” uma taxa competitiva em relação ao pós. Se a curva abrir mais e você não precisar vender, o prejuízo de marcação a mercado é teórico. Se precisar resgatar antes, o preço de venda no secundário pode ficar abaixo do que você imagina.
Agora o mesmo R$ 50.000 em um prefixado com vencimento em 2029 ou 2031. A taxa contratada pode ser maior, perto dos 14,1% a 14,4% embutidos no DI daqueles vértices. Mas a sensibilidade a novas aberturas de curva também é maior. O prazo médio ponderado do título, a duration, cresce com o vencimento. Quanto maior a duration, mais o preço oscila quando o mercado exige mais prêmio.
Há ainda o efeito fiscal e eleitoral no horizonte 2027, tema que já atravessa a conversa de casas internacionais. Quem acompanha o debate sobre prêmio fiscal e horizonte 2027 sabe: taxa alta no pré longo pode ser aviso, não só oportunidade. O Estadão E-Investidor, em texto de Marília Fontes, reforçou ideia semelhante: Tesouro Prefixado perto de 14% parece chance, mas também sinaliza risco precificado.
Então, travar jan/27 agora? A resposta honesta depende de três condições. Primeira: o dinheiro pode ficar parado até o vencimento. Segunda: a fatia de pré na carteira não ultrapassa o limite que você definiu (muitos moderados trabalham com teto perto de 10% a 15% em prefixado). Terceira: você comparou a taxa líquida do pré com alternativas isentas e com o CDI. Sem essas três, “travar porque o J.P. Morgan rebaixou” vira reação, não estratégia.
Se a curva continuar abrindo com dólar acima de R$ 5,25 no cenário discutido pela Reach Capital, o pré curto pode até se tornar mais atrativo no ponto de entrada seguinte. Esperar também é decisão. O custo de esperar é abrir mão do carrego diário da taxa atual. O custo de comprar cedo demais, com dose errada, é conviver com volatilidade de marcação a mercado que o investidor de renda fixa muitas vezes não esperava.
Pré vs CDI vs IPCA+: como repartir a carteira agora
Com a Selic a 14% ao ano, a conversa de alocação em renda fixa volta ao básico. Especialistas citados pelo InfoMoney, no pós-Copom, falaram em mixes na casa de cerca de 50% pós-fixado, 35% IPCA+ e 15% prefixado, com teto sugerido perto de 10% em pré para muitos perfis moderados. Números assim não são receita única. São âncora para pensar proporção.
O pós-fixado (CDB atrelado ao CDI, fundos de DI, Tesouro Selic) continua sendo a espinha dorsal quando o ciclo de corte ameaça ser curto e a pausa, longa. Se o J.P. Morgan está certo e a Selic só cai 0,25 ponto em setembro e depois estaciona até 2027, o carrego do CDI permanece relevante por muitos meses. Para reserva de emergência e dinheiro com data flexível, essa fatia não deveria ser enxugada só porque o prefixado “apareceu” no radar.
O IPCA+, títulos e CDBs que pagam inflação mais um spread, o índice que mede a alta geral dos preços mais um juro real, funciona como hedge quando o risco fiscal e eleitoral ameaça pressionar preços e câmbio. Em regimes de prêmio político, a inflação implícita pode subir mesmo sem um estouro imediato do IPCA cheio. Manter uma fatia intermediária em IPCA+ ajuda a proteger o poder de compra sem apostar só na taxa prefixada.
O prefixado entra como dose tática. Prefira o curto ao longo enquanto o prêmio eleitoral estiver abrindo a parte intermediária e longa da curva. Prefira dinheiro com data certa (viagem, entrada de imóvel, imposto em 2027) a dinheiro que “talvez” fique parado. E prefira comparar taxa líquida: um CDB pré a 13,76% bruto pode perder, em líquido, para uma LCI ou LCA isenta de Imposto de Renda em patamar inferior. Já discutimos como comparar CDB pré com LCI/LCA isenta no book das corretoras.
O cenário Focus de Selic a 13,75% também importa para a decisão pré versus CDI. Se o consenso caminha para um único corte e depois pausa, o espaço para o prefixado “ganhar fácil” do pós diminui. Antes de alongar duration, releia a lógica de cenário Focus de Selic a 13,75%. E lembre por que o prêmio não some mesmo com corte: o mercado pode entregar um corte e, ao mesmo tempo, exigir mais taxa nos prazos longos se o fiscal continuar no radar.
| Tipo | Papel agora (pós 11/08) | Horizonte sugerido | Atenção principal |
|---|---|---|---|
| Pós-fixado (CDI/Selic) | Base da carteira; carrego ainda alto | Reserva e objetivos flexíveis | Não reduzir demais só para “entrar no pré” |
| Prefixado curto (até ~jan/27) | Dose tática, se aguentar até o vencimento | Até o vencimento contratado | Comparar líquido vs isento; limitar % da carteira |
| Prefixado médio/longo | Seletivo; curva abriu mais nesses vértices | Só com dinheiro muito paciente | Marcação a mercado se o prêmio seguir abrindo |
| IPCA+ | Hedge de inflação e prêmio fiscal | Intermediário (anos, não semanas) | Spread real e liquidez do título |
Exemplo numérico simples. Carteira de R$ 200.000 em renda fixa, perfil moderado, após o choque de 11/08:
- R$ 100.000 (50%) em pós-fixado: CDB 100% do CDI ou Tesouro Selic, para liquidez e carrego.
- R$ 70.000 (35%) em IPCA+: vencimentos intermediários, para proteção real.
- R$ 30.000 (15%) em prefixado curto: só a parcela com data alinhada ao vencimento, preferencialmente até 2027.
Se o perfil for mais conservador, o pré pode cair para cerca de 10% (R$ 20.000) e o pós subir. O ponto não é o número exato. É a lógica: o JP Morgan rebaixa e a abertura da curva pedem dose, não “all-in”.
Onde podem estar as oportunidades
A oportunidade, se houver, tende a estar em três frentes. Primeira: pré curto com taxa líquida competitiva e dinheiro que aguenta até o vencimento. Segunda: isentos (LCI/LCA) que, depois do ajuste de IR, superam o CDB pré equivalente. Terceira: IPCA+ intermediário quando o juro real compensar o risco de carregar volatilidade. A “oportunidade” de alongar agressivamente no pré longo, só porque o DI janeiro/2031 passou de 14,35% para 14,41%, é a mais perigosa no regime atual: é exatamente onde o prêmio eleitoral e fiscal costuma se instalar.
Checklist Meelion: o que fazer (e o que não fazer) nas próximas semanas
Com Copom em 16 de setembro e eleições no radar de preço, as próximas semanas pedem processo, não prognóstico. Segue um checklist objetivo.
O que fazer
- Separar recomendação de rating. Overweight → neutro do J.P. Morgan é alocação de casa. Não confundir com rebaixamento soberano.
- Olhar a inclinação da curva, não só o DI jan/27. Em 11/08, o curto subiu pouco; médio e longo subiram mais. Isso muda a dose de duration.
- Definir teto de prefixado. Escreva o percentual máximo (por exemplo, 10% ou 15%) antes de comprar. Sem teto, a taxa alta vira desculpa para concentrar.
- Preferir pré curto ao longo enquanto o prêmio eleitoral estiver aberto nos vértices médios e longos.
- Manter fatia relevante em CDI/Selic. A tese de pausa longa da Selic favorece o carrego do pós.
- Manter IPCA+ como hedge de inflação e prêmio fiscal, sem transformar a carteira inteira em apostas de timing.
- Comparar taxa líquida. Antes de decidir, vale confrontar CDB pré, LCI/LCA e pós no mesmo horizonte. A Meelion reúne opções de diferentes bancos para você simular e comparar em tempo real.
- Checar indicadores do dia. Selic, DI e dólar mudam o ponto de entrada; use a página de indicadores como rotina, não como ansiedade.
O que não fazer
- Não transformar o artigo do dia em stock picking. O gatilho é renda fixa e curva, não timing de Ibovespa.
- Não alongar o pré só porque “14% parece alto”. Taxa alta pode ser prêmio de risco precificado.
- Não vender pós-fixado da reserva para financiar uma aposta tática em prefixado longo.
- Não ignorar marcação a mercado. Se a curva abrir com dólar mais alto, o secundário do pré longo sofre mesmo com carrego atrativo.
- Não fazer prognóstico eleitoral com a carteira. Trate pesquisas como gatilho de preço documentado, não como certeza de segundo turno.
- Não concentrar em um único vencimento ou emissor sem olhar o limite do FGC de R$ 250 mil por CPF por instituição e a diversificação de prazos.
Como proteger seu patrimônio
Proteção aqui é menos “fugir do Brasil” e mais “respeitar horizontes”. Dinheiro de curto prazo fica no pós. Dinheiro com data em 2027 pode conversar com pré curto, se a taxa líquida fizer sentido. Dinheiro de médio prazo ganha com IPCA+ bem escolhido. E a fatia especulativa de alongar duration no pré fica pequena o bastante para que uma nova abertura de curva não force venda no pior momento.
Outra camada de proteção é processual: anotar por que você comprou. “Travei 13,75% até jan/27 porque o dinheiro vence junto com o título e minha dose de pré está em 12% da carteira” é uma decisão. “Comprei porque o J.P. Morgan rebaixou e a taxa subiu” é reação. Em mercados guiados por prêmio político, o processo protege mais do que a previsão.
O olhar da Meelion
O dia 11 de agosto de 2026 não inventou o risco fiscal nem o ciclo de juros. Ele recolocou o prêmio de risco no centro do preço da renda fixa no mesmo pregão em que uma casa global saiu de overweight para neutra. Para o investidor de CDB, Tesouro e isentos, isso pede sobriedade: dose tática de pré curto, base sólida em CDI, hedge em IPCA+, e paciência com o Copom de setembro. A taxa do prefixado continua interessante. O erro é tratar interesse como urgência.
Perguntas frequentes
O rebaixamento do J.P. Morgan significa que o Brasil perdeu o grau de investimento?
Não. Foi mudança de recomendação de overweight para neutra, não rebaixamento de rating soberano por agência de crédito. São decisões diferentes, com impactos diferentes. O efeito imediato no pregão veio via humor, fluxo e prêmio de risco na curva.
Com DI jan/27 a 13,755%, ainda vale travar o prefixado?
Pode valer como dose tática se o dinheiro aguenta até o vencimento, a fatia de pré na carteira está limitada e a taxa líquida supera alternativas isentas e o CDI no seu horizonte. Não vale como aposta única só porque o número “parece alto” no dia do rebaixamento.
Por que o DI longo subiu mais que o curto em 11/08?
Porque o mercado pediu mais prêmio para prazos maiores diante de risco político e fiscal. O curto já estava ancorado perto de 13,75%. O médio e o longo embutiram mais incerteza de horizonte, o que inclinou a curva.
Devo trocar CDI por prefixado agora?
Troca total, não. Rebalanceamento tático, talvez. Com a tese de pausa longa da Selic até 2027, o pós-fixado continua sendo a base. O pré entra como complemento, não como substituto da reserva e da liquidez.
IPCA+ ajuda se o dólar for a R$ 5,25?
Ajuda como hedge de inflação e de prêmio, não como garantia. Câmbio mais alto pode pressionar preços e expectativas. IPCA+ intermediário costuma fazer mais sentido do que concentrar só em pré longo nesse cenário, mas a escolha depende do juro real oferecido e do seu prazo.
Quando a marcação a mercado do pré dói de verdade?
Quando você precisa vender antes do vencimento e a curva abriu depois da sua compra. O título pode estar “certo” no carrego e, ainda assim, valer menos no secundário. Por isso a regra de ouro: prefixado só com dinheiro que aguenta chegar ao fim.
O Copom de setembro muda essa leitura?
Pode ajustar o curto prazo. Um corte de 0,25 ponto para 13,75%, se vier, já está parcialmente no radar de casas como o J.P. Morgan. O que a curva fará nos vértices longos depende mais do fiscal, do câmbio e do humor político do que do corte isolado.
Erros comuns depois de um pregão como o de 11/08
O primeiro erro é confundir manchete com mandato. “J.P. Morgan rebaixa Brasil” vira motivo para girar a carteira inteira em um dia. Carteira de renda fixa bem montada muda por processo, não por titular.
O segundo erro é olhar só o DI janeiro/2027 e ignorar a inclinação. Se o longo sobe mais, alongar duration é exatamente o movimento que o prêmio de risco está precificando contra você.
O terceiro erro é comparar taxas brutas. CDB pré a 13,76% e LCI a 12% não são o mesmo produto depois do Imposto de Renda. Sem conta líquida, a “melhor taxa” do book pode ser ilusão.
O quarto erro é esquecer o FGC e a diversificação de emissores. Concentrar R$ 400 mil em um único CDB pré de banco médio, só porque a taxa compensou o susto do dia, cria risco de crédito desnecessário.
O quinto erro é tratar pesquisa eleitoral como destino certo da curva. Pesquisas movem preço. Elas não substituem horizonte, dose e liquidez na decisão de investimento.
Conclusão
Em 11 de agosto de 2026, o JP Morgan rebaixa para neutro e, no mesmo pregão, o DI e o dólar subiram com o prêmio eleitoral no radar. Para quem investe em renda fixa, o aprendizado útil não é prognóstico: é operacional. Prefira pré curto com dinheiro paciente, mantenha o CDI como base enquanto a pausa da Selic parecer longa, use IPCA+ como hedge, e limite a dose. A taxa do prefixado continua interessante. A qualidade da decisão está em como você a usa, não em quão alto o número parece na tela.
Este artigo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento. Revise horizontes, compare taxas líquidas e ajuste a carteira com calma. Consciência, neste momento, vale mais do que pressa.
Glossário
- Selic: taxa básica de juros da economia brasileira. Influencia empréstimos, financiamentos e a remuneração de grande parte da renda fixa.
- CDI: taxa de referência dos investimentos em renda fixa, próxima à Selic. Base dos CDBs pós-fixados e de muitos fundos de DI.
- DI futuro: contrato que embute a expectativa de juros para uma data futura. O DI janeiro/2027, por exemplo, resume a taxa média esperada até o início de 2027.
- Prefixado: investimento cuja taxa de remuneração é definida na compra (exemplo: Tesouro Prefixado, CDB pré, LCI/LCA pré).
- Pós-fixado: investimento cuja remuneração acompanha um indexador, em geral o CDI ou a Selic.
- IPCA: índice que mede a alta geral dos preços (inflação). No IPCA+, o investidor recebe a variação do IPCA mais um juro real.
- Overweight / neutro: recomendações de alocação de casas de investimento. Overweight sugere exposição acima da média; neutro sugere exposição média.
- Rating soberano: nota de crédito do país emitida por agências como S&P, Fitch e Moody’s. Diferente de recomendação overweight/neutro de um banco.
- Marcação a mercado: atualização do preço do título conforme as taxas vigentes. Se a curva sobe, o preço de um prefixado antigo tende a cair no secundário.
- Duration: prazo médio ponderado de um título. Quanto maior, mais sensível o preço às variações de juros.
- Spread: diferença entre taxas (por exemplo, juro real acima do IPCA, ou diferença entre taxa paga e cobrada).
- CDB: empréstimo que o investidor faz ao banco em troca de uma remuneração, prefixada ou pós-fixada.
- LCI / LCA: investimentos isentos de Imposto de Renda para pessoa física, ligados ao setor imobiliário (LCI) e ao agronegócio (LCA).
- Tesouro Direto: títulos emitidos pelo governo federal, comprados diretamente pelo investidor.
- FGC: Fundo Garantidor de Créditos, que protege até R$ 250 mil por CPF por instituição em produtos elegíveis, como CDB, LCI e LCA.
- Copom: Comitê de Política Monetária do Banco Central, responsável por definir a Selic.
- Prêmio de risco: remuneração extra exigida pelo mercado para carregar incerteza (política, fiscal, de crédito ou de prazo).
Fontes Consultadas
- Valor Econômico (JP Morgan reduz recomendação para Brasil): https://valor.globo.com/financas/noticia/2026/08/11/jp-morgan-reduz-recomendao-para-brasil-com-piora-do-cenrio-macro.ghtml
- Valor Econômico (Juros futuros sobem com risco eleitoral): https://valor.globo.com/financas/noticia/2026/08/11/juros-futuros-sobem-com-risco-eleitoral-e-saida-de-capital-externo.ghtml
- Valor Econômico (Dólar a R$ 5,16 com eleições no radar): https://valor.globo.com/financas/noticia/2026/08/11/dolar-salta-quase-1percent-e-vai-a-r-516-com-eleicoes-no-radar.ghtml
- Valor Econômico (Juros futuros recuam após payroll fraco, 07/08): https://valor.globo.com/financas/noticia/2026/08/07/juros-futuros-recuam-com-apoio-externo-apos-payroll-fraco.ghtml
- Seu Dinheiro (JPMorgan rebaixa overweight para neutro): https://www.seudinheiro.com/2026/bolsa-dolar/jpmorgan-rebaixa-recomendacao-de-investimentos-no-brasil-de-overweight-compra-para-neutro-julw/
- UOL / Estadão Conteúdo (confirmação do rebaixamento de recomendação): https://economia.uol.com.br/noticias/estadao-conteudo/2026/08/11/jpmorgan-rebaixa-recomendacao-de-investimentos-no-brasil-de-overweight-compra-para-neutro.htm
- O Povo (Dólar a R$ 5,16 com JPMorgan e eleição): https://www.opovo.com.br/noticias/economia/2026/08/11/dolar-vai-a-rs-516-com-rebaixamento-do-brasil-pelo-jpmorgan-e-eleicao.html
- InfoMoney (Onde investir na renda fixa com Selic a 14%): https://www.infomoney.com.br/onde-investir/ipca-2032-prefixados-e-debentures-onde-investir-na-renda-fixa-com-a-selic-a-14/
- Estadão E-Investidor (Tesouro Prefixado a 14% como aviso): https://www.estadao.com.br/einvestidor/marilia-fontes/tesouro-prefixado-a-14-parece-oportunidade-mas-tambem-e-um-aviso-ao-investidor/
- ANBIMA (Notícias do mercado de capitais): https://www.anbima.com.br/pt_br/noticias
- Meelion (Indicadores financeiros): https://www.meelion.com/indicadores-financeiros/
- Suno (Guia de juros 2026): https://www.suno.com.br/guias/juros-2026/
- XP Investimentos (Relatórios de renda fixa): https://conteudos.xpi.com.br/renda-fixa/relatorios/

Dan Printes é fundador da Meelion e empreendedor na área de tecnologia. Atua com inteligência artificial, produtos digitais e investimentos, com especial interesse em renda fixa e na aplicação de tecnologia para tornar decisões financeiras mais simples e inteligentes. Neste espaço, compartilha insights sobre investimentos, economia, renda fixa e outros temas relacionados ao mercado financeiro.



