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DI curto 13,75%: travar o pré jan/27 agora?

DI curto 13,75%: travar o pré jan/27 agora?

Há semanas em que o calendário econômico parece um jogo de paciência. Nesta, a paciência tem preço: o DI curto 13,75% (vértice janeiro 2027) fechou a semana, e a terça seguinte concentra a ata do Copom e o IPCA de julho no mesmo dia.

Para quem investe em renda fixa, esse número não é detalhe de mesa. Ele é o espelho do que o mercado embute para a trajetória da Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, e do CDI, a taxa de referência da renda fixa, até o começo de 2027. Com a curva colada nesse patamar, a pergunta deixa de ser genérica. Ainda vale travar prefixado curto antes da ata e do IPCA, ou o prêmio já encolheu demais?

O que 13,75% no vértice curto realmente diz depois do 4º corte? Quanto o colchão encolheu desde a véspera do Copom? O que ata e IPCA podem mover na curva? No fim, um checklist claro: travar parcela, esperar ou ficar no pós-fixado.

O que o DI curto 13,75% diz depois do 4º corte

Vamos do começo. O DI futuro é um contrato que precifica a expectativa média de juros entre hoje e a data do vencimento. Quando se fala em DI curto 13,75% no vértice janeiro 2027, o mercado está dizendo, em português claro: até o início de 2027, a taxa média embutida na curva está nesse nível.

Isso não é a Selic oficial. A Selic é definida pelo Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central. Tampouco é a taxa que o banco oferece no seu CDB prefixado, o empréstimo que o investidor faz ao banco em troca de uma remuneração. O DI é o termômetro. O CDB prefixado do varejo é o produto que você compra, quase sempre com Imposto de Renda na tabela regressiva e com prazo, liquidez e risco de crédito próprios.

Na semana de 3 a 7 de agosto de 2026, segundo a Semana XP na Renda Fixa, o DI jan/27 encerrou a 13,75%, com queda de 6 pontos-base em relação à semana anterior. No pregão de sexta, 7 de agosto, o Valor registrou o mesmo vértice a 13,745% no fechamento diário. Para a narrativa deste texto, padronizamos em 13,75%.

O contexto importa. Em 5 de agosto o Copom cortou a Selic de 14,25% para 14%, o quarto corte seguido, decisão unânime. O comunicado não deu forward guidance claro: os próximos passos ficam “à luz de novas informações”. As projeções de referência do próprio Copom apontaram IPCA de 5,1% em 2026, 3,8% em 2027 e 3,2% no primeiro trimestre de 2028. O IPCA é o índice que mede a alta geral dos preços, a inflação oficial do país.

Esse detalhe importa. Com a Selic a 14% e o DI jan/27 a 13,75%, a curva curta já embute uma trajetória de afrouxamento adicional até o começo do ano que vem. Não por acaso, esse 13,75% conversa com a mediana Focus de Selic no fim de 2026, o mesmo número que o mercado de expectativas já vinha consolidando. Em outras palavras: o vértice curto chegou ao nível em que “travar o óbvio” deixa de ser óbvio.

Para o leitor que não vive o mercado diariamente, vale traduzir. Se o mercado precifica 13,75% até jan/27 e a Selic ainda está em 14%, o pós-fixado atrelado ao CDI continua carregando um carrego alto no curto prazo. O prefixado só ganha a comparação se a taxa contratada for suficientemente acima do que a curva já precifica, e se você carregar o título até o vencimento. Sem esse colchão, o pré curto vira menos prêmio e mais aposta de timing.

Da véspera do Copom (13,81%) ao fechamento da semana: o prêmio encolheu

Setenta e duas horas antes da reunião, quando o DI jan/27 ainda estava a 13,81%, a curva ainda precificava com mais folga o corte que viria. Na semana de 27 a 31 de julho, o mesmo vértice fechou a 13,81%, com queda de 15 pontos-base naquele período.

Do 13,81% pré-Copom ao 13,75% pós-semana do corte, a diferença parece pequena. São apenas 6 pontos-base. Mas em juros futuros curtos, cada ponto-base é preço. Menos taxa no DI significa menos espaço para o prefixado “barato” frente ao cenário já embutido.

O caminho entre o comunicado e a sexta-feira não foi uma linha reta. No pregão de 6 de agosto, dia seguinte à decisão, os juros futuros subiram em ajuste. O DI jan/27 foi de 13,755% para 13,77%. Vértices intermediários e longos abriram mais: jan/29 a 14,12% e jan/31 a 14,33%, segundo o Valor. O mercado leu o comunicado como cauteloso o bastante para não celebrar uma sequência automática de cortes.

Na sexta, 7 de agosto, o tom mudou. Com apoio externo após um payroll fraco nos Estados Unidos, a curva fechou mais baixa. O DI jan/27 terminou a 13,745%. As opções digitais de Copom, um termômetro de probabilidade implícita nas apostas de mercado, passaram a indicar cerca de 72% de chance de novo corte de 0,25 ponto percentual em setembro, levando a Selic a 13,75%. Cerca de 22% apontavam manutenção em 14% e cerca de 5% um corte de 0,50.

Olhando a semana inteira na leitura da XP, o movimento não ficou só no curto:

Vértice DIFechamento semanalVariação na semana
Janeiro/202713,75%−6 bps
Janeiro/202914,04%−9 bps
Janeiro/203114,28%−11 bps

No fechamento diário de 7 de agosto, o Valor mostrou DI jan/28 a 13,79%, jan/29 a 14,035% e jan/31 a 14,275%. A mensagem prática é a mesma: a curva curta e intermediária cedeu, mas o nível absoluto do jan/27 ficou colado no Focus de fim de ano.

Enquanto isso, as NTN-Bs, títulos do Tesouro indexados ao IPCA, mostraram relativa estabilidade na mesma semana XP: 2029 a 8,23%, 2035 a 8,13% e 2050 a 7,67%. O contraste ajuda. O DI curto fechou o prêmio do “travar agora”. O IPCA+ longo não viveu o mesmo drama tático da semana. São decisões diferentes, com horizontes diferentes.

O olhar que interessa aqui é tático. Entre a véspera do Copom e o fechamento da semana pós-corte, o mercado já engoliu boa parte do corte de agosto e ainda precifica, com probabilidade alta, mais um passo em setembro. Quem esperava comprar prefixado “porque o Copom cortou” descobriu que a curva chegou antes.

Ata na terça e IPCA de julho: o que cada um pode fazer com o pré curto

A terça-feira, 11 de agosto de 2026, concentra dois gatilhos. A ata da reunião de 4 e 5 de agosto costuma sair na terça seguinte à decisão, por volta das 8h. No mesmo dia, o IBGE divulga o IPCA de julho. Não inventamos o resultado de nenhum dos dois. Trabalhamos com cenários, porque a decisão do investidor acontece antes ou na manhã do evento.

O que a ata pode fazer. O comunicado de 5 de agosto já disse o essencial: corte de 0,25, projeções ainda acima da meta no horizonte relevante, e próximos passos condicionados a novas informações. A ata costuma abrir o raciocínio por trás dessas frases. Se ela reforçar cautela, enfatizar inflação de serviços, expectativas desancoradas ou a necessidade de dados melhores, o mercado pode reduzir a probabilidade de corte em setembro e abrir a curva curta. Prefixados já comprados a taxas apertadas sofrem na marcação a mercado. Se a ata soar mais confortável com o ritmo de 0,25, a curva pode manter ou aprofundar o fechamento visto na sexta.

O que o IPCA de julho pode fazer. Em 28 de julho, o IPCA-15 de julho veio a 0,06%, com 4,52% em 12 meses. Essa prévia já ancorou parte da expectativa. O IPCA cheio de julho, marcado para 11 de agosto, será lido contra essa âncora e contra o que o Copom projetou. Um número em linha com o IPCA-15 tende a ser absorvido com menos drama. Um número claramente acima pode empurrar a curva para cima e testar as 72% de chance de corte em setembro. Um número claramente abaixo pode fechar ainda mais o DI curto.

Para ter dimensão: dois eventos no mesmo dia não se somam de forma linear. Uma ata cautelosa com IPCA benigno pode deixar a curva lateral. Uma ata suave com IPCA ruim pode abrir o curto. O investidor de prefixado curto não precisa prever o resultado. Precisa saber qual lado do risco assimétrico está disposto a carregar nas próximas 48 horas.

O pós-comunicado já mostrou o padrão. Quando o mercado leu cautela em 6 de agosto, o DI curto subiu e os intermediários abriram mais. Quando o exterior ajudou em 7 de agosto, a curva recuou. Ata e IPCA domésticos têm peso maior que o payroll americano nesta janela, mas o precedente mostra que o vértice curto reage rápido a qualquer mudança no “próximo passo”.

Quem acompanhou como o comunicado de agosto leu pré vs CDI já sabe o ponto de partida. A ata não reescreve a decisão. Ela calibra o tom. E o tom, nesta curva, é preço.

O que isso significa para o seu dinheiro

Imagine R$ 50 mil disponíveis para renda fixa de horizonte curto, até o começo de 2027. Três caminhos possíveis, sem romance:

1. Ficar no pós-fixado atrelado ao CDI. Com Selic a 14% e CDI próximo a isso, o carrego diário continua alto. Você não trava a taxa. Aceita que, se os cortes vierem como a curva espera, a rentabilidade futura cai aos poucos. Em troca, reduz o risco de marcar a mercado um prefixado na véspera de um IPCA ou de uma ata mais dura.

2. Travar prefixado curto agora. Só faz sentido se a taxa bruta oferecida no CDB, LCI ou LCA prefixados, e no Tesouro Prefixado equivalente, compensar o nível do DI. LCI e LCA são investimentos isentos de Imposto de Renda ligados ao crédito imobiliário e ao agronegócio. No CDB e no Tesouro, o IR regressivo come parte da taxa. Comparar sempre líquido e no mesmo prazo.

3. Esperar a terça. Você preserva flexibilidade e aceita o risco de a curva fechar mais se ata e IPCA vierem “amigáveis”. Também aceita o risco inverso: se o mercado abrir a curva, o pré pode voltar a oferecer taxa melhor. Esperar não é omissão. É uma posição explícita no risco de evento.

Exemplo numérico simples. Suponha um CDB prefixado de 12 meses a 14,10% ao ano bruto. Na tabela regressiva, com alíquota de 20% para prazo entre 361 e 720 dias, a taxa líquida aproximada fica perto de 11,28% ao ano. Uma LCI prefixada a 12,20% no mesmo prazo, por ser isenta, já chega líquida a 12,20%. O DI a 13,75% não diz qual oferta do varejo é boa. Diz qual é a referência de mercado. Ofertas muito abaixo desse universo, depois de IR, merecem ceticismo.

Produto (exemplo ilustrativo)Taxa bruta a.a.IRTaxa líquida aproximada
CDB prefixado 12 meses14,10%20%~11,28%
LCI prefixada 12 meses12,20%Isenta12,20%
CDI / Selic (carrego atual)~14,00%conforme produtodepende do % do CDI e do IR

Esses números são ilustrativos para mostrar o método. A taxa boa é a que você encontra hoje, no seu prazo, líquida de impostos e compatível com o risco de crédito. Antes de decidir, vale comparar as taxas disponíveis. A Meelion reúne opções de CDB, LCI e LCA de diferentes bancos para você simular em tempo real e cruzar com a Selic e o CDI vigentes.

Travar agora? DI curto 13,75% vs. ficar no CDI

A comparação justa não é “prefixado versus Selic no cartaz”. É prefixado líquido versus o carrego esperado do CDI no prazo que você realmente consegue manter o dinheiro investido.

Com a mediana Focus de Selic a 13,75% conversando com o próprio DI jan/27, o colchão do pré encolheu. O DI curto 13,75% já digere boa parte do afrouxamento. Se o mercado já precifica o destino próximo da Selic nesse nível, comprar pré “só porque cortaram” é comprar o que a curva já precificou.

Há ainda o risco que o varejo subestima: a marcação a mercado. Se você compra um título prefixado e precisa vender antes do vencimento, o preço sobe ou desce conforme a curva do momento. Se a ata for cautelosa ou o IPCA frustrar, a taxa de mercado sobe e o preço do seu título cai. Você pode ver rentabilidade negativa no extrato mesmo sem o emissor ter quebrado nada. Já explicamos o risco de marcação a mercado no prefixado com mais detalhe. Nesta janela, esse risco não é teórico. Ele está no calendário de terça.

Por outro lado, ficar 100% no CDI também tem custo de oportunidade. Se a ata e o IPCA confirmarem o caminho de cortes e a curva fechar mais, as melhores taxas prefixadas curtas podem sumir. Quem esperava “depois da confirmação” às vezes descobre que a confirmação já estava no preço.

Uma forma adulta de resolver a tensão é parcelar a decisão. Não é preciso escolher um único lado com todo o caixa. Dá para manter a maior parte no pós-fixado de alta liquidez, travar uma parcela menor em pré curto com vencimento que você realmente pretende carregar, e deixar uma terceira parcela para reagendar depois de 11 de agosto.

Quem busca o mapa mais amplo de agosto, além desta janela tática do DI curto, encontra em o que travar na renda fixa em agosto o desenho de mix pós/pré/IPCA+. Aqui o foco permanece binário: travar ou não o pré curto antes da ata e do IPCA, com a curva a 13,75%.

Como proteger seu patrimônio nesta janela

Proteção, neste caso, não é fugir da renda fixa. É alinhar produto, prazo e evento.

  • Separe o que é reserva de emergência. Esse dinheiro não deveria estar em prefixado com marcação a mercado sensível a ata e IPCA. Prefira liquidez diária atrelada ao CDI, mesmo que a taxa “pareça” menos sofisticada.
  • Não alongue o prazo só para caçar taxa. Duration maior, o prazo médio ponderado do título, aumenta a sensibilidade a juros. Na semana da ata, alongar sem necessidade é amplificar ruído.
  • Compare líquido e no mesmo vencimento. CDB com IR versus LCI/LCA isentos. Tesouro Prefixado versus CDB de banco médio. Sem essa padronização, qualquer tabela mente.
  • Olhe o emissor. Taxa alta sem entender o risco de crédito não é oportunidade. No CDB, lembre do FGC, o Fundo Garantidor de Créditos, que protege até R$ 250 mil por CPF por instituição. Proteção não elimina a necessidade de diversificar emissores.
  • Defina antes se você carrega até o vencimento. Se a resposta for não, o prefixado desta janela exige uma dose extra de humildade. A terça pode mover o preço.

Em 9 de agosto de 2026, a Selic está em 14%, a próxima reunião do Copom é em 16 de setembro e o IPCA em 12 meses figura em 4,37%, conforme os indicadores públicos de mercado. Esses três números formam o pano de fundo. O DI a 13,75% é o preço que o mercado coloca sobre o caminho entre hoje e o começo de 2027.

Checklist prático: parcela, prazo e o que esperar até setembro

Use este checklist como roteiro, não como receita pronta.

1. Qual é o prazo real do dinheiro? Se for menos de seis meses, o pré curto raramente é o instrumento certo nesta semana. Se for até jan/27 ou um pouco além, aí a comparação com o DI faz sentido.

2. A taxa do produto supera a referência de mercado depois de impostos? Anote a taxa bruta, desconte IR quando houver, compare com o CDI esperado no período e com o nível do DI jan/27. Sem colchão, o pré vira timing puro.

3. Quanto do caixa entra na aposta de evento? Uma regra prática de disciplina: só trave agora a parcela que você aceitaria ver oscilar no extrato se a ata for cautelosa. O restante espera a terça ou permanece no pós.

4. O que você fará em cada cenário de 11/08? Escreva em uma linha. Se IPCA e ata forem benignos: completa a posição pré? Se forem duros: reforça CDI e espera reabrir taxa? Sem plano prévio, a emoção decide no pregão.

5. O horizonte até o Copom de setembro está claro? A próxima reunião é em 16 de setembro. Entre a terça da ata/IPCA e setembro ainda cabem dados de atividade, novas leituras de inflação e, possivelmente, ruído externo. Travar tudo agora é apostar que a janela de 48 horas é a última boa oferta. Raramente o mercado é tão generoso.

6. Você está misturando decisões diferentes? Pré curto tático não é a mesma coisa que IPCA+ longo, nem que debêntures, títulos de dívida emitidos por empresas. Cada um responde a um risco. Nesta semana, o DI jan/27 conversa sobretudo com o pré curto e com o carrego do CDI.

Onde podem estar as oportunidades

Oportunidade, aqui, não é “entrar de qualquer jeito porque a Selic caiu”. É assimetria consciente.

Se as ofertas de LCI e LCA prefixadas curtas ainda pagam, líquido, acima do que o DI e o Focus sugerem como destino próximo da política monetária, e se o prazo cabe no seu caixa, há argumento para travar uma parcela antes da terça. O isento de IR costuma ganhar do CDB bruto em prazos equivalentes, mas a liquidez e o emissor precisam fechar a conta.

Se as ofertas do varejo estão justas demais frente aos 13,75%, a oportunidade pode ser exatamente não fazer nada no pré. Manter CDI, observar a ata e o IPCA, e só então decidir, preserva a opção de comprar mais tarde com informação nova. Em mercados que já precificaram o próximo corte com cerca de 72% de probabilidade, a informação nova vale mais do que a pressa.

Há também a oportunidade de disciplina de portfólio. Muitos investidores saíram do Copom com a sensação de que “agora é hora de prefixar tudo”. A curva a 13,75% desafia essa frase. O olhar da Meelion nesta janela é sóbrio: o 4º corte já está no preço do DI curto; a decisão útil é de calibração de parcela e de prazo, não de conversão total da carteira.

Perguntas frequentes sobre o DI jan/27 e o pré curto

O DI a 13,75% é a taxa que eu ganho no CDB?

Não. O DI futuro é precificação de mercado da trajetória de juros. A taxa do seu CDB prefixado é a oferta do emissor, sujeita a IR, prazo, liquidez e risco de crédito. Use o DI como referência, não como taxa contratada.

Se o Copom já cortou, por que o pré curto ainda importa?

Porque a curva já precifica mais do que o corte de agosto. Com DI jan/27 a 13,75% e probabilidade elevada de novo corte em setembro, o prêmio de travar agora depende de achar taxa líquida que ainda compense esse cenário.

É melhor esperar a ata e o IPCA?

Depende do tamanho da parcela e da qualidade da taxa à sua frente. Esperar reduz o risco de evento de terça e aumenta o risco de a curva fechar mais. Parcelar costuma ser mais racional do que polarizar.

Prefixado curto sofre com marcação a mercado?

Sim, se você vender antes do vencimento. Quanto maior a duration e quanto mais a curva abrir, maior o impacto no preço. Carregar até o vencimento elimina a volatilidade de marca a mercado, mas exige liquidez planejada.

LCI prefixada ganha de CDB prefixado nesta comparação?

Frequentemente no líquido, porque LCI e LCA são isentas de IR. A comparação correta, porém, inclui prazo, carência, emissor e se a taxa isenta realmente supera o CDB depois do imposto.

O que muda se o IPCA de julho vier perto do IPCA-15?

Um resultado em linha com os 0,06% do IPCA-15 tende a ser menos disruptivo. Surpresas para cima ou para baixo, combinadas ao tom da ata, é o que pode reposicionar o DI curto com mais força.

Ficar no CDI é “ficar para trás”?

Não. Com Selic a 14%, o pós-fixado continua carregando remuneração elevada. Em janelas de evento, liquidez e carrego são estratégia, não omissão.

Erros comuns nesta semana pós-corte

Comprar pré só porque o Copom cortou. O corte de 5 de agosto já foi digerido em boa medida. A pergunta útil é a taxa de hoje versus a curva de hoje.

Ignorar o IR na comparação. Um CDB a 14% bruto não é 14% no bolso. Sem líquido, qualquer checklist mente.

Alongar o vencimento sem necessidade. Buscar 1 ou 2 pontos a mais alongando o título transforma uma decisão tática de 48 horas em risco estrutural de duration.

Colocar a reserva de emergência em prefixado. Se a terça abrir a curva e você precisar do dinheiro, o prejuízo no resgate antecipado dói mais do que a taxa “perdida” no CDI.

Tratar 13,75% do DI como garantia de Selic futura. O DI é expectativa embutida em preço. Expectativa muda com dados. Ata, IPCA e o Copom de setembro existem justamente porque o futuro não está travado.

Esperar confirmação total para então prefixar 100%. Quando tudo está confirmado, o preço costuma ter se movido. Por isso parcela, prazo e plano por cenário importam mais do que a frase única “agora” ou “depois”.

Conclusão

O DI curto 13,75% na semana pós-corte é menos um convite a travar tudo e mais um aviso de calibração. O 4º corte já ocorreu, a curva curta colou no Focus de fim de ano e a terça concentra ata e IPCA no mesmo dia. Nesse cenário, prefixado curto continua fazendo sentido apenas com taxa líquida que ainda ofereça colchão, prazo que você carrega até o vencimento e parcela compatível com o risco de marcação a mercado.

Revise o caixa, compare ofertas no mesmo vencimento e decida com método. Este artigo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento. Investir com mais consciência, nesta semana, é exatamente isso: tratar 13,75% como preço, não como slogan.

Glossário

  • Selic: taxa básica de juros da economia brasileira. Influencia empréstimos, financiamentos e a remuneração da renda fixa atrelada ao CDI.
  • CDI: taxa de referência dos investimentos em renda fixa, próxima à Selic.
  • DI futuro: contrato que precifica a expectativa média de juros entre hoje e uma data futura; o DI janeiro 2027 é o vértice curto mais citado neste texto.
  • IPCA: índice que mede a alta geral dos preços, a inflação oficial do Brasil.
  • IPCA-15: prévia do IPCA, usada pelo mercado como âncora antecipada da inflação do mês.
  • Copom: Comitê de Política Monetária do Banco Central, responsável por definir a Selic.
  • Ata do Copom: documento que detalha o raciocínio da decisão de juros, em geral publicado na terça seguinte à reunião.
  • Focus: relatório semanal do Banco Central com a mediana das expectativas de mercado para Selic, IPCA e outras variáveis.
  • Prefixado: investimento cuja taxa é definida na contratação; a rentabilidade nominal não muda se carregado até o vencimento.
  • Pós-fixado: investimento cuja remuneração acompanha um indexador, em geral o CDI.
  • CDB: empréstimo que o investidor faz ao banco em troca de uma remuneração, sujeito a Imposto de Renda na tabela regressiva.
  • LCI / LCA: investimentos isentos de Imposto de Renda ligados ao crédito imobiliário e ao agronegócio.
  • Tesouro Direto: títulos emitidos pelo governo federal e comprados diretamente pelo investidor.
  • NTN-B: título do Tesouro que paga IPCA mais uma taxa real prefixada.
  • Marcação a mercado: atualização do preço do título antes do vencimento conforme as taxas vigentes; pode gerar variação negativa no extrato em caso de resgate antecipado.
  • Duration: prazo médio ponderado de um título; quanto maior, mais sensível às variações de juros.
  • FGC: Fundo Garantidor de Créditos, que protege até R$ 250 mil por CPF por instituição em produtos elegíveis, como CDB.
  • Ponto-base (bp): centésimo de ponto percentual; 100 bps equivalem a 1,00 ponto percentual.
  • Forward guidance: indicação prévia do Banco Central sobre os próximos passos da política de juros.

Fontes Consultadas

  • Semana XP na Renda Fixa (03/08 a 07/08/2026): https://conteudos.xpi.com.br/renda-fixa/relatorios/a-semana-na-renda-fixa-03-08-26-a-07-08-26/
  • Valor Econômico, juros futuros em 07/08/2026: https://valor.globo.com/financas/noticia/2026/08/07/juros-futuros-recuam-com-apoio-externo-apos-payroll-fraco.ghtml
  • Valor Econômico, ajuste pós-Copom em 06/08/2026: https://valor.globo.com/financas/noticia/2026/08/06/juros-futuros-sobem-com-ajustes-pos-copom-e-pressao-externa.ghtml
  • Comunicado Copom (5/08/2026): https://static.poder360.com.br/uploads/2026/08/comunicado-Copom-Selic-5ago2026.pdf
  • IBGE, IPCA (divulgação julho/2026): https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/precos-e-custos/9256-indice-nacional-de-precos-ao-consumidor-amplo.html?edicao=34850&t=noticias-e-releases
  • IPCA-15 julho/2026: https://static.poder360.com.br/uploads/2026/07/ipca_15_2026_jul.pdf
  • Banco Central, Focus: https://www.bcb.gov.br/focus
  • Meelion, Indicadores financeiros: https://www.meelion.com/indicadores-financeiros/
  • XP, hub de relatórios de renda fixa: https://conteudos.xpi.com.br/renda-fixa/relatorios/
  • Suno, cobertura Selic a 14% e renda fixa: https://www.suno.com.br/noticias/selic-14-renda-fixa-cdb-lci-lca-tesouro-mt/
  • E-Investidor / Estadão, impacto do corte na renda fixa: https://einvestidor.estadao.com.br/onde-investir/copom-reduz-selic-para-14-o-que-muda-para-renda-fixa-bolsa-e-fiis/
  • O Globo, especialistas sobre renda fixa após o corte: https://oglobo.globo.com/economia/financas/noticia/2026/08/06/selic-cai-para-14percent-ao-ano-ainda-vale-a-pena-investir-em-renda-fixa-especialistas-respondem.ghtml
  • InfoMoney, guia de renda fixa: https://www.infomoney.com.br/guias/renda-fixa/
Dan Mark Printes

Dan Printes é fundador da Meelion e empreendedor na área de tecnologia. Atua com inteligência artificial, produtos digitais e investimentos, com especial interesse em renda fixa e na aplicação de tecnologia para tornar decisões financeiras mais simples e inteligentes. Neste espaço, compartilha insights sobre investimentos, economia, renda fixa e outros temas relacionados ao mercado financeiro.

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