IPCA-15 de outubro: mulher de cardigã verde escolhe tomates no hortifrúti do supermercado, de olho na alta dos alimentos

IPCA-15 de outubro e 2º turno: a semana que mexe na renda fixa

Quem passou pelo corredor de frutas e legumes neste fim de semana talvez tenha feito, sem perceber, a primeira leitura do IPCA-15 de outubro. A prévia da inflação sai na sexta-feira, 23, e os bancos esperam que os alimentos, pressionados pelo El Niño, sejam o grande peso do mês. Dois dias depois, no domingo, 25, o país volta às urnas para escolher o presidente. Raramente uma única semana concentra tanto daquilo que move os juros.

Para quem investe em renda fixa, a combinação é delicada. A inflação mexe com a expectativa para a Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, e a eleição mexe com o prêmio que o mercado cobra para emprestar dinheiro ao governo por prazos longos. Na semana passada, cada nova pesquisa de intenção de voto fez as taxas dos títulos públicos subirem ou descerem em questão de horas.

Este artigo faz o balanço do que aconteceu de 12 a 16 de outubro, organiza a agenda dia a dia da semana que começa e mostra, com contas em reais, como cada tipo de aplicação (pós-fixada, prefixada e atrelada à inflação) tende a reagir. A ideia não é adivinhar o resultado das urnas, e sim deixar a sua carteira preparada para qualquer um deles.

O que a semana passada deixou na mesa

Vamos do começo. A semana de 12 a 16 de outubro foi a primeira em que o mercado trocou a euforia pós-primeiro turno por cautela. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL) teve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a reeleição. A leitura de parte do mercado foi de que uma vitória da oposição traria uma política fiscal mais restritiva, e os ativos brasileiros dispararam: na sexta-feira, 9, a Bolsa superou os 209 mil pontos, o maior patamar da história, e o dólar fechou abaixo de R$ 5.

Nos dias seguintes, as pesquisas passaram a mostrar uma disputa mais apertada. Na sexta-feira, 16, a pesquisa CNT/MDA apontou Flávio Bolsonaro com 46,8% das intenções de voto e Lula com 45,9%, diferença de 0,9 ponto percentual, dentro da margem de erro de 2,2 pontos. Empate técnico. Foi o suficiente para o humor mudar.

IndicadorFechamento de 16/10Variação na semana
Ibovespa205.430 pontosqueda de 1,74%
Dólar à vistaR$ 5,07alta de cerca de 1,8%
DI janeiro de 202713,49% ao anoalta de 0,05 ponto
DI janeiro de 202912,69% ao anoalta de 0,47 ponto
DI janeiro de 203112,72% ao anoalta de 0,48 ponto
NTN-B 2035 (juro real)6,93% ao anoalta de 0,21 ponto

Os números de juros futuros e de NTN-B são do relatório semanal de renda fixa da XP; os de Bolsa e dólar, do fechamento do mercado publicado pela Exame. Repare no desenho da tabela: o contrato de janeiro de 2027, que reflete principalmente a Selic dos próximos meses, quase não se mexeu. Quem subiu forte foram os vencimentos de 2029 e 2031, justamente os que embutem o risco fiscal do próximo governo. Esse detalhe importa, e vamos voltar a ele.

No Tesouro Direto, os títulos públicos federais comprados diretamente pelo investidor, a oferta de sexta-feira refletiu esse movimento. O Tesouro Prefixado 2029 pagava 12,79% ao ano, o Prefixado 2032 chegava a 12,98% e o Prefixado com Juros Semestrais 2037, a 13,01%. Entre os títulos atrelados à inflação, o Tesouro IPCA+ 2032 oferecia IPCA + 6,83% ao ano, e o IPCA+ 2040 e o IPCA+ 2050, IPCA + 6,74%. O Tesouro Selic 2031 pagava Selic + 0,0979% ao ano. As taxas oficiais do dia ficam no site do Tesouro Direto.

A agenda dia a dia de 19 a 23 de outubro

A semana tem poucos indicadores, mas os poucos que existem chegam em um momento sensível. Na prática, o calendário econômico vai disputar atenção com as pesquisas eleitorais o tempo todo.

DiaO que saiPor que acompanhar
Segunda, 19IGP-10 de outubro (FGV), Boletim Focus (Banco Central), pesquisas AtlasIntel, Nexus e PoderDataInflação no atacado, projeções do mercado e o primeiro termômetro eleitoral da semana
Terça, 20Pesquisa Real Time Big DataDia sem indicador econômico relevante: a pesquisa tende a ditar o preço
Quarta, 21Segunda prévia do IGP-M de outubro (FGV), fluxo cambial (BC), pesquisa QuaestÚltimas pesquisas previstas no calendário da semana
Quinta, 22Pedidos de auxílio-desemprego nos EUAJuros americanos influenciam a curva brasileira
Sexta, 23IPCA-15 de outubro (IBGE, 9h), PMIs e confiança do consumidor nos EUA, debate na TV Globo às 21h20O dado mais importante da semana e o último confronto direto entre os candidatos
Domingo, 252º turno da eleição presidencialDefine o tom dos juros longos para os próximos meses

O IGP-10, que mede preços com forte peso do atacado, tem projeções que variam entre 1,44% e 1,63% no mês, conforme o levantamento consultado. É um número alto, que mostra que a pressão não está restrita às gôndolas. Ainda assim, quem decide a Selic olha para o IPCA, a inflação oficial. Por isso a sexta-feira é o centro da semana.

Para o leitor que não vive o mercado diariamente, vale traduzir o Boletim Focus: é uma pesquisa semanal do Banco Central com as projeções de economistas de bancos e consultorias. Na edição de 13 de outubro, a primeira coletada depois do primeiro turno, a mediana para o IPCA de 2026 subiu de 5,01% para 5,22%, a quarta alta seguida. A projeção para a Selic no fim do ano caiu de 13,50% para 13,25%, o que equivale a esperar dois cortes de 0,25 ponto, em novembro e em dezembro. Para 2027, os economistas mantiveram a inflação em 4,30% e a Selic em 12%. A série completa está na página do Boletim Focus no site do Banco Central.

IPCA-15 de outubro: o que o mercado espera e por que importa

O IPCA-15 é uma prévia do IPCA, o índice que mede a alta geral dos preços ao consumidor. A diferença está no período de coleta: ele pega, aproximadamente, a segunda metade do mês anterior e a primeira metade do mês de referência. Por isso funciona como um aviso antecipado do que vem no IPCA cheio.

O ponto de partida não é confortável. Em setembro, o IPCA-15 subiu 0,70%, depois de uma queda de 0,40% em agosto, e acumulou 4,47% em 12 meses, segundo o IBGE. O IPCA cheio de setembro veio ainda mais forte, com alta de 0,82%, e levou o acumulado em 12 meses para 4,58%, acima do teto da meta. A meta é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo, o que dá um teto de 4,5%. Boa parte da alta de setembro veio da conta de luz, que subiu 7,98% com o fim do bônus de Itaipu, mas alimentos, combustíveis e passagens aéreas também pesaram.

Para o IPCA-15 de outubro, as projeções publicadas pelos bancos ficam em uma faixa estreita:

InstituiçãoProjeção mensalAcumulado em 12 meses projetado
Itaú0,51%cerca de 4,8%
Projeção citada pela TradeNews0,48%4,76%
Bradesco0,45%não informado

A composição esperada é tão importante quanto o número. Os alimentos devem registrar a maior variação desde maio, segundo o Bradesco, por causa dos efeitos do El Niño sobre produtos in natura. Os combustíveis seguem pressionados, e o petróleo ajuda a explicar: o Brent para dezembro fechou a sexta-feira a US$ 109,86 o barril, alta de 3,72% no dia. Do lado do alívio, a volta da bandeira verde na energia elétrica deve compensar parte da pressão.

Por que o IPCA-15 de outubro importa tanto se ele é só uma prévia? Porque ele chega a menos de duas semanas da reunião do Copom de 3 e 4 de novembro. Se a prévia confirmar que a alta está concentrada em choques de oferta, como alimentos e energia, o argumento para o corte de juros continua de pé. Se aparecer pressão espalhada, sobretudo em serviços, o Banco Central ganha motivo para esperar.

Três leituras possíveis do IPCA-15 de outubro e o efeito em cada título

Ninguém sabe o número de sexta-feira. O que dá para fazer é pensar com antecedência no que cada resultado tende a provocar. A tabela abaixo usa como referência a faixa das projeções dos bancos, de 0,45% a 0,51%. São tendências de direção, não promessas de preço.

CenárioLeitura provável do mercadoPós-fixados (CDI)PrefixadosIPCA+
Abaixo de 0,45%, com alimentos concentrando a altaCorte de 0,25 ponto em novembro fica mais provávelRendem um pouco menos à frenteTaxas tendem a cair e preços a subirJuro real pode recuar; a correção pela inflação fica menor no curto prazo
Entre 0,45% e 0,51%, em linha com o esperadoSem grande mudança; a eleição domina o preçoSeguem perto de 13,65% ao anoMovimento depende das pesquisasMovimento depende das pesquisas
Acima de 0,51%, com serviços acelerandoAposta de pausa do Copom cresceCDI alto por mais tempoTaxas tendem a subir e preços a cairCorreção pela inflação maior; juro real pode subir junto

Repare que, para o investidor de CDB pós-fixado, os três cenários são parecidos. O CDB é um empréstimo que você faz ao banco em troca de uma remuneração; quando ela é atrelada ao CDI, a taxa de referência da renda fixa, próxima à Selic, o rendimento acompanha os juros do dia a dia. Quem sente o IPCA-15 de outubro no preço do título são os prefixados e os IPCA+, que passam pela marcação a mercado, a atualização diária do preço conforme as taxas vigentes.

Um último ponto sobre o dado de sexta: ele sai às 9h, e o debate presidencial começa às 21h20. Entre um e outro, o mercado ainda negocia o dia inteiro. Na véspera de uma eleição apertada, é comum que a inflação perca espaço para a política na formação de preços. O IPCA-15 tende a pesar mais nos vencimentos curtos; as pesquisas, nos longos.

Copom de novembro: quanto um corte muda no seu CDI?

A Selic está em 13,75% ao ano desde a reunião de setembro, e o CDI roda perto de 13,65%. A próxima reunião do Copom, o comitê do Banco Central que define a taxa, acontece em 3 e 4 de novembro, conforme o calendário oficial do Copom. Depois dela, ainda há a reunião de 8 e 9 de dezembro.

O mercado já começou a duvidar do corte. Segundo o Valor Investe, a probabilidade embutida nos juros futuros de uma redução de 0,25 ponto em novembro caiu de 84% para 73% ao longo da semana passada, enquanto a chance de manutenção subiu de 12% para 18%. O tema foi analisado em detalhe no nosso artigo sobre os cenários do Copom de novembro para a Selic.

Para ter dimensão do que está em jogo, vale fazer a conta com R$ 100 mil aplicados em um CDB que paga 100% do CDI por 12 meses. Nesse prazo, o Imposto de Renda é de 17,5% sobre o rendimento.

CDI médio em 12 mesesRendimento brutoRendimento líquido (IR de 17,5%)
13,65% (juros parados)R$ 13.650R$ 11.261
13,40% (um corte de 0,25 ponto)R$ 13.400R$ 11.055
13,15% (dois cortes de 0,25 ponto)R$ 13.150R$ 10.849

A conta é simplificada, porque supõe o mesmo CDI durante os 12 meses, mas mostra a ordem de grandeza. Um corte de 0,25 ponto custa cerca de R$ 206 por ano em cada R$ 100 mil. Em termos mensais, o rendimento bruto passa de algo perto de R$ 1.072 para R$ 1.053. Não é um número que justifique decisões apressadas na véspera da eleição.

O que isso muda para quem está no pós-fixado? Pouco, no curto prazo. O CDB atrelado ao CDI segue sendo a âncora natural da reserva de emergência e do dinheiro com data marcada para os próximos meses. A pergunta mais útil não é se a Selic cai 0,25 ponto em novembro, e sim por quanto tempo você quer garantir a taxa de hoje. Para essa resposta, entram os prefixados e os títulos atrelados à inflação.

2º turno: por que o prefixado e o IPCA+ balançam a cada pesquisa

Na semana passada, o contrato de DI para janeiro de 2027 subiu 0,05 ponto, enquanto o de janeiro de 2031 subiu 0,48 ponto. A diferença conta a história: a eleição pouco altera a Selic dos próximos meses, mas muda bastante o que o mercado imagina para as contas públicas a partir de 2027. Quanto mais longo o título, maior o peso desse prêmio de risco fiscal.

Esse prêmio entra no preço por meio da duration, o prazo médio ponderado de um título. Quanto maior a duration, mais sensível o preço às variações de juros. Vamos a um exemplo com as taxas de sexta-feira:

TítuloTaxa em 16/10Efeito aproximado no preço se a taxa subir 0,50 pontoEfeito aproximado se a taxa cair 0,50 ponto
Tesouro Prefixado 202912,79% ao anoqueda de cerca de 1,0%alta de cerca de 1,0%
Tesouro Prefixado 203212,98% ao anoqueda de cerca de 2,3%alta de cerca de 2,3%

Os percentuais foram calculados pela Meelion com base no prazo até o vencimento de cada título, sem considerar custos. Em reais: quem tem R$ 50 mil no Prefixado 2032 veria o saldo marcado a mercado oscilar perto de R$ 1.150 para cima ou para baixo com um movimento de 0,50 ponto. Na semana passada, a ponta longa da curva andou quase isso em cinco dias.

Aqui está o ponto central para quem investe: a oscilação só vira perda ou ganho de verdade se você vender antes do vencimento. Quem compra o Prefixado 2032 a 12,98% e leva até 2032 recebe exatamente os 12,98% ao ano contratados, qualquer que seja o resultado das urnas. A eleição mexe no caminho, não no destino. Já analisamos esse dilema de vender com lucro ou carregar no artigo sobre resgatar o CDB prefixado após o 1º turno.

Os títulos IPCA+ funcionam da mesma forma, com um detalhe a mais. Eles pagam a inflação do período mais uma taxa fixa, o juro real. O IPCA+ 2032 a 6,83% garante esse ganho real até o vencimento; se a inflação de 2027 ficar nos 4,30% projetados pelo Focus, o rendimento nominal daquele ano seria de cerca de 11,4%. Quem comprou títulos longos atrelados à inflação antes do rali do primeiro turno viu ganhos expressivos, tema que tratamos ao analisar a alta do Tesouro IPCA+ 2050.

Prefixado ou IPCA+? A inflação que empata os dois

Uma forma simples de comparar os dois é calcular a inflação implícita, a taxa de inflação que faria o prefixado e o IPCA+ de prazo parecido renderem o mesmo. Com o Prefixado 2032 a 12,98% e o IPCA+ 2032 a 6,83%, a conta fica assim: 1,1298 dividido por 1,0683, menos 1, resulta em cerca de 5,76% ao ano.

Em outras palavras, o prefixado só perde para o IPCA+ se a inflação média até 2032 ficar acima de aproximadamente 5,76% ao ano. O Focus projeta 4,30% para 2027 e 3,79% para 2028. Os vencimentos não são idênticos (o prefixado vence em janeiro de 2032, e o IPCA+ em agosto do mesmo ano), então a comparação é aproximada. Ainda assim, ela mostra que o mercado cobra hoje um prêmio relevante para travar uma taxa prefixada longa. É o preço da incerteza fiscal, e ele sobe ou desce com cada pesquisa.

O que isso significa para o seu dinheiro

A tentação de uma semana como esta é tentar acertar o resultado da eleição com a carteira. Comprar prefixado longo na aposta de que a oposição vence, ou vender tudo na aposta contrária. O problema é que o resultado do domingo é, segundo as próprias pesquisas, um empate técnico. Apostar a carteira em um empate técnico é transformar renda fixa em renda variável.

Uma abordagem mais serena é olhar para o prazo de cada dinheiro, não para o candidato. Imagine uma investidora com R$ 80 mil, sem dívidas caras e com a reserva de emergência já montada à parte. Uma divisão possível, apenas para ilustrar o raciocínio, seria:

ParcelaObjetivoOnde costuma fazer sentidoRisco da semana
R$ 30 milGastos previstos até 2027CDB pós-fixado com garantia do FGC ou Tesouro SelicPraticamente nenhum: segue o CDI
R$ 25 milObjetivo em 2 a 3 anosPrefixado com vencimento próximo do objetivo, como o 2029, ou CDB prefixado de prazo parecidoOscilação moderada se vender antes
R$ 25 milAposentadoria ou patrimônio de longo prazoIPCA+ comprado em etapas, por exemplo metade agora e metade depois do 2º turnoOscilação maior, compensada pelo prazo

A ideia de comprar em etapas é o que os profissionais chamam de escalonar a entrada. Em vez de escolher o dia perfeito, você divide a compra em duas ou três datas e aceita o preço médio. Se a taxa cair depois da eleição, metade já foi garantida no nível mais alto. Se subir, a segunda metade entra mais barata.

Vale lembrar o papel do FGC, o Fundo Garantidor de Créditos, que protege até R$ 250 mil por CPF por instituição em produtos como CDB, LCI e LCA. Ele não protege contra oscilação de taxa, e sim contra a quebra do banco emissor. Em uma semana de volatilidade, essa garantia é o que dá tranquilidade para quem fica no pós-fixado. Discutimos o que pode mudar nessa proteção no texto sobre o FGC no projeto de resolução bancária.

E as aplicações isentas?

LCI e LCA são investimentos isentos de Imposto de Renda ligados ao setor imobiliário e ao agronegócio. Na comparação com o CDB, o que importa é a taxa líquida. Uma LCI hipotética que pague 90% do CDI renderia 12,29% ao ano livre de imposto, contra 11,26% líquidos do CDB de 100% do CDI no prazo de 12 meses do exemplo anterior. Na semana da eleição, nada muda nessa conta: ela depende do CDI, não das urnas. O que muda é o prazo mínimo de resgate, que você precisa respeitar.

Erros comuns na semana do IPCA-15 de outubro e da eleição

Alguns comportamentos se repetem em semanas de alta tensão, e quase todos custam dinheiro.

Vender título prefixado no pior dia. Quem resgata um prefixado longo logo depois de uma pesquisa desfavorável realiza a perda da marcação a mercado. Se o dinheiro não tem uso marcado para agora, esse resgate costuma ser a única forma de transformar uma oscilação temporária em prejuízo real.

Concentrar tudo em uma única aposta. Colocar toda a carteira em prefixado de 2032 ou em IPCA+ 2050 porque “depois da eleição a taxa cai” é apostar em um resultado que ninguém conhece. O título longo merece um espaço proporcional ao seu horizonte, não ao seu palpite.

Ignorar o imposto e o prazo. Trocar de aplicação por causa de uma variação de 0,10 ponto pode custar mais em Imposto de Renda e IOF do que a diferença de taxa. O IOF, imposto cobrado sobre o rendimento de resgates feitos antes de 30 dias, zera o ganho de quem entra e sai muito rápido.

Ler só o número cheio do IPCA-15. Um 0,50% puxado por alimentos e combustíveis tem leitura diferente de um 0,50% espalhado por serviços. O primeiro tende a ser passageiro; o segundo preocupa mais o Banco Central.

O olhar da Meelion

A semana que começa é um bom lembrete de que renda fixa também oscila, e de que essa oscilação é informação, não ameaça. As taxas de 12,98% no prefixado e de IPCA + 6,83% no Tesouro embutem um prêmio elevado justamente porque o mercado está inseguro. Quem tem prazo e disciplina pode aproveitar essa insegurança sem precisar acertar o resultado das urnas.

Antes de decidir, vale comparar as taxas disponíveis. A Meelion reúne opções de CDB, LCI, LCA e outros títulos de diferentes instituições para você simular o rendimento líquido em tempo real e escolher pelo prazo, não pelo calendário eleitoral.

Perguntas frequentes

Quando sai o IPCA-15 de outubro de 2026?

O IBGE divulga o IPCA-15 de outubro na sexta-feira, 23 de outubro de 2026, às 9h. As projeções dos bancos ficam entre 0,45% e 0,51% no mês, com o acumulado em 12 meses podendo chegar perto de 4,8%.

Devo vender meus títulos antes do 2º turno?

Depende do prazo do dinheiro, não do resultado esperado. Se você vai precisar do valor nos próximos meses, ele não deveria estar em prefixado ou IPCA+ longo. Se o objetivo é distante, a oscilação até o vencimento tende a ser irrelevante para quem carrega o título até o fim.

O CDB pós-fixado sofre com a eleição?

Muito pouco. O CDB atrelado ao CDI acompanha a Selic, e a eleição praticamente não muda a taxa básica nos próximos meses. O que pode afetar o pós-fixado é a decisão do Copom de novembro, e a diferença de um corte de 0,25 ponto é de cerca de R$ 206 por ano em cada R$ 100 mil, antes do imposto.

É melhor esperar o resultado da eleição para comprar IPCA+?

Ninguém sabe se a taxa vai subir ou cair depois do domingo. Uma alternativa é dividir a compra em etapas, com uma parte antes e outra depois do 2º turno. Assim você evita o risco de concentrar tudo em um único preço.

O Copom vai cortar a Selic em novembro?

O Boletim Focus de 13 de outubro projetou Selic de 13,25% no fim de 2026, o que indica cortes de 0,25 ponto em novembro e dezembro. Mas os juros futuros reduziram a probabilidade de corte em novembro de 84% para 73% na semana passada. O IPCA-15 e o resultado da eleição devem pesar nessa conta.

O que é inflação implícita?

É a inflação que iguala o rendimento de um título prefixado e de um IPCA+ de prazo parecido. Com as taxas de 16 de outubro, ela estava em cerca de 5,76% ao ano para 2032. Se você acredita em inflação média menor do que isso, o prefixado tende a render mais.

Uma semana para atravessar com calma

Na sexta-feira, o IPCA-15 de outubro vai dizer quanto da alta dos alimentos chegou ao bolso. No domingo, a urna vai dizer qual país o mercado precisa precificar. Entre um dado e outro, as taxas vão oscilar, às vezes bastante. A boa notícia é que você não precisa reagir a cada movimento para sair dessa semana com uma carteira melhor do que entrou.

Dinheiro de curto prazo no pós-fixado, objetivos de médio prazo com vencimento casado e a parcela de longo prazo comprada em etapas: essa organização funciona com qualquer resultado. Se quiser revisar como cada tipo de título se comportou desde o início da campanha, o artigo sobre a renda fixa até o 2º turno é um bom complemento. E, para lembrar o que o IPCA de setembro já havia sinalizado, vale reler a análise sobre o IPCA de 0,82% que furou o teto da meta.

Este artigo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não garante rentabilidade futura. Taxas e projeções citadas referem-se às datas indicadas e podem mudar.

Glossário

  • IPCA: Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, calculado pelo IBGE; é a inflação oficial do Brasil.
  • IPCA-15: prévia do IPCA, com coleta de preços entre a segunda metade do mês anterior e a primeira metade do mês de referência.
  • IGP-10 e IGP-M: índices de preços da FGV com forte peso do atacado.
  • Selic: taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Copom.
  • Copom: Comitê de Política Monetária do Banco Central, que se reúne a cada 45 dias para decidir a Selic.
  • CDI: taxa de referência dos investimentos em renda fixa, próxima à Selic.
  • CDB: título emitido por bancos; um empréstimo do investidor ao banco em troca de uma remuneração.
  • LCI e LCA: investimentos isentos de Imposto de Renda ligados ao setor imobiliário e ao agronegócio.
  • Tesouro Direto: programa para compra de títulos públicos federais diretamente pelo investidor pessoa física.
  • Prefixado: título com taxa de juros definida no momento da compra.
  • IPCA+: título que paga a inflação do período mais uma taxa fixa de juro real.
  • NTN-B: nome técnico do título público atrelado ao IPCA, base do Tesouro IPCA+.
  • DI futuro: contrato negociado na B3 que reflete a expectativa do mercado para os juros em cada prazo.
  • Duration: prazo médio ponderado de um título; quanto maior, mais sensível às variações de juros.
  • Marcação a mercado: atualização diária do preço de um título conforme as taxas vigentes.
  • Inflação implícita: inflação que iguala o rendimento de um prefixado e de um IPCA+ de prazo parecido.
  • FGC: Fundo Garantidor de Créditos, que protege até R$ 250 mil por CPF por instituição.
  • IOF: Imposto sobre Operações Financeiras, cobrado sobre o rendimento de resgates feitos antes de 30 dias.
  • Boletim Focus: pesquisa semanal do Banco Central com as projeções do mercado.

Fontes Consultadas

  • InfoMoney: calendário econômico da semana de 19 a 23 de outubro (18/10/2026): https://www.infomoney.com.br/mercados/calendario-economico-segundo-turno-das-eleicoes-e-ipca-15-tem-as-atencoes-da-semana/
  • Valor Econômico: agenda de mercados, IPCA-15 e reta final das eleições (18/10/2026): https://valor.globo.com/financas/noticia/2026/10/18/agenda-de-mercados-ipca-15-e-reta-final-das-eleicoes-sao-destaque.ghtml
  • TradeNews: A contagem regressiva chegou (projeções de IGP-10 e IPCA-15): https://www.tradenews.com.br/p/a-contagem-regressiva-chegou
  • UOL: semana final da eleição tem debate na Globo e série de pesquisas (18/10/2026): https://noticias.uol.com.br/colunas/pra-comecar-a-semana/2026/10/18/semana-final-da-eleicao-tem-debate-na-globo-e-serie-de-pesquisas.htm
  • XP Investimentos: A Semana na Renda Fixa (12/10/26 a 16/10/26): https://conteudos.xpi.com.br/renda-fixa/relatorios/a-semana-na-renda-fixa-12-10-26-a-16-10-26/
  • Exame: Ibovespa perde 1,74% na semana com cautela eleitoral (16/10/2026): https://exame.com/invest/mercados/ibovespa-sobe-com-petrobras-mas-perde-174-na-semana-com-cautela-eleitoral/
  • Valor Investe: Ibovespa interrompe rali eleitoral (16/10/2026): https://valorinveste.globo.com/mercados/renda-variavel/bolsas-e-indices/noticia/2026/10/16/ibovespa-interrompe-rali-eleitoral-e-engata-primeira-queda-semanal-de-outubro.ghtml
  • Reuters via Notícias Agrícolas: dólar e pesquisa CNT/MDA (16/10/2026): https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/politica-economia/429833-dolar-tem-leve-baixa-no-dia-mas-fecha-semana-com-alta-de-175-com-eleicao-no-foco.html
  • Valor Investe: Tesouro Direto hoje, taxas de 16 de outubro: https://valorinveste.globo.com/produtos/renda-fixa/tesouro-direto/noticia/2026/10/16/tesouro-direto-hoje-taxas-16-de-outubro-acompanhe.ghtml
  • O Investimento Certo: oferta do Tesouro Direto de 16/10/2026: https://oinvestimentocerto.com/tesouro-direto-hoje/
  • Valor Econômico: Boletim Focus de 13/10/2026: https://valor.globo.com/brasil/noticia/2026/10/13/mercado-eleva-projecao-do-ipca-de-2026-de-501percent-para-522percent-aponta-focus.ghtml
  • Folha de S.Paulo: Boletim Focus e resultado do primeiro turno (13/10/2026): https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/10/economistas-elevam-previsao-da-inflacao-e-reduzem-a-da-selic-neste-ano-mas-nao-preveem-mudancas-em-2027.shtml
  • IBGE: IPCA-15 é de 0,70% em setembro: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/48134-o-ipca-15-e-de-0-70-em-setembro
  • IBGE: IPCA fica em 0,82% em setembro: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/48246-ipca-fica-em-0-82-em-setembro
  • Banco Central: calendário das reuniões do Copom: https://www.bcb.gov.br/controleinflacao/calendariocopom
  • Banco Central: Boletim Focus: https://www.bcb.gov.br/publicacoes/focus
Dan Mark Printes

Dan Printes é fundador da Meelion e empreendedor na área de tecnologia. Atua com inteligência artificial, produtos digitais e investimentos, com especial interesse em renda fixa e na aplicação de tecnologia para tornar decisões financeiras mais simples e inteligentes. Neste espaço, compartilha insights sobre investimentos, economia, renda fixa e outros temas relacionados ao mercado financeiro.

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