Onde investir o 13º salário em 2026 com o CDI a 13,65%?
Existe um dinheiro que quase todo mundo já gastou antes de receber. Ele aparece na conversa de domingo como a viagem de janeiro, o IPVA do carro, a matrícula da escola, o presente de Natal ou aquela fatura que vem crescendo desde o meio do ano. Antes de decidir onde investir o 13º salário, vale fazer uma pergunta menos óbvia: quanto dele ainda está, de fato, livre?
Em 2026, a pergunta ganha um contexto particular. O 13º chega depois do 2º turno da eleição, marcado para 25 de outubro, e depois das duas últimas reuniões do Copom no ano, em 3 e 4 de novembro e em 8 e 9 de dezembro. Ou seja: quando o dinheiro cair na conta, você já vai saber se os juros começaram a cair e quanto. A taxa básica de juros está em 13,75% ao ano, e o CDI, a taxa de referência da renda fixa, próxima à Selic, roda perto de 13,65%.
Este guia organiza o 13º em quatro destinos, na ordem que costuma fazer mais sentido para o bolso: dívida cara, reserva de emergência, gastos certos de janeiro e objetivos de 2027 em diante. Para cada um, mostramos o produto que encaixa, a conta em reais e os detalhes de imposto, prazo e garantia que mudam o resultado.
O calendário de 2026 que define onde investir o 13º salário
Vamos do começo. O 13º salário é pago em duas parcelas. A primeira deve cair até 30 de novembro e corresponde, em regra, à metade do salário bruto, sem desconto de INSS nem de Imposto de Renda. A segunda tem prazo legal até 20 de dezembro. Como essa data cai em um domingo em 2026, o pagamento deve ser feito até sexta-feira, 18 de dezembro. A empresa também pode pagar tudo em parcela única, desde que até 30 de novembro.
Para aposentados e pensionistas do INSS, o calendário foi diferente neste ano. O abono anual foi antecipado e pago em abril e maio para quem já recebia benefício até abril. Quem passou a receber a partir de maio deve ter o 13º pago entre 24 de novembro e 7 de dezembro, conforme o final do cartão do benefício.
| Data | Evento | Por que importa para o seu dinheiro |
|---|---|---|
| 25 de outubro | 2º turno da eleição presidencial | Pode mexer nas taxas dos prefixados e do Tesouro IPCA+ |
| 3 e 4 de novembro | Reunião do Copom | Primeira chance de corte da Selic após a eleição |
| Até 30 de novembro | 1ª parcela do 13º | Metade do salário bruto, sem descontos |
| 8 e 9 de dezembro | Última reunião do Copom em 2026 | Define o juro com que você começa 2027 |
| Até 18 de dezembro | 2ª parcela do 13º | Vem com INSS e, quando houver, Imposto de Renda descontados |
O calendário oficial do Copom no site do Banco Central confirma as duas datas. Esse detalhe importa por um motivo prático: a primeira parcela chega quando a reunião de novembro já terá acontecido, e a segunda chega uma semana depois da reunião de dezembro. Você não precisa adivinhar o Copom para decidir. Precisa apenas de um plano que funcione nos dois cenários, com ou sem corte.
Para ter dimensão do volume em jogo: segundo o DIEESE, o 13º de 2025 tinha potencial para injetar cerca de R$ 369,4 bilhões na economia, o equivalente a aproximadamente 2,9% do PIB, beneficiando 95,3 milhões de pessoas com valor médio de R$ 3.512. A estimativa para 2026 ainda não havia sido divulgada até o fechamento deste texto. É muito dinheiro chegando ao mesmo tempo, e boa parte dele costuma escorrer para o consumo antes de qualquer reflexão.
Quanto do 13º chega líquido em 2026: o efeito da nova isenção do IR
Antes de alocar, é preciso saber quanto vai sobrar. E aqui há uma novidade que muita gente ainda não percebeu. A Lei 15.270, de 2025, criou a redução do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 por mês a partir de janeiro de 2026. O texto diz, de forma expressa, que a redução também vale para o imposto cobrado exclusivamente na fonte no pagamento do 13º.
Para o leitor que não vive a contabilidade da folha, vale traduzir. O 13º tem tributação exclusiva: o imposto é calculado separado do salário de dezembro e descontado na segunda parcela. Com a nova regra, ficam assim as faixas:
| 13º tributável | Efeito da Lei 15.270 em 2026 |
|---|---|
| Até R$ 5.000,00 | Redução suficiente para zerar o imposto |
| De R$ 5.000,01 a R$ 7.350,00 | Redução parcial: R$ 978,62 menos 0,133145 vezes o rendimento |
| Acima de R$ 7.350,00 | Sem redução |
Na prática: um 13º tributável de R$ 6.000 ganha uma redução de R$ 179,75 no imposto calculado pela tabela. Em R$ 7.000, a redução cai para cerca de R$ 46,61. A redução nunca passa do valor do imposto devido, e o INSS continua sendo descontado normalmente. Para muita gente com salário até R$ 5.000, a segunda parcela de 2026 vai chegar maior do que a de 2025, e esse é exatamente o tipo de dinheiro extra que tende a sumir sem plano.
Uma recomendação simples: espere o contracheque de dezembro para fechar a conta. A partir do valor líquido real, e não do bruto imaginado, fica mais fácil dividir o 13º nos quatro destinos a seguir.
Primeiro destino: a dívida cara que nenhum investimento vence
Existe uma regra que dispensa planilha: se você tem saldo no rotativo do cartão, nenhum investimento de renda fixa compete com a quitação. Segundo o Banco Central, o juro médio do rotativo do cartão de crédito subiu de 436,2% ao ano em julho para 444,9% ao ano em agosto de 2026. No parcelado da fatura, a taxa passou de 189,3% para 192,1% ao ano. A média do crédito livre às famílias ficou em 61,7% ao ano.
Esses números são taxas anualizadas pelo BC a partir do juro mensal, e a lei limita juros e encargos do rotativo e do parcelado a 100% do valor original da dívida. Ainda assim, a comparação é brutal. Veja o que acontece com R$ 5.000 durante um mês, em cada lado da balança:
| Situação com R$ 5.000 por 1 mês | Taxa de referência | Valor aproximado no mês |
|---|---|---|
| Dívida no rotativo do cartão | 444,9% ao ano (cerca de 15,2% ao mês) | Custo de cerca de R$ 759 |
| Dívida no parcelado da fatura | 192,1% ao ano (cerca de 9,3% ao mês) | Custo de cerca de R$ 467 |
| Média do crédito livre às famílias | 61,7% ao ano (cerca de 4,1% ao mês) | Custo de cerca de R$ 204 |
| CDB a 100% do CDI | 13,65% ao ano | Ganho líquido de cerca de R$ 42 |
Em outras palavras: manter R$ 5.000 aplicados enquanto a mesma quantia gira no rotativo é trocar um ganho de R$ 42 por um custo de centenas de reais. Quitar a dívida cara é, na prática, o investimento de maior retorno garantido que existe. O endividamento das famílias está alto, e já mostramos a conta entre quitar a dívida cara e aplicar no CDI com os dados da Peic.
Dívidas mais baratas, como o financiamento imobiliário ou o consignado, pedem outra conta. Nesses casos, compare o custo efetivo da dívida com o rendimento líquido do investimento e considere o valor de manter uma reserva. Amortizar um financiamento a 11% ao ano e ficar sem colchão para emergências pode sair mais caro lá na frente.
Segundo destino: a reserva de emergência que não pode oscilar
Resolvida a dívida cara, a próxima pergunta é se você tem uma reserva de emergência, o dinheiro que cobre de seis a doze meses de gastos essenciais e fica disponível a qualquer momento. Se a resposta for não, ou “mais ou menos”, o 13º é a oportunidade mais natural para completar esse colchão. Aqui, a regra é clara: liquidez diária, risco baixo e nenhuma oscilação relevante de preço.
As opções que cumprem a função
O Tesouro Selic é o título público que acompanha a taxa básica de juros. No fechamento de 16 de outubro, o Tesouro Selic 2031 pagava Selic mais 0,0979% ao ano. Tem resgate em dias úteis e oscilação de preço mínima.
O Tesouro Reserva, lançado em 2026, rende 100% da Selic, não tem marcação a mercado, aceita aplicações a partir de R$ 1 e permite investir e resgatar quase 24 horas por dia, sete dias por semana, com o dinheiro caindo via Pix. Segundo a página oficial do Tesouro Reserva, a taxa de custódia da B3 de 0,20% ao ano é isenta até R$ 10 mil e só incide sobre o excedente. Em outubro de 2026, o produto ainda era oferecido apenas pelo Banco do Brasil. Comparamos o título com as alternativas bancárias em nossa análise do Tesouro Reserva contra o CDB.
O CDB de liquidez diária, um empréstimo que o investidor faz ao banco em troca de uma remuneração, é a terceira opção. Ele conta com a proteção do FGC, o Fundo Garantidor de Créditos, que protege até R$ 250 mil por CPF por instituição, com teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos. O ponto de atenção é a taxa: para reserva, procure pelo menos 100% do CDI.
E a poupança? Com a Selic acima de 8,5% ao ano, ela rende 0,5% ao mês mais a TR, a Taxa Referencial calculada pelo Banco Central. Com a TR de 0,1212% do aniversário de 8 de outubro, isso dá 0,6218% no mês, ou cerca de 7,7% ao ano, isento de IR. Discutimos em detalhe quando a poupança empata com o CDB, e a resposta curta é que, no nível atual de juros, ela perde.
A conta com R$ 5.000 por dois meses
Imagine a primeira parcela de R$ 5.000 caindo no fim de novembro e ficando aplicada até o fim de janeiro, cerca de dois meses. Considerando Selic e CDI constantes no período:
| Destino | Rendimento bruto | Imposto | Rendimento líquido aproximado |
|---|---|---|---|
| Tesouro Reserva (100% da Selic) | R$ 108,52 | IR de 22,5% | R$ 84,10 |
| CDB liquidez diária a 100% do CDI | R$ 107,77 | IR de 22,5% | R$ 83,52 |
| Poupança (TR de 0,1212%) | R$ 62,37 | Isenta | R$ 62,37 |
| Conta corrente parada | R$ 0 | Não se aplica | R$ 0 |
A diferença entre o Tesouro Reserva e o CDB a 100% do CDI é de centavos. O que decide entre os dois é a praticidade: Pix no fim de semana de um lado, proteção do FGC e oferta em qualquer corretora do outro. A diferença para a poupança, de pouco mais de R$ 20 em dois meses, cresce com o valor e com o tempo. E a diferença para a conta corrente é o rendimento inteiro.
O IOF dos primeiros 30 dias
Um detalhe costuma pegar quem aplica o 13º e resgata logo em seguida. Resgates feitos antes de 30 dias pagam IOF, o Imposto sobre Operações Financeiras, sobre o rendimento, em uma tabela regressiva que começa em 96% no primeiro dia e zera no 30º. Se você sabe que vai usar parte do dinheiro em duas semanas, a melhor decisão pode ser deixá-la separada desde o início, sem a expectativa de rendimento relevante. A tabela completa está em nosso guia sobre IOF no resgate antecipado.
Terceiro destino: os gastos certos de janeiro pedem prazo casado
Janeiro é o mês em que o 13º costuma ser cobrado de volta. IPVA, IPTU, material escolar, matrícula e, para muitas famílias, as férias. São gastos com data e valor quase conhecidos. Esse detalhe importa porque muda o tipo de investimento adequado: não é reserva, é dinheiro com destino marcado.
Para esse dinheiro, a lógica é casar o prazo do investimento com a data do pagamento. Um CDB com liquidez diária resolve. Um CDB com vencimento próximo à data do boleto também, às vezes com taxa um pouco melhor. O que não funciona é colocar esse dinheiro em um título que pode oscilar, como um prefixado longo ou um Tesouro IPCA+, e precisar vender justamente quando o preço estiver ruim.
E a LCI ou a LCA, investimentos isentos de Imposto de Renda ligados ao setor imobiliário e ao agronegócio? Elas têm prazo mínimo. Pela Resolução CMN 5.215, de 2025, LCI e LCA sem atualização por índice de preços precisam ter vencimento mínimo de seis meses. Aplicando no fim de novembro, o dinheiro só estaria disponível perto de junho de 2027. Para o IPVA de janeiro, não serve. Os prazos de carência de cada produto estão reunidos em nosso guia de carência na renda fixa.
| Quando você vai usar o dinheiro | O que encaixa | O que evitar |
|---|---|---|
| Em até 30 dias | Conta separada ou liquidez diária, sabendo do IOF | Qualquer título com prazo ou oscilação |
| Janeiro e fevereiro | Tesouro Reserva, Tesouro Selic, CDB de liquidez diária ou com vencimento casado | LCI e LCA, que exigem pelo menos seis meses |
| De seis a doze meses | CDB, LCI e LCA com vencimento no período | Prefixado ou IPCA+ longo |
| 2028 em diante | Prefixado, IPCA+ e CDB de prazo maior | Deixar tudo no pós-fixado por inércia |
Vale ainda olhar com cuidado o desconto para pagamento à vista do IPVA e do IPTU. Quando o desconto supera o que o dinheiro renderia aplicado até a data das parcelas, pagar à vista é a escolha mais rentável. A conta é simples: compare o percentual de desconto com o rendimento líquido do CDB no mesmo período.
Quarto destino: onde investir o 13º salário que pode esperar até 2027
Chegamos à parte do 13º que realmente pode trabalhar por mais tempo. Aqui entra a conversa sobre juros. O Boletim Focus de 13 de outubro, a pesquisa semanal do Banco Central com as projeções do mercado, apontava Selic de 13,25% no fim de 2026, o que equivale a dois cortes de 0,25 ponto, e de 12,00% no fim de 2027. Para a inflação, medida pelo IPCA, o índice que mede a alta geral dos preços, a projeção subiu para 5,22% em 2026 e ficou em 4,30% em 2027.
O que isso muda? No pós-fixado, que acompanha o CDI, o rendimento acompanha os cortes: se a Selic cair, o CDB a 100% do CDI rende menos a cada mês. No prefixado, a taxa fica travada no dia da compra. Os detalhes da reunião de novembro, e do placar entre corte e pausa, estão em nossa análise do Copom de novembro.
A conta com R$ 10.000 por um ano
A tabela abaixo é ilustrativa e considera o CDI constante em 13,65% por 12 meses. Com os cortes que o Focus projeta, o resultado real dos pós-fixados tende a ser um pouco menor. A LCI usa uma taxa hipotética de 90% do CDI, apenas para mostrar o efeito da isenção.
| Investimento (R$ 10.000 por 12 meses) | Rendimento bruto | Imposto | Rendimento líquido aproximado |
|---|---|---|---|
| CDB a 100% do CDI | R$ 1.365,00 | IR de 17,5% | R$ 1.126,13 |
| CDB a 105% do CDI | R$ 1.433,25 | IR de 17,5% | R$ 1.182,43 |
| LCI ou LCA a 90% do CDI (hipotética) | R$ 1.228,50 | Isenta | R$ 1.228,50 |
| Poupança (TR de 0,1212%) | R$ 772,21 | Isenta | R$ 772,21 |
A tabela do Imposto de Renda na renda fixa tributada é regressiva: 22,5% até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias e 15% acima de 720 dias. Por isso, um CDB de 12 meses, que passa de 360 dias, já cai na faixa de 17,5%. Uma LCI a 90% do CDI equivale, nesse prazo, a um CDB de cerca de 109% do CDI.
Vale lembrar que a isenção de LCI e LCA está no centro do debate fiscal para 2027. Não há lei nova mudando a regra, e mudanças tributárias costumam mirar emissões futuras, mas o tema merece acompanhamento. Explicamos o cenário em o que o ajuste fiscal de 2027 pode mudar no IR da renda fixa.
E o prefixado e o IPCA+?
Para objetivos com data em 2029 ou depois, os títulos públicos de prazo mais longo voltam a ser candidatos. No fechamento de 16 de outubro, o Tesouro Prefixado 2029 pagava 12,79% ao ano, o Prefixado 2032 pagava 12,98%, e o Tesouro IPCA+ 2032 oferecia a inflação mais 6,83% ao ano. Esses títulos sobem e descem de preço antes do vencimento, a chamada marcação a mercado. Fazem sentido para dinheiro que vai ficar até o fim, não para a reserva nem para o IPVA.
Uma forma equilibrada de usar o 13º de longo prazo é dividir: parte no pós-fixado, que ganha se os juros ficarem altos por mais tempo, e parte em prefixado ou IPCA+, que protege o rendimento caso os cortes venham mais fortes. Ninguém precisa acertar o Copom. Precisa apenas não depender de um único cenário.
O que isso significa para o seu dinheiro
Vamos juntar as peças em um exemplo. Mariana tem salário de R$ 10.000. A primeira parcela do 13º, de R$ 5.000, chega em 30 de novembro, sem descontos. A segunda chega até 18 de dezembro, já com INSS e IR. Ela tem R$ 1.500 no parcelado da fatura, uma reserva que cobre três meses de gastos, o IPVA de R$ 2.000 para janeiro e o plano de trocar de carro em 2029.
Uma divisão possível para Mariana seria esta:
- R$ 1.500 para quitar o parcelado da fatura, que custa algo perto de 9% ao mês. É o melhor retorno disponível para ela.
- R$ 2.000 em Tesouro Reserva ou CDB de liquidez diária, reservados para o IPVA, avaliando o desconto à vista.
- R$ 1.500 restantes da primeira parcela para engordar a reserva, também em liquidez diária, com o objetivo de chegar a seis meses de gastos ao longo de 2027.
- A segunda parcela, depois do Copom de dezembro, dividida entre reserva e um título com vencimento próximo de 2029, como o Tesouro Prefixado 2029 ou um CDB de prazo semelhante com FGC.
Repare que a ordem importa mais do que a escolha exata do produto. Quem começa pelo prefixado com taxa bonita e deixa a fatura rodando está, na prática, pagando muito para receber pouco.
Erros comuns ao investir o 13º salário
Alguns tropeços se repetem todo fim de ano. Vale conhecê-los antes de o dinheiro cair:
- Planejar com o valor bruto. A segunda parcela vem com descontos. Planeje com o líquido do contracheque, considerando a nova redução do IR para quem tem 13º até R$ 7.350.
- Aplicar e resgatar em poucos dias. O IOF consome boa parte do rendimento nos primeiros 30 dias. Dinheiro de uso imediato não precisa ser investido.
- Comprar LCI ou LCA para um gasto de janeiro. O prazo mínimo de seis meses impede o resgate a tempo.
- Usar prefixado longo como reserva. A marcação a mercado pode obrigar a vender com perda justamente na emergência.
- Esquecer o limite do FGC. A garantia é de R$ 250 mil por CPF por instituição. Acima disso, vale distribuir entre emissores.
- Escolher só pela maior taxa da tela. Taxa alta sem FGC, com prazo longo ou emissor frágil, precisa caber no seu objetivo, não apenas no seu desejo de rentabilidade.
O olhar da Meelion
O 13º não pede uma grande tese de investimento. Pede ordem. Primeiro, o que custa caro. Depois, o que protege. Em seguida, o que tem data marcada. Só então, o que pode esperar. Dentro de cada etapa, a diferença entre um produto e outro costuma ser menor do que a diferença entre ter um plano e não ter. Antes de decidir, vale comparar as taxas líquidas de CDB, LCI e LCA de diferentes emissores, com prazo e garantia lado a lado: é exatamente esse o trabalho do comparador da Meelion.
Perguntas frequentes sobre o 13º salário em 2026
Quando cai o 13º salário em 2026?
A primeira parcela deve ser paga até 30 de novembro. A segunda, até 18 de dezembro, porque o prazo legal de 20 de dezembro cai em um domingo. A empresa pode pagar em parcela única até 30 de novembro.
O 13º tem desconto de Imposto de Renda em 2026?
Depende do valor. Pela Lei 15.270, de 2025, a redução do IR também vale para o 13º. Até R$ 5.000 tributáveis, o imposto é zerado. Entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350, há redução parcial. Acima disso, vale a tabela normal. O desconto aparece na segunda parcela.
Vale mais a pena quitar dívidas ou investir o 13º?
Para dívidas caras, como rotativo e parcelado do cartão, quitar quase sempre vence. O rotativo teve juro médio de 444,9% ao ano em agosto de 2026, segundo o Banco Central, contra 13,65% do CDI. Para dívidas baratas, compare o custo efetivo com o rendimento líquido e preserve a reserva.
Tesouro Reserva ou CDB de liquidez diária para guardar o 13º?
Os dois rendem parecido quando o CDB paga 100% do CDI. O Tesouro Reserva tem Pix quase 24 horas e custódia isenta até R$ 10 mil. O CDB tem FGC e está disponível em várias instituições. Em outubro de 2026, o Tesouro Reserva era oferecido só pelo Banco do Brasil.
Se a Selic cair, ainda vale deixar o 13º no CDI?
Para reserva e gastos de curto prazo, sim: a função desse dinheiro é liquidez, não rentabilidade máxima. Para objetivos de 2028 em diante, faz sentido combinar pós-fixado com prefixado ou IPCA+, que travam a taxa no dia da compra.
Posso aplicar o 13º em LCI ou LCA?
Pode, desde que não precise do dinheiro antes do vencimento. LCI e LCA sem correção por índice de preços têm prazo mínimo de seis meses. São boas candidatas para objetivos de médio prazo, comparando sempre a taxa isenta com a de um CDB equivalente.
Conclusão
O 13º de 2026 chega em um momento curioso: juros ainda altos, possibilidade de cortes, eleição resolvida e, para muita gente, uma segunda parcela maior graças à nova regra do Imposto de Renda. É um bom cenário para quem chega com plano. Com o CDI perto de 13,65%, mesmo a parte mais conservadora do dinheiro tem rendimento relevante, desde que não fique parada na conta corrente nem presa em um produto com prazo errado.
A decisão sobre onde investir o 13º salário começa pela pergunta do início: quanto dele está livre? Responda com o contracheque na mão, quite o que custa caro, complete a reserva, separe o dinheiro de janeiro e só então pense em travar taxa. Com essa ordem, o 13º deixa de ser apenas o dinheiro do fim de ano e passa a ser um passo concreto na construção do seu patrimônio.
Este artigo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento. Os cálculos são aproximados, consideram taxas constantes no período e não incluem eventuais custos de cada instituição.
Glossário
- 13º salário: gratificação anual paga ao trabalhador com carteira assinada e a aposentados e pensionistas do INSS, dividida em duas parcelas.
- Selic: taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Copom.
- Copom: Comitê de Política Monetária do Banco Central, que se reúne a cada 45 dias para definir a Selic.
- CDI: taxa de referência dos investimentos em renda fixa, próxima à Selic.
- CDB: empréstimo que o investidor faz ao banco em troca de uma remuneração.
- LCI e LCA: investimentos isentos de Imposto de Renda para pessoa física, ligados ao setor imobiliário e ao agronegócio.
- Tesouro Selic: título público pós-fixado que acompanha a Selic, com baixa oscilação de preço.
- Tesouro Reserva: título público que rende 100% da Selic, sem marcação a mercado, com aplicação e resgate via Pix.
- Tesouro Prefixado: título público com taxa definida no momento da compra.
- Tesouro IPCA+: título público que paga a inflação mais uma taxa fixa.
- IPCA: índice oficial de inflação, que mede a alta geral dos preços.
- FGC: Fundo Garantidor de Créditos, que protege até R$ 250 mil por CPF por instituição.
- IOF: Imposto sobre Operações Financeiras, cobrado sobre o rendimento de resgates feitos antes de 30 dias.
- TR: Taxa Referencial, calculada pelo Banco Central e usada no rendimento da poupança.
- Marcação a mercado: atualização diária do preço de um título conforme as taxas vigentes.
- Rotativo do cartão: crédito acionado quando a fatura não é paga integralmente.
- Boletim Focus: pesquisa semanal do Banco Central com as projeções do mercado.
Fontes Consultadas
- Contábeis: 13º salário 2026, datas de pagamento (05/10/2026): https://www.contabeis.com.br/noticias/79876/13o-salario-2026-veja-as-datas-de-pagamento/
- Planalto: Lei 15.270, de 2025 (redução do IR, inclusive no 13º): https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2025/lei/l15270.htm
- CalculaBrasil: redução do IRRF no 13º salário em 2026: https://calculabrasil.com/blog/13-salario-irrf-reducao-lei-15270-2026
- DIEESE: nota sobre o pagamento do 13º salário em 2025: https://www.dieese.org.br/notaaimprensa/2025/decimoTerceiroSalario2025.pdf
- Banco Central: calendário do Copom: https://www.bcb.gov.br/controleinflacao/calendariocopom
- Banco Central: Estatísticas Monetárias e de Crédito (29/09/2026): https://www.bcb.gov.br/content/estatisticas/hist_estatisticasmonetariascredito/202609_Texto_de_estatisticas_monetarias_e_de_credito.pdf
- Agência Estado via TN Online: juro do rotativo sobe a 444,9% ao ano em agosto (29/09/2026): https://tnonline.uol.com.br/noticias/economia/juro-medio-do-rotativo-do-cartao-de-credito-sobe-a-4449-ao-ano-em-agosto-diz-bc-1150263
- Valor Investe: taxas do Tesouro Direto em 16 de outubro de 2026: https://valorinveste.globo.com/produtos/renda-fixa/tesouro-direto/noticia/2026/10/16/tesouro-direto-hoje-taxas-16-de-outubro-acompanhe.ghtml
- Tesouro Direto: Tesouro Reserva: https://www.tesourodireto.com.br/tesouro-reserva
- Normas Brasil: Resolução CMN 5.215, de 2025 (prazo mínimo de LCI e LCA): https://www.normasbrasil.com.br/norma/resolucao-5215-2025_478582.html
- Valor Econômico: Boletim Focus de 13/10/2026: https://valor.globo.com/brasil/noticia/2026/10/13/mercado-eleva-projecao-do-ipca-de-2026-de-501percent-para-522percent-aponta-focus.ghtml
- Tesouro Direto: regras e regulamento: https://www.tesourodireto.com.br/sobre-o-tesouro/regras-e-regulamento

Dan Printes é fundador da Meelion e empreendedor na área de tecnologia. Atua com inteligência artificial, produtos digitais e investimentos, com especial interesse em renda fixa e na aplicação de tecnologia para tornar decisões financeiras mais simples e inteligentes. Neste espaço, compartilha insights sobre investimentos, economia, renda fixa e outros temas relacionados ao mercado financeiro.














