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Varejo de junho +0,5%: o Copom de 16/09 ainda corta o CDI?

Varejo de junho +0,5%: o Copom de 16/09 ainda corta o CDI?

Você olha o extrato, vê o CDI ainda perto de 14% e se pergunta se vale travar um prefixado antes de setembro. Nesta quinta-feira, 13 de agosto de 2026, o IBGE divulgou as vendas no varejo de junho. O número veio acima do esperado e entra direto na conta de quem investe em renda fixa até o Copom.

O volume do varejo restrito subiu 0,5% ante maio, com ajuste sazonal, já descontando o efeito típico do calendário. A Reuters trabalhava com 0,30%. Frente a junho de 2025, a alta foi de 2,9%, também acima dos 2,35% previstos. Já o varejo ampliado, que inclui veículos, material de construção e o atacado de alimentos, caiu 1,0% no mês. Essa divergência importa mais do que a manchete.

Com a Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, em 14% ao ano desde 5 de agosto, o supermercado ainda anda e o bem durável já sente o crédito caro. A seguir, o que esse dado de demanda muda no CDI, no prefixado e no IPCA+ até a decisão de 16 de setembro.

O que as vendas no varejo de junho do IBGE mudam na renda fixa

Vamos do começo. A Pesquisa Mensal de Comércio, a PMC, mede o volume de vendas. Não é notícia de loja para quem investe em renda fixa. É um retrato de demanda. E demanda firme demais, no vocabulário do Banco Central, é o que atrasa a queda da inflação.

O Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central, se reúne em 15 e 16 de setembro. A decisão sai no dia 16. Em 5 de agosto, o comitê cortou a Selic de 14,25% para 14%, o quarto corte seguido e o menor nível desde fevereiro de 2025. Não prometeu o próximo passo. Disse que a extensão do ciclo depende dos dados.

A PMC de junho é um desses dados. Por isso o 0,5% de hoje não compete com o que o Copom de agosto já tinha dito sobre pré versus CDI. Ele testa aquela regra: se a demanda ainda segura, o juro alto precisa durar mais.

Há quatro bases na pesquisa, e misturá-las gera leitura errada. A variação mensal do restrito foi de 0,5%. A comparação com junho de 2025 foi de 2,9%. O acumulado de janeiro a junho de 2026, contra o mesmo período de 2025, ficou em 1,9%. Em 12 meses, a alta é de 1,6%. O 2,9% é junho contra junho, não o acumulado de 12 meses.

O patamar também ajuda a calibrar o ânimo. Segundo Cristiano Santos, do IBGE, o setor ficou 0,8% abaixo do recorde da série, registrado em março de 2026, e no segundo nível mais alto desde janeiro de 2000. Não é um varejo em colapso. Também não é um recorde novo. É um nível alto depois de um tombo pontual em abril.

A trajetória mensal de 2026 do restrito, com ajuste sazonal, foi esta: janeiro, 0,5%; fevereiro, 0,8%; março, 0,8%; abril, -1,5%; maio, 0,3%; junho, 0,5%. Só abril foi negativo. O segundo trimestre, contra o primeiro, recuou 0,4%. Há desaceleração na margem trimestral e resiliência no mês de junho.

Vamos traduzir. Se supermercado e artigos de uso pessoal ainda crescem com a Selic a 14%, o Banco Central tem menos pressa para acelerar cortes. O CDI, a taxa de referência da renda fixa, próxima à Selic, permanece o carrego do dinheiro sem data. O prefixado longo, que ganha se os juros futuros caírem depressa, perde assimetria a favor.

Restrito sobe 0,5%, ampliado cai 1,0%: o juro já seleciona o consumo

O varejo restrito é o comércio clássico: supermercado, farmácia, vestuário, móveis, combustível. O varejo ampliado soma a esse núcleo os veículos, o material de construção e o atacado de alimentos. Em junho, os dois andaram em direções opostas.

O restrito avançou 0,5% ante maio. O ampliado caiu 1,0%, depois de uma queda de 0,3% em maio, segundo o InfoMoney em 13 de agosto. A média móvel trimestral do ampliado recuou 0,7% no trimestre encerrado em junho, após -0,4% no trimestre de maio. O juro alto já seleciona o que a família compra à vista e o que depende de financiamento.

Atividade (volume, junho ante maio)Variação
Outros artigos de uso pessoal e doméstico+2,4%
Hiper e supermercados, alimentos, bebidas e fumo+1,1%
Móveis e eletrodomésticos+0,4%
Artigos farmacêuticos+0,2%
Equipamentos de escritório, informática e comunicação-1,3%
Combustíveis e lubrificantes-1,7%
Tecidos, vestuário e calçados-2,6%
Livros, jornais, revistas e papelaria-9,9%
Veículos, motos, partes e peças (ampliado)-1,5%
Material de construção (ampliado)-3,5%

Fonte: IBGE via InfoMoney, Poder360 e Agência Brasil, 13 de agosto de 2026. As oito primeiras linhas são o restrito (quatro altas e quatro quedas). As duas últimas entram só no ampliado.

Supermercado e farmácia andam com emprego e com inflação mais baixa no mês. Cristiano Santos, do IBGE, citado pela Agência Brasil em 13 de agosto, apontou o IPCA, o índice que mede a alta geral dos preços, a 0,16% em junho, depois de 0,58% em maio, e a ocupação 1,1% maior entre os meses. Farmácia acumula 40 meses seguidos de alta interanual, a série positiva mais longa da pesquisa atual, segundo o Poder360. A alta do restrito apareceu em 19 das 27 unidades da Federação.

Carro e cimento sentem o crédito caro. Veículos, motos, partes e peças recuaram 1,5% no mês. Material de construção caiu 3,5%. São as duas pontas do ampliado que mais dependem de financiamento. A Selic a 14% não é abstração nessa prateleira. Ela aparece na parcela, no prazo e na recusa do banco.

O ampliado até cresce na comparação longa, e isso evita o outro exagero. Frente a junho de 2025, o volume ampliado subiu 4,9%, depois de -0,6% em maio nessa mesma base. No ano, avança 1,9%. Em 12 meses, 0,8%. O patamar está 2,1% abaixo do pico de fevereiro de 2026. Há desaceleração na margem, não um apagão de demanda.

O erro é tratar o 0,5% como “economia aquecida”. O restrito firme descreve o consumo corrente. O ampliado negativo descreve o que o juro já mordeu. Alimento e farmácia ainda pesam na inflação de núcleos. Carro e cimento mostram que a política monetária funciona onde o crédito é o motor.

A indústria e os serviços do mesmo mês reforçam o retrato misto. A produção industrial caiu 1,8% de maio para junho e subiu 1,5% no primeiro semestre contra 2025. Os serviços ficaram estáveis em junho e avançaram 2% no semestre. A indústria de junho já tinha recuado 1,8%. O supermercado, não. Oferta fraca e consumo corrente ainda firme é combinação incômoda para quem corta juros.

Selic a 14% e Copom em 16/09: o varejo de junho testa o corte do Focus

Em 5 de agosto, o Copom cortou a Selic a 14% sem compromisso sobre o próximo passo. A atividade apareceu em “moderação gradual”, ainda “resiliente”. A ata de 11 de agosto, lida pela XP no mesmo dia, reforçou o tom dependente dos dados: desaceleração disseminada do primeiro para o segundo trimestre, demanda ainda pressionando a inflação. A XP manteve Selic a 14,00% no fim de 2026 e a 11,50% em 2027. É um cenário de pausa neste ano.

O Boletim Focus de 10 de agosto ainda vê a Selic a 13,75% no fim de 2026, 12,00% em 2027, 10,50% em 2028 e 10,00% em 2029. O IPCA de 2026 recuou de 5,03% para 5,02%, a sexta semana de queda. O de 2027 ficou em 4,22%, segundo o Estadão/Broadcast. O Focus ainda vê Selic a 13,75% no fim de 2026. A XP, não.

A divergência precisa ficar visível. O Focus trabalha com mais um corte de 0,25 ponto percentual até dezembro. A XP já desenha a Selic parada em 14% neste ano. A PMC de junho é munição para a tese mais cautelosa, não prova de pausa em setembro.

O termômetro de opções na B3, publicado pelo Valor Investe após a decisão de 5 de agosto, dava 70% de chance de corte de 0,25 ponto em setembro, Selic a 13,75%; 24% de pausa em 14%; e 6% de corte de 0,50 ponto. Em 12 de agosto, o Valor citou opções digitais com 75% para o corte de 0,25 e 23% para manutenção. Novembro aparecia mais dividido: 51% de estabilidade e 34,5% de novo corte de 0,25.

Um varejo restrito acima do esperado é um voto a favor da cautela, não da aceleração. Se o comitê disse que a magnitude do ciclo sai “à luz de novas informações”, um consumo de supermercado a 1,1% no mês e um núcleo ainda 0,8% abaixo do recorde não empurram o Copom para 0,50 ponto. Também não cancelam, sozinhos, o cenário de 0,25 que o mercado ainda precifica.

A inflação cheia de julho ajuda a entender por que o corte de setembro não morreu. O IPCA veio a 0,07% no mês, acima dos 0,03% que a Reuters esperava, segundo a CNN Brasil em 11 de agosto. Em 12 meses, está em 4,44%, abaixo do teto operacional de 4,50% da meta contínua, cujo centro é 3% com intervalo de 1,5 ponto. O dado de preços melhorou. O de demanda, no restrito, não acompanhou na mesma velocidade.

Indústria a -1,8% e serviços a 0% em junho impedem o extremo oposto: a ideia de que o Banco Central “vai parar para sempre”. Há moderação na oferta e nos serviços. Há resiliência no núcleo do varejo. Política monetária data-dependent, neste ponto do ciclo, lê os dois. Até 16 de setembro, o 0,5% de hoje diminui a pressa. Não escreve a ata de setembro.

O DI mal cedeu nesta quinta: prefixado longo ainda não ganhou o argumento

Juros futuros no Brasil se negociam na curva de DI, os contratos de Depósito Interfinanceiro na B3. Quando o DI cai, o mercado está precificando Selic menor à frente. Quando mal se mexe depois de um dado de atividade acima do esperado, a mensagem é outra: o número não autorizou alívio.

Por volta de 9h45 desta quinta, 13 de agosto, o Valor registrou o DI de janeiro de 2027 a 13,745%, saindo de 13,75% no ajuste anterior. Janeiro de 2028 foi de 13,92% para 13,93%. Janeiro de 2029, de 14,225% para 14,22%. Janeiro de 2031 ficou estável em 14,455%. Queda de 0,5 ponto-base no vértice curto. Ponto-base é 0,01 ponto percentual. É quase nada.

O DI de janeiro de 2027 já precifica 13,75%. Esse nível é, na prática, o corte do Focus até o fim de 2026. Quem trava um prefixado longo agora não está “na frente” do mercado. Está comprando uma tese de corte que a curva curta já embutiu, e que o varejo de junho não confirmou com folga.

O fechamento de quarta, 12 de agosto, ajuda a ler o humor dos dias anteriores. O DI janeiro/2027 terminou a 13,755%; janeiro/2028 a 13,935%; janeiro/2029 a 14,25%; janeiro/2031 a 14,48%, segundo o Valor. Foram três dias de perdas na curva, com reprecificação de risco eleitoral. Nesta quinta, o PPI dos Estados Unidos, o índice de preços ao produtor, veio abaixo do esperado e puxou os Treasuries para baixo. O varejo brasileiro veio acima. No texto do Valor, os dois “acabam por se anular”. As taxas domésticas “não encontram espaço para um alívio relevante”.

Traduza isso para a carteira. Prefixado é o título que paga uma taxa combinada na compra. Pode ser um CDB, o empréstimo que o investidor faz ao banco; um título do governo no Tesouro Direto; ou uma LCI ou LCA, investimentos isentos de Imposto de Renda ligados ao crédito imobiliário e ao agronegócio. Se os juros futuros caem depois da compra, o preço do título sobe para quem vende no meio do caminho. Se não caem, resta o cupom original, desde que você carregue até o vencimento.

Duration é o prazo médio ponderado do título: quanto maior, mais o preço oscila quando a curva mexe. Uma queda de 0,5 ponto-base no DI curto não é convite para alongar duration. O mercado até pode cortar 0,25 em setembro. Isso já está, em grande medida, no DI de janeiro de 2027. O que o dado de hoje enfraquece é a assimetria de alongar 2029 e 2031 na esperança de um ciclo mais fundo e mais rápido.

Indicadores financeiros de 13 de agosto mostravam Selic a 14,00%, IPCA em 4,44% em 12 meses, DI em 13,90% na referência de agosto de 2026 e dólar a R$ 5,19. Carrego ainda alto, curva que não barateou de verdade nesta manhã.

CDI, % do CDI e IPCA+: o que fazer com a carteira até setembro

Até o Copom de 16 de setembro, o núcleo da carteira continua no CDI e no percentual do CDI. O prefixado cabe só no dinheiro com data e com intenção de ir até o vencimento. O IPCA+ segue como proteção de poder de compra, não como aposta de que o varejo autorizou um ciclo rápido de cortes.

O que isso significa para o seu dinheiro

CDI, Tesouro Selic e CDB a 100% ou mais do CDI. Tesouro Selic é o título do governo atrelado à Selic. Com Selic a 14% e DI na casa de 13,90% em 13 de agosto, o carrego mensal ainda fica perto de 1,17% bruto ao mês na referência de 14% ao ano: 14 dividido por 12. Em R$ 10 mil, isso é cerca de R$ 117 brutos no mês, antes do Imposto de Renda. É a conta do dinheiro que ainda não tem data.

Reserva de emergência e recursos sem prazo continuam aqui. Percentual do CDI acima de 100% faz sentido quando o prazo e o emissor cabem no FGC, o Fundo Garantidor de Créditos, que protege até R$ 250 mil por CPF por instituição. O extra de taxa cobra tempo. No recorte de CDB desta quinta, havia um papel da DM Financeira a 118% do CDI, equivalente a 14,60% líquidos, com vencimento em 17 de julho de 2031, distribuição Genial e aplicação mínima de R$ 1 mil. O número ilustra o trade-off. Não é análise do emissor.

Prefixado (CDB pré, Tesouro Prefixado, LCI ou LCA pré) só para dinheiro com data e com disposição de carregar até o vencimento. O DI de janeiro de 2027, já na casa de 13,75%, precifica o corte do Focus. O varejo firme reduz a assimetria a favor de quem trava 2028, 2029, 2031. Prazo curto é outra conversa. Uma LCA do BTG Pactual prefixada a 13,90% isenta, com vencimento em 2 de dezembro de 2026 e distribuição Itaú, mostra o contraste: poucos meses, isenção de IR, taxa próxima do DI curto. Não substitui o CDI do dinheiro sem data. Também não é pauta de produto. É régua de prazo.

IPCA+ continua proteção, não substituto de um ciclo de cortes. O Focus de 10 de agosto coloca a inflação de 2026 em 5,02%, acima do teto de 4,50%, e a de 2027 em 4,22%. O IPCA em 12 meses está em 4,44%, mas as expectativas longas seguem desancoradas em relação ao centro da meta, que é 3%. Título IPCA+ paga inflação mais um juro real combinado na compra. Serve para preservar poder de compra no trecho da carteira que precisa atravessar 2026 e 2027. Não serve como aposta de que o 0,5% do varejo “liberou” a curva longa.

Antes de decidir o percentual do CDI e o prazo, vale comparar as taxas disponíveis. A Meelion reúne opções de CDB, LCI e LCA de diferentes bancos para você simular em tempo real. A PMC de junho não pede uma troca apressada. Pede que a comparação respeite o horizonte de cada real.

Essa leitura se soma a o que travar depois do quarto corte, agora com o varejo na mesa. O corte de 5 de agosto já tinha deixado o CDI como núcleo. O dado de 13 de agosto confirma a paciência.

Cenário até 16/09CDI e % do CDIPrefixadoIPCA+
Leitura da PMC de junho (restrito firme, ampliado em queda)Núcleo da carteira. Carrego ainda alto com Selic a 14% e DI perto de 13,90%.Só com data e intenção de ir até o vencimento. Longo perde assimetria.Proteção de poder de compra. Não é aposta de corte rápido.
Se o Copom cortar 0,25 ponto (Selic a 13,75%)Carrego recua pouco. Reserva e dinheiro sem data continuam aqui.Quem já travou curto pode ver alívio na marcação a mercado. Alongar agora não fica mais óbvio.Continua proteção. Focus 2026 ainda acima do teto de 4,50%.
Se o Copom pausar em 14%Carrego se estende. A tese da XP ganha um dado a mais, não uma certeza.Prefixado longo perde o argumento. O varejo de junho já apontava nessa direção.Ganha relevância como hedge de inflação que demora a convergir.

A tabela não projeta taxas futuras. Só organiza o que o dado de demanda favorece. Marcação a mercado é a variação do preço do título antes do vencimento: quem não pretende vender no meio do caminho pode ignorá-la.

O que vigiar até o Copom de 16 de setembro

O calendário importa mais do que o palpite. A próxima PMC, referência julho de 2026, está marcada pelo IBGE para 15 de setembro, um dia antes da decisão. Se o restrito de julho repetir a surpresa altista, o Copom lê o 0,5% de junho como tendência, não como ponto isolado. Se vier mais fraco, o dado de hoje perde peso na ata. Você não precisa antecipar esse número. Precisa saber que ele entra na reunião.

Serviços e indústria de junho já saíram mistos: 0% e -1,8%. O Focus da semana de 17 de agosto será o primeiro mapa de expectativas depois desta PMC. Vale olhar se a mediana da Selic para o fim de 2026 permanece em 13,75% ou se começa a migrar rumo aos 14% da XP. Um único boletim não decide. Uma sequência decide.

O IPCA de julho, a 4,44% em 12 meses, comprou espaço para o corte de 0,25 que o termômetro ainda mostra como cenário mais citado. O varejo restrito de junho comprou espaço para a pausa. Até 16 de setembro, os dois convivem. Há ainda as reuniões de 3 e 4 de novembro e de 8 e 9 de dezembro. O termômetro de 12 de agosto já mostrava novembro mais dividido do que setembro.

O olhar da Meelion

A cadeia é direta. O varejo de junho, com o restrito firme, reduz a pressa do Copom em 16 de setembro. Até lá, o núcleo é carregar CDI e percentual do CDI com emissor e prazo que caibam no FGC. Prefixado só com a data que você pretende cumprir. IPCA+ como proteção, não como aposta de corte rápido. Comparar taxas de CDB, LCI e LCA no comparador é o passo prático. Trocar a carteira inteira porque o IBGE publicou 0,5% não é.

O 0,5% de junho não pede pressa. Pede leitura. Demanda de supermercado ainda anda, crédito de durável já recua, a curva de DI mal cedeu nesta manhã e o Copom segue dependente do próximo número. Carregar o CDI até 16 de setembro não é inércia. É a tese que o dado de hoje sustenta.

Glossário

  • Selic: taxa básica de juros da economia brasileira. Influencia empréstimos, financiamentos e a remuneração da renda fixa pós-fixada.
  • CDI: taxa de referência da renda fixa, próxima à Selic. É o indexador mais comum de CDBs pós-fixados e o carrego do dinheiro sem data.
  • IPCA: índice que mede a alta geral dos preços, a inflação oficial ao consumidor. A meta contínua tem centro em 3% e teto operacional em 4,50%.
  • IPCA+: título ou papel que paga a variação do IPCA mais uma taxa real combinada na compra. Serve para proteger o poder de compra.
  • PMC: Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE. Mede o volume de vendas do varejo.
  • Varejo restrito: comércio varejista clássico (supermercado, farmácia, vestuário, móveis, combustíveis e correlatos), sem veículos nem material de construção.
  • Varejo ampliado: restrito mais veículos, material de construção e atacado de alimentos.
  • Copom: Comitê de Política Monetária do Banco Central, que define a Selic. A próxima decisão é em 16 de setembro de 2026.
  • Focus: boletim semanal do Banco Central com a mediana das expectativas de mercado para Selic, IPCA, PIB e câmbio.
  • Prefixado: investimento cuja taxa é combinada na compra e não varia com a Selic. O preço pode oscilar até o vencimento.
  • Duration: prazo médio ponderado de um título. Quanto maior, mais o preço reage a mudanças nos juros.
  • DI: contrato futuro de Depósito Interfinanceiro na B3. É a curva que o mercado usa para precificar a Selic à frente.
  • CDB: empréstimo que o investidor faz ao banco em troca de uma remuneração, prefixada, atrelada ao CDI ou híbrida.
  • Tesouro Direto: títulos emitidos pelo governo federal e comprados diretamente pelo investidor.
  • Tesouro Selic: título público atrelado à Selic, usado como referência de liquidez e de carrego pós-fixado.
  • LCI e LCA: investimentos isentos de Imposto de Renda ligados ao crédito imobiliário e ao agronegócio.
  • FGC: Fundo Garantidor de Créditos, que protege até R$ 250 mil por CPF por instituição financeira.
  • Ajuste sazonal: correção estatística que desconta efeitos típicos do calendário, como o número de dias úteis, para comparar um mês com o anterior.

Fontes Consultadas

  • IBGE, Pesquisa Mensal de Comércio (calendário: referência junho/2026 em 13/08/2026; julho/2026 em 15/09/2026): https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/comercio/9227-pesquisa-mensal-de-comercio.html
  • InfoMoney, 13/08/2026: vendas no varejo avançam 0,5% em junho, acima do esperado: https://www.infomoney.com.br/economia/vendas-no-varejo-do-brasil-avancam-05-em-junho-acima-do-esperado/
  • Agência Brasil / EBC, 13/08/2026: vendas no comércio crescem 0,5% em junho e sobem 1,9% no 1º semestre: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-08/vendas-no-comercio-crescem-05-em-junho-e-sobem-19-no-1o-semestre
  • Poder360, 13/08/2026: vendas no varejo avançam 0,5% em junho, diz IBGE: https://www.poder360.com.br/poder-economia/vendas-no-varejo-avancam-05-em-junho-diz-ibge/
  • Terra / Reuters, 13/08/2026: varejo registra alta das vendas acima do esperado em junho: https://www.terra.com.br/economia/varejo-no-brasil-registra-alta-das-vendas-acima-do-esperado-em-junho,14d3fc54b0106d0291fc824dce0bae751rv3fud9.html
  • Valor, 13/08/2026: juros futuros rondam os ajustes de olho em varejo do Brasil e PPI dos EUA: https://valor.globo.com/financas/noticia/2026/08/13/juros-futuros-rondam-os-ajustes-de-olho-em-varejo-do-brasil-e-ppi-dos-eua.ghtml
  • Valor, 12/08/2026: juros futuros sobem com mau humor persistente em meio a risco eleitoral: https://valor.globo.com/financas/noticia/2026/08/12/juros-futuros-sobem-com-mau-humor-persistente-em-meio-a-risco-eleitoral.ghtml
  • XP Economia, 11/08/2026: ata do Copom reforça postura dependente dos dados: https://conteudos.xpi.com.br/economia/ata-do-copom-reforca-postura-dependente-dos-dados/
  • Valor Investe, 05/08/2026 (atualizado em 11/08): Copom corta Selic em 0,25 ponto, a 14% ao ano: https://valorinveste.globo.com/mercados/moedas-e-juros/noticia/2026/08/05/copom-corta-selic-em-025-ponto-a-14percent-ao-ano.ghtml
  • Estadão E-Investidor, 10/08/2026: Focus, IPCA 2026 e Selic em 13,75%: https://www.estadao.com.br/einvestidor/cenarios-e-mercado/boletim-focus-projecao-para-ipca-em-2026-cai-pela-6-semana-seguida-selic-fica-estavel-em-1375/
  • InfoMoney, 10/08/2026: Boletim Focus: https://www.infomoney.com.br/economia/boletim-focus-projecoes-10082026/
  • Banco Central, Boletim Focus: https://www.bcb.gov.br/focus
  • Estadão E-Investidor: calendário Copom 2026: https://www.estadao.com.br/einvestidor/financas-pessoais/copom-2026-calendario-reunioes-selic-banco-central/
  • CNN Brasil / Reuters, 11/08/2026: IPCA de julho a 0,07% no mês, acima dos 0,03% esperados, e 4,44% em 12 meses: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/mercado/juros-futuros-registram-alta-em-dia-com-ipca-e-ata-do-copom/
  • Indicadores financeiros, 13/08/2026 (Selic 14,00%, IPCA 4,44% em 12 meses, DI 13,90%, Copom 16/09): https://www.meelion.com/indicadores-financeiros/

Este artigo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento.

Dan Mark Printes

Dan Printes é fundador da Meelion e empreendedor na área de tecnologia. Atua com inteligência artificial, produtos digitais e investimentos, com especial interesse em renda fixa e na aplicação de tecnologia para tornar decisões financeiras mais simples e inteligentes. Neste espaço, compartilha insights sobre investimentos, economia, renda fixa e outros temas relacionados ao mercado financeiro.

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