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DI janeiro/2029 a 14,145%: ainda vale travar o pré?

DI janeiro/2029 a 14,145%: ainda vale travar o pré?

Há dias em que a curva de juros fala mais alto que qualquer comunicado oficial. Em 21 de agosto de 2026, o DI janeiro/2029 caiu com força, a ponta longa liderou o movimento e o mercado atribuiu boa parte do alívio a uma leitura eleitoral, não a um Banco Central mais brando de uma hora para outra.

Para quem investe em renda fixa, a pergunta prática mudou de tom. Não é mais só “o que é DI”. É: depois de queimar prêmio de risco no miolo e no longo da curva, ainda faz sentido travar prefixado em CDB ou no Tesouro Prefixado, ou é mais inteligente esperar a digestão do Datafolha e o Copom de meados de setembro?

Abaixo, o que a curva fez no dia, o que o mercado precificou, como isso se traduz em CDB e Tesouro — e um checklist para decidir se trava uma fatia agora ou se espera a próxima semana, sem transformar volatilidade política em pressa financeira.

O que a curva fez em 21/08: DI janeiro/2029 a 14,145% e por que a ponta longa liderou

Vamos do começo. O DI futuro é o contrato que o mercado usa para precificar a expectativa de juros ao longo do tempo. Quando a taxa de um vértice cai, o mercado está dizendo, na prática, que aceita um juro menor naquele horizonte. Quando sobe, o prêmio ou a expectativa de juros maiores voltam à mesa.

Segundo o Valor Econômico, no ajuste de 21 de agosto de 2026 o DI janeiro/2029 saiu de 14,275% (ajuste da véspera) para 14,145%. O DI janeiro/2031 recuou de 14,59% para 14,40%. No miolo mais curto, o movimento foi menor: DI janeiro/2027 de 13,725% para 13,705%, e DI janeiro/2028 de 13,94% para 13,855%.

Esse detalhe importa. A queda não foi uniforme. A ponta longa liderou. No cômputo semanal frente à sexta anterior, os vértices janeiro/2029 e janeiro/2031 devolveram cerca de 20 pontos-base, enquanto o janeiro/2027 recuou perto de 5 pontos-base, segundo cobertura do O Povo com base em agências.

Outro ponto que separa “ruído do dia” de “tese de cenário”: no mesmo pregão, os Treasuries americanos subiram. O T-note de 10 anos oscilou perto de 4,736% a 4,738%, e o T-bond de 30 anos perto de 5,275% a 5,278% no fim do pregão. Ou seja, a queda dos DIs brasileiros descolou do exterior. Não foi um dia em que o mundo inteiro simplesmente “pediu juros menores”.

O real ajudou a narrativa local. O dólar caiu 0,93% ante o real em 21 de agosto, reforçando o alívio nos ativos domésticos. Em mercados emergentes, câmbio mais firme costuma reduzir a pressão sobre a curva de juros, porque diminui o medo de inflação importada e de fuga de capital no curto prazo.

Há ainda um contraste útil para quem acompanha títulos atrelados à inflação. As NTN-Bs, que embutem juros reais, ficaram relativamente estáveis no dia, enquanto os DIs prefixados caíram. Na leitura de mercado, isso implica compressão da inflação implícita naquele pregão: o alívio veio mais do prêmio e da expectativa de juros nominais do que de uma reprecificação brusca dos juros reais de longo prazo.

Para o leitor que não vive o mercado diariamente, vale traduzir: a curva “comprida” (2029 e 2031) reagiu como quem reduz prêmio de risco fiscal e político. A curva “curta” (2027) reagiu menos, porque ela ainda conversa mais com a Selic dos próximos meses do que com o desenho do Orçamento de 2027 em diante.

Queda “eleitoral”: o que o mercado precificou (e o que o Datafolha pode confirmar ou desmentir)

A palavra “eleitoral” aqui não é opinião partidária. É a leitura que o próprio mercado colocou no preço. Coberturas do Valor, InfoMoney e O Povo apontaram o mesmo eixo: expectativa de disputa mais acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro, percepção de menor risco fiscal sob uma eventual mudança de governo a partir de 2027, e suporte do real no pregão.

Esse tipo de movimento tem uma lógica fria. Quando o mercado acredita que a trajetória fiscal pode ficar menos expansiva, ou simplesmente menos previsível no sentido “ruim”, ele exige menos prêmio para carregar juros longos. O DI longo cai. Prefixo sobe de preço para quem já estava comprado. Quem entra depois trava uma taxa menor.

O Datafolha, divulgado após o fechamento do pregão de 21 de agosto, mostrou Lula com 47% e Flávio Bolsonaro com 43% em cenário de segundo turno, com a distância no primeiro turno encolhida para seis pontos. Parte do alívio do dia, portanto, foi antecipação. A abertura das sessões seguintes testa se a pesquisa confirma, amplia ou desmonta a tese que o mercado precificou cedo demais.

Há uma nuance importante nas próprias matérias de mercado: parte da leitura do dia foi descrita como movimento “sem fundamento concreto”, apoiado em rumores, trackings e expectativa de pesquisa, não em um pacote fiscal anunciado. Isso não invalida o preço do dia. Só muda o grau de confiança com que você deve tratar aquele preço como “novo normal”.

Para ter dimensão: cerca de 13 pontos-base no DI janeiro/2029 e cerca de 19 pontos-base no DI janeiro/2031 em um único dia não são cosméticos na ponta longa. Em termos de carteira, isso altera a taxa que você consegue travar agora e o ganho de marcação a mercado de quem já tinha prefixado comprado antes da queda.

O olhar útil, do lado do investidor, é separar duas coisas. Uma é a narrativa política que o mercado conta a si mesmo. Outra é o seu prazo, a sua liquidez e a sua capacidade de carregar o título até o vencimento se a narrativa reverter na semana seguinte.

O que isso significa para o seu dinheiro

Se você já tinha prefixado comprado antes de 21 de agosto, a queda dos juros futuros trabalhou a seu favor no preço de mercado, especialmente em títulos mais longos e líquidos, como o Tesouro Prefixado. Se você ainda não tinha travado e olha as taxas de hoje, o “carrego” disponível encolheu em relação à véspera.

Isso não torna o prefixado automaticamente “ruim”. A Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, está em 14% ao ano após o corte de 0,25 ponto percentual em 5 de agosto de 2026. Em termos históricos recentes, travar algo na casa dos 14% ainda é taxa alta. O ponto é outro: parte do prêmio que o mercado chamava de “eleitoral” já foi queimada.

Quem compra a euforia sem prazo definido corre o risco assimétrico clássico da renda fixa prefixada: se a pesquisa ou o Copom reabrirem o prêmio, a taxa sobe de novo e o preço do título cai para quem precisa vender no meio do caminho.

Pré ainda vale com DI janeiro/2029? CDB vs. Tesouro Prefixado

A resposta curta: depende do prazo do seu dinheiro e de como você pretende sair do investimento. A resposta útil exige separar produto, liquidez e risco.

O Tesouro Prefixado é um título emitido pelo governo federal, comprado diretamente pelo investidor via plataforma oficial do Tesouro Direto. Se você leva até o vencimento, recebe a taxa contratada na compra. Se vende antes, o preço segue a marcação a mercado: quando os juros caem, o preço sobe; quando os juros sobem, o preço cai. Quanto maior o prazo médio ponderado do título (a duration), maior a sensibilidade a essa variação.

O CDB prefixado é um empréstimo que o investidor faz ao banco em troca de uma remuneração fixa combinada. Em muitos casos, a liquidez é limitada até o vencimento ou sujeita a regras do emissor. Em contrapartida, há a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, que protege até R$ 250 mil por CPF por instituição, dentro das regras do FGC. O Imposto de Renda na renda fixa bancária segue a tabela regressiva clássica: alíquota maior no curto prazo e menor conforme o tempo passa.

Esse contraste muda a decisão depois de um dia como 21 de agosto.

CritérioTesouro PrefixadoCDB prefixado
Remuneração no vencimentoTaxa fixa contratada na compraTaxa fixa contratada com o banco
Saída antecipadaMarcação a mercado (preço oscila)Muitas vezes sem liquidez diária ou com condições do emissor
ProteçãoRisco soberano (União)FGC até o limite por CPF/instituição
IRRegressivo sobre o rendimentoRegressivo sobre o rendimento
Uso típico após queda de DIQuem quer liquidez e aceita oscilação de preçoQuem quer carregar até o vencimento com taxa travada

Na página pública do Tesouro Direto, o Prefixado 2029 tem aparecido cotado na casa de cerca de 14,50% ao ano em simulações de tela. Essa taxa de referência pode divergir do DI de ajuste do dia e muda a cada pregão. Sempre confira o horário da cotação antes de comparar com o DI janeiro/2029 a 14,145%.

Por que a diferença existe? Porque DI de ajuste, taxa de tela do Tesouro e oferta de CDB de banco médio não são o mesmo instrumento. O DI é a referência da curva. O Tesouro tem liquidez diária e spread de negociação. O CDB embute risco de crédito do emissor, prazo específico, eventual carência e, em muitos casos, uma taxa que o banco está disposto a pagar para captar naquele momento.

Se o seu horizonte é carregar até perto de 2029 e você não precisa do dinheiro antes, um prefixado ainda pode fazer sentido mesmo depois do alívio, desde que a taxa efetiva líquida de IR e de custos continue atrativa frente ao CDI projetado no período. O CDI é a taxa de referência dos investimentos em renda fixa, próxima à Selic. Se a tese de cortes se confirmar ao longo do tempo, quem travou pré alto tende a se beneficiar do carrego relativo.

Se a sua tese for só “Flávio sobe nas pesquisas, o pré valoriza e eu vendo com lucro”, o terreno fica mais fino. Parte desse movimento já aconteceu. Comprar depois da queima de prêmio é outra operação: menos carrego pela frente e mais dependência de uma narrativa política continuar favorecendo a curva.

Para quem quer cruzar o Pref 2029 com o CDI projetado, já discutimos em detalhe como comparar o Pref 2029 com o CDI projetado. Este texto aqui é o update de conjuntura depois da queima eleitoral de 21 de agosto, não um guia evergreen de “o que é prefixado”.

Do lado bancário, o pré com FGC continua sendo a peça de carteira de quem prioriza carrego e proteção contratual, não a oscilação diária do preço. Se esse é o seu perfil, vale reler o racional de pré bancário com cobertura do FGC, lembrando que taxas de ofertas curtas não devem ser igualadas mecanicamente ao DI janeiro/2029.

Onde podem estar as oportunidades

Depois de um dia de queda forte, a oportunidade raramente é “entrar em tudo que é pré”. Costuma estar em três frentes mais sóbrias.

Primeira: miolo da curva (jan/28 e jan/29) para quem tem objetivo com data nessa janela e consegue carregar. A taxa ainda é alta em termos recentes, mas já não é a mesma da véspera.

Segunda: ponta longa (jan/31+) só para quem realmente aguenta volatilidade e prazo. Foi ali que o prêmio eleitoral mais queimou. Também é ali que a reversão dói mais no preço se a narrativa mudar.

Terceira: barbell de carteira. Manter uma fatia em pós-fixado (CDI/Selic) para liquidez e flexibilidade, e outra fatia em pré com prazo alinhado ao objetivo. Assim você não precisa acertar o timing político perfeito para ter uma carteira funcional.

Quando o DI longo ainda pagava perto de 14,5%, o debate era outro. Quem acompanhou o momento em que o DI longo ainda pagava perto de 14,5% sabe que a curva já ofereceu um carrego mais generoso na ponta. O ponto de 21 de agosto é precisamente esse: o preço mudou, e a decisão precisa mudar junto.

Esperar Datafolha e Copom de setembro, ou travar uma fatia agora?

Há um framework simples que evita a falsa escolha entre “tudo agora” e “nada nunca”.

Cenário A: dinheiro com data certa até cerca de 2029 e capacidade de carregar. Se o objetivo é maturidade próxima desse horizonte e você não pretende vender no meio, a taxa ainda pode valer travar uma fatia. Você está comprando carrego, não uma aposta de trading eleitoral. O alívio de 21 de agosto reduziu a taxa disponível, mas não transformou 14% e poucos em juro “barato” em termos recentes.

Cenário B: tese predominantemente política de valorização de preço. Se a ideia é só aproveitar a narrativa de disputa mais acirrada e vender o título depois, esperar a digestão do Datafolha e a reunião do Copom de 15 e 16 de setembro pode reduzir o risco de comprar o pico de euforia. Parte do movimento de 21 de agosto foi antecipação. Antecipação que se confirma vira tendência. Antecipação que se frustra vira correção.

Cenário C: horizonte curto ou necessidade de liquidez. Prefira pós-fixado ou prazos curtos. A marcação a mercado do Tesouro Prefixado longo pune quem precisa sair cedo se os juros voltarem a subir. O CDB sem liquidez diária também não serve para dinheiro que pode ser chamado em semanas.

Sobre o Copom: a Selic está em 14%. O Boletim Focus do Banco Central, na mediana divulgada em 3 de agosto (referência de 31 de julho), apontava Selic de 13,75% no fim de 2026 (ante 14,00% antes), IPCA de 2026 em 5,03% e Selic de 2027 em 12,00%. Cobertura posterior, citando o Focus de 10 de agosto, manteve a Selic de 2026 em 13,75% com expectativa de novo corte já em setembro, e IPCA de 2026 em 5,02%.

IPCA, aqui, é o índice que mede a alta geral dos preços. Ou seja, o mercado ainda trabalha com inflação acima da meta no curto prazo, ao mesmo tempo em que precifica algum espaço de afrouxamento da Selic. Esse equilíbrio é frágil. A ata de agosto dividiu casas: algumas mais cautelosas, outras mais inclinadas a cortar. Tratar o corte de setembro como certo é um erro de processo, não só de previsão.

Para acompanhar o que o Copom de setembro pode fazer com o CDI, o contexto de atividade e juros já foi mapeado em o que o Copom de setembro pode fazer com o CDI. A curva longa de 21 de agosto, porém, respondeu mais a prêmio fiscal e eleitoral do que a um comunicado dovish novo do Banco Central.

Também vale lembrar o outro lado do ciclo. Quando o risco-país sobe e o DI sobe, o prefixado sofre no preço. Já discutimos o outro lado: quando o DI sobe e o pré sofre. Guardar essa memória evita tratar toda queda de DI como “presente permanente”.

O olhar da Meelion

A leitura mais sóbria, do ponto de vista de carteira, é tratar 21 de agosto como um dia de compressão de prêmio, não como um sinal de que o prefixado ficou magicamente sem risco. Taxa alta continua sendo taxa alta. Prêmio queimado continua sendo prêmio queimado. As duas frases podem ser verdade ao mesmo tempo.

Por isso a preferência prática costuma ser por fatias, não por all-in. Travar uma parte do pré alinhada ao prazo do objetivo, manter colchão em CDI, e deixar a próxima semana (pesquisa + comunicação de política monetária) informar se a segunda fatia merece entrar ou esperar.

Antes de decidir o tamanho da fatia, vale comparar as taxas disponíveis no mercado bancário. A Meelion reúne opções de CDB e outros títulos de renda fixa para você simular e cruzar com Selic, CDI e IPCA nos indicadores, sem precisar transformar manchete política em ordem de compra automática.

Checklist: prazo, liquidez, FGC, IR e o que monitorar na próxima semana

Use este checklist como filtro. Se algum item não estiver claro, a resposta padrão é reduzir o tamanho da posição, não aumentar a certeza retórica.

  1. Qual é a data do objetivo? Se o dinheiro precisa estar disponível antes do vencimento do título, marcação a mercado ou falta de liquidez importam mais do que a taxa de tela.
  2. Você aguenta carregar? Carregar pré até o vencimento transforma a taxa contratada no resultado relevante. Vender no meio transforma a curva do dia no juiz da operação.
  3. É Tesouro ou CDB? Tesouro oferece liquidez diária com oscilação de preço. CDB costuma priorizar carrego e, dentro das regras, cobertura do FGC.
  4. Qual fatia da curva? Miolo (jan/28–29) conversa com objetivos intermediários. Ponta longa (jan/31+) conversa com tese de prazo longo e maior volatilidade.
  5. Quanto do prêmio já foi queimado? Depois de ~13 a 19 pontos-base no dia e cerca de 20 pontos-base na semana nos longos, parte da “folga” de carrego já saiu do preço.
  6. Sua tese é carrego ou trading político? Carrego admite travar com prazo. Trading político pede mais paciência até a digestão do Datafolha e do Copom.
  7. IR e custos entram na conta? Compare taxa bruta com taxa líquida. Em prazos diferentes, a alíquota regressiva muda o placar.
  8. Há colchão em CDI? Sem liquidez de curto prazo, qualquer correção de curva vira estresse desnecessário.

O que monitorar na próxima semana, sem drama:

  • Abertura e comportamento dos DIs janeiro/2029 e janeiro/2031 após a digestão do Datafolha.
  • Dólar e prêmio embutido na ponta longa (se o câmbio reverter, a curva pode reabrir prêmio).
  • Comunicação e apostas de mercado para o Copom de 15 e 16 de setembro.
  • Diferença entre NTN-Bs (juros reais) e DIs (nominais): estabilidade relativa dos reais com queda dos nominais comprime implícita; o inverso reabre leitura de inflação ou de prêmio.
  • Taxas de tela do Tesouro Prefixado 2029 e ofertas de CDB pré com prazo semelhante ao seu objetivo, sempre no horário do pregão.
PerfilLeitura prática pós-21/08Caminho mais coerente
Objetivo 2028–2029, sem venda antecipadaTaxa ainda alta, mas menor que na vésperaTravar fatia em pré (CDB ou Pref) alinhada ao prazo
Quer liquidez e pode vender no meioMarcação a mercado ficou menos generosa para quem entra agoraFatia menor no Tesouro + colchão em CDI
Tese só eleitoral de preçoPrêmio parcialmente queimado; risco assimétrico se reverterEsperar digestão de pesquisa/Copom antes de aumentar posição
Horizonte curto / reservaPonta longa não é instrumento de reservaPós-fixado (CDI) e prazos curtos

Erros comuns depois de uma queda “eleitoral” na curva

O primeiro erro é igualar DI de ajuste a taxa de CDB da sua corretora. São mercados diferentes, com spreads, prazos e riscos diferentes.

O segundo é esquecer que quem se beneficia imediatamente de uma queda de juros é quem já estava comprado. Quem entra depois trava taxa menor. A manchete “juros caem” não é, por si só, um convite automático para comprar.

O terceiro é transformar pesquisa eleitoral em planilha de retorno garantido. Mercado precifica probabilidade e humor. Pesquisa confirma ou desmente. Nenhuma das duas emite certificado de rentabilidade.

O quarto é concentrar demais na ponta longa porque “caiu mais”. Caiu mais justamente porque era o pedaço com mais prêmio e mais sensibilidade. Reversão também dói mais ali.

O quinto é ignorar o Focus e a ata do Copom só porque a narrativa do dia foi política. A ponta curta e o CDI do dia a dia ainda conversam com a Selic. Se o Banco Central segurar o ritmo de cortes, o carrego relativo do pré muda, mesmo que a política continue no radar.

O sexto é vender um pós-fixado bom “para não perder o pré” sem olhar liquidez. Muitas carteiras precisam primeiro de estabilidade de caixa e só depois de otimização de taxa.

Perguntas frequentes

Ainda vale travar prefixado com o DI janeiro/2029 a 14,145%?

Sim, para uma fatia, se o prazo do objetivo chega perto de 2029 e você consegue carregar até o vencimento. A taxa segue elevada em termos recentes, mas parte do prêmio eleitoral já foi queimada. Quem especula só com narrativa política pode preferir esperar Datafolha e Copom.

Por que a ponta longa caiu mais que a curta?

Porque o miolo curto responde mais à Selic dos próximos meses, enquanto 2029 e 2031 embutem prêmio fiscal e político de médio prazo. Em 21 de agosto, o mercado reduziu esse prêmio com a leitura de disputa eleitoral mais acirrada e suporte do real.

Tesouro Prefixado ou CDB pré depois dessa queda?

Tesouro se você quer liquidez diária e aceita oscilação de preço. CDB se você quer carregar a taxa até o vencimento, com atenção ao FGC, ao IR regressivo e à liquidez do papel. Não compare taxa de CDB curto com DI janeiro/2029 como se fossem o mesmo produto.

O Datafolha já “validou” a queda dos DIs?

Não automaticamente. A pesquisa saiu após o pregão. Parte do movimento foi antecipação. A abertura das sessões seguintes e a estabilidade (ou não) dos vértices longos é que mostram se o mercado confirma a tese ou devolve prêmio.

O Copom de setembro muda essa decisão?

Pode mudar a ponta curta e o CDI mais imediatamente. A ponta longa de 21 de agosto, porém, reagiu sobretudo a prêmio eleitoral/fiscal. O cenário-base de mercado ainda flerta com Selic em 13,75% no fim de 2026, mas o corte não está garantido.

E se a narrativa eleitoral reverter?

Se o prêmio voltar, as taxas dos DIs longos sobem e o preço do prefixado cai para quem marca a mercado. Quem carrega até o vencimento continua com a taxa contratada. Por isso prazo e liquidez são o filtro, não a manchete do dia.

Conclusão

O DI janeiro/2029 a 14,145% e o DI janeiro/2031 a 14,40% no ajuste de 21 de agosto de 2026 contam uma história clara: o mercado queimou prêmio na ponta longa com leitura eleitoral, descolado dos Treasuries e com ajuda do real. Para a carteira de renda fixa, isso não fecha o caso do prefixado. Só muda o preço de entrada e a qualidade da tese.

Se o seu dinheiro tem data e você aguenta carregar, travar uma fatia ainda pode ser coerente. Se a sua tese é só humor político de curto prazo, esperar a digestão do Datafolha e o Copom de 15 e 16 de setembro é uma forma de respeitar o risco assimétrico depois da euforia. Em ambos os casos, compare produtos, prazos e liquidez com calma. Este artigo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento.

Glossário

  • DI futuro: contrato usado pelo mercado para precificar a expectativa de juros em diferentes vencimentos da curva.
  • Selic: taxa básica de juros da economia brasileira. Influencia empréstimos, financiamentos e a rentabilidade da renda fixa pós-fixada.
  • CDI: taxa de referência dos investimentos em renda fixa, próxima à Selic.
  • IPCA: índice que mede a alta geral dos preços (inflação oficial ao consumidor).
  • Prefixado: investimento cuja taxa de remuneração é definida no momento da aplicação, se carregado até o vencimento.
  • Tesouro Prefixado: título do governo federal com taxa fixa, negociado no Tesouro Direto e sujeito a marcação a mercado em caso de venda antecipada.
  • CDB: empréstimo que o investidor faz ao banco em troca de uma remuneração; no prefixado, a taxa é combinada no início.
  • FGC: Fundo Garantidor de Créditos, que protege até R$ 250 mil por CPF por instituição, dentro das regras vigentes.
  • Marcação a mercado: atualização do preço do título conforme as taxas de mercado do dia; queda de juros eleva o preço do prefixado, e o inverso também vale.
  • Duration: prazo médio ponderado de um título; quanto maior, mais sensível ele é às variações de juros.
  • Pontos-base: unidade de medida de juros; 100 pontos-base equivalem a 1 ponto percentual.
  • NTN-B: título público atrelado ao IPCA mais um juro real; usado como referência de juros reais e de inflação implícita.
  • Focus: boletim semanal do Banco Central que consolida as medianas de projeções de mercado para Selic, IPCA e outras variáveis.
  • Copom: Comitê de Política Monetária do Banco Central, responsável pelas decisões da Selic.
  • Prêmio de risco: compensação extra exigida pelo mercado para carregar incerteza fiscal, política ou de crédito ao longo do tempo.

Fontes Consultadas

  • Valor Econômico : https://valor.globo.com/financas/noticia/2026/08/21/juros-futuros-tem-forte-queda-com-foco-no-quadro-eleitoral.ghtml
  • InfoMoney : https://www.infomoney.com.br/mercados/taxas-dos-dis-descolam-do-exterior-e-fecham-em-queda-com-eleicoes-no-radar/
  • O Povo : https://www.opovo.com.br/noticias/economia/2026/08/21/juros-taxas-tem-firme-baixa-com-suporte-da-queda-do-dolar-e-quadro-eleitoral-no-radar.html
  • Notícias Agrícolas / Reuters : https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/politica-economia/426815-taxas-dos-dis-descolam-do-exterior-e-fecham-em-queda-com-eleicoes-no-radar.html
  • InfoMoney (ata Copom) : https://www.infomoney.com.br/economia/ata-do-copom-agosto-2026-mercado-futuro-selic/
  • XP Investimentos (Focus) : https://conteudos.xpi.com.br/economia/boletim-focus-mercado-projeta-selic-a-1375-em-2026-03-08-2026/
  • Investidor10 (Focus) : https://investidor10.com.br/noticias/boletim-focus-mercado-preve-novo-corte-da-selic-em-setembro-121949/
  • XP Investimentos (juros e preço) : https://conteudos.xpi.com.br/aprenda-a-investir/relatorios/entendendo-a-relacao-entre-juros-e-preco/
  • InfoMoney (guia Tesouro Direto) : https://www.infomoney.com.br/guias/tesouro-direto/
  • B3 Educação (Tesouro Prefixado) : https://edu.b3.com.br/w/tesouro-prefixado-1
  • Tesouro Direto (Prefixado) : https://www.tesourodireto.com.br/produtos/titulos/prefixado
  • Banco Central (Focus) : https://www.bcb.gov.br/focus
  • Meelion (indicadores) : https://www.meelion.com/indicadores-financeiros/
Dan Mark Printes

Dan Printes é fundador da Meelion e empreendedor na área de tecnologia. Atua com inteligência artificial, produtos digitais e investimentos, com especial interesse em renda fixa e na aplicação de tecnologia para tornar decisões financeiras mais simples e inteligentes. Neste espaço, compartilha insights sobre investimentos, economia, renda fixa e outros temas relacionados ao mercado financeiro.

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