Pessimismo extremo XP: pré longo ou CDI até o Copom?
Pessimismo extremo XP: pré longo ou CDI até o Copom?
O pessimismo extremo XP voltou ao radar da renda fixa. Há pouco mais de um mês, a Meelion publicou uma análise sobre o pessimismo fiscal da XP antes do Copom de agosto. Na época, o paradoxo era claro: a taxa básica de juros da economia brasileira caía, mas o prêmio nos títulos longos não acompanhava. Desde então, o cenário ganhou uma camada nova. Entre 17 e 18 de agosto, a XP reuniu 106 empresas, cerca de 500 investidores e mais de 700 reuniões privadas no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, na terceira edição da Brazil CEO Conference. O que saiu das conversas entre CEOs e gestores não foi otimismo de bolsa: foi desaceleração mais rápida do que se esperava, crédito deteriorando e incerteza fiscal às vésperas das eleições.
O resultado editorialmente relevante para quem investe em renda fixa é o retorno do indicador proprietário de sentimento da XP ao patamar de pessimismo extremo. A casa descreve esse nível, em comunicações anteriores, como historicamente contrarian para ativos de risco. Só que esse patamar também reflete risco real para quem carrega prêmio na curva longa. Faltam menos de quatro semanas para a reunião do Copom de 16 de setembro de 2026. A Selic está em 14,00%, e o mercado ainda precifica mais um corte. A XP, por outro lado, projeta pausa do ciclo já em setembro.
Neste artigo, vamos separar três camadas que a cobertura genérica costuma misturar: o que o pessimismo extremo da XP realmente mede, o que os fundamentos da CEO Conference implicam para juros e crédito, e a decisão prática de quem tem CDB, LCI, Tesouro ou debênture na carteira. A pergunta central é simples: vale travar prefixado longo agora, ou manter o núcleo em pós-CDI até o comunicado de setembro?
Pessimismo extremo XP na CEO Conference: o que mudou na renda fixa
A Brazil CEO Conference cresceu em relação à edição de 2025. Em 2026, foram 106 empresas contra 80 no ano anterior, cerca de 500 investidores contra aproximadamente 420, e mais de 700 reuniões privadas contra cerca de 450. O evento deixou de ser apenas um termômetro do mercado de ações e passou a concentrar conversas sobre três eixos que impactam diretamente quem investe em renda fixa.
O primeiro eixo é a desaceleração da atividade. Analistas da XP descreveram o varejo em “modo alerta de recessão”, com preocupação sobre possível recuo de atividade em 2027. Para quem investe em CDB ou Tesouro, isso importa porque economia mais fraca pode, em tese, abrir espaço para mais cortes de juros no médio prazo. Mas também reduz a capacidade de pagamento de empresas e famílias, o que eleva o risco de crédito.
O segundo eixo é o risco de crédito e inadimplência. A BR Partners projeta aumento de estresse financeiro nos próximos 12 a 18 meses. O Itaú fala em “pouso suave”, enquanto o Banco do Brasil aponta deterioração no crédito para pessoa física. As emissões de crédito privado entre janeiro e julho de 2026 caíram fortemente: debêntures recuaram 28,7%, CRI 23,5% e CRA 57,5% em relação ao mesmo período de 2025. Menos emissão significa menos oferta de títulos para o investidor, mas também sinal de que empresas estão mais cautelosas para tomar dívida.
O terceiro eixo é a incerteza fiscal e eleitoral. Mesmo com a Selic em queda desde o início do ciclo, os contratos de juros futuros nos vértices longos mantêm prêmio elevado. Na semana encerrada em 14 de agosto, os DIs longos subiram cerca de 40 pontos-base com fiscal e eleição no radar. No pregão de 21 de agosto, o DI de janeiro de 2029 fechou a 14,17% e o de janeiro de 2031 a 14,425%, após semana volátil que chegou a precificar o jan/2029 acima de 14,30%.
Esse conjunto de sinais levou a XP a sintetizar o clima do encontro como pessimismo extremo XP. Diferente da pesquisa Pré-Copom com gestoras multimercado que analisamos em julho, desta vez a fonte são executivos de 106 empresas e centenas de investidores institucionais conversando sobre crédito, consumo e política fiscal. O tom mudou de gestoras olhando carteira para quem opera negócios reais na economia.
O que isso significa para o seu dinheiro
Para o investidor de renda fixa, a CEO Conference não é manchete para vender tudo ou comprar tudo. Ela reforça que o ambiente combina dois fenômenos distintos: juros curtos em queda (Selic a 14%, quarto corte consecutivo) e juros longos com prêmio fiscal e de crédito embutido. Quem concentra a carteira em prefixado longo fica exposto ao segundo. Quem fica no CDI captura o primeiro, mas abre mão de travar taxa se a curva continuar caindo depois do Copom.
Pessimismo extremo XP: o que o indicador mede (e o que não mede)
O pessimismo extremo é um patamar do indicador proprietário de sentimento da XP, usado para sintetizar o humor de empresários e investidores. Em comunicações anteriores, a casa descreve esse nível como historicamente contrarian: quando o mercado está pessimista demais, pode haver oportunidade em ativos que o pessimismo precificou em excesso. Essa leitura faz sentido para quem opera bolsa ou multimercado. Para renda fixa, a tradução exige mais cuidado.
O indicador mede sentimento, não taxa de juros. Ele captura o que CEOs e gestores estão sentindo sobre atividade, crédito e política. Não diz, por si só, que o DI de janeiro de 2029 “deveria” estar a 13% ou a 15%. O que ele faz é sinalizar que o consenso está pesado, o que pode ser útil como termômetro de mercado.
O que o indicador não mede é o prêmio fiscal embutido nos títulos longos. Mesmo com pessimismo extremo, a curva DI de 21 de agosto mostrava jan/2027 a 13,71%, jan/2029 a 14,17% e jan/2031 a 14,425%. Ou seja: o mercado precifica juros altos por mais tempo, acima da Selic atual e acima do que o Focus projeta para o fim de 2026 (13,75%). O pessimismo dos executivos e o prêmio nos contratos longos coexistem. Não são sinais opostos; respondem a perguntas diferentes.
Em matérias anteriores, a XP usou escala de 0 a 100 para o indicador, com zero representando pessimismo extremo em junho de 2026 no contexto de bolsa. Na CEO Conference de agosto, a casa aplicou o termo ao sentimento geral do encontro, sem divulgar score numérico específico na cobertura de 22 de agosto. Tratar o pessimismo extremo como “sinal verde automático para comprar prefixado longo” seria confundir sentimento contrarian com avaliação de taxa.
O olhar da Meelion
A Meelion enxerga o pessimismo extremo da XP como alerta de processo, não como ordem de compra ou venda. O indicador diz que o mercado está tenso. Os DIs longos dizem que essa tensão já está parcialmente precificada. A decisão de travar taxa depende do seu horizonte, da taxa oferecida e de quanto prêmio fiscal você está disposto a carregar. Comparar números concretos, e não manchetes, é o caminho mais seguro.
Curva de DI e Copom de 16/09: o que está precificado
O mercado de DI, onde se negociam contratos de juros futuros na B3, funciona como termômetro do que investidores e instituições esperam para a taxa básica de juros da economia brasileira daqui a um, três ou cinco anos. A inclinação da curva, ou seja, a diferença entre vértices curtos e longos, revela quanto prêmio o mercado exige para carregar risco fiscal, eleitoral ou de crédito.
Hoje, três referências convivem na mesa:
- Selic vigente: 14,00%, após corte de 0,25 ponto percentual na reunião de 5 de agosto.
- Focus (mediana, ref. 14/08): Selic a 13,75% no fim de 2026 e 12,00% no fim de 2027; IPCA de 5,02% em 2026 e 4,24% em 2027; PIB de 1,98% em 2026 e 1,50% em 2027 — projeções do Banco Central.
- Projeção XP (Rodolfo Margato): Selic a 14% no fim de 2026 e 11,5% no fim de 2027, com pausa do ciclo em setembro; PIB de 2% em 2026 e 1% em 2027.
A divergência entre XP e Focus é central para a tese de “ficar no CDI até o Copom”. O mercado, via Focus e opções de DI, precifica probabilidade de corte adicional de 25 pontos-base em setembro na faixa de 75% a 77%. A XP projeta pausa. Se a casa estiver certa, quem travou prefixado longo antes do comunicado pode ter antecipado queda de juros que não veio na reunião de setembro. Se o Focus prevalecer, o carrego do CDI continua alto, mas a curva longa pode ganhar fôlego.
Na prática, o fechamento de 21 de agosto mostra vértices longos acima de 14%: jan/2027 a 13,71%, jan/2029 a 14,17%, jan/2031 a 14,425%. Para ter dimensão: com Selic a 14% e DI jan/2029 a 14,17%, o mercado precifica juros ligeiramente acima da taxa básica por dois anos e meio. Isso não é curva invertida nem colapso; é prêmio moderado no longo, coerente com fiscal e eleição no radar.
O próximo Copom está marcado para 16 de setembro de 2026. Até lá, cada dado de inflação, varejo e emprego pode mover a curva. Já analisamos em outro artigo como o Copom de 16 de setembro e carrego do CDI dependem de atividade e preços. A CEO Conference adiciona peso ao lado cauteloso: executivos veem desaceleração, mas também crédito estressado, o que complica a leitura de “cortar juros é sempre positivo para prefixado”.
| Referência | Selic fim/2026 | Selic fim/2027 | Leitura para RF |
|---|---|---|---|
| Selic atual (ago/26) | 14,00% | n/a | CDI próximo de 14% a.a.; carrego alto no pós-fixado |
| Focus (17/08) | 13,75% | 12,00% | Mais um corte precificado; curva longa com espaço para cair |
| XP (21/08) | 14,00% | 11,50% | Pausa em set/26; queda mais forte só em 2027 |
| DI jan/2029 (21/08) | n/a | 14,17% | Prêmio fiscal/crédito embutido acima do Focus |
Taxas de DI variam diariamente. Os números acima refletem o fechamento de 21/08/2026 e servem como referência educativa, não como cotação em tempo real.
Pré longo ou CDI: o que cada indexador precifica neste clima
Prefixado, pós-fixado CDI e híbrido IPCA+ respondem a fatores diferentes. Entender essa diferença evita trocar a carteira inteira por uma manchete de pessimismo extremo.
Carrego do CDI: defesa com remuneração real
O CDI, taxa de referência dos investimentos em renda fixa e próxima à Selic, oferece o chamado carrego: você recebe a taxa vigente enquanto o título estiver ativo, sem depender de acertar o movimento da curva. Com Selic a 14%, um CDB a 100% do CDI rende cerca de R$ 14 mil brutos por ano para cada R$ 100 mil aplicados, se a taxa se mantiver estável. Descontados impostos (tabela regressiva do IR) e inflação (IPCA acumulado em 12 meses de 4,44% em agosto de 2026), o ganho real ainda é positivo, embora menor que o nominal.
A XP reportou que cerca de 70% das vendas de renda fixa para clientes no primeiro semestre de 2026 foram em produtos de liquidez diária, contra 30% há quatro trimestres. Esse movimento reflete preferência por flexibilidade enquanto a curva oscila. Spreads e marcação a mercado geraram impacto de aproximadamente R$ 420 milhões na receita da XP no primeiro semestre, lembrando que títulos prefixados longos podem sofrer no curto prazo quando juros sobem, mesmo que a taxa contratada seja boa no longo prazo.
Marcação a mercado é a valorização ou desvalorização diária do título conforme a curva de juros se move. Quem vende antes do vencimento realiza ganho ou perda desse movimento. No pós-fixado CDI com liquidez diária, esse efeito é mínimo. No prefixado longo, pode ser relevante.
Prefixado longo: prêmio fiscal e aposta de taxa
Travar taxa prefixada longa significa aceitar o prêmio que o mercado oferece hoje em troca de assumir risco de marcação a mercado e de reinvestimento. Quando o DI jan/2029 e prefixado longo negocia acima de 14%, parte desse nível reflete expectativa de Selic mais alta por mais tempo, e parte reflete prêmio fiscal e eleitoral.
No clima pós-CEO Conference, o prefixado longo só faz sentido com três condições: horizonte compatível com o vencimento (não vender antes), taxa que compense o prêmio de risco (comparar com CDI líquido de IR) e tolerância a volatilidade na marcação a mercado. O pessimismo extremo da XP, isoladamente, não preenche nenhuma dessas condições.
IPCA+: hedge de inflação no meio do caminho
Títulos atrelados à inflação, como o Tesouro IPCA+ ou debêntures indexadas, funcionam como hedge quando o mercado teme inflação persistente (Focus projeta IPCA de 5,02% em 2026) ou quando prefixado puro parece arriscado demais. A taxa real contratada importa mais que o sentimento do mercado. IPCA+ intermediário (3 a 5 anos) pode complementar o núcleo em CDI sem a volatilidade de prefixado longo.
Crédito privado: variável à parte
Debêntures, CRI, CRA e CCB não respondem só à Selic. Respondem ao risco do emissor. A CEO Conference reforçou cautela com empresas expostas a consumo e endividamento. Casos como o estresse de varejistas com bilhões em dívidas ilustram o ponto. A inadimplência no crédito privado já estava em patamar elevado antes do evento; o tom dos executivos adiciona urgência à seleção de emissor, não à indexação.
| Indexador | O que precifica agora | Vantagem neste clima | Risco principal |
|---|---|---|---|
| CDI / pós-fixado | Selic a 14%; corte adicional incerto | Carrego alto, liquidez, baixa marcação | Perder trava se curva cair forte depois |
| Prefixado longo | Prêmio fiscal + juros altos por mais tempo | Trava taxa se acertar horizonte | Marcação negativa se juros subirem |
| IPCA+ | Inflação + taxa real | Proteção parcial contra IPCA acima do esperado | Taxa real baixa ou emissor frágil |
| Crédito privado | Risco de crédito do emissor | Spread maior em nomes sólidos | Inadimplência, liquidez secundária |
Como proteger seu patrimônio
Proteger o patrimônio não é ficar parado na poupança. É manter reserva de emergência em produtos com liquidez diária e FGC (Fundo Garantidor de Créditos, que protege até R$ 250 mil por CPF por instituição), diversificar emissores no crédito privado, evitar concentrar vencimentos longos sem necessidade e respeitar o horizonte de cada aplicação. O pessimismo extremo reforça disciplina, não paralisia.
Checklist prático até o comunicado de setembro
Com menos de quatro semanas para o Copom de 16 de setembro, vale usar um roteiro objetivo em vez de reagir a cada manchete.
1. Confirme a reserva de emergência. Três a seis meses de despesas em CDB, LCI ou LCA com liquidez diária e cobertura do FGC. Com Selic a 14%, essa reserva rende bem; não há motivo para sacrificar segurança por taxa marginalmente maior em emissor frágil.
2. Mantenha o núcleo em pós-CDI até o Copom. A divergência XP (pausa) versus Focus (mais um corte) torna prematura uma aposta agressiva em prefixado longo antes do comunicado. O carrego do CDI continua atrativo: 100% do CDI com Selic a 14% ainda é referência sólida para a parcela defensiva.
3. Se considerar prefixado, prefira vértices intermediários. Dois a três anos oferecem equilíbrio entre travar taxa e reduzir sensibilidade à marcação a mercado. Prefixado de cinco anos ou mais exige convicção sobre horizonte e taxa mínima aceitável.
4. Use IPCA+ com taxa real definida. Se a preocupação for inflação acima de 5% em 2026, IPCA+ com juro real conhecido complementa o CDI sem substituí-lo inteiramente.
5. Selecione emissor no crédito privado. Evite concentrar em setores que a CEO Conference apontou como estressados (varejo endividado, crédito PF deteriorando). Prefira nomes com fluxo de caixa visível e baixa alavancagem.
6. Compare taxas antes de aplicar. A diferença entre 98% e 102% do CDI em CDB de bancos diferentes pode representar centenas de reais por ano em aplicações de R$ 100 mil. A Meelion reúne opções de CDB, LCI e LCA de diferentes instituições para você simular e comparar em tempo real, sem precisar abrir dezenas de apps.
7. Releia a carteira após o Copom, não antes de cada headline. O comunicado de setembro trará sinal sobre pausa ou continuidade do ciclo. Ajustes táticos fazem mais sentido com informação nova do que com sentimento de conferência, por mais relevante que seja.
O que fazer agora: matriz por horizonte de investimento
Cada horizonte pede resposta diferente ao pessimismo extremo da XP. A matriz abaixo resume o raciocínio, não substitui análise individual.
| Horizonte | Alocação sugerida | Lógica no cenário atual |
|---|---|---|
| Até 1 ano (liquidez) | CDI 100%+ ou Selic; LCI/LCA isentas se IR for relevante | Carrego alto, flexibilidade para reagir ao Copom |
| 1 a 3 anos | Mix CDI + prefixado intermediário ou IPCA+ curto | Equilíbrio entre trava parcial e defesa |
| 3 a 5 anos | IPCA+ com taxa real mínima + dose de prefixado se taxa atrativa | Hedge inflação + aposta de taxa moderada |
| 5 anos ou mais | Prefixado longo só com taxa-teto e emissor sólido; crédito privado seletivo | Prêmio fiscal precisa compensar volatilidade |
Para quem teme cenário de recessão em 2027, vale cruzar esta matriz com a análise sobre CDI defensivo ou prefixado em cenário de recessão. A Franklin Templeton estima probabilidade de recessão em 2027 em torno de 20%. A XP descarta queda anual consecutiva do PIB, mas admite trimestres negativos. Em ambos os casos, CDI como base e prefixado longo como satélite, não como núcleo, permanecem coerentes.
Onde podem estar as oportunidades
Oportunidade, aqui, não é “comprar tudo porque o mercado está pessimista”. São três frentes mais concretas. Primeira: CDB e LCI a 100% do CDI ou mais com Selic a 14%, especialmente para reserva e parcela tática. Segunda: prefixado intermediário se a taxa superar o carrego líquido do CDI pelo prazo contratado. Terceira: IPCA+ com juro real acima de patamares recentes, se disponível, para quem busca proteção contra inflação acima de 5% em 2026.
O pessimismo extremo pode, sim, ser contrarian para quem tem caixa e horizonte longo. Mas contrarian em renda fixa significa comprar taxa quando ela compensa o risco, não quando a manchete manda. Os DIs de 21 de agosto mostram que parte do pessimismo já está nos preços.
Perguntas frequentes
O pessimismo extremo da XP significa que devo comprar prefixado longo?
Não necessariamente. O indicador mede sentimento de empresários e investidores, não taxa justa de juros. Prefixado longo só faz sentido se a taxa oferecida compensar o prêmio fiscal e se você puder carregar o título até o vencimento.
A XP prevê pausa do Copom em setembro. Devo acreditar nela?
A projeção da XP diverge do Focus, que ainda precifica Selic a 13,75% no fim de 2026. Até o comunicado de 16 de setembro, manter o núcleo em CDI preserva flexibilidade independentemente de qual visão prevalecer.
Com Selic a 14%, ainda vale ficar no CDI?
Sim, para a parcela defensiva e tática. O carrego de 100% do CDI com Selic a 14% ainda é elevado em termos históricos recentes, e o pós-fixado sofre pouco com marcação a mercado enquanto a curva oscila.
Como a CEO Conference afeta debêntures e CRI?
Reforça seleção de emissor. Desaceleração e inadimplência em alta elevam o risco de crédito privado, independentemente da indexação. Spread maior só compensa se o emissor tiver capacidade de pagamento.
Qual a diferença entre este artigo e o pessimismo fiscal Pré-Copom?
O artigo anterior analisou pesquisa com gestoras antes do Copom de agosto. Este atualiza com o tom de 106 CEOs e 500 investidores na CEO Conference de 17 e 18 de agosto, com crédito privado e varejo no centro do debate.
Conclusão
O pessimismo extremo XP na CEO Conference traduz um mercado tenso, não um sinal automático de compra ou venda. Executivos veem desaceleração, crédito estressado e fiscal incerto. A curva DI precifica juros altos por mais tempo, com jan/2029 a 14,17% no fechamento de 21 de agosto. A XP projeta pausa do Copom em setembro; o Focus ainda vê mais um corte.
Para o investidor de renda fixa, a resposta prática é manter o núcleo em CDI até o comunicado de 16 de setembro, comparar taxas com critério e usar prefixado longo ou crédito privado apenas com horizonte, taxa-teto e emissor definidos. Antes de decidir, vale consultar os indicadores atualizados e simular opções no comparador da Meelion. Investir com consciência, neste momento, importa mais do que reagir a cada manchete.
Este artigo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento.
Glossário
- Selic: taxa básica de juros da economia brasileira. Definida pelo Copom, influencia empréstimos, financiamentos e a remuneração dos investimentos pós-fixados.
- Copom: Comitê de Política Monetária do Banco Central, responsável por definir a Selic a cada 45 dias, em reuniões que movem o mercado de renda fixa.
- CDI: taxa de referência dos investimentos em renda fixa, próxima à Selic. A maioria dos CDBs e LCIs remunera com base nela.
- DI (Depósito Interfinanceiro): contrato de juros futuros negociado na B3, usado como referência para precificar títulos prefixados e medir expectativas de juros.
- Focus: relatório semanal do Banco Central com mediana das projeções de economistas para Selic, inflação e PIB.
- Prefixado: investimento com taxa fixa definida no momento da aplicação, sem correção por CDI ou inflação.
- IPCA: índice que mede a alta geral dos preços, referência oficial da inflação brasileira. Títulos IPCA+ pagam inflação mais uma taxa real.
- Marcação a mercado: valorização ou desvalorização diária de um título conforme a curva de juros se move, relevante para quem vende antes do vencimento.
- Carrego: remuneração acumulada enquanto o investimento permanece ativo, especialmente no pós-fixado atrelado ao CDI.
- Prêmio fiscal: componente extra da taxa de juros longa que reflete incerteza sobre contas públicas e política fiscal.
- Duration: prazo médio ponderado de um título; quanto maior, mais sensível às variações de juros na marcação a mercado.
- Spread: diferença entre a taxa que o emissor paga ao investidor e a taxa de referência de mercado, comum no crédito privado.
- FGC: Fundo Garantidor de Créditos, que protege até R$ 250 mil por CPF por instituição financeira em produtos cobertos.
- Pessimismo extremo (XP): patamar do indicador proprietário de sentimento da XP que sintetiza humor muito negativo de empresários e investidores, descrito pela casa como historicamente contrarian.
Fontes Consultadas
- InfoMoney: Sentimento de empresários e investidores vai ao fundo do poço, aponta XP (22/08/2026): https://www.infomoney.com.br/mercados/sentimento-de-empresarios-e-investidores-vai-ao-fundo-do-poco-aponta-xp/
- InfoMoney: Efeito do juro chegou: mercado teme crise de crédito e não descarta recessão em 2027 (21/08/2026): https://www.infomoney.com.br/economia/efeito-do-juro-chegou-mercado-teme-crise-de-credito-e-nao-descarta-recessao-em-2027/
- Brazil Journal: XP Brazil CEO Conference cresce e reúne mais de 100 empresas (19/08/2026): https://braziljournal.com/brands/xp-brazil-ceo-conference-cresce-e-reune-mais-de-100-empresas-e-cerca-de-500-investidores/
- XP / Banco Central: Boletim Focus (17/08/2026): https://conteudos.xpi.com.br/economia/boletim-focus-projecoes-de-pib-recuam-para-2027-e-2028-17-08-2026/
- Valor Econômico: Perdas com marcação a mercado afetam receita da XP no semestre (18/08/2026): https://valor.globo.com/financas/noticia/2026/08/18/perdas-com-marcao-a-mercado-afetam-receita-da-xp-no-semestre.ghtml
- Valor Investe: XP vê apenas mais dois cortes de juros em 2026 (08/06/2026): https://valorinveste.globo.com/mercados/moedas-e-juros/noticia/2026/06/08/xp-ve-apenas-mais-dois-cortes-de-juros-em-2026-e-recalibra-carteira-para-o-resto-do-ano.ghtml
- O Povo / Agência Estado: Juros: taxas têm firme baixa com suporte da queda do dólar (21/08/2026): https://www.opovo.com.br/noticias/economia/2026/08/21/juros-taxas-tem-firme-baixa-com-suporte-da-queda-do-dolar-e-quadro-eleitoral-no-radar.html
- Jornal Correio do Norte: DIs longos sobem cerca de 40 pontos-base na semana (14/08/2026): https://www.jornalcorreiodonorte.com.br/politica-e-economia/2026/08/2625250-no-mercado-de-juros-dis-longos-sobem-cerca-de-40-pontos-base-na-semana-com-atencao-a-fiscal.html
- Canal Rural: Juros futuros fecham em queda (17/08/2026): https://www.canalrural.com.br/economia/juros-futuros-fecham-em-queda-mas-alta-do-petroleo-reduz-perdas-no-fim-do-pregao/
- Meelion: Indicadores financeiros (22/08/2026): https://www.meelion.com/indicadores-financeiros/

Dan Printes é fundador da Meelion e empreendedor na área de tecnologia. Atua com inteligência artificial, produtos digitais e investimentos, com especial interesse em renda fixa e na aplicação de tecnologia para tornar decisões financeiras mais simples e inteligentes. Neste espaço, compartilha insights sobre investimentos, economia, renda fixa e outros temas relacionados ao mercado financeiro.



