CDB 105% vs LCI: ainda vale na segunda pós-urna?
Há momentos em que a tela da corretora parece um painel de aeroporto: números grandes, horários apertados e a sensação de que, se você piscar, a oferta já partiu. Foi assim na sexta-feira 23 de outubro de 2026, quando a prateleira de emissão bancária da XP, divulgada pelo InfoMoney sobre renda fixa em 23/10/2026, mostrou CDB 105% vs LCI a 83,58% do CDI lado a lado.
Para quem não vive o mercado diariamente, o contraste parece óbvio a favor do CDB. A conta, porém, só fecha depois do Imposto de Renda, depois de olhar se a mesma taxa ainda existe na abertura e depois de lembrar que a prateleira de uma corretora não é o mercado inteiro. Segunda-feira 26/10 é o primeiro pregão após o segundo turno. A curva de juros pode reabrir ou fechar de novo. As ofertas do dia podem ou não repetir o teto de sexta.
Abaixo: o snapshot datado da XP em 23/10, o que o DI fez na véspera, a conta líquida que a tela esconde e um checklist prático para a segunda pós-urna — segurar liquidez em CDI, só forçar isento se a taxa empatar no gross-up, ou travar pré e IPCA+ se a abertura compensar.
Sexta 23/10 na XP: o que a prateleira de CDB e LCI mostrou
Vamos do começo. As taxas abaixo são as ofertas divulgadas na plataforma da XP via InfoMoney no dia 23/10/2026. Não são um ranking independente do mercado. São capacidade do dia, sujeitas a sumir ou mudar assim que a demanda preenche o lote.
No pós-fixado, o CDB chegou a 105% do CDI em 12 meses. Na mesma folha, a LCI pós ficou em até 83,58% do CDI em um ano, e a LCA pós em até 85,5% do CDI acima de um ano. Em prefixados, o CDB chegou a 13,680% ao ano em prazos acima de 12 meses; a LCI pré, a 10,600% em 12 meses; a LCA pré, a 10,650% em um ano. Em IPCA+, o CDB chegou a 8,300% acima de um ano; a LCA IPCA+, a 4,760% em 12 meses.
| Produto (XP, 23/10/2026) | Teto do dia | Prazo típico citado |
|---|---|---|
| CDB pós-fixado | 105% do CDI | 12 meses |
| LCI pós-fixada | 83,58% do CDI | 1 ano |
| LCA pós-fixada | 85,5% do CDI | > 1 ano |
| CDB prefixado | 13,680% a.a. | > 12 meses |
| LCI prefixada | 10,600% a.a. | 12 meses |
| LCA prefixada | 10,650% a.a. | 1 ano |
| CDB IPCA+ | IPCA+ 8,300% | > 1 ano |
| LCA IPCA+ | IPCA+ 4,760% | 12 meses |
A matéria também citou exemplos com capacidade limitada naquele dia: CDB Banco XP a 12,580% ao ano com vencimento em outubro de 2031; CDB Omni a 103,5% do CDI até outubro de 2028; CDB Agibank a IPCA+ 7,250% até outubro de 2030; LCA BTG a IPCA+ 4,760% até outubro de 2027. Esse detalhe importa. Taxa bonita sem capacidade disponível é vitrine, não prateleira.
Para o leitor que compara só o percentual na tela, CDB 105% parece ganhar de LCI 83,58% sem disputa. A próxima seção mostra por que o DI subiu naquele momento e o que a segunda pós-turno pode alterar nesses números. Depois, a conta do Imposto de Renda muda o placar.
Por que o DI subiu e o que a segunda pós-turno pode mudar
Na leitura da sexta sobre a sessão anterior, o DI para janeiro de 2028 fechou em 12,88%, alta de 11 pontos-base em relação ao ajuste anterior de 12,77%. O DI para janeiro de 2035 ficou em 12,76%, alta de 2 pontos-base. Em linguagem simples: o mercado de juros futuros precificou um pouco mais de prêmio de risco na ponta intermediária, com aversão pré-eleitoral no ar.
Não confunda esse DI futuro com o CDI à vista. Em 25/10/2026, os indicadores Meelion mostravam a taxa Selic hoje em 13,75% (próximo Copom em 04/11), o CDI hoje em 13,65%, o IPCA acumulado em 12 meses em 4,58%, o rendimento da poupança hoje em 8,29% e o dólar hoje perto de R$ 4,97. São referências diferentes: uma é a taxa básica e o CDI corrente; outra é o que o mercado aposta para o juro em 2028 e 2035.
O relatório XP “A Semana na Renda Fixa”, cobrindo 19 a 23/10/2026 e publicado em 23/10, descreveu uma curva que fechou na semana nos vértices longos, com renda fixa positiva e destaque para indexados longos. Ao mesmo tempo, spreads de isentos no secundário abriram de novo, com resgates em fundos incentivados, enquanto spreads de debêntures CDI+ ficaram estáveis. Em português claro: a curva longa ajudou quem já estava em IPCA+ longo, mas o mercado de LCI e LCA no secundário voltou a pedir mais prêmio.
Nas vésperas do segundo turno, a CNN Money registrou o reforço de “seguro” contra volatilidade. O head do BTG citado na cobertura resumiu o clima: não há como o mercado abrir na segunda-feira calma. Isso não é um convite a apostar no resultado político. É um aviso de calendário para quem tem dinheiro parado ou vencendo: a abertura de 26/10 pode alterar o preço do juro e a disposição dos bancos em pagar 105% do CDI ou 83% na LCI.
Se a curva abrir (juros futuros sobem), prefixados e IPCA+ novos tendem a ficar mais atraentes na emissão, e o pós-fixado alto pode continuar competitivo. Se a curva fechar (juros futuros caem), o pré que você viu na sexta pode sumir ou piorar, e quem esperou liquidez CDI pode ter perdido a melhor taxa do dia anterior. O artigo sobre o que muda na renda fixa na segunda pós-turno aprofunda esse calendário; aqui o foco é a prateleira de 23/10 e a conta líquida.
O que isso significa para o seu dinheiro
Imagine R$ 50 mil livres na conta corrente na sexta à noite. Você viu CDB a 105% do CDI e LCI a 83,58%. Se a segunda abrir turbulenta, três coisas podem acontecer com esse capital: a taxa some, a taxa muda, ou a taxa melhora. Por isso a decisão não é só “qual produto é melhor na tabela”, e sim “quanto de liquidez eu preciso manter até a poeira baixar”.
Pesquisa Anbima/Datafolha, citada pela Exame, aponta que 23,2 milhões de brasileiros pretendem começar a investir ainda em 2026, enquanto 31% seguem sem reserva de emergência. Em abertura volátil, quem não tem colchão em liquidez tende a vender o que não deveria ou a travar prazo demais com dinheiro que pode precisar em 30 dias. Esse contexto reforça o primeiro item do checklist: liquidez CDI antes de estética de taxa.
CDB 105% vs LCI: a conta que a tela esconde
Quando a tela mostra 105% do CDI ao lado de 83,58% do CDI, ela não mostra o IR que o CDB paga e a LCI não paga. O CDB remunera o empréstimo ao banco e, em regra, é tributável. A LCI e a LCA são isentas de Imposto de Renda, ligadas ao crédito imobiliário e ao agronegócio. O CDI, perto da Selic, é só a régua — não o placar líquido.
O Imposto de Renda na renda fixa tributável segue a tabela regressiva sobre o rendimento: 22,5% até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias e 15% acima de 720 dias. Para uma aplicação de cerca de 12 meses, a alíquota típica é 20% (faixa 181–360 dias) ou 17,5% se o vencimento passar de 360 dias.
O gross-up responde: “qual percentual bruto de CDB empata com esta LCI isenta?”. Para a LCI a 83,58% do CDI:
- Com IR de 20%: break-even aproximado de CDB ≈ 104,5% do CDI
- Com IR de 17,5%: break-even ≈ 101,3% do CDI
- Com IR de 15%: break-even ≈ 98,3% do CDI
Logo, na faixa de 12 meses com IR 20%, o CDB a 105% do CDI da XP empata ou ganha levemente da LCI a 83,58% no líquido. Não é uma vitória esmagadora. É um empate técnico com ligeira vantagem ao CDB, se a taxa e o prazo forem exatamente esses.
A LCA a 85,5% do CDI exige cerca de 106,9% do CDI bruto com IR 20% para empatar. Nesse corte, o CDB a 105% perde levemente no curto prazo. Ou seja: na própria folha de 23/10, o “campeão” muda conforme o produto isento que você compara.
| Comparação (~12 meses, IR 20%) | Break-even CDB | CDB 105% do CDI |
|---|---|---|
| vs LCI 83,58% do CDI | ≈ 104,5% do CDI | Empata / ganha de leve |
| vs LCA 85,5% do CDI | ≈ 106,9% do CDI | Perde de leve |
Exemplo numérico com R$ 20 mil e CDI corrente de 13,65% ao ano (referência Meelion em 25/10/2026), só para dimensão, sem prometer rentabilidade futura:
- CDB a 105% do CDI: rendimento bruto aproximado de 14,33% ao ano. Em 12 meses, cerca de R$ 2.866 brutos. Com IR 20% sobre o ganho, líquido perto de R$ 2.293 (≈ 11,46% líquido sobre o capital).
- LCI a 83,58% do CDI: rendimento isento aproximado de 11,41% ao ano. Em 12 meses, cerca de R$ 2.282 líquidos.
A diferença no exemplo fica na casa de poucos reais por dezena de milhar. Esse detalhe importa. Em taxas tão próximas do break-even, o prazo exato, a carência, a liquidez e a instituição pesam mais do que o “ganhei no Excel”. Para simular outras combinações, a calculadora gross-up Meelion já detalhou a lógica com a Selic em 13,75%. Aqui o ponto é aplicar a mesma lógica à folha de 23/10.
Quem já leu sobre quando o CDB rende mais que a LCI conhece o contexto de isentos mais escassos em 2026. Este texto não repete aquela tese: o gancho novo é a prateleira datada mais o calendário da segunda pós-turno.
A mesma sexta não é o mercado inteiro: XP 83% vs Meelion 105%
Enquanto a XP mostrou LCI pós em torno de 83,5% do CDI no dia 23/10, o ranking Meelion em 25/10 ainda listava LCI do Banco de Brasília a 105% do CDI isento, com rendimento líquido estimado perto de 13,99% ao ano, vencimento em 25/10/2027, disponível via Genial e com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que protege até R$ 250 mil por CPF por instituição, nos limites vigentes.
No mesmo ranking Meelion de CDB em 25/10, o topo aparecia com CDB da DM Financeira a 122% do CDI, líquido estimado perto de 13,79% ao ano, vencimento em 25/10/2031, via Inter, também com FGC. Ou seja: a prateleira “da corretora X” não é a prateleira do mercado. Quem olha só a tela da sexta pode concluir, erroneamente, que “toda LCI paga 83%”.
| Fonte / data | Produto | Taxa em destaque | Leitura |
|---|---|---|---|
| XP via InfoMoney, 23/10 | CDB pós | 105% do CDI | Teto do dia naquela prateleira |
| XP via InfoMoney, 23/10 | LCI pós | 83,58% do CDI | Fraca frente ao CDB 105% no gross-up |
| Meelion, 25/10 | LCI BRB | 105% do CDI isento | Ganha do CDB 105% tributável no líquido |
| Meelion, 25/10 | CDB DM | 122% do CDI | Bem acima do teto XP da sexta |
Esse contraste muda a decisão. Se a sua corretora só mostra LCI a 83% e CDB a 105%, o CDB pode vencer naquela tela. Se você compara o mercado e encontra LCI a 105% isenta com prazo e risco aceitáveis, o placar vira. Antes de decidir, compare as taxas disponíveis no comparador Meelion: opções de diferentes bancos, para simular em tempo real.
Há um segundo contraste importante: liquidez. CDB a 122% do CDI até 2031, em geral, não oferece resgate diário. O artigo sobre CDB sem liquidez diária acima de 120% do CDI trata exatamente desse trade-off. Taxa alta com dinheiro travado só faz sentido se o prazo bater com o objetivo. Na segunda pós-turno, misturar volatilidade de abertura com iliquidez excessiva é um erro clássico.
O olhar da Meelion
A leitura editorial é sóbria. A folha de 23/10 na XP é um bom retrato daquele dia e daquele canal, não um veredito sobre “o melhor CDB do Brasil”. O DI a 12,88% em jan/28 mostra prêmio pré-eleitoral na curva, não uma ordem de compra automática. E o ranking de 25/10 mostra que ainda existiam LCIs isentas competitivas fora daquela prateleira. O investidor sofisticado cruza fontes. O investidor apressado compra o número maior da tela.
Checklist da abertura 26/10: CDI, isento ou pré/IPCA+
Com a urna já definida e o pregão abrindo, a pergunta prática é o que fazer com o dinheiro que venceu, que está na conta ou que você reservou para alocar. Três decisões, nessa ordem.
1) Segurar liquidez em CDI quando a reserva estiver frágil
Se parte do capital é reserva de emergência ou pode ser usada em 30 a 90 dias, priorize veículos com liquidez e rendimento próximo ao CDI. Em abertura “não calma”, ter caixa remunera o direito de esperar a poeira baixar sem vender título no pior momento. Não é “ficar de fora”. É comprar opção de timing.
2) Forçar isento só se a taxa isenta vencer no gross-up
LCI a 83,58% do CDI, na conta de 12 meses com IR 20%, empata perto de CDB a 104,5%. Se a sua tela mostrar LCI fraca e CDB a 105%, o CDB pode ser a escolha racional naquele canal. Se aparecer LCI a 100%–105% do CDI isenta, com prazo e emissor aceitáveis, o isento volta a ganhar. A regra é simples: nunca compare percentual bruto com percentual isento sem gross-up.
3) Travar pré ou IPCA+ só se a abertura da curva compensar
Prefixados e IPCA+ da folha de 23/10 (CDB pré a 13,680%, CDB IPCA+ a 8,300%, LCA IPCA+ a 4,760%) são fotografias. Na segunda, se os juros futuros abrirem, novas emissões podem pagar mais. Se fecharem, a taxa de sexta pode ter sido a melhor da semana. O ponto não é “apostar na eleição”. É verificar, na abertura, se o pré ou o IPCA+ novo superam o custo de oportunidade de ficar no CDI. O debate entre travar CDB prefixado ou ficar no CDI continua válido quando a curva se move em dezenas de pontos-base.
Onde podem estar as oportunidades
Na abertura de 26/10, três frentes merecem olhar atento, sem pressa:
- Pós-fixado bancário acima do break-even do isento fraco da sua corretora (na XP de 23/10, isso era CDB perto de 105% frente a LCI 83,58%).
- LCI e LCA isentas competitivas em outras plataformas, no espírito do contraste Meelion 105% vs XP 83%.
- Pré e IPCA+ novos, se a curva abrir o suficiente para compensar travar prazo, sempre checando carência e FGC.
O Boletim Focus e o calendário do Banco Central do Brasil na semana pós-turno ajudam a ler o cenário de política monetária, mas a decisão do dia a dia continua sendo taxa, prazo, liquidez e emissor.
Como proteger seu patrimônio
Algumas regras de higiene valem mais que qualquer “dica quente” de segunda-feira:
- Respeite o limite do FGC por CPF e por instituição. Diversifique emissores se o montante for relevante.
- Não use dinheiro de curto prazo em CDB longo sem liquidez diária, mesmo a 120% do CDI.
- Confirme taxa, vencimento, carência e disponibilidade no app no momento da aplicação. A capacidade de sexta pode não existir na segunda.
- Evite concentrar a decisão só em uma corretora. A mesma sexta mostrou 83% numa prateleira e 105% noutra.
- Separe “cenário político” de “carteira de renda fixa”. O checklist é liquidez, isento e pré, não prognóstico de urna.
Erros comuns na segunda pós-urna
O primeiro erro é comprar o percentual maior sem gross-up. CDB 105% e LCI 83% parecem mundos apartados; no líquido, com IR 20%, quase empatam.
O segundo erro é tratar a folha de sexta como estoque eterno. Ofertas de emissão bancária são capacidade do dia. Se o lote encheu, a taxa some.
O terceiro erro é ignorar liquidez porque “renda fixa não tem risco de mercado”. Há risco de crédito (mitigado pelo FGC até o limite), risco de reinvestimento e, sobretudo, risco de precisar do dinheiro antes do vencimento.
O quarto erro é equalizar todas as LCIs. A média de mercado em 2026 tem andado mais baixa que em 2025 em várias amostras, mas isso não significa que toda LCI pague 83%. Há emissores e canais com taxas bem melhores.
O quinto erro é travar pré longo na euforia da abertura sem checar se o CDI líquido do período e a sua necessidade de caixa justificam a trava. Prefixo bom com dinheiro errado vira dor de cabeça.
Perguntas frequentes sobre CDB 105% vs LCI
CDB a 105% do CDI é melhor que LCI a 83,58%?
Na faixa de cerca de 12 meses com IR de 20% sobre o rendimento do CDB, sim: o CDB a 105% do CDI empata ou ganha levemente da LCI a 83,58% no líquido. Com IR 17,5% ou 15%, a vantagem do CDB aumenta. Se a LCI for 100% ou 105% do CDI isenta, a conta vira.
Por que a XP mostrou LCI a 83% e o ranking Meelion mostrou 105%?
Porque são prateleiras diferentes, em datas próximas, com emissores e capacidades distintas. A folha XP de 23/10 é a oferta daquele canal naquele dia. O ranking Meelion de 25/10 agrega outras instituições. Não são contraditórios: são incompletos se lidos isoladamente.
O que o DI a 12,88% em janeiro/2028 tem a ver com meu CDB?
O DI futuro mostra o que o mercado precifica para juros à frente. Quando sobe, costuma pressionar taxas de emissão e o apetite por prêmio. Não altera automaticamente o CDI de hoje, que em 25/10/2026 estava em 13,65% na referência Meelion, com Selic em 13,75%.
Devo esperar a segunda pós-turno para investir?
Depende da sua liquidez. Se o capital é reserva, mantenha em CDI líquido. Se é sobra com prazo definido e a taxa da sexta ainda existir na abertura com condições iguais ou melhores, a alocação pode fazer sentido. Esperar “a calmaria” pode significar perder a capacidade do dia. Agir no escuro também. O meio-termo é checklist, não pressentimento.
LCA a 85,5% do CDI ganha do CDB a 105%?
No gross-up com IR 20%, a LCA a 85,5% exige cerca de 106,9% do CDI bruto para empatar. Nesse corte, o CDB a 105% perde levemente. Sempre confira prazo e alíquota exatos.
Prefixado a 13,68% é melhor que 105% do CDI?
Só se você acreditar que o CDI médio do período ficará abaixo da taxa prefixada líquida de IR, e se puder carregar o título até o vencimento. Em cenário de Selic alta, o pós-fixado costuma competir bem. Em cenário de queda rápida de juros, o pré trava a taxa. É decisão de cenário e de prazo, não de “número maior”.
IPCA+ 8,3% no CDB ainda faz sentido com IPCA em 4,58%?
IPCA+ remunera a inflação medida pelo índice que acompanha a alta geral dos preços mais um juro real. Com IPCA em 4,58% em 12 meses (25/10/2026), um CDB IPCA+ 8,3% implica juro real elevado se carregado. O risco é de crédito e de liquidez, não de “perder da inflação” no contrato, desde que o título seja carregado. Compare sempre com alternativas isentas IPCA+ e com o CDI líquido do mesmo prazo.
Conclusão
A prateleira de 23/10 na XP contou uma história clara no CDB 105% vs LCI fraca a 83,58% e LCA a 85,5%, sob DI intermediário em alta e clima pré-segundo turno. A conta líquida mostra empate técnico a favor do CDB naquele corte de 12 meses, mas o ranking Meelion de 25/10 prova que ainda havia LCI a 105% isenta e CDB a 122% fora daquela tela. Na segunda 26/10, o jogo não é adivinhar a urna. É aplicar o checklist: liquidez CDI, isento só com gross-up favorável, pré e IPCA+ só se a abertura compensar.
Este artigo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento. Taxas, prazos e disponibilidade mudam. Confirme condições, carência e cobertura do FGC diretamente na instituição antes de aplicar. Investir com consciência, neste calendário, é cruzar a folha do dia com a conta líquida e com a sua necessidade real de liquidez.
Glossário
- Selic: taxa básica de juros da economia brasileira. Influencia empréstimos, financiamentos e a rentabilidade da renda fixa.
- CDI: taxa de referência dos investimentos em renda fixa, próxima à Selic. Muitos CDBs, LCIs e LCAs são remunerados como percentual do CDI.
- DI futuro: contrato que precifica a expectativa de juros em datas futuras (ex.: janeiro/2028). Diferente do CDI à vista do dia.
- CDB: Certificado de Depósito Bancário; empréstimo que o investidor faz ao banco em troca de uma remuneração, em regra tributável pelo IR.
- LCI: Letra de Crédito Imobiliário; investimento isento de Imposto de Renda ligado ao crédito imobiliário.
- LCA: Letra de Crédito do Agronegócio; investimento isento de IR ligado ao agronegócio.
- IPCA: índice que mede a alta geral dos preços (inflação oficial ao consumidor).
- IPCA+: título ou emissão que paga a variação do IPCA mais um juro real prefixado.
- Gross-up: conversão que iguala uma taxa isenta a uma taxa bruta tributável, para comparação justa.
- Tabela regressiva do IR: alíquotas de 22,5%, 20%, 17,5% e 15% sobre o rendimento, conforme o prazo da aplicação.
- FGC: Fundo Garantidor de Créditos, que protege até R$ 250 mil por CPF por instituição, nos limites vigentes, em produtos elegíveis como CDB, LCI e LCA.
- Spread: diferença de taxa entre referências de mercado ou entre o que o banco paga ao investidor e o que cobra no crédito.
- Pontos-base (pb): unidade de variação de juros; 100 pb equivalem a 1 ponto percentual. Uma alta de 11 pb é 0,11 ponto percentual.
- Copom: Comitê de Política Monetária do Banco Central, que define a Selic.
Fontes Consultadas
- InfoMoney — Renda Fixa Hoje 23/10/2026 — https://www.infomoney.com.br/onde-investir/renda-fixa-hoje-23102026/
- XP Investimentos — A Semana na Renda Fixa 19 a 23/10/2026 — https://conteudos.xpi.com.br/renda-fixa/relatorios/a-semana-na-renda-fixa-19-10-26-a-23-10-26/
- CNN Brasil Money — Mercado reforça seguro contra volatilidade às vésperas do 2º turno — https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/mercado/mercado-reforca-seguro-contra-volatilidade-as-vesperas-do-2o-turno/
- Meelion — Indicadores financeiros — https://www.meelion.com/indicadores-financeiros/
- Meelion — Comparar investimentos (renda fixa) — https://www.meelion.com/renda-fixa/comparar-investimentos/
- Meelion — LCI e LCA sumindo: quando o CDB rende mais? — https://www.meelion.com/blog/mercado-financeiro/lci-e-lca-sumindo-quando-o-cdb-rende-mais/
- Meelion — Calculadora gross-up Meelion — https://www.meelion.com/blog/renda-fixa/calculadora-gross-up-meelion-cdb-ou-lci-a-1375/
- Exame — Quer começar a investir ainda em 2026 — https://exame.com/invest/onde-investir/quer-comecar-a-investir-ainda-em-2026-veja-por-onde-comecar/
- Banco Central do Brasil — Notícias — https://www.bcb.gov.br/noticias

Dan Printes é fundador da Meelion e empreendedor na área de tecnologia. Atua com inteligência artificial, produtos digitais e investimentos, com especial interesse em renda fixa e na aplicação de tecnologia para tornar decisões financeiras mais simples e inteligentes. Neste espaço, compartilha insights sobre investimentos, economia, renda fixa e outros temas relacionados ao mercado financeiro.














