CDB sem liquidez diária vale a pena? 121% do CDI até 2031

Existe um preço para poder sacar o dinheiro na hora que você quiser. Quase ninguém olha para ele, porque ele não aparece no extrato: aparece apenas na diferença entre o que você ganhou e o que poderia ter ganhado. Neste domingo, 11 de outubro de 2026, esse preço tem número. O topo do ranking de CDB pós-fixado da Meelion paga até 121% do CDI para quem aceita deixar o dinheiro parado até outubro de 2031, enquanto o Tesouro Selic e o novo Tesouro Reserva entregam a Selic com resgate praticamente imediato.

A pergunta que importa, então, não é “qual CDB paga mais”. É outra: um CDB sem liquidez diária vale a pena quando você coloca na balança o ganho extra, o risco de precisar do dinheiro antes e o limite do FGC, o Fundo Garantidor de Créditos, que protege até R$ 250 mil por CPF por instituição? Para quem já tem a reserva de emergência montada e olha para o dinheiro que sobra, essa é uma decisão de cinco anos. Merece mais do que uma olhada rápida na taxa.

Ao longo do texto, vamos traduzir o ranking em reais. Você vai ver quanto rendem R$ 10 mil e R$ 100 mil em cada alternativa, em dois cenários de juros; quanto custa sair no meio do caminho; e quanto aplicar por banco para que o saldo, já com juros, continue dentro da garantia.

O que o topo do ranking de CDB paga hoje para travar o dinheiro até 2031

Vamos do começo. Um CDB é um empréstimo que o investidor faz ao banco em troca de uma remuneração. No pós-fixado, essa remuneração é um percentual do CDI, a taxa de referência dos investimentos em renda fixa, próxima à Selic. Se o CDI sobe ou desce, o seu rendimento acompanha.

Na consulta ao ranking de CDB pós-fixado feita às 11h12 deste domingo, as cinco ofertas de maior taxa com prazo longo eram estas:

OfertaEmissorDistribuidorVencimentoMínimo
CDB 121% do CDIDM FinanceiraGenial Investimentos10/10/2031R$ 1.000
CDB 119,5% do CDIDM FinanceiraGenial Investimentos10/10/2030R$ 1.000
CDB 117% do CDIBanco ArbiTerra Investimentos10/10/2031R$ 1.000
CDB 118% do CDISorocred FinanceiraBanco Inter10/10/2029R$ 1.000
CDB 118% do CDIDM FinanceiraGenial Investimentos10/10/2029R$ 1.000

Todas compartilham três características. A liquidez é no vencimento, o que significa que o banco só devolve o dinheiro na data final, sem resgate antecipado garantido. Todas contam com a cobertura do FGC. E, como o prazo passa de 720 dias, o Imposto de Renda será de 15% sobre o ganho, a menor alíquota da tabela regressiva da renda fixa.

Esse detalhe importa: ofertas assim esgotam rápido. Quatro papéis que estavam no radar no início do dia, com taxas de 117% e 118% do CDI e vencimentos entre 2029 e 2031, já apareciam como esgotados na mesma manhã. Antes de decidir, confirme taxa e disponibilidade diretamente na corretora.

Repare também em outro ponto: a DM Financeira aparece três vezes entre as cinco primeiras posições. Isso tem consequência direta para a garantia do FGC, e voltaremos a esse assunto mais adiante.

Prêmio de liquidez ou prêmio de crédito: o que você entrega ao abrir mão do resgate diário

Do outro lado da balança estão os títulos públicos pós-fixados. O Tesouro Direto reúne títulos emitidos pelo governo federal, comprados diretamente pelo investidor, e dois deles servem como régua para quem quer liquidez:

  • Tesouro Selic 2031: rende a Selic mais cerca de 0,09% ao ano, vence em 01/03/2031 e aceita aplicações a partir de cerca de R$ 200. O resgate cai na conta no mesmo dia se pedido até 13h, ou no dia útil seguinte. Ele tem marcação a mercado: o preço é recalculado todos os dias conforme o mercado reprecifica o título, embora no Tesouro Selic essas oscilações sejam pequenas.
  • Tesouro Reserva: lançado em maio de 2026, rende 100% da Selic desde o primeiro dia útil, aceita a partir de R$ 1 e permite aplicar e resgatar via Pix a qualquer hora, exceto entre meia-noite e 1h. Não tem marcação a mercado, ou seja, o saldo só cresce, como se fosse marcado na curva contratada.

Dois números merecem tradução. A Selic meta, a taxa básica de juros da economia brasileira definida pelo Copom, está em 13,75% ao ano, segundo o Banco Central. Já a Selic over, a taxa efetivamente praticada nas operações diárias entre bancos lastreadas em títulos públicos, está em 13,65%. É ela que remunera o Tesouro Selic e o Tesouro Reserva. O CDI, também em 13,65% no dado de 08/10/2026, anda colado nela. Você acompanha os dois nas páginas de Selic hoje e de CDI hoje.

Então, o que exatamente os 17 a 21 pontos percentuais acima de 100% do CDI estão pagando? Duas coisas misturadas. Uma parte é o prêmio de liquidez: o banco paga mais porque sabe que terá aquele dinheiro por cinco anos, sem pedidos de resgate inesperados. A outra é o prêmio de crédito: financeiras e bancos médios, sem grande rede de agências nem depósitos baratos, precisam pagar mais para captar, e o investidor cobra pelo risco de emprestar a uma instituição menor do que o governo federal.

Quando você compara um CDB sem liquidez diária com o Tesouro, portanto, está medindo liquidez e crédito ao mesmo tempo. Dentro do limite do FGC, o risco de crédito muda de natureza: deixa de ser o risco de perder o dinheiro e passa a ser, principalmente, o risco de esperar semanas ou meses pelo pagamento caso o banco sofra intervenção. Se quiser a regra prática do prêmio de liquidez aplicada a outros produtos bancários, já tratamos do tema na comparação entre RDB e CDB.

Em reais, o CDB sem liquidez diária vale a pena? A conta de 5 anos contra o Tesouro

Percentual é abstrato. Reais, não. Fizemos uma simulação com premissas explícitas para responder quanto sobra no bolso depois de cinco anos (60 meses):

  • Capitalização mensal e IR de 15% sobre o ganho, cobrado no resgate.
  • Tesouro Selic e Tesouro Reserva rendem a Selic over, igual ao CDI. O Tesouro Selic soma 0,0877% ao ano a essa taxa.
  • Taxa de custódia da B3 de 0,20% ao ano sobre o saldo que passar de R$ 10 mil, nos títulos do Tesouro.
  • O Tesouro Selic 2031 vence cerca de sete meses antes do CDB; supomos reaplicação na mesma taxa até completar os 60 meses.

São dois cenários. No cenário A, o CDI fica constante em 13,65% durante os cinco anos. No cenário B, os juros seguem a mediana do Boletim Focus de 02/10/2026, a pesquisa semanal do Banco Central com as projeções do mercado: Selic de 13,50% no fim de 2026, 12,00% em 2027, 10,50% em 2028 e 10,00% em 2029 e 2030. Interpolando mês a mês, o CDI médio do período fica perto de 10,9% ao ano. Não se trata de previsão: é o que acontece se a trajetória do Focus se confirmar.

AplicaçãoR$ 10 mil (A)R$ 10 mil (B)R$ 100 mil (A)R$ 100 mil (B)
CDB DM Financeira 121% do CDI (2031)R$ 19.754R$ 17.261R$ 197.539R$ 172.612
CDB Banco Arbi 117% do CDI (2031)R$ 19.330R$ 16.961R$ 193.302R$ 169.610
Tesouro Selic 2031 (Selic + 0,0877%)R$ 17.687R$ 15.798R$ 175.560R$ 156.766
Tesouro Reserva (100% da Selic)R$ 17.616R$ 15.736R$ 174.855R$ 156.144

Valores líquidos após 60 meses, já descontados IR e custódia. A diferença entre o CDB a 121% e o Tesouro Selic 2031 é o preço da liquidez em reais:

  • Com R$ 10 mil: cerca de R$ 2.070 a mais no cenário A e R$ 1.460 a mais no cenário B.
  • Com R$ 100 mil: cerca de R$ 21.980 a mais no cenário A e R$ 15.850 a mais no cenário B.

Em rentabilidade líquida anualizada, o CDB a 121% entrega cerca de 14,6% ao ano no cenário A e 11,5% no cenário B. O Tesouro Selic fica em torno de 12,0% e 9,6%, respectivamente. Entre os dois CDBs de 2031, os quatro pontos de diferença na taxa valem cerca de R$ 4,2 mil em cinco anos sobre R$ 100 mil no cenário A. Pequenas diferenças de percentual viram dinheiro relevante quando o prazo é longo.

O que isso significa para o seu dinheiro

Quem trava um pós-fixado mantém o percentual do CDI, mas não o CDI. Se a Selic cair como o Focus projeta, o prêmio encolhe cerca de 28% em reais. Ainda assim, ele não desaparece, porque 121% de qualquer CDI continua sendo 21% a mais do que o Tesouro paga. Essa é a lógica do carrego do pós-fixado, e também a razão pela qual vale entender o que muda no CDB com a Selic caindo.

Há ainda um detalhe que pesa contra o Tesouro em valores altos: a custódia. Em R$ 100 mil, os 0,20% ao ano sobre o que excede R$ 10 mil somam algo entre R$ 1,2 mil e R$ 1,3 mil em cinco anos. Em R$ 10 mil, o custo é zero.

O prêmio, porém, não nasce grande. Ele se acumula com o tempo, como mostra a evolução de R$ 100 mil:

HorizonteCDB 121% (A)Tesouro Selic (A)CDB 121% (B)Tesouro Selic (B)
12 mesesR$ 113.626R$ 111.149R$ 112.876R$ 110.530
24 mesesR$ 130.397R$ 124.563R$ 126.820R$ 121.679
36 mesesR$ 149.456R$ 139.427R$ 140.685R$ 132.514

Os valores do CDB estão na curva, como se fosse possível resgatar pelo valor contratado, o que na prática não acontece antes do vencimento. No primeiro ano, a vantagem é de cerca de R$ 2,5 mil no cenário A. No terceiro, passa de R$ 10 mil. Essa curva explica a próxima seção.

E se você precisar do dinheiro antes? O custo de vender um CDB pós-fixado

Um CDB sem liquidez diária, que só paga no vencimento, não tem resgate antecipado garantido. A saída possível é vender o título no mercado secundário, onde outro investidor ou o próprio banco compra o papel, normalmente com deságio, um desconto sobre o valor acumulado. Se ninguém aceitar o preço oferecido, simplesmente não há venda.

No pós-fixado, o deságio nasce de uma conta simples: o comprador exige um percentual do CDI maior que o contratado pelo prazo que falta. Se você comprou a 121% e o comprador só aceita levar o papel rendendo 130%, o preço precisa cair até que a conta feche para ele. Quanto mais longo o prazo restante, maior o desconto necessário.

A tabela abaixo é uma simulação, não cotação de mercado. As taxas exigidas pelo comprador, de 125% a 140% do CDI, são hipotéticas e servem para mostrar a ordem de grandeza. O caso é o CDB DM 121% com R$ 100 mil aplicados, e a coluna de resultado compara o valor líquido da venda com o que você teria no Tesouro Selic no mesmo momento.

Venda apósComprador exigeDeságio (A)Resultado vs Tesouro Selic (A)Deságio (B)Resultado vs Tesouro Selic (B)
12 meses125% do CDI1,9%+R$ 6961,5%+R$ 955
12 meses130% do CDI4,1%menos R$ 1.4723,3%menos R$ 749
12 meses140% do CDI8,4%menos R$ 5.6256,7%menos R$ 4.044
24 meses130% do CDI3,1%+R$ 2.2602,4%+R$ 2.487
24 meses140% do CDI6,4%menos R$ 1.5414,9%menos R$ 365
36 meses140% do CDI4,3%+R$ 4.2383,3%+R$ 4.051

A leitura é clara: o risco de travar e se arrepender se concentra nos primeiros 12 a 24 meses. Se você precisar sair no primeiro ano e o comprador exigir 130% do CDI, termina cerca de R$ 1,5 mil atrás de quem ficou no Tesouro Selic no cenário A. Com 140%, a desvantagem chega a R$ 5,6 mil. A partir do terceiro ano, o prêmio acumulado absorve até um deságio pesado.

O que isso muda para o seu dinheiro? Muda a ordem das perguntas. Antes de olhar a taxa, pergunte qual é a chance real de precisar desse valor nos próximos dois anos. Se a resposta honesta for “talvez”, o CDB longo começa em desvantagem.

Como referência, levantamentos do mercado apontam deságios de 1% a 5% para CDBs sem liquidez vendidos antes do prazo, dependendo do momento. Na prática, a recompra costuma ser feita pela tesouraria do próprio emissor, e a liquidação financeira normalmente ocorre no dia útil seguinte. Para entender o passo a passo, vale ler sobre como vender um título no mercado secundário.

FGC: quanto aplicar por emissor para o saldo com juros caber nos R$ 250 mil

Pelas regras do Fundo Garantidor de Créditos, a garantia vai até R$ 250 mil por CPF por instituição ou conglomerado financeiro, isto é, o grupo de instituições ligadas ao mesmo controlador, cujos saldos são somados para efeito da garantia. Há também um teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos quando mais de uma instituição em que você tem aplicações é liquidada nesse período. Em maio de 2026, o STJ reafirmou esses limites, num momento em que casos recentes de liquidação de bancos médios haviam levado centenas de milhares de investidores a pedir ressarcimento ao fundo. Para ter dimensão: quem descobre o limite só depois da intervenção já não tem como reorganizar a carteira.

Em um CDB sem liquidez diária de cinco anos, o ponto que costuma passar despercebido é que os juros também ocupam espaço na garantia. A 121% do CDI, cada R$ 1 aplicado vira cerca de R$ 2,15 brutos em cinco anos no cenário A e R$ 1,85 no cenário B. Para que o saldo bruto no vencimento caiba nos R$ 250 mil, o aporte por conglomerado deve ficar em torno de:

  • R$ 116 mil, se o CDI permanecer em 13,65%;
  • R$ 135 mil, se a trajetória do Focus se confirmar.

É uma margem conservadora. O FGC cobre o saldo na data da intervenção, que pode acontecer antes do vencimento, quando o valor acumulado ainda é menor. Mas é justamente essa folga que evita surpresas desagradáveis no fim do prazo.

Como proteger seu patrimônio

Comprar o DM 121% de 2031, o DM 119,5% de 2030 e o DM 118% de 2029 parece diversificação, mas não é: os três são do mesmo emissor e dividem um único limite de R$ 250 mil. Se a ideia é aplicar mais, distribua entre conglomerados diferentes, como DM Financeira e Banco Arbi no caso das ofertas de 2031. Atenção também a marcas parecidas: Sorocred e Afinz têm CNPJs distintos, mas vale consultar no Banco Central se pertencem ao mesmo conglomerado antes de somar valores sob a garantia.

Lembre ainda que o FGC não é liquidez. O pagamento pode levar semanas ou meses após a intervenção; no caso do BVA, em 2012, o prazo ficou entre 30 e 60 dias. Dinheiro que pode ser necessário de uma hora para outra não deveria depender dessa espera.

CDB sem liquidez diária vale a pena para você? Checklist em 5 perguntas

Vale a pena para dinheiro com destino acima de três anos, fora da reserva de emergência e dentro do limite do FGC por conglomerado. Para prazos incertos ou menores que dois anos, o Tesouro Selic ou o Tesouro Reserva custam pouco e protegem contra o pior cenário.

  1. Minha reserva de emergência já está montada? Ela deve ficar em algo com resgate imediato, como o Tesouro Reserva. Se ainda não sabe o tamanho ideal, calcule sua reserva de emergência antes de travar qualquer valor.
  2. O objetivo desse dinheiro está a três anos ou mais? Pelas simulações, é a partir desse ponto que o prêmio absorve até um deságio pesado. Se o seu horizonte é mais curto, compare também a alternativa de travar no prefixado ou ficar na Selic.
  3. O valor por conglomerado cabe no FGC com os juros? Para um CDB de cinco anos a 121% do CDI, a referência fica entre R$ 116 mil e R$ 135 mil por grupo financeiro.
  4. Consigo conviver com o dinheiro preso? Não há resgate garantido antes de 2031. Se a ideia de depender de um comprador no secundário tira o seu sono, esse custo emocional também entra na conta.
  5. Uma LCI ou LCA do mesmo prazo pagaria mais? LCI e LCA são investimentos isentos de Imposto de Renda ligados ao setor imobiliário e ao agronegócio. Para comparar, divida a taxa delas por 0,85: uma LCA a 100% do CDI equivale a cerca de 117,6% do CDI em um CDB tributado a 15%.

O olhar da Meelion

Na nossa leitura, a resposta não é “sim” nem “não”: é “quanto”. Para muitos investidores, faz sentido uma estrutura em duas camadas. A parte que pode ser necessária a qualquer momento fica no Tesouro Reserva ou no Tesouro Selic. A parte com destino certo e distante vai para CDBs longos, divididos por conglomerado. Assim, o prêmio de 121% do CDI trabalha onde realmente compensa, e a liquidez fica onde realmente importa.

Perguntas frequentes

Posso resgatar um CDB com liquidez no vencimento antes do prazo?

Não pelo banco, de forma garantida. A alternativa é vender no mercado secundário, geralmente para a tesouraria do próprio emissor, com deságio. Nas simulações, sair no primeiro ano pode deixar você atrás do Tesouro Selic; depois de três anos, a venda tende a compensar mesmo com desconto.

O que acontece com o CDB pós-fixado se a Selic cair?

O percentual contratado continua o mesmo, mas incide sobre um CDI menor. O rendimento em reais diminui, assim como o do Tesouro Selic. Por isso o prêmio encolhe, cerca de 28% no cenário Focus, mas segue positivo: 121% de qualquer CDI continua acima de 100%.

Tesouro Reserva ou Tesouro Selic para a parte líquida?

O Tesouro Reserva ganha em praticidade: Pix a qualquer hora, aplicação a partir de R$ 1 e saldo sem oscilação. O Tesouro Selic 2031 paga um pouco mais, cerca de 0,09% ao ano acima da Selic, o que somou perto de R$ 700 em cinco anos sobre R$ 100 mil na simulação. Para a reserva de emergência, a conveniência do Reserva costuma valer essa diferença.

O FGC cobre os juros?

Sim. A garantia de até R$ 250 mil considera o principal mais os rendimentos acumulados até a data da intervenção. É por isso que, em um CDB de cinco anos, o aporte por conglomerado deve ficar bem abaixo do limite.

Vale dividir entre vários CDBs do mesmo banco?

Para escalonar vencimentos, pode fazer sentido. Para ampliar a proteção do FGC, não: todos os CDBs de um mesmo conglomerado somam um único limite de R$ 250 mil por CPF. Diversificar a garantia exige emissores de grupos diferentes.

Conclusão: liquidez tem preço, e agora você sabe quanto

Trocar o resgate diário por 121% do CDI até 2031 rende algo entre R$ 15,8 mil e R$ 22 mil a mais sobre R$ 100 mil em cinco anos, dependendo do caminho dos juros. É um ganho real, mas que cobra três condições: horizonte de pelo menos três anos, reserva de emergência já resolvida e respeito ao limite do FGC por conglomerado. Atendidas as três, o CDB sem liquidez diária deixa de ser aposta e passa a ser escolha consciente.

O passo seguinte é colocar os seus próprios números na mesa. Antes de aplicar, simule na calculadora de renda fixa com o valor e o prazo do seu objetivo, e confira se a oferta ainda está disponível na corretora. Uma boa decisão de cinco anos começa com uma conta bem feita hoje.

Este artigo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento. As simulações usam premissas explícitas e não garantem resultados futuros. Taxas e disponibilidade das ofertas mudam ao longo do dia; confirme as condições na corretora antes de investir.

Glossário

  • Selic meta: taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Copom do Banco Central. Influencia empréstimos, financiamentos e investimentos de renda fixa.
  • Selic over: taxa média efetivamente praticada nas operações diárias entre bancos lastreadas em títulos públicos. É o que remunera o Tesouro Selic e o Tesouro Reserva.
  • CDI: taxa de referência dos investimentos em renda fixa, próxima à Selic. Base de remuneração dos CDBs pós-fixados.
  • CDB: empréstimo que o investidor faz ao banco em troca de uma remuneração, que pode ser prefixada, pós-fixada ou atrelada à inflação.
  • Tesouro Direto: programa de venda de títulos emitidos pelo governo federal, comprados diretamente pelo investidor.
  • Tesouro Reserva: título lançado em maio de 2026 que rende 100% da Selic, aceita aplicações a partir de R$ 1 e permite resgate via Pix 24 horas.
  • Liquidez no vencimento: condição em que o dinheiro só é devolvido pelo emissor na data final do título.
  • Marcação a mercado: atualização diária do preço de um título conforme as condições do mercado. A marcação na curva, ao contrário, considera apenas a taxa contratada.
  • Mercado secundário: ambiente em que investidores negociam títulos já emitidos, antes do vencimento.
  • Deságio: desconto sobre o valor acumulado de um título vendido antes do vencimento.
  • FGC: Fundo Garantidor de Créditos, que protege até R$ 250 mil por CPF por instituição ou conglomerado, com teto de R$ 1 milhão a cada quatro anos.
  • Conglomerado financeiro: grupo de instituições ligadas ao mesmo controlador. Para o FGC, os saldos em todas elas são somados.
  • Boletim Focus: pesquisa semanal do Banco Central com as projeções do mercado para juros, inflação e outros indicadores.
  • Prêmio de liquidez: remuneração extra paga a quem aceita deixar o dinheiro sem resgate por um prazo determinado.
  • Prêmio de crédito: remuneração extra cobrada pelo risco de emprestar a uma instituição com maior chance de não pagar do que o governo federal.
  • Taxa de custódia: cobrança da B3 de 0,20% ao ano sobre o saldo em títulos do Tesouro que exceder R$ 10 mil.
  • LCI e LCA: investimentos isentos de Imposto de Renda ligados ao setor imobiliário e ao agronegócio, respectivamente.

Fontes Consultadas

Dan Mark Printes

Dan Printes é fundador da Meelion e empreendedor na área de tecnologia. Atua com inteligência artificial, produtos digitais e investimentos, com especial interesse em renda fixa e na aplicação de tecnologia para tornar decisões financeiras mais simples e inteligentes. Neste espaço, compartilha insights sobre investimentos, economia, renda fixa e outros temas relacionados ao mercado financeiro.

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