Book XP CDB IPCA a 7,80%: a LCI/LCA ainda vence no líquido?
Book XP CDB IPCA a 7,80%: a LCI/LCA ainda vence no líquido?
Há um hábito silencioso entre quem acompanha renda fixa: olhar o cartaz da taxa bruta e decidir na hora. Nesta quarta-feira, 12 de agosto de 2026, esse hábito ficou especialmente arriscado. O book XP CDB IPCA, publicado pelo InfoMoney, mostrou o teto do híbrido caindo de 9,27% para 7,80% em mais de um ano. Uma queda de 147 pontos-base em 24 horas. A pergunta que importa não é se o número “ainda parece alto”. É se, depois do Imposto de Renda, ele ainda ganha da LCI e da LCA isentas.
Para o investidor que não vive o mercado diariamente, vale traduzir: a tabela de indiferença CDB LCI LCA agosto 2026 é o mapa que separa o que brilha no anúncio do que realmente sobra no bolso. Sem gross-up, é fácil travar o híbrido bancário “ainda generoso” e deixar de ganhar (ou, no pós curto, escolher mal o prazo). Com a Selic a 14% e o IPCA em 4,44% em 12 meses, o detalhe da alíquota regressiva muda o veredito.
A matriz abaixo usa os tetos de 12/08 — pós-fixado, prefixado e IPCA+ — para mostrar quem vence no líquido em cada faixa de IR, o que mudou desde a terça e por que o prazo do título é o critério decisivo.
O que mudou no book XP CDB IPCA desta quarta (12/08)
Vamos do começo. O book de renda fixa da XP é um recorte diário dos melhores tetos disponíveis na plataforma, por indexador e por prazo. Não é uma oferta única com o mesmo emissor, liquidez e carência. É um termômetro do dia: onde o mercado bancário está pagando mais para captar.
Na terça (11/08), o CDB IPCA+ chegou a 9,27% acima de um ano. Na quarta (12/08, por volta das 10h38), o mesmo recorte despencou para 7,80%. Enquanto isso, o prefixado CDB recuou pouco, de 14,65% para 14,50%. O pós-fixado até subiu: de 100% para 100,25% do CDI em 12 meses.
No isento, o movimento foi desigual. A LCI prefixada subiu para 11% (era 10,49%). A LCA IPCA+ cedeu de 6,16% para 6,03%. O pós isento ficou estável: LCI a 80,5% e LCA a 84% do CDI.
| Produto (teto book XP) | 11/08/2026 | 12/08/2026 | Variação |
|---|---|---|---|
| CDB prefixado (>12 meses) | 14,65% | 14,50% | −15 bps |
| CDB IPCA+ (>1 ano) | 9,27% | 7,80% | −147 bps |
| CDB pós (12 meses) | 100% CDI | 100,25% CDI | +0,25 p.p. |
| LCI prefixada (~1 ano) | 10,49% | 11% | +51 bps |
| LCI pós (~1 ano) | 80,5% CDI | 80,5% CDI | estável |
| LCA prefixada | 10,89% | 10,89% | estável |
| LCA IPCA+ (12 meses) | 6,16% | 6,03% | −13 bps |
| LCA pós (>1 ano) | 84% CDI | 84% CDI | estável |
Esse detalhe importa. O híbrido bancário foi o único a sofrer um choque grande. O restante do book se mexeu na margem. Por isso o ângulo deste texto não é “renda fixa hoje em lista”. É a tabela de indiferença datada, com foco no CDB IPCA+ que mais mudou.
Há ainda um destaque patrocinado no book de 12/08: CDB do Banco XP a IPCA+ 8,050% com vencimento em agosto de 2032. Ele fica acima do teto “headline” de 7,80%, mas é oferta longa e específica. Use como exemplo de prazo longo, não como teto geral do dia.
Por que o mercado apertou o IPCA+ bancário?
O cenário ajuda a explicar a pressão. O contrato DI para janeiro de 2028 fechou a 13,905%, alta de 8 pontos-base frente a 13,825%. O DI de janeiro de 2035 foi a 14,530%. Nos indicadores de 12/08, a Selic estava em 14%, o DI em 13,90% e o IPCA em 4,44% em 12 meses.
A inflação de julho veio a +0,07% no mês, acima da mediana de 0,03% do consenso. O acumulado em 12 meses voltou abaixo do teto da meta (4,5%) pela primeira vez desde abril. Ainda assim, o Banco Central do Brasil segue sinalizando atenção à demanda e a riscos climáticos, com El Niño no radar e ata do Copom fresca. Pesquisa eleitoral também entrou na conversa do mercado.
Para quem investe, a leitura prática é simples: juros reais bancários no IPCA+ ficaram menos generosos no cartaz, mas o prefixado e o pós mantiveram atratividade relativa. A pergunta muda de “quanto paga o híbrido” para “quanto sobra depois do IR frente ao isento”.
Como funciona a tabela de indiferença (IR + gross-up)
A tabela de indiferença responde a uma pergunta objetiva: qual taxa bruta de CDB empata com uma LCI ou LCA isenta, depois do Imposto de Renda? Se o CDB do book estiver acima desse ponto, ele vence no líquido. Se estiver abaixo, o isento vence.
O CDB é um empréstimo que o investidor faz ao banco em troca de uma remuneração. A LCI e a LCA são investimentos isentos de Imposto de Renda para pessoa física, ligados ao setor imobiliário e ao agronegócio, respectivamente. Sem comparar na mesma base, você mistura maçã com laranja.
A tabela regressiva do IR sobre renda fixa tributada, para pessoa física — conforme as regras divulgadas pela Receita Federal — funciona assim:
| Prazo do título | Alíquota de IR | Fator líquido (1 − IR) | Ponto de indiferença vs CDB 100% CDI |
|---|---|---|---|
| Até 180 dias | 22,5% | 0,775 | 77,5% do CDI |
| 181 a 360 dias | 20% | 0,80 | 80% do CDI |
| 361 a 720 dias | 17,5% | 0,825 | 82,5% do CDI |
| Acima de 720 dias | 15% | 0,85 | 85% do CDI |
A fórmula de bolso do gross-up é: taxa bruta equivalente = taxa isenta ÷ (1 − IR). Se a LCI paga 80,5% do CDI e o prazo cai na faixa de 17,5%, o equivalente bruto é 80,5 ÷ 0,825 ≈ 97,58% do CDI. Qualquer CDB acima disso vence no líquido.
Para entender o método com calma, vale revisitar como fazer o gross-up e a explicação das alíquotas de 22,5% a 15%. O essencial aqui: use sempre o prazo do título para escolher a alíquota. Nos recortes “12 meses” ou “mais de 1 ano” do book, a faixa típica é 361 a 720 dias (IR 17,5%). Acima de dois anos, use 15%.
Um cuidado no IPCA+: o imposto incide sobre o rendimento (cupom mais variação do índice, na prática de apuração). Para a indiferença de bolso, aplicamos o fator 0,825 ou 0,85 sobre o cupom real anunciado. É aproximação útil para comparar cartazes, não substituto de um simulador fiscal completo.
Tabela de indiferença CDB LCI LCA agosto 2026: pós-fixado
No pós-fixado, a remuneração acompanha o CDI, a taxa de referência dos investimentos em renda fixa, próxima à Selic. O book de 12/08 trouxe CDB a 100,25% do CDI em 12 meses, LCI a 80,5% e LCA a 84%.
Resposta direta: com IR de 17,5% (prazo de cerca de um a dois anos), o CDB a 100,25% do CDI vence a LCI a 80,5%, mas perde para a LCA a 84%. Se o prazo cair na faixa de 20% (até 360 dias), a LCI pode empatar ou vencer por margem estreita. Acima de 720 dias, com IR de 15%, o CDB volta a ganhar da LCA.
LCI 80,5% do CDI vs CDB 100,25%
| Faixa de IR | Equivalente bruto da LCI 80,5% | CDB do book | Vencedor no líquido* |
|---|---|---|---|
| 17,5% (361 a 720 dias) | ≈ 97,58% CDI | 100,25% CDI | CDB (líq. ≈ 82,7% CDI vs 80,5%) |
| 20% (181 a 360 dias) | ≈ 100,63% CDI | 100,25% CDI | LCI (margem estreita) |
Traduzindo: no prazo típico de um ano do book, o CDB “100 e pouco” ainda sobra frente à LCI 80,5%. Mas se você estiver preso a um vencimento mais curto, na faixa de 20%, a conta vira. Esse detalhe é exatamente o tipo de nuance que o cartaz bruto esconde.
LCA 84% do CDI vs CDB 100,25%
| Faixa de IR | Equivalente bruto da LCA 84% | CDB do book | Vencedor no líquido* |
|---|---|---|---|
| 17,5% | ≈ 101,82% CDI | 100,25% CDI | LCA |
| 15% (>720 dias) | ≈ 98,82% CDI | 100,25% CDI | CDB |
Aqui a dualidade fica clara. Em um a dois anos, a LCA a 84% do CDI ganha do CDB a 100,25%. No longo prazo, com alíquota de 15%, o tributado recupera a vantagem. Não generalizar o pós: o veredito depende do prazo e do produto isento (LCI ou LCA).
*Comparação de tetos do book, não de um par com o mesmo emissor, liquidez ou cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que protege até R$ 250 mil por CPF por instituição. Taxa não é o único critério.
O que isso significa para o seu dinheiro
Imagine R$ 100 mil aplicados por cerca de um ano, com CDI próximo de 14% ao ano (referência de mercado alinhada à Selic de 14%). Um CDB a 100,25% do CDI rende, em termos brutos, cerca de 14,035% ao ano. Com IR de 17,5% sobre o rendimento, o líquido aproximado fica na casa de 11,58% (cerca de 82,7% do CDI).
A LCI a 80,5% do CDI entrega cerca de 11,27% sem IR. A LCA a 84% entrega cerca de 11,76% sem IR. Nesse exercício de bolso, a ordem no líquido fica: LCA, depois CDB, depois LCI. Mude o prazo para mais de dois anos e a ordem pode mudar de novo.
Para ter dimensão: 50 pontos-base de diferença líquida em R$ 100 mil são cerca de R$ 500 por ano. Não é fortuna. Também não é irrelevante quando você soma prazo, renovação e o hábito de olhar só o bruto. A tabela de indiferença existe justamente para evitar esse erro silencioso.
Prefixado: LCI 11% e LCA 10,89% ainda perdem para o CDB 14,50%?
No prefixado, a taxa é conhecida desde o início e não varia com o CDI nem com a inflação. O book de 12/08 trouxe CDB a 14,50% acima de 12 meses, LCI a 11% e LCA a 10,89%.
Resposta direta: sim, nos tetos de 12/08 e com IR de 17,5%, o CDB prefixado a 14,50% ainda vence a LCI a 11% e a LCA a 10,89% no líquido.
| Par do book (12/08) | Equivalente bruto do isento (IR 17,5%) | CDB do book | Vencedor no líquido |
|---|---|---|---|
| LCI pré 11% vs CDB pré 14,50% | 11 ÷ 0,825 ≈ 13,33% | 14,50% | CDB (líq. ≈ 11,96% vs 11%) |
| LCA pré 10,89% vs CDB pré 14,50% | 10,89 ÷ 0,825 ≈ 13,20% | 14,50% | CDB |
O movimento do dia até reforçou a LCI prefixada (+51 bps), mas não foi suficiente para cruzar o ponto de indiferença frente ao CDB a 14,50%. O tributado caiu só 15 bps e manteve folga.
Se você já leu a análise do book XP do prefixado em outra data, o método é o mesmo. O que muda é o número do cartaz. Em 12/08, com 14,50% no CDB e 11% na LCI, o bruto tributado ainda “carrega” o IR de 17,5% e sobra.
Exemplo com R$ 50 mil em um ano, taxa fixa, sem considerar IOF (relevante só abaixo de 30 dias) nem reinvestimento:
- CDB 14,50%: rendimento bruto ≈ R$ 7.250; IR 17,5% ≈ R$ 1.269; líquido ≈ R$ 5.981 (cerca de 11,96%).
- LCI 11%: rendimento líquido ≈ R$ 5.500.
- Diferença aproximada a favor do CDB: cerca de R$ 481 no período.
A margem não é absurda. Também não é zero. E some rápido se a sua oferta real de CDB estiver bem abaixo do teto do book, ou se a LCI disponível estiver acima de 11%. Sempre compare o que você realmente consegue travar no app, não só o máximo do dia.
Book XP CDB IPCA a 7,80%: a LCA isenta a 6,03% ainda vence?
Este é o coração do dia. O CDB IPCA+ é um título híbrido: paga a variação do IPCA, o índice que mede a alta geral dos preços, mais um cupom real fixo. A LCA IPCA+ faz o mesmo, porém isenta de IR para pessoa física. No recorte do book XP CDB IPCA, o teto do híbrido é exatamente o que mais se mexeu.
Resposta direta: mesmo após a queda de 147 pontos-base, o teto de CDB IPCA+ a 7,80% ainda supera a LCA IPCA+ a 6,03% no líquido, tanto com IR de 17,5% quanto com 15%.
| Cenário | Equivalente bruto da LCA 6,03% | CDB IPCA+ do book | Vencedor no líquido |
|---|---|---|---|
| IR 17,5% (>1 ano típico) | 6,03 ÷ 0,825 ≈ 7,31% | 7,80% | CDB (líq. ≈ 6,44% vs 6,03%) |
| IR 15% (>720 dias) | 6,03 ÷ 0,85 ≈ 7,09% | 7,80% | CDB (líq. ≈ 6,63% vs 6,03%) |
| Referência terça: CDB 9,27% vs LCA 6,16% | ≈ 7,47% | 9,27% | CDB com folga maior |
Leia com cuidado. A vantagem do CDB encolheu. Na terça, com 9,27% contra um equivalente de cerca de 7,47%, a folga era larga. Na quarta, com 7,80% contra 7,31%, a margem líquida ficou bem mais estreita (cerca de 0,41 ponto percentual no cupom real após IR de 17,5%). Ainda assim, nos tetos do book, o tributado continua na frente.
Se a sua oferta real de CDB IPCA+ estiver entre 6,5% e 7,0% e a LCA disponível perto de 6,0%, o empate muda. Aí o isento pode vencer. O cartaz de 7,80% não garante que a sua corretora tenha exatamente esse papel no momento em que você clicar.
O destaque do Banco XP a IPCA+ 8,05% até agosto de 2032 ilustra outro ponto: prazo longo. Com mais de dois anos, a alíquota cai para 15% e o líquido do cupom sobe. Em troca, você trava liquidez e duration maiores: o prazo médio ponderado do título fica mais longo, e o preço de mercado (se houver marcação) reage mais a mudanças de juros reais.
Quando preferir o híbrido ao pós?
IPCA+ faz mais sentido quando você quer proteger o poder de compra e acredita que a inflação pode surpreender para cima, ou quando quer travar um juro real contratado. CDI puro faz mais sentido quando a prioridade é acompanhar a Selic alta e manter flexibilidade de cenário de juros nominais.
Com IPCA em 4,44% em 12 meses e Selic em 14%, o juro real ex-post está elevado. Isso não garante o futuro. Ajuda a explicar por que o mercado ainda paga bem no prefixado e no pós, e por que o cupom IPCA+ bancário pode oscilar forte de um dia para o outro. Para o dilema CDI versus inflação, há um recorte complementar sobre quando preferir IPCA+ ao CDI.
Onde podem estar as oportunidades
Olhando só os tetos de 12/08, três leituras práticas se destacam:
- Pós curto a médio: LCA a 84% do CDI tende a vencer o CDB a 100,25% na faixa de 17,5%. LCI a 80,5% perde nessa faixa, mas pode empatar ou ganhar se o prazo cair em 20%.
- Prefixado ~1 ano: CDB a 14,50% ainda supera LCI 11% e LCA 10,89% no líquido, com folga confortável nos tetos.
- Híbrido: CDB IPCA+ a 7,80% ainda supera LCA a 6,03% após IR, mas a margem encolheu demais para decidir “no olho”. Calcule.
Há também a leitura de diversificação de indexador. Montar uma cesta com um pedaço em CDI, um em prefixado e um em IPCA+ reduz a dependência de um único cenário. A taxa do dia importa. O desenho da carteira importa mais ao longo de 12 a 36 meses.
E há a leitura de oferta real versus teto. Books mudam de manhã para a tarde. Capacidade do emissor se esgota. Antes de decidir, vale comparar as taxas disponíveis: a Meelion reúne opções de CDB, LCI e LCA de diferentes bancos para você simular o líquido com o prazo certo.
Checklist: prazo, FGC, liquidez e o próximo passo
Taxa bruta sem contexto é ruído. Antes de travar qualquer papel do book, passe por este filtro:
- Prazo e alíquota: confirme o vencimento. Sem isso, a tabela de indiferença não fecha.
- Gross-up do isento: divida a taxa da LCI/LCA por 0,775, 0,80, 0,825 ou 0,85 conforme a faixa.
- Compare com o CDB real: não com o teto do jornal, e sim com a oferta que aparece no seu app.
- FGC: CDB, LCI e LCA entram na cobertura de até R$ 250 mil por CPF por instituição (conglomerado). Diversifique emissores se o volume for alto.
- Liquidez e carência: muitos isentos têm carência ou liquidez só no vencimento. Um CDB com liquidez diária pode “perder” no cartaz e ainda assim ser melhor para a reserva.
- Marcação e duration: títulos longos IPCA+ ou prefixados podem oscilar a mercado. Se o objetivo é carregar até o vencimento, o ruído de preço importa menos.
- IOF: resgates em menos de 30 dias sofrem IOF regressivo. Para a reserva de curtíssimo prazo, isso muda a conta.
Se quiser contrastar com outro recorte de plataforma, há também a análise dos tetos XP em outra data, útil para ver como o mesmo método se comporta quando o Copom está no radar.
O olhar da Meelion
O book de 12/08 não anuncia o fim do CDB IPCA+. Anuncia que a folga frente ao isento ficou estreita demais para decisões automáticas. No pós, a LCA a 84% do CDI continua sendo a peça que mais desafia o CDB “100 e pouco” no prazo intermediário. No prefixado, o tributado ainda carrega vantagem nos tetos. No híbrido, o veredito favorece o CDB a 7,80% frente à LCA a 6,03%, mas só se a oferta real estiver perto desse teto.
A disciplina que separa o investidor sofisticado do impulsivo é prosaica: abrir a tabela de indiferença, escolher a alíquota pelo prazo e só então comparar. Sem gross-up, o cartaz mente por omissão.
Perguntas frequentes
O que é ponto de indiferença entre CDB e LCI/LCA?
É a taxa bruta de CDB que, depois do IR, empata com a taxa isenta da LCI ou da LCA. Acima desse ponto, o CDB vence no líquido. Abaixo, o isento vence.
Por que o CDB IPCA+ caiu tanto de um dia para o outro?
Os tetos do book refletem oferta e demanda do dia na plataforma, além do humor dos juros futuros. Em 12/08, o DI jan/28 subiu e o recorte IPCA+ bancário apertou 147 bps. Não é necessariamente uma mudança estrutural permanente; é o cartaz daquele dia.
LCI e LCA continuam isentas de IR para pessoa física?
No cenário atual, sim, para pessoa física. A discussão de mudanças tributárias futuras não deve ser tratada como fato consumado na hora de comparar taxas de hoje.
Posso usar a mesma tabela para debêntures ou CRI/CRA?
Não automaticamente. Debêntures (títulos de dívida de empresas) e CRI/CRA têm regras próprias de tributação, risco de crédito e, em muitos casos, ausência de FGC. A lógica do gross-up inspira, mas a comparação precisa ser específica.
O CDB a 100,25% do CDI sempre ganha da LCI a 80,5%?
Não. Com IR de 17,5%, sim, nos números de 12/08. Com IR de 20%, a LCI a 80,5% fica no equivalente de cerca de 100,63% do CDI e pode vencer por margem estreita.
Vale olhar só o cupom IPCA+ ou o IPCA projetado também?
Para escolher entre dois IPCA+ (CDB vs LCA), o cupom real após IR basta para a indiferença relativa. Para escolher entre IPCA+ e CDI, aí entram expectativa de inflação, Selic e o horizonte do seu objetivo.
O destaque IPCA+ 8,05% do Banco XP muda o veredito do dia?
Ele mostra que há ofertas longas acima do teto headline de 7,80%. Não substitui o teto geral do book nem elimina a necessidade de conferir liquidez, emissor e prazo antes de comparar com a LCA a 6,03%.
Erros comuns ao comparar CDB, LCI e LCA
- Comparar bruto com isento sem gross-up. É o erro número um. A taxa maior no cartaz pode ser menor no bolso.
- Ignorar o prazo na hora de escolher a alíquota. 15% e 17,5% mudam o vencedor no pós e encolhem ou ampliam a folga no IPCA+.
- Tratar o teto do book como oferta garantida. Capacidade do dia se esgota; emissores e mínimos variam.
- Esquecer liquidez. Uma LCI “campeã” no vencimento pode ser péssima para dinheiro que pode ser necessário em três meses.
- Concentrar acima do FGC. R$ 250 mil por CPF por instituição é o teto da proteção. Acima disso, o risco de crédito importa de verdade.
- Misturar objetivos. Reserva de emergência, viagem em 18 meses e aposentadoria pedem indexadores e prazos diferentes.
Conclusão
Na quarta-feira 12/08/2026, o book XP CDB IPCA deixou um recado claro para quem investe em renda fixa: o híbrido ainda pode vencer a LCA isenta no líquido, mas a vantagem ficou estreita depois da queda a 7,80%. No pós, o veredito depende do prazo e de LCI versus LCA. No prefixado, o CDB a 14,50% ainda supera os isentos do cartaz após IR de 17,5%.
Use a tabela de indiferença como hábito, não como exceção. Compare o que você realmente consegue aplicar, calibre pelo prazo e só então escolha. Investir com consciência, neste caso, é menos sobre adivinhar o próximo movimento do DI e mais sobre não deixar o Imposto de Renda decidir por você sem aviso.
Este artigo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento.
Glossário
- Selic: taxa básica de juros da economia brasileira. Influencia empréstimos, financiamentos e a remuneração da renda fixa.
- IPCA: índice que mede a alta geral dos preços (inflação oficial ao consumidor).
- CDI: taxa de referência dos investimentos em renda fixa, próxima à Selic.
- CDB: Certificado de Depósito Bancário; empréstimo que o investidor faz ao banco em troca de uma remuneração.
- LCI: Letra de Crédito Imobiliário; investimento isento de IR para pessoa física, ligado ao crédito imobiliário.
- LCA: Letra de Crédito do Agronegócio; investimento isento de IR para pessoa física, ligado ao agronegócio.
- FGC: Fundo Garantidor de Créditos; protege até R$ 250 mil por CPF por instituição em produtos elegíveis como CDB, LCI e LCA.
- Gross-up: ajuste que transforma uma taxa isenta na taxa bruta equivalente, para comparar com um título tributado.
- Ponto de indiferença: taxa em que, após o IR, CDB e LCI/LCA empatam no líquido.
- IR regressivo: tabela de Imposto de Renda em que a alíquota cai conforme o prazo do investimento (22,5% a 15%).
- Prefixado: título com taxa fixa conhecida desde a aplicação.
- Pós-fixado: título cuja remuneração acompanha um indexador, em geral o CDI.
- Híbrido (IPCA+): título que combina variação da inflação com um cupom real fixo.
- Duration: prazo médio ponderado de um título; quanto maior, mais sensível a variações de juros.
- Book bancário: recorte diário dos melhores tetos de taxas oferecidos por bancos em uma plataforma.
- DI futuro: contrato que reflete a expectativa de juros do mercado para uma data futura.
- bps (pontos-base): unidade igual a 0,01 ponto percentual; 100 bps equivalem a 1 ponto percentual.
Fontes Consultadas
- InfoMoney : Renda Fixa Hoje 12/08/2026 : https://www.infomoney.com.br/onde-investir/renda-fixa-hoje-12082026/
- InfoMoney : Renda Fixa Hoje 11/08/2026 : https://www.infomoney.com.br/onde-investir/renda-fixa-hoje-11082026/
- InfoMoney : Inflação volta à meta; cenário externo e El Niño : https://www.infomoney.com.br/economia/inflacao-volta-a-meta-mas-cenario-externo-e-el-nino-preocupam-economistas-e-bc/
- Meelion : Indicadores financeiros : https://www.meelion.com/indicadores-financeiros/
- Banco Central : Relatório Focus : https://www.bcb.gov.br/focus
- XP Investimentos : Relatórios de renda fixa : https://conteudos.xpi.com.br/renda-fixa/relatorios/
- Adriano Freire : Guia renda fixa pós-Selic 2026 : https://www.adrianofreire.com.br/materiais/guia-renda-fixa-pos-selic-2026
- InfinitePay : Imposto de Renda no CDB : https://www.infinitepay.io/blog/imposto-de-renda-cdb
- Meelion : Gross-up na renda fixa : https://www.meelion.com/blog/renda-fixa/gross-up-na-renda-fixa-compare-lci-lca-e-cdb/
- Estadão E-Investidor : Investimentos : https://einvestidor.estadao.com.br/investimentos/

Dan Printes é fundador da Meelion e empreendedor na área de tecnologia. Atua com inteligência artificial, produtos digitais e investimentos, com especial interesse em renda fixa e na aplicação de tecnologia para tornar decisões financeiras mais simples e inteligentes. Neste espaço, compartilha insights sobre investimentos, economia, renda fixa e outros temas relacionados ao mercado financeiro.



