Comunicado Copom setembro 2026: o 0,25 já está no preço

Há semanas em que o mercado discute o número. Há semanas em que o mercado discute a frase. Esta reunião do Copom, marcada para 15 e 16 de setembro de 2026, parece pertencer ao segundo tipo.

Quem acompanha as Opções de Copom da B3 já viu o termômetro quase no teto: cerca de 95% de probabilidade de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira. Em outras palavras, a ida de 14% para 13,75% ao ano já está no preço. O comunicado Copom setembro 2026, por outro lado, ainda carrega a dúvida que realmente mexe na carteira de renda fixa: pausa até o fim do ano ou sinal de continuidade em novembro e dezembro?

A surpresa do corte tende a ser pequena. O que ainda está em aberto é o texto da autoridade monetária: como Selic, IPCA, DI e Focus se cruzam nesta Super Quarta com o Fed, e o que fazer (e o que evitar) na renda fixa depois das 18h30 de quarta-feira.

Por que 95% nas Opções de Copom já “matou” a surpresa do 0,25

Traduzindo sem jargão: as Opções de Copom da B3 são um termômetro negociado em bolsa que agrega apostas sobre o tamanho do movimento da Selic na próxima reunião. Não são um produto para a carteira do investidor comum. Servem como leitura de probabilidade, com a mesma lógica de um “mercado de expectativas”.

No fechamento de 8 de setembro de 2026, esse termômetro apontava cerca de 95% de chance de corte de 0,25 ponto percentual e apenas cerca de 3,5% de chance de manutenção em 14%. A B3 também registrou 3.265.117 contratos em aberto naquele dia, contra 3.186.783 em 11 de agosto: um avanço de cerca de 2,5%, sinal de engajamento renovado na aposta do corte.

Esse detalhe importa. Quando a probabilidade chega perto de 95%, o preço dos ativos de juros já incorpora o cenário-base. Prefixo curto, DI futuro e parte da curva já “pagaram” a história do 13,75%. Quem espera uma reação forte só porque a Selic caiu 0,25 ponto costuma se frustrar: o mercado reage ao que ainda não sabia, não ao que já precificou.

O precedente de agosto reforça o ponto. Naquele Copom, a Selic saiu de 14,25% para 14%, em ritmo gradual, e o comunicado ganhou tom mais neutro e dependente de dados. O número veio alinhado ao consenso. O debate, de novo, foi o texto. Em setembro, o padrão se repete com mais força: o print da taxa é quase consenso; o caminho depois de setembro não é.

Há um risco residual de surpresa no próprio número: manutenção em 14% ou, no extremo oposto, um corte maior. Com 3,5% precificado na manutenção, esse risco existe, mas é pequeno. O investidor de renda fixa ganha mais tempo se preparar para o que o comunicado diz sobre o ciclo do que se tentar “adivinhar” um desvio de 0,25 ponto.

Comunicado Copom setembro 2026: o que o mercado ainda debate

Vamos do começo. O Copom é o Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil. Em geral, reúne-se por dois dias. Em 2026, a decisão de setembro cai nos dias 15 e 16. A divulgação do comunicado costuma ocorrer após o segundo dia, por volta das 18h30. A ata, documento mais detalhado, sai em até quatro dias úteis.

Na prática, a decisão tem duas camadas. A primeira é a taxa: Selic em 14% ou 13,75% (ou outro valor, se houver surpresa). A segunda é a comunicação: o comitê descreve o cenário, o balanço de riscos e, às vezes, dá pistas sobre os próximos passos. Nem sempre há forward guidance explícito, a orientação clara sobre o que virá nas próximas reuniões. Desde agosto, a leitura predominante é de cautela e dependência de dados.

Casas como Itaú BBA e C6 Bank trabalham com o corte a 13,75% e, no restante de 2026, a hipótese de pausa: a Selic pararia nesse patamar até o fim do ano, sem antecipar novos cortes. Outras leituras, na imprensa e no mercado, admitem que a porta para novembro e dezembro pode ficar entreaberta se a inflação e a atividade cooperarem. O consenso Focus, de acordo com a cobertura pré-reunião, mantém a Selic em 13,75% no fim de 2026. Ou seja: o mercado médio já vê setembro como o último corte do ano, mas o comunicado precisa confirmar ou suavizar essa narrativa.

Por que essa distinção muda tudo para quem investe? Porque produtos pós-fixados, atrelados ao CDI (a taxa de referência da renda fixa, próxima à Selic) ou à própria Selic, acompanham o juro corrente. Prefixo e a curva de DI reagem ao caminho esperado dos juros. Se o texto sugerir pausa, o mercado pode travar a ideia de que “acabou o ciclo por enquanto”. Se o texto abrir espaço a novos cortes, a curva pode precificar mais queda à frente, com impacto imediato em títulos prefixados e, de forma diferente, em IPCA+.

Quem já acompanhou debates como como o comunicado muda pré ou CDI sabe: o mesmo corte de 0,25 ponto pode ter efeitos opostos em carteiras distintas, conforme o tom. Setembro de 2026 é a versão concentrada dessa lição.

O olhar da Meelion

O ângulo útil não é disputar a manchete “Selic vai a 13,75%”. É tratar o comunicado Copom setembro 2026 como o evento que define se a renda fixa opera em modo “juro ainda alto por mais tempo” ou em modo “ciclo ainda vivo”. Reserva e liquidez continuam bem servidas em pós-fixados. Já a decisão de travar prazo e taxa exige leitura do texto, não só do número.

Números que importam: Selic, IPCA, DI, Focus e a Super Quarta

Antes dos produtos, o mapa de indicadores com data. Em 14 de setembro de 2026, a Selic vigente estava em 14,00%, com a próxima reunião do Copom em 16/09; o IPCA em 12 meses em 4,22%; e o DI em cerca de 13,90%. As projeções de mercado usadas neste texto apontam Selic de 13,75% no fim de 2026 e 12% em 2027, com IPCA de 5% em 2026 e 4,29% em 2027. Números de mercado mudam; use-os como fotografia do dia, não como destino certo.

O IPCA de agosto, o índice que mede a alta geral dos preços, veio negativo no mês (−0,32%), com acumulado de 4,22% em 12 meses e 3,11% no ano. A meta de inflação do Banco Central é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Em termos simples: a inflação recente aliviou no mês, mas o acumulado em 12 meses ainda está acima do centro da meta. Esse alívio ajuda o argumento do corte, sem fechar o caso de um ciclo acelerado.

Do lado da atividade, o PIB do segundo trimestre avançou 0,5%, enquanto o consumo das famílias recuou 0,4%. Crescimento moderado com consumo mais fraco é o tipo de combinação que o Copom lê com atenção: menos pressão de demanda no curto prazo, mas sem a economia “parando” de forma abrupta.

No Focus, as expectativas para a inflação de médio prazo ainda merecem cuidado. Análises pré-Copom citam IPCA esperado em 4,29% para 2027 e 3,80% para 2028, ambos acima da meta de 3%. Enquanto o horizonte médio não convergir com conforto para a meta, a comunicação cautelosa tende a prevalecer, mesmo com corte técnico de 0,25 ponto.

IndicadorReferência (dados pré-Copom)Leitura prática
Selic vigente14,00% a.a. (14/09/2026)Piso do CDI e referência dos pós-fixados
Corte esperado0,25 p.p. (~95% nas Opções B3)Selic em 13,75% se confirmado
IPCA 12 meses4,22%Acima do centro da meta (3%)
DI~13,90%Termômetro de juros futuros de curto prazo
Focus Selic fim 202613,75%Cenário médio de pausa após setembro

Há ainda o fator Super Quarta. No mesmo dia da decisão brasileira, o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, também se reúne. Segundo leituras baseadas no CME FedWatch citadas na imprensa, havia cerca de 60% de chance de alta de 0,25 ponto nos juros americanos. Brasil cortando e Estados Unidos apertando (ou ao menos mantendo tom restritivo) não é combinação rara, mas aumenta a volatilidade de câmbio e da curva de juros local. Para o investidor de renda fixa, o ponto não é “prever o Fed”. É saber que o DI e os prefixados podem oscilar por ruídos externos mesmo quando o Copom entrega exatamente o 0,25 esperado.

Nos dias que antecedem a reunião, as taxas dos DIs também subiram na esteira de pesquisas eleitorais e da alta do petróleo. Esses ruídos reforçam a mensagem: a curva já está sensível. O comunicado Copom setembro 2026 chega em terreno nervoso, não em terreno calmo.

Como o tom do comunicado mexe em CDI, prefixado curto e IPCA+

Agora o ponto central: o mesmo 0,25 ponto não significa a mesma coisa para todos os produtos. Vamos separar três famílias da renda fixa e o que cada uma “ouve” no texto do Banco Central.

Pós-fixados (% do CDI, CDB, LCI, LCA, Tesouro Selic)

Um CDB, empréstimo que o investidor faz ao banco em troca de uma remuneração, atrelado a percentual do CDI, acompanha o juro corrente. Se a Selic cai de 14% para 13,75%, a remuneração futura desses produtos tende a ser um pouco menor, na proporção do juro. Não há, em geral, “prêmio” de surpresa no dia do Copom: o rendimento simplesmente segue a nova referência.

Para ter dimensão, imagine R$ 100 mil em um CDB a 120% do CDI. Com CDI próximo de 14%, a taxa bruta anualizada gira em torno de 16,8% ao ano (sem IR e sem considerar marcação de prazo). Se o CDI acompanha a Selic a 13,75%, 120% do CDI cai para cerca de 16,5% ao ano. A diferença de 0,3 ponto percentual ao ano, sobre R$ 100 mil, é da ordem de R$ 300 em doze meses, antes de impostos. É ilustrativo: depende do CDI efetivo, do prazo e da tributação.

Em 14 de setembro de 2026, o mercado mostrava CDBs ilustrativos na faixa de cerca de 116% a 124% do CDI, com taxas líquidas anuais ilustrativas entre cerca de 14,0% e 14,9% (por exemplo, papéis citados no snapshot do dia em plataformas como Guide e Nubank). Essas taxas mudam com frequência e estão sujeitas a alteração. O que não muda é a lógica: pós-fixados continuam sendo o porto da liquidez e da reserva enquanto o juro real permanece elevado.

LCI e LCA, investimentos isentos de Imposto de Renda ligados ao setor imobiliário e ao agronegócio, seguem a mesma lógica de indexação quando são pós-fixados ao CDI: o comunicado importa menos para o “preço de mercado” do dia e mais para a remuneração futura. Tesouro Selic, título do governo atrelado à taxa básica, acompanha o mesmo raciocínio com liquidez diária (respeitadas as regras do Tesouro Direto).

Prefixados curtos

Prefixados “ouvem” o caminho da Selic. Se o mercado acredita em mais cortes à frente, o preço de um título prefixado tende a subir (taxa cai) porque o investidor aceita travar uma taxa menor quando espera juros menores no futuro. Se o mercado acredita em pausa ou em juros altos por mais tempo, o prefixado pode perder preço no curto prazo (taxa sobe), mesmo com o corte de 0,25 já entregue.

Esse detalhe separa dois comportamentos: carregar até o vencimento versus marcar a mercado. Quem compra um prefixado e leva até o fim recebe a taxa contratada, desde que o emissor honre o pagamento. Quem precisa vender antes enfrenta a marcação a mercado: o preço sobe ou desce conforme a curva. O comunicado mexe principalmente nessa segunda dinâmica.

Quem pensa em travar o prefixado curto antes do Copom deve separar intenção de compra (alocar e carregar) de intenção de timing (comprar esperando valorização no dia seguinte). São decisões diferentes. A primeira depende do seu prazo e da taxa oferecida. A segunda depende de o mercado ainda não ter precificado o tom do texto, o que, com 95% no corte, é um jogo mais fino.

IPCA+ e a proteção real

Títulos IPCA+ pagam a variação da inflação mais uma taxa real prefixada. Eles reagem à inflação esperada e à curva de juros reais. Se o comunicado for cauteloso e o Focus seguir com IPCA de médio prazo acima da meta, o prêmio real pode permanecer atrativo, mas a marcação a mercado também oscila com o DI e com as expectativas. A dúvida “travar IPCA+ agora ou esperar” não se resolve só com o corte de setembro; depende de como o mercado lê a convergência da inflação. O debate sobre Focus e a decisão entre IPCA+ e esperar continua válido depois das 18h30.

O que isso significa para o seu dinheiro

Três cenários simples, sem inventar o texto do comunicado:

  1. Corte a 13,75% + tom de pausa: pós-fixados rendem um pouco menos daqui para frente, mas o juro continua alto em termos históricos. Prefixo curto pode reagir pouco se a pausa já estiver no preço do Focus. Liquidez e reserva seguem em CDI/%CDI.
  2. Corte a 13,75% + porta aberta a novos cortes: a curva pode precificar continuidade. Prefixo e partes da curva de DI tendem a reagir mais. Quem já posicionou pré curto “para carregar” pode ver marcação favorável; quem precisa de liquidez imediata não deveria depender disso.
  3. Manutenção em 14% (baixa probabilidade nas Opções): o mercado reagiria à surpresa. Pós-fixados seguiriam no patamar atual. Prefixo poderia sofrer no curto prazo se a curva esperava o corte. É o cenário de menor probabilidade no termômetro da B3, mas não é impossível.

Em todos os casos, a regra de ouro permanece: o corte de 0,25 ponto quase certo não “destrói” a renda fixa. Ele apenas recalibra a remuneração corrente. O que redefine a alocação entre pós, pré e IPCA+ é a narrativa do ciclo — e é por isso que o comunicado Copom setembro 2026 pesa mais que o print da taxa.

FamíliaO que acompanhaSensibilidade ao comunicadoUso típico
Pós-fixado (% CDI / Selic)Juro correnteBaixa no dia; média no rendimento futuroReserva e liquidez
Prefixado curtoCaminho esperado da SelicAlta na marcação a mercadoTravar taxa com prazo definido
IPCA+Inflação + juro realMédia a alta, via expectativasProteção do poder de compra

Checklist pós-18h30: o que fazer (e o que não fazer)

Quando o comunicado sair, resista ao impulso de “agir porque o mercado está agindo”. Um checklist curto ajuda a transformar o texto em decisão, sem transformar a decisão em precipitação.

1. Leia o número, depois leia as frases-chave

Confirme a Selic. Em seguida, procure sinais de cautela, de dependência de dados e de referência ao calendário. Frases que enfatizam “dados futuros”, “balanço de riscos” e ausência de compromisso com o próximo passo costumam apontar para pausa ou para ritmo lento. Frases que reconhecem progresso mais claro da desinflação e espaço para continuidade abrem outra leitura. Não force o texto: se estiver ambíguo, trate a ambiguidade como informação.

2. Separe reserva, horizonte médio e horizonte longo

Dinheiro que você pode precisar em semanas ou poucos meses continua melhor em pós-fixados líquidos, com atenção ao FGC (o Fundo Garantidor de Créditos, que protege até R$ 250 mil por CPF por instituição) quando o produto for elegível. Horizonte de um a dois anos pode justificar prefixado curto, se a taxa contratada fizer sentido para você. Horizonte mais longo exige disciplina: prefixado longo e IPCA+ longo sofrem mais com duration, o prazo médio ponderado do título, quanto maior, mais sensível às variações de juros. O debate entre prefixado longo ou CDI até o Copom não se resolve em uma noite.

3. Não confunda marcação a mercado com “perdi dinheiro”

Se você comprou um prefixado para carregar até o vencimento e a taxa de mercado sobe no dia seguinte, o preço de venda cai. Isso não altera a taxa contratada se você não vender. A ansiedade pós-comunicado costuma misturar essas duas contas. Antes de rebalancear, pergunte: eu preciso do dinheiro agora ou estou reagindo à cotação?

4. Não use o Copom para “zerar” a carteira

Trocar tudo de %CDI para prefixado (ou o contrário) no intervalo de uma hora é, na maior parte das vezes, ruído. O ciclo de juros é um processo. Setembro pode ser o último corte de 2026 no cenário Focus, ou pode abrir espaço a novembro. Em ambos os casos, a Selic permanece em patamar elevado. Há tempo para decidir com calma.

5. Observe a Super Quarta sem se perder nela

Se o Fed apertar ou soar mais restritivo no mesmo dia, câmbio e DI podem oscilar. Isso não cancela o comunicado brasileiro, mas pode amplificar a volatilidade. Para a renda fixa local, o filtro continua sendo: o que o Copom disse sobre o ciclo doméstico? O resto é contexto.

6. Compare taxas reais de mercado, não manchetes

Depois do anúncio, as taxas de CDB, LCI, LCA e Tesouro mudam ao longo dos dias, não necessariamente no minuto seguinte. Antes de decidir, vale comparar as opções disponíveis. A Meelion reúne taxas de diferentes emissores para você simular e filtrar por prazo, indexador e proteção, com números atualizados em relação ao snapshot de 14/09 usado neste texto.

Onde podem estar as oportunidades

Enquanto o juro real permanecer alto e a inflação acumulada em 12 meses acima do centro da meta, pós-fixados de qualidade continuam úteis para a base da carteira. Prefixo curto faz sentido quando a taxa travada compensar o risco de carregar o título até o vencimento, não quando a aposta é “o mercado vai explodir de alegria com o 0,25”. IPCA+ ganha relevância se o seu objetivo é proteger poder de compra e o prêmio real ainda parece adequado ao seu prazo. Se o ciclo continuar além de setembro, a pergunta de novembro volta à mesa: se o ciclo continuar até novembro, o pré curto ainda vale? A resposta depende do tom de hoje e das taxas disponíveis amanhã.

Perguntas frequentes sobre o comunicado Copom setembro 2026

O corte de 0,25 ponto já está garantido?

Não. As Opções de Copom da B3, no fechamento de 8/09/2026, indicavam cerca de 95% de probabilidade, não certeza. Há cerca de 3,5% precificado em manutenção. O cenário-base do mercado é o corte a 13,75%, mas decisão é do Copom, não do termômetro.

Por que o comunicado importa mais que o número nesta reunião?

Porque o número já está amplamente precificado. O que ainda divide o mercado é o caminho: pausa em 13,75% até o fim de 2026 versus continuidade do ciclo. Prefixo e a curva de DI reagem a esse caminho; pós-fixados acompanham principalmente o juro corrente.

Meu CDB a 120% do CDI perde valor no dia do Copom?

Em geral, não no sentido de “preço cair como ação”. O CDB pós-fixado passa a render sobre um CDI um pouco menor se a Selic cair. A mudança é no rendimento futuro, não em um crash do principal. Produtos marcados a mercado (alguns fundos e títulos negociáveis) seguem outra lógica.

Devo comprar prefixado antes das 18h30?

Só se a decisão for de alocação com prazo e taxa que façam sentido para você, independentemente da reação de uma noite. Comprar só para “surfar” o comunicado, com 95% já no preço do corte, é outra aposta. Horizonte, liquidez e marcação a mercado precisam estar claros.

O que é a Super Quarta e por que ela importa?

É o dia em que Copom e Fed decidem juros quase juntos. Em setembro de 2026, o Brasil tende a cortar e os EUA podem apertar ou manter tom restritivo. Isso pode gerar volatilidade cambial e na curva de DI, mesmo com o Copom entregando o esperado.

Quando sai a ata e ela muda alguma coisa?

A ata sai em até quatro dias úteis após a decisão. Ela aprofunda o raciocínio do comitê. Às vezes confirma o tom do comunicado; às vezes nuança votos e riscos. Para a maior parte dos investidores de varejo, o comunicado já entrega a mensagem principal; a ata serve para quem quer calibrar o cenário com mais detalhe.

IPCA abaixo da meta no mês significa que o ciclo de cortes acelera?

Não automaticamente. O IPCA de agosto foi negativo no mês, mas o acumulado em 12 meses segue acima do centro da meta, e o Focus de médio prazo ainda projeta inflação acima de 3% em 2027 e 2028 nas leituras citadas pré-reunião. O Copom olha tendência, expectativas e balanço de riscos, não só um mês.

Como proteger seu patrimônio neste momento

Proteção, aqui, não significa fugir da renda fixa. Significa organizar a liquidez, respeitar prazos e não transformar o Copom em cassino de timing.

Mantenha a reserva de emergência em instrumentos líquidos e de baixo risco de crédito, preferencialmente com cobertura do FGC quando aplicável, ou em Tesouro Selic. Diversifique emissores para não concentrar acima do limite de proteção. Evite alongar demais a duration se você não tolera ver a cotação oscilar. E trate o comunicado como informação de alocação, não como ordem de compra e venda imediata.

Enquanto a Selic permanecer em dois dígitos e a inflação ainda exigir cautela do Banco Central, a renda fixa continua sendo o terreno natural para quem busca previsibilidade. O ciclo de cortes, quando ocorre de forma gradual, costuma ser longo o bastante para decidir com método.

Conclusão

O termômetro da B3 já disse o essencial sobre o número: o corte de 0,25 ponto, levando a Selic a 13,75%, é o cenário-base com cerca de 95% de probabilidade nas Opções de Copom. O comunicado Copom setembro 2026 é o que ainda pode reordenar a curva entre pausa e continuidade. Pós-fixados seguem o juro corrente. Prefixo e IPCA+ escutam o caminho. A Super Quarta com o Fed adiciona ruído, não substitui a leitura do texto brasileiro.

Depois das 18h30, leia o comunicado com calma, separe reserva de alocação de prazo, compare taxas atualizadas e só então ajuste o que fizer sentido para o seu horizonte. Este artigo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento. Decidir com clareza, neste ambiente de juro ainda alto, vale mais do que reagir à manchete do 0,25.

Glossário

  • Selic: taxa básica de juros da economia brasileira. Influencia empréstimos, financiamentos e a remuneração da renda fixa pós-fixada.
  • Copom: Comitê de Política Monetária do Banco Central, responsável por definir a Selic e comunicar a estratégia de juros.
  • Comunicado do Copom: texto oficial divulgado após a decisão, com a taxa e a leitura do cenário; costuma sair por volta das 18h30 no segundo dia da reunião.
  • Opções de Copom: contratos da B3 que funcionam como termômetro de probabilidade sobre o tamanho do movimento da Selic; não são produto típico da carteira de varejo.
  • CDI: taxa de referência da renda fixa, próxima à Selic, usada como indexador de CDBs, LCIs, LCAs e fundos.
  • IPCA: índice que mede a alta geral dos preços (inflação oficial ao consumidor).
  • DI (Depósito Interfinanceiro / taxa DI futura): referência de juros de curto e médio prazo negociada no mercado; espelha expectativas sobre a trajetória da Selic.
  • Focus: relatório semanal do Banco Central com expectativas de mercado para Selic, IPCA, PIB e outros indicadores.
  • CDB: empréstimo que o investidor faz ao banco em troca de uma remuneração, prefixada, pós-fixada ou híbrida.
  • LCI / LCA: investimentos isentos de Imposto de Renda ligados ao setor imobiliário (LCI) e ao agronegócio (LCA).
  • Tesouro Selic: título público atrelado à taxa básica, comprado via Tesouro Direto, com alta liquidez.
  • Prefixado: título cuja taxa de juros é definida na compra; a remuneração contratada não muda se carregado até o vencimento.
  • IPCA+: título que paga a variação do IPCA mais uma taxa real prefixada.
  • Marcação a mercado: atualização do preço de um título conforme as taxas vigentes; relevante se houver venda antecipada.
  • Duration: prazo médio ponderado de um título; quanto maior, mais sensível às variações de juros.
  • Forward guidance: indicação explícita do banco central sobre os próximos passos da política de juros.
  • FGC: Fundo Garantidor de Créditos, que protege até R$ 250 mil por CPF por instituição em produtos elegíveis.
  • Super Quarta: dia em que decisões de juros do Copom e do Federal Reserve (Fed) coincidem ou se sobrepõem na agenda.
  • Fed: Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos.

Fontes Consultadas

  • B3: Opções de Copom indicam 95% de chance de corte de 0,25 p.p. (https://www.b3.com.br/pt_br/noticias/opcoes-de-copom-da-b3-indicam-95-de-chance-de-corte-de-0-25-p-p-na-selic-em-setembro.htm)
  • InfoMoney: Opções indicam 95% de chance de corte de 0,25 ponto (https://www.infomoney.com.br/mercados/opcoes-indicam-95-de-chance-de-corte-de-025-ponto-na-selic-no-proximo-copom/)
  • R7 Conta em Dia: Selic deve baixar para 13,75% com cautela do BC (https://noticias.r7.com/prisma/conta-em-dia/taxa-selic-deve-baixar-para-1375-nesta-semana-mas-com-cautela-do-bc-13092026/)
  • Eu Quero Investir: Itaú BBA, corte a 13,75% e pausa em 2026 (https://euqueroinvestir.com/economia/itau-bba-corte-selic-13-75-pausa-2026)
  • UOL: Super Quarta, juros no Brasil e nos EUA (https://economia.uol.com.br/colunas/por-dentro-da-bolsa/2026/09/14/super-quarta-tem-juros-no-brasil-e-eua-veja-destaques-da-semana.htm)
  • UOL / Reuters: Taxas dos DIs sobem com pesquisas eleitorais e petróleo (https://economia.uol.com.br/noticias/reuters/2026/09/14/taxas-dos-dis-sobem-na-esteira-de-novas-pesquisas-eleitorais-e-alta-do-petroleo.htm)
  • Valor Econômico: Copom corta Selic para 14% e adota postura mais neutra (https://valor.globo.com/financas/noticia/2026/08/06/copom-corta-selic-para-14-e-adota-postura-mais-neutra.ghtml)
  • Valor Econômico: Datas do Copom 2026 (https://valor.globo.com/financas/noticia/2026/01/08/copom-datas-2026.ghtml)
  • Banco Central: Relatório Focus (https://www.bcb.gov.br/focus)
  • Meelion: Indicadores Selic (https://www.meelion.com/indicadores-financeiros/selic/)
  • Meelion: Comparar investimentos (https://www.meelion.com/renda-fixa/comparar-investimentos/)
Dan Mark Printes

Dan Printes é fundador da Meelion e empreendedor na área de tecnologia. Atua com inteligência artificial, produtos digitais e investimentos, com especial interesse em renda fixa e na aplicação de tecnologia para tornar decisões financeiras mais simples e inteligentes. Neste espaço, compartilha insights sobre investimentos, economia, renda fixa e outros temas relacionados ao mercado financeiro.

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