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Tesouro IPCA+ 8%: o que muda nas taxas após o Copom

Tesouro IPCA+ 8%: o que muda nas taxas após o Copom

Há semanas, a tela do Tesouro Direto tinha um número que se repetia com facilidade: Tesouro IPCA+ 8%. Para muita gente, aquilo virou referência rápida, quase um atalho mental. Se aparecia oito, a conversa começava. Se caía abaixo, a sensação era de que a janela tinha fechado.

Em 5 de agosto de 2026, o Copom cortou a Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, de 14,25% para 14% ao ano. No mesmo dia, ainda antes do anúncio, o Tesouro IPCA+ 2032 já operava perto de 8,09%. O símbolo do “oito fácil” começou a sair da tela. E com ele veio a dúvida que importa de verdade: o que fazer com o dinheiro quando a taxa real recua, mas ainda está rara no histórico?

Aqui você entende o que mudou nas taxas do Tesouro depois do Copom, por que a curva intermediária caiu mais que a ultralonga, e como decidir entre carregar IPCA+, misturar com pós-fixado ou esperar com mais clareza. Sem euforia de marcação a mercado. Sem tratar taxa alta como sinal automático de compra.

Tesouro IPCA+ 8%: o que mudou na tela com Selic a 14%

O Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central, confirmou o quarto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual. A Selic em 14% é o menor nível desde fevereiro de 2025. A decisão veio alinhada ao consenso, mas o comunicado evitou prometer o próximo passo: fala em calibração, serenidade e cautela, e deixa setembro em aberto.

Para quem investe em renda fixa, o efeito mais imediato não foi o comunicado das 18h30. Foi a tela do Tesouro Direto, os títulos emitidos pelo governo federal e comprados diretamente pelo investidor, ao longo da semana.

Segundo o Valor Investe, no pregão de 5 de agosto de 2026, ainda antes da decisão, o Tesouro IPCA+ 2032 operava a IPCA+8,09%, ante 8,13% na sessão anterior. O IPCA+ 2040 estava em 7,58% (ante 7,62%). O IPCA+ 2050, em 7,36% (ante 7,39%). Nos prefixados, o Pref 2029 cedia de 14,02% para 13,98%, e o Pref 2032 de 14,38% para 14,30%.

Dois dias antes, em 3 e 4 de agosto, o movimento já tinha sido mais nítido: o IPCA+ 2032 caiu de 8,25% para 8,12%, depois de ter flertado com cerca de 8,4% em julho. As taxas voltaram ao menor nível desde meados de junho. Em 4 de agosto, o 2032 ainda era o único vencimento tradicional acima de 8%.

O gancho correto, portanto, não é “o IPCA+8% acabou de forma absoluta”. Em 5 de agosto, o 2032 ainda negociava acima de oito. O que some da tela é o default: aquele 8% fácil, espalhado como referência rápida na corretora. A janela estreita. A decisão deixa de ser automática.

A mecânica é direta. Quando a taxa de um título já emitido cai, o preço sobe. Quem comprou na máxima de julho e carrega o papel pode ver marcação a mercado positiva. Quem ainda não entrou vê a taxa de travamento menor. São dois lados da mesma curva.

Título (05/08/2026, pré-decisão)Taxa do diaSessão anterior
Tesouro IPCA+ 2032IPCA+8,09%IPCA+8,13%
Tesouro IPCA+ 2040IPCA+7,58%IPCA+7,62%
Tesouro IPCA+ 2050IPCA+7,36%IPCA+7,39%
Tesouro Prefixado 202913,98%14,02%
Tesouro Prefixado 203214,30%14,38%

Fonte: Valor Investe, 5 de agosto de 2026. Taxas do pregão antes do anúncio do Copom.

Por que o IPCA+ 2032 e os vencimentos até 2040 caíram mais

A curva de juros não se move de forma uniforme. Em agosto de 2026, os vencimentos intermediários, especialmente até 2040, lideraram a queda. O IPCA+ 2050 cedeu menos e seguiu elevado. Esse detalhe importa.

Os drivers citados pelo mercado na semana foram petróleo em queda, pesquisa eleitoral Genial/Quaest e a expectativa de corte do Banco Central. Juntos, eles reduziram o prêmio exigido na parte intermediária da curva. Já a ponta ultralonga continua sensível ao risco fiscal: a dívida pública e a percepção de solvência de longo prazo. Por isso o 2050 não acompanhou o fechamento com a mesma intensidade.

Para o leitor que não vive o mercado diariamente, vale traduzir: quando o mercado fica mais confiante de que os juros vão cair no curto e médio prazo, ele aceita comprar títulos intermediários a taxas menores. O preço sobe. A taxa cai. Na ultralonga, a confiança precisa atravessar também o fiscal. Se o prêmio fiscal permanece, a taxa longa cede menos.

Há um segundo ângulo, ligado à oferta. O Tesouro Nacional ajusta o menu e os volumes de emissão ao longo do tempo. Quando a oferta de certos vencimentos muda, o equilíbrio entre compradores e vendedores também muda. Em outro post, explicamos como a oferta do Tesouro afeta o IPCA+. A taxa que você vê na tela não é só “expectativa de Selic”. É preço, oferta, demanda e prêmio de risco juntos.

Historicamente, juro real acima de 8% no Tesouro IPCA+ é raro. Análises citadas pelo InfoMoney, com base em dados desde 2004, apontam remuneração real média perto de 5,76% ao ano. Taxas reais acima de 8% teriam ocorrido em cerca de 5,6% do tempo nas últimas décadas. Ou seja: mesmo a 8,09% ou 7,6%, o nível intermediário ainda é elevado no histórico. O fim do “oito fácil” não é o fim do IPCA+ atrativo. É o fim de comprar taxa sem casar vencimento.

Copom confirmou o corte e deixou setembro em aberto: o que isso faz com a taxa real

O corte de 0,25 ponto era o cenário-base. O que o mercado leu com mais atenção foi o tom. Sem forward guidance explícito, o Copom diz que a magnitude do ciclo será definida à luz de novas informações. O Focus, a pesquisa semanal do Banco Central com economistas, já revisava a mediana da Selic no fim de 2026 de 14% para 13,75%.

O Termômetro do Copom, baseado em opções na B3, mostrava cerca de 70% de probabilidade de novo corte de 0,25 ponto em setembro (Selic a 13,75%), cerca de 24% de pausa em 14%, e cerca de 6% de corte de 0,50 ponto. Expectativas de inflação no Focus ficavam em 5,0% para 2026 e 4,2% para 2027. A projeção do próprio Copom apontava 3,2% no primeiro trimestre de 2028, no horizonte relevante da meta.

O que isso faz com a taxa real do Tesouro IPCA+? Menos do que um titular de jornal sugere. Queda da Selic não garante valorização automática dos títulos atrelados à inflação. O que importa para o preço do IPCA+ é a taxa real negociada na curva, e essa taxa depende de inflação esperada, prêmio de risco e demanda por duration, o prazo médio ponderado do título.

Para entender o que o mercado embute de preços, vale olhar a inflação implícita nas NTN-B, o nome técnico dos títulos IPCA+ no mercado secundário. Se a implícita cai e o juro real fecha, o investidor que já carrega o papel ganha no preço. Se o fiscal segura a ponta longa, o 2050 pode continuar “caro” em taxa e “menos generoso” em valorização rápida.

Em paralelo, o comunicado cauteloso limita a euforia. Enquanto setembro estiver em aberto, parte do mercado evita projetar um ciclo agressivo demais. Isso freia um fechamento descontrolado da curva. Para quem já está posicionado, a marcação a mercado pode ser positiva, mas sem garantia de tendência linear. Para quem quer entrar, a pergunta deixa de ser “ainda tem 8%?” e passa a ser “esse juro real, neste vencimento, casa com o meu prazo?”.

Se o seu interesse é o debate prefixado versus CDI depois do comunicado, temos uma leitura específica sobre o que o comunicado do Copom muda no pré vs CDI. Aqui o foco é outro: o juro real do IPCA+ e o fim do 8% como default da tela.

O que isso significa para o seu dinheiro

Três efeitos chegam juntos à carteira.

Primeiro: quem comprou IPCA+ perto das máximas de julho e mantém o título até o vencimento continua com a taxa contratada na compra. A marcação a mercado é o preço de hoje se você vendesse antes. Se as taxas fecham, o preço sobe. Se você não precisa vender, a volatilidade do preço é ruído, não resultado final.

Segundo: quem ainda não entrou vê a janela de travar perto de 8% real encolher. Em 5 de agosto, 8,09% no 2032 ainda existia. Mas o movimento da semana aponta para um patamar em que 7,5% a 8,1% passam a ser a discussão prática. A pergunta útil não é “perdi o pico?”. É “esse nível ainda compensa o prazo e a volatilidade do meu objetivo?”.

Terceiro: com Selic a 14%, o pós-fixado, Tesouro Selic e produtos atrelados ao CDI, a taxa de referência da renda fixa próxima à Selic, ainda remunera alto no curto prazo. O custo de oportunidade de travar IPCA+ sobe no começo. Mas o risco de reinvestimento também sobe se o ciclo de cortes seguir: daqui a um ou dois anos, renovar o CDI pode render bem menos do que o juro real que você poderia ter travado agora.

Para ter dimensão, imagine R$ 50 mil. Em Tesouro Selic ou CDB a 100% do CDI, com Selic em 14%, a remuneração bruta anual fica na casa de R$ 7 mil antes de impostos e custos, em ordem de grandeza. Em um IPCA+ 2032 a 8,09%, você trava cerca de 8% acima da inflação até 2032, com o IPCA, o índice que mede a alta geral dos preços, somado ao cupom real. São lógicas diferentes: liquidez e flexibilidade de um lado; proteção de poder de compra no horizonte do vencimento do outro.

Esse detalhe importa: vender IPCA+ antes do vencimento pode transformar uma boa taxa em prejuízo se as taxas subirem de novo. Explicamos isso em profundidade no texto sobre por que vender IPCA+ antes do vencimento pode dar prejuízo.

Tesouro IPCA+ 8% ainda vale? Carregar, alongar ou misturar com CDI/Selic

A resposta curta: depende do horizonte, da necessidade de liquidez e da tolerância à oscilação de preço. A resposta útil é um pouco mais longa.

Se o objetivo é reserva de emergência ou gasto nos próximos 12 a 24 meses, IPCA+ longo raramente é a ferramenta certa. A marcação a mercado pode oscilar. Melhor casar com Tesouro Selic, CDB com liquidez diária ou produtos curtos. Selic a 14% ainda paga bem nessa faixa.

Se o objetivo tem data, por exemplo faculdade em 2032, entrada de imóvel em 2040, ou um marco claro no calendário, a lógica clássica do Tesouro IPCA+ volta: casar o vencimento com a data. Comprar 2050 para um gasto em 2028 é duration demais para o problema. Comprar 2032 para um gasto em 2032 é alinhar instrumento e meta.

Se o objetivo é longo e você pode carregar até o vencimento, juro real intermediário perto de 7,5% a 8% ainda é elevado no histórico. Carregar o papel, reinvestir cupons se houver, e ignorar o ruído diário da tela costuma ser mais coerente do que tentar acertar o fundo da curva. Alongar para 2050 só faz sentido se o prazo da vida financeira também for longo e se você aceita a volatilidade maior de preço.

Se você está no meio do caminho, misturar pode ser a resposta madura. Uma fatia em pós-fixado preserva flexibilidade enquanto a Selic segue alta. Uma fatia em IPCA+ com vencimento casado trava poder de compra. O peso de cada fatia depende de quanto você precisa sacar nos próximos anos e de quanto pode “esquecar” até o vencimento.

Há um alerta técnico que a XP e outras casas repetem em relatórios de renda fixa: em janelas de 12 meses, NTN-B pode render abaixo do CDI, especialmente se a inflação realizada vier menor do que a implícita e se a duration pesar. Em um exemplo citado no InfoMoney, para empatar o CDI em um IPCA+ 2035 seria preciso IPCA acima de cerca de 5,6% no ano, frente a projeções então menores para 2026 e 2027. Isso não invalida o IPCA+. Só lembra que comparar 12 meses de CDI com 8 anos de IPCA+ é comparar instrumentos com funções diferentes.

O risco de reinvestimento entra exatamente aqui. CDI alto hoje não é CDI alto para sempre. No ciclo de cortes, renovar pós-fixado pode significar taxas menores ano a ano. Travar IPCA+ é abrir mão de parte dessa flexibilidade para garantir um juro real. Detalhamos esse trade-off em CDI alto hoje vs. travar IPCA+ no ciclo de cortes.

Tabela prática por horizonte

Horizonte / objetivoLeitura após Copom (Selic 14%)Caminho mais coerente
0 a 2 anos (emergência, caixa)Pós-fixado ainda remunera altoTesouro Selic / CDI líquido; evitar IPCA+ longo
3 a 7 anos (meta datada)IPCA+ 2032 perto de 8% ainda raro no históricoCasar vencimento; carregar até a data
8 a 15 anos2040 ~7,6%: intermediário em fechamentoAvaliar se o juro real compensa a duration
15+ anos (aposentadoria, legado)2050 cede menos; prêmio fiscal permaneceCarrego longo só com estômago para volatilidade
Indeciso / mistoSetembro em aberto no CopomBarbell: parte CDI + parte IPCA+ casado

Onde podem estar as oportunidades

A oportunidade, neste momento, não é “correr para o que ainda resta de Tesouro IPCA+ 8%”. É escolher com método.

No intermediário, o IPCA+ 2032 perto de 8% e o 2040 perto de 7,6% ainda oferecem juro real historicamente elevado, com prazo mais curto que o 2050. Para quem tem meta nessa janela, o fechamento da curva intermediária é exatamente o tipo de movimento que transforma “esperar o pico” em “perder a taxa que já era boa”.

Na ultralonga, o 2050 segue com taxa elevada em nível absoluto, mas o fechamento mais lento e o prêmio fiscal pedem humildade. Se a dívida bruta e o risco fiscal continuam no radar, o juro longo pode permanecer alto por razões que não somem com um único Copom.

Fora do Tesouro, o pós-fixado bancário e os isentos entram na conversa. LCI e LCA, investimentos isentos de Imposto de Renda ligados ao crédito imobiliário e ao agronegócio, podem empatar ou superar o IPCA+ líquido em certos prazos, dependendo da taxa bruta oferecida. CDB, o empréstimo que o investidor faz ao banco em troca de uma remuneração, precisa do gross-up do IR para comparação justa.

Antes de decidir, vale comparar as taxas líquidas disponíveis. A Meelion reúne opções de diferentes bancos para você simular o que sobra depois de impostos e prazos. Em outro post, mostramos como comparar IPCA+ líquido com LCI isenta com método, sem misturar bruto com líquido.

Indicadores de referência em 5 de agosto de 2026 apontavam IPCA acumulado em 12 meses perto de 4,37% e DI perto de 14,15%. O card de Selic em páginas de acompanhamento pode atrasar em relação ao anúncio do Copom. Para a taxa básica pós-corte, use a decisão oficial: 14% ao ano.

Checklist prático: o que fazer nos próximos dias (e o que não fazer)

Depois de um Copom e de três dias de queda de taxas, a tentação é reagir ao titular. O checklist abaixo organiza a decisão por etapas, sem urgência fabricada.

1. Separe o que é caixa do que é meta. Dinheiro que pode ser necessário em menos de dois anos não deveria estar em IPCA+ longo só porque a taxa “ainda está alta”. Liquidez tem preço. Nesse ciclo, o preço ainda é razoável no pós-fixado.

2. Anote o vencimento antes da taxa. Se a tela mostra 8,09% no 2032 e 7,36% no 2050, a pergunta certa é: qual data casa com a minha vida? Taxa sem vencimento é número solto.

3. Se já carrega IPCA+ comprado em julho, resista ao impulso de “realizar” só porque a taxa caiu. Queda de taxa é alta de preço. Realizar lucro de marcação a mercado só faz sentido se você precisa do dinheiro ou vai realocar com tese clara. Caso contrário, carregar até o vencimento preserva a lógica original da compra.

4. Se ainda não entrou, não trate 8,00% como linha mágica. A diferença entre 8,09% e 7,90% importa, mas menos do que a diferença entre um vencimento certo e um vencimento errado. O fim do IPCA+8% fácil é o fim do atalho mental, não o fim do juro real atrativo.

5. Compare líquido com líquido. Tesouro IPCA+ tem IR regressivo. LCI/LCA são isentos. CDB tem IR. Sem gross-up, a comparação mente. Use um comparador e o mesmo prazo.

6. Não extrapole o Copom para a ponta longa. Um corte de 0,25 ponto com comunicado cauteloso não apaga o prêmio fiscal do 2050. Se setembro vier com pausa, a curva intermediária pode reabrir taxas. Se vier com novo corte, o fechamento pode continuar. Em ambos os casos, a decisão de carteira precisa sobreviver aos dois cenários.

7. Evite alongar duration só para “ganhar mais na marcação”. Duration maior amplifica o preço quando as taxas caem, e também quando sobem. Se o seu plano não é carregar, você está especulando a curva, não investindo em juro real.

O que não fazer

  • Não vender IPCA+ no susto porque a taxa da tela caiu. Isso costuma ser o oposto do racional se você comprava para carregar.
  • Não comprar 2050 com dinheiro de reserva. A volatilidade de preço não combina com emergência.
  • Não esperar o “oito redondo” como se fosse um interruptor. Mercados não devolvem picos sob demanda.
  • Não misturar a leitura deste texto com a de pré versus CDI: são decisões vizinhas, mas não idênticas.

Como proteger seu patrimônio neste ciclo

Proteção, aqui, não é sinônimo de imobilizar tudo em um único título. É alinhar risco de prazo, risco de reinvestimento e risco de liquidez.

Inflação acumulada perto de 4,4% em 12 meses, com Selic a 14%, cria um juro real ex-post elevado no pós-fixado. Isso protege o poder de compra no curto prazo com folga. O IPCA+ protege o poder de compra no longo prazo de outra forma: soma a variação do índice ao cupom real contratado, se carregado até o vencimento.

Diversificar entre esses dois motores é uma forma de proteção. Pós-fixado cobre o presente e a flexibilidade. IPCA+ casado cobre o futuro e a inflação. Prefixado puro entra só se você tiver convicção sobre a trajetória da Selic e aceitar o risco de errar o timing. Depois de um Copom sem forward guidance, essa convicção precisa ser maior, não menor.

Outro cuidado: não confundir “taxa alta na tela” com “oportunidade sem custo”. Toda taxa do Tesouro IPCA+ longo embute a possibilidade de ver o preço cair se o mercado exigir juro real maior amanhã. Proteção patrimonial inclui a disciplina de não precisar vender no pior momento.

Perguntas frequentes sobre Tesouro IPCA+ e taxas após o Copom

O IPCA+8% acabou de vez?

Não de forma absoluta. Em 5 de agosto de 2026, antes do anúncio do Copom, o Tesouro IPCA+ 2032 ainda operava a 8,09%. O que mudou é a frequência: o 8% deixou de ser o default fácil da tela e voltou a ser exceção pontual em poucos vencimentos.

Queda da Selic valoriza automaticamente o meu IPCA+?

Não automaticamente. O preço do IPCA+ reage à taxa real negociada, à inflação implícita e ao prêmio de risco. Um Copom cauteloso e o fator fiscal podem limitar o fechamento da ponta longa, mesmo com Selic em queda.

É melhor ficar no CDI enquanto a Selic estiver em 14%?

Para caixa e prazos curtos, sim, em geral. Para metas longas, CDI alto hoje não resolve o risco de reinvestir a taxas menores no futuro. Muitos investidores misturam os dois: liquidez no pós-fixado e juro real travado no IPCA+ com vencimento casado.

Devo alongar para o IPCA+ 2050 para ganhar mais?

Só se o horizonte da sua vida financeira for compatível e se você aceitar maior oscilação de preço. Em agosto de 2026, o 2050 cedia menos que o intermediário e seguia com prêmio elevado, em parte por risco fiscal. Alongar só pela taxa da tela aumenta duration sem necessariamente melhorar o casamento com a meta.

Quem comprou IPCA+ em julho a 8,4% deve vender agora?

Não por causa da queda de taxa em si. Queda de taxa eleva o preço. Vender faz sentido se você precisa do recurso ou tem uma realocação melhor e líquida. Se o plano era carregar até o vencimento, a taxa contratada na compra continua válida para quem segura o título.

Como comparar Tesouro IPCA+ com LCI ou CDB?

Sempre no líquido e no mesmo prazo. Aplique o IR regressivo no Tesouro e no CDB. Na LCI/LCA, a taxa já é isenta. Depois compare o que sobra no bolso, sem misturar bruto com líquido.

O olhar da Meelion

O fim do IPCA+8% fácil é um evento de narrativa tanto quanto de preço. O mercado gosta de números redondos. O investidor consciente gosta de vencimentos casados. Selic a 14% ainda paga bem no curto prazo. Juro real intermediário perto de 7,5% a 8% ainda é raro no histórico. O comunicado cauteloso do Copom pede serenidade nas duas pontas: sem euforia de marcação a mercado e sem paralisia à espera de um oito perfeito na tela.

A leitura prática é simples. Use o pós-fixado para o que precisa de liquidez. Use o IPCA+ para o que tem data e pode ser carregado. Compare sempre o líquido. E trate a tela do Tesouro como painel de decisão, não como placar de urgência.

Conclusão

Em 5 de agosto de 2026, o Copom levou a Selic a 14% e o Tesouro já mostrava o recuo das taxas reais. O Tesouro IPCA+ 8% como default da tela recuava: o 2032 perto de 8,09% ainda existia, mas o “oito fácil” deixava de ser o atalho da corretora. Para a carteira, isso exige método: casar vencimento, separar caixa de meta, e equilibrar risco de reinvestimento com risco de prazo.

Este artigo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento. Se fizer sentido para o seu horizonte, revise a alocação com calma, compare taxas líquidas e invista com mais consciência. A renda fixa continua oferecendo ferramentas. Cabe a você escolher a que combina com a data do seu dinheiro, não só com o número da tela.

Glossário

  • Selic: taxa básica de juros da economia brasileira. Influencia empréstimos, financiamentos e a remuneração de grande parte da renda fixa.
  • Copom: Comitê de Política Monetária do Banco Central, responsável por definir a Selic.
  • IPCA: índice que mede a alta geral dos preços no Brasil. É a inflação oficial usada como referência de muitos investimentos.
  • Tesouro Direto: programa de compra de títulos públicos federais pelo investidor pessoa física.
  • Tesouro IPCA+: título que paga a variação do IPCA mais uma taxa real fixa contratada na compra, se carregado até o vencimento.
  • NTN-B: nome técnico, no mercado, dos títulos públicos atrelados ao IPCA (equivalente ao Tesouro IPCA+).
  • Tesouro Selic: título pós-fixado que acompanha a taxa básica; costuma ter baixa volatilidade de preço.
  • CDI: taxa de referência dos investimentos em renda fixa, próxima à Selic.
  • CDB: empréstimo que o investidor faz ao banco em troca de uma remuneração acordada.
  • LCI / LCA: investimentos isentos de Imposto de Renda ligados ao crédito imobiliário e ao agronegócio.
  • Duration: prazo médio ponderado de um título; quanto maior, mais sensível o preço às variações de juros.
  • Marcação a mercado: atualização do preço do título conforme as taxas vigentes; relevante se houver venda antes do vencimento.
  • Risco de reinvestimento: possibilidade de, no futuro, só conseguir reaplicar o dinheiro a taxas menores do que as de hoje.
  • Juro real: remuneração acima da inflação. No Tesouro IPCA+, é a taxa “+X%” somada ao IPCA.
  • Forward guidance: sinalização prévia do banco central sobre os próximos passos da política de juros.
  • Focus: pesquisa semanal do Banco Central com expectativas de mercado para Selic, inflação e outras variáveis.
  • Gross-up: ajuste usado para comparar uma taxa isenta com uma taxa tributada, colocando ambas em base equivalente.

Fontes Consultadas

  • Valor Investe: Tesouro Direto: IPCA+8% chegou ao fim? Taxas caem antes da decisão do BC (05/08/2026). https://valorinveste.globo.com/produtos/renda-fixa/tesouro-direto/noticia/2026/08/05/tesouro-direto-ipca8percent-chegou-ao-fim-taxas-caem-antes-da-decisao-do-bc-sobre-juros.ghtml
  • Valor Investe: Tesouro Direto: taxas recuam ao menor nível desde meados de junho (04/08/2026). https://valorinveste.globo.com/produtos/renda-fixa/tesouro-direto/noticia/2026/08/04/tesouro-direto-taxas-recuam-ao-menor-nivel-desde-meados-de-junho.ghtml
  • Valor Investe: Copom corta Selic em 0,25 ponto, a 14% ao ano (05/08/2026). https://valorinveste.globo.com/mercados/moedas-e-juros/noticia/2026/08/05/copom-corta-selic-em-025-ponto-a-14percent-ao-ano.ghtml
  • Seu Dinheiro: Copom corta Selic para 14% e deixa próximos passos em aberto (05/08/2026). https://www.seudinheiro.com/2026/economia/copom-corta-selic-para-14-ao-ano-e-deixa-em-aberto-os-proximos-passos-mas-mercado-ja-espera-mais-cortes-mlim/
  • Eu Quero Investir: Tesouro Direto hoje: taxas caem antes do Copom (04/08/2026). https://euqueroinvestir.com/tesouro-direto/tesouro-direto-hoje-taxas-caem-antes-copom
  • InfoMoney: Tesouro IPCA+ 8%: recomendações, perfil, risco e prazo. https://www.infomoney.com.br/onde-investir/tesouro-ipca-8-recomendacoes-perfil-risco-prazo/
  • InfoMoney: Corte da Selic: decisão do Copom e expectativas (08/2026). https://www.infomoney.com.br/economia/corte-da-selic-decisao-copom-expectativas-082026/
  • CNN Brasil: Selic a 14%: quanto rendem R$ 1 mil na poupança, CDB ou Tesouro Direto. https://www.cnnbrasil.com.br/economia/investimentos/selic-a-14-quanto-rendem-r-1-mil-na-poupanca-cdb-ou-tesouro-direto/
  • Meelion: Indicadores financeiros. https://www.meelion.com/indicadores-financeiros/
  • Banco Central do Brasil: Notícias / Copom. https://www.bcb.gov.br/noticias
Dan Mark Printes

Dan Printes é fundador da Meelion e empreendedor na área de tecnologia. Atua com inteligência artificial, produtos digitais e investimentos, com especial interesse em renda fixa e na aplicação de tecnologia para tornar decisões financeiras mais simples e inteligentes. Neste espaço, compartilha insights sobre investimentos, economia, renda fixa e outros temas relacionados ao mercado financeiro.

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