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IRFM Anbima duration defensiva: alongar o prazo agora?

IRFM Anbima duration defensiva: alongar o prazo agora?

Há um tipo de vitória silenciosa na renda fixa: a que não aparece na capa, mas no placar. Em julho de 2026, o prefixado curto voltou a ganhar do IPCA+ longo. A leitura que importa para o seu dinheiro neste sábado 15 de agosto é IRFM Anbima duration defensiva. O IRF-M 1, índice Anbima dos Tesouros Prefixados de até um ano, subiu 1,26% no mês e 7,97% no ano, a maior alta entre os subíndices, segundo a Anbima em 13 de agosto.

O IMA-S, que reúne as LFTs, os títulos que o varejo conhece como Tesouro Selic, ficou colado: +1,23% em julho e 8,26% no ano. Do outro lado, o IRF-M 1+, prefixado com prazo acima de um ano, rendeu 0,70% no mês e 5,20% no ano. O IMA-B 5+, cesta de NTN-B com prazo de cinco anos ou mais, o equivalente ao Tesouro IPCA+ longo, fez 0,75% em julho e só 2,98% em 2026, o pior subíndice do IMA no ano. É o terceiro mês seguido em que o prazo curto sai na frente.

Na sexta 14 de agosto o Tesouro Direto, a plataforma em que o investidor compra títulos do governo, suspendeu negociações e o Prefixado 2029 foi a 14,48%. O arquivo diário da Anbima do mesmo dia mostrou o custo dessa duration, o prazo médio ponderado que diz quanto o preço do título se mexe quando o juro de mercado sobe: IRF-M 1+ caiu 0,29%; IRF-M 1 e IMA-S mal sentiram. Este artigo traduz o placar oficial em uma régua de carteira. Alongar na segunda só porque a tela pagou 14,48% na sexta é repetir o erro de maio a julho.

IRFM Anbima duration defensiva: o placar de julho

O curto ganhou julho no placar oficial da Anbima, divulgado em 13 de agosto. IRF-M 1 rendeu 1,26% no mês, 3,50% em três meses e 7,97% no ano. IMA-S rendeu 1,23%, 3,48% e 8,26%. IMA-B 5+ ficou com 0,75% e 2,98% no ano, o pior subíndice de 2026.

Para o leitor que não vive o mercado diariamente, vale traduzir. O IMA, Índice de Mercado Anbima, é o placar dos títulos públicos brasileiros a preços de mercado. Não é uma recomendação de compra. É a fotografia de quem já estava posicionado. Quando o IRF-M 1 ganha três meses seguidos, o mercado está dizendo que a ponta curta da curva pagou mais, com menos susto no extrato, do que a ponta longa.

A lâmina oficial do IRF-M 1, com referência em julho de 2026, confirma o 1,26% da manchete e acrescenta o que a capa não traduz. Em três meses o índice rendeu 3,50%, com risco anualizado de só 0,56% no mês. A duration no fim de julho era de 138 dias úteis. O yield, a taxa média dos papéis da cesta, estava em 13,67%. Havia quatro componentes e um valor de mercado de R$ 418,23 bilhões.

A lâmina do IMA-S no mesmo recorte: +3,48% em três meses e risco de 0,01%. Duration de um dia útil. Dezessete componentes. Valor de mercado de R$ 4.630,75 bilhões. Esse detalhe importa. O “placar do curto” não é um empate de tesouraria. É duration baixa ganhando de duration alta enquanto a curva cobra prêmio fiscal.

O IMA-Geral, que mistura tudo na proporção da dívida pública, fechou julho com +1,07% e 6,97% no ano. Foi puxado pelos prefixados curtos, não pelo IPCA+ longo. Cerca de 56% do IMA-Geral é IMA-S. Por isso o “IMA médio” de +1,07% não prova que a renda fixa longa foi bem. Prova que a fatia Selic, a maior da dívida, carregou o índice.

Índice (Anbima, julho/2026)Julho3 meses202612 mesesRisco no mês (anualizado)
IRF-M 1 (prefixado até 1 ano)+1,26%+3,50%+7,97%+14,56%0,56%
IMA-S (Tesouro Selic / LFT)+1,23%+3,48%+8,26%+14,90%0,01%
IRF-M 1+ (prefixado acima de 1 ano)+0,70%n/d+5,20%n/dn/d
IMA-B 5+ (IPCA+ de 5 anos ou mais)+0,75%n/d+2,98%n/dn/d
IMA-Geral (dívida pública misturada)+1,07%n/d+6,97%n/dn/d

Em R$ 100 mil, julho pagou cerca de R$ 1.260 no IRF-M 1 e R$ 1.230 no IMA-S. No IRF-M 1+, cerca de R$ 700. No IMA-B 5+, cerca de R$ 750. No ano, a diferença abre: R$ 7.970 no prefixado curto contra R$ 2.980 no IPCA+ longo. São R$ 4.990 a menos no mesmo capital, em sete meses, só pela escolha de prazo. Rentabilidades de índices são brutas, a preços de mercado, e não são garantia de resultado futuro.

Marcelo Cidade, economista da Anbima, ligou o movimento a duas incertezas que ainda estavam no ar neste sábado: o fiscal em ano eleitoral e a Guerra no Golfo Pérsico. É diagnóstico, não previsão do quarto mês. O curto ganhou porque o mercado pediu liquidez e prazo curto. Não porque alguém tenha “descoberto” o título certo.

O que cada índice Anbima mede na carteira caseira

IRF-M 1 não é Tesouro Selic. Os dois ganharam julho, mas o mecanismo é outro. Um trava taxa. O outro acompanha a Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, e quase não marca a mercado. Na lâmina, o risco do IMA-S no mês é 0,01% contra 0,56% do IRF-M 1. O prefixado curto ainda oscila.

Vamos do começo. O IRF-M 1 reúne LTNs e NTN-Fs, os Tesouros Prefixados, com vencimento de até um ano na regra do índice. Na prática de 14 de agosto de 2026, a cesta tinha quatro papéis: LTN 1º de outubro de 2026 (peso 21,44%, taxa 13,64%), NTN-F 1º de janeiro de 2027 (26,05%, 13,53%), LTN 1º de abril de 2027 (28,48%, 13,62%) e LTN 1º de julho de 2027 (24,03%, 13,69%). “IRF-M 1” hoje é o prefixado que vence até julho de 2027.

Na carteira da pessoa física, o análogo do IRF-M 1 é o Tesouro Prefixado curto ou o CDB prefixado de cerca de um ano. CDB é o empréstimo que o investidor faz ao banco em troca de uma remuneração. Quem trava 13,5% até 2027 está, grosso modo, no mesmo bairro do índice. Quem está no Tesouro Selic ou no CDB atrelado ao CDI, a taxa de referência da renda fixa, próxima da Selic, está no bairro do IMA-S.

O IRF-M 1+ é o prefixado com prazo acima de um ano. Duration de 786 dias úteis em 14 de agosto, cerca de 3,1 anos na base de 252 dias úteis. Na prateleira do Tesouro, isso se parece com o Prefixado 2029 ou o 2032. Na prateleira do banco, com um CDB prefixado de três a cinco anos. Quando o juro de mercado sobe, o preço desses papéis cai. Quem vende antes do vencimento realiza a queda. Quem carrega até o fim recebe a taxa contratada.

O IMA-B 5+ reúne NTN-Bs, os Tesouros IPCA+, com prazo de cinco anos ou mais. Duration de 2.344 dias úteis em 14 de agosto, cerca de 9,3 anos. Yield de 7,81% mais IPCA, o índice que mede a alta geral dos preços. Na carteira caseira: Tesouro IPCA+ 2035, 2040, 2045, 2050 e debênture IPCA longa. Debêntures são títulos de dívida emitidos por empresas para captar recursos. Uma frase basta para a duration: 2.344 dias úteis no IMA-B 5+ contra 1 dia útil no IMA-S. O primeiro se mexe. O segundo quase não.

Índice AnbimaO que medeNa carteira caseiraDuration em 14/08/2026
IMA-SLFTs / Tesouro SelicTesouro Selic, CDB e LCI pós-fixados de liquidez1 dia útil
IRF-M 1Prefixado até cerca de jul/2027Tesouro Prefixado curto, CDB prefixado de ~1 ano128 dias úteis (~0,5 ano)
IRF-M 1+Prefixado acima de 1 anoPrefixado 2029 e 2032, CDB prefixado de 3 a 5 anos786 dias úteis (~3,1 anos)
IMA-B 5+NTN-B / IPCA+ de 5 anos ou maisTesouro IPCA+ 2035 a 2050, debênture IPCA longa2.344 dias úteis (~9,3 anos)

LCI e LCA são investimentos isentos de Imposto de Renda ligados ao crédito imobiliário e ao agronegócio. Na analogia deste texto, a LCI pós de liquidez entra na gaveta do IMA-S, não na do IMA-B 5+. Não é o caso de empurrar CRI ou crédito privado de alto risco para “buscar o que o IPCA+ longo não entregou”. O placar de julho pede prazo, não yield extra de emissor.

O IMA-S pode ficar negativo em turbulência. A própria Anbima avisa no FAQ: a LFT negocia com ágio ou deságio, e isso aparece no índice. Em 14 de agosto o IMA-S foi +0,05%. A tese “Selic nunca marca” não se sustenta. A tese “Selic marca muito menos” se sustenta. São frases diferentes.

Por que o curto ganhou: fiscal eleitoral, Golfo e marcação a mercado

O curto ganhou porque a ponta longa cobrou prêmio de risco e a inflação do mês emagreceu o carrego do IPCA+. A marcação a mercado, o preço de hoje do título no extrato, puniu quem precisava de prazo e perdoou quem estava em Selic ou em prefixado até 2027.

Julho já desenhava o placar antes da Anbima fechar o mês. No relatório “O Mês na Renda Fixa” da XP, atualizado em 12 de agosto, o DI janeiro de 2027, o contrato de juros na B3 que reflete a Selic esperada naquela data, caiu 19 pontos-base, a 13,81%. Um ponto-base é 0,01 ponto percentual. O DI janeiro de 2029 mal saiu do lugar: 14,11%, queda de 1 ponto-base. O DI janeiro de 2031 abriu 18 pontos-base, a 14,39%. A ponta curta precificou corte. A longa abriu. O IRF-M 1 e o IMA-B 5+ só traduziram isso em retorno.

O motor macro está no relatório “Economia em Destaque” da XP de 14 de agosto. IPCA de julho em +0,07%, com o acumulado em 12 meses caindo de 4,64% para 4,44%. Núcleos de três meses anualizados de 4,90% para 4,56%. Difusão de 54% para 50%. Serviços intensivos em trabalho ainda acima de 7%. Petróleo perto de US$ 88, alta de 7% na semana, com ruído no Estreito de Ormuz. Fed com 68% de chance de manter a faixa de 3,50% a 3,75% em setembro. Câmbio de cerca de R$ 5,10 para cerca de R$ 5,25 na semana. Curva brasileira +0,30 a +0,40 ponto percentual em todos os vértices no recorte semanal da XP, distinto do fechamento de sexta.

Inflação perto de zero emagrece o Tesouro IPCA+. Com IPCA de 0,07% no mês, um papel a IPCA + 7% carrega cerca de 0,64% no mês, número bruto, antes de Imposto de Renda. A IPCA + 8% carrega cerca de 0,71%. O CDI no mesmo recorte ficou perto de 1,1%. Quem estava na gaveta do IMA-S embolsou o juro cheio da Selic. Quem estava na gaveta do IMA-B 5+ recebeu inflação quase nula mais o juro real, e ainda viu o preço oscilar. Esse é o mesmo recado de o mix CDI versus IPCA+ quando o carrego de inflação emagrece: o híbrido continua fazendo sentido no horizonte longo. No mês de IPCA 0,07%, ele perde a corrida de curto prazo para o CDI.

O mercado de trabalho não ajudou a tese de corte rápido e profundo. A desocupação no segundo trimestre de 2026 foi a 5,4%, de 6,1% no primeiro, o menor resultado para um segundo trimestre desde 2012, segundo o IBGE citado pelo InfoMoney. Juro alto com emprego ainda apertado e serviços acima de 7% é o tipo de combinação que segura a ponta longa aberta. O fiscal eleitoral faz o resto. Guerra no Golfo entra como prêmio de petróleo e de aversão, não como previsão de duração do conflito.

O que isso significa para o seu dinheiro

Se a reserva de emergência está em Tesouro Selic ou em CDB de liquidez diária, julho foi um mês normal: cerca de 1,2% no saldo, quase sem linha vermelha. Se o dinheiro da viagem de 2027 está num prefixado curto, julho pagou o travamento da taxa e uma oscilação pequena. Se a aposentadoria de 2040 está num IPCA+ longo e você abriu o extrato em agosto, viu um ano de 2,98% enquanto o CDI corria perto de 8%. A marcação só se realiza na venda. O problema aparece quando a data em que você precisa do dinheiro não é a data do vencimento.

Em R$ 200 mil, o ano até julho no IMA-S seria cerca de R$ 16.520. No IMA-B 5+, cerca de R$ 5.960. A diferença, R$ 10.560, não é “prejuízo realizado” se você vai carregar o IPCA+ até 2040. É o preço de ter duration de nove anos num semestre em que o mercado cobrou prêmio. Confundir as duas frases gera venda no pior momento ou complacência no momento errado.

A sexta-feira no IMA: -0,29% no prefixado longo, +0,04% no curto

Em 14 de agosto o IRF-M 1+ caiu 0,2939% no dia. O IRF-M 1 subiu 0,0361%. O IMA-S subiu 0,0534%. O IMA-B 5+ caiu 0,0247%. Quem alongou prefixado acima de um ano levou o tombo. Quem estava em Selic ou em prefixado curto mal sentiu. IRFM Anbima duration defensiva, neste recorte, é essa diferença de um único dia. São números do arquivo diário da Anbima, já em agosto, distintos do placar de julho.

A sexta não foi o mês. Foi o raio-x de um dia. O InfoMoney registrou a suspensão do Tesouro na sexta e a retomada às 14h20: Prefixado 2029 a 14,48%, de 14,23% na quinta; Prefixado 2032 a 14,86%, de 14,62%; Prefixado com Juros Semestrais 2037 a 14,87%, de 14,65%; IPCA+ 2032 a 8,19%, de 8,11%; IPCA+ 2040 a 7,70%, de 7,66%; IPCA+ 2050 a 7,43%, de 7,40%; Tesouro Selic 2031 a Selic + 0,0738%. Este artigo não revisita a decisão “carregar ou entrar”. Usa a tela só para mostrar o que a duration fez com o preço.

O fechamento dos DIs, segundo o Valor às 18h08 de 14 de agosto, é a régua certa para análise, não o pico da tarde. DI janeiro de 2027 a 13,765%, de 13,745%. Janeiro de 2028 a 13,985%, de 13,935%. Janeiro de 2029 a 14,33%, de 14,255%. Janeiro de 2031 a 14,59%, de 14,515%. A máxima intradiária do DI janeiro de 2031 foi 14,80%, a maior desde 24 de julho. Opções digitais de Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central, punham 73% de probabilidade de corte da Selic de 14% para 13,75% em setembro, de 77,1% na quinta, e 26% de manutenção.

Na semana de 10 a 14 de agosto, a XP registrou o que o mês já antecipava: DI janeiro de 2027 estável em 13,77% contra a semana anterior; janeiro de 2029 a 14,33%, alta de 21 pontos-base; janeiro de 2031 a 14,59%, alta de 26 pontos-base. NTN-B 2029 a 8,17%, de 8,23%; 2035 a 8,10%, de 8,13%; 2050 a 7,66%, de 7,67%. O 7,43% do IPCA+ 2050 na tela das 14h20 e o 7,66% do close semanal da XP não se “corrigem”. São horários diferentes. Preferimos o close para decidir prazo. A tela da tarde serve para narrar o estresse.

Índice em 14/08/2026Variação do diaAgosto até 14/082026 até 14/08DurationPeso no IMA-Geral
IRF-M 1+0,0361%+0,5260%+8,5354%128 d.u.4,96%
IRF-M 1+-0,2939%-0,0749%+5,1215%786 d.u.14,99%
IMA-S+0,0534%+0,5304%+8,8369%1 d.u.56,00%
IMA-B 5+-0,0247%+0,6560%+3,6508%2.344 d.u.12,68%
IMA-Geral-0,0168%+0,4650%+7,4615%474 d.u.100%

Em R$ 100 mil, a sexta tirou cerca de R$ 294 de quem estava no análogo do IRF-M 1+ e acrescentou R$ 36 a quem estava no IRF-M 1, R$ 53 no IMA-S. O IMA-B 5+ perdeu cerca de R$ 25. Não é o fim do mundo num dia. É a prova de que alongar “porque a taxa da tela ficou bonita” compra exatamente a duration que perdeu maio a julho e ainda levou -0,29% numa sessão.

O prefixado curto depois do estresse continua sendo uma conversa de horizonte até 2027, não de duration de 2031. Quem quer travar o pré curto discute o prefixado curto (jan/27) depois do estresse com a taxa do DI, não com o IMA-B 5+. São gavetas diferentes. Misturá-las é o atalho que a sexta oferece a quem olha só o número 14,48%.

Alongar na segunda? IRFM Anbima duration defensiva na prática

Só alongue se o dinheiro pode ficar até o vencimento depois da eleição. Reserva e recursos de 2026 e 2027 ficam no Tesouro Selic, no CDB pós e no prefixado curto. Prefixado 2029 e IPCA+ 2035 pedem horizonte que sobrevive a 2026. O IPCA+ 2050 pede 20 anos ou mais. A taxa alta da sexta é entrada para quem já tinha a data, não convite para girar a reserva.

Hoje é sábado 15 de agosto. O rebalanceamento dos IMA-B, IMA-B 5 e IMA-B 5+ cai no dia 15 ou no próximo dia útil. 15 de agosto de 2026 caiu no sábado. O rebalanceamento escorrega para segunda 17 de agosto. O das carteiras de prefixados, IMA-S e IMA-Geral ocorre no dia 1º ou no próximo útil. A prévia das carteiras teóricas sai dois dias úteis antes. Nada disso é sinal de compra. É calendário de índice. Quem alongar na segunda só porque o IMA-B rebalanceia está comprando fluxo de fundo, não um plano pessoal.

A pergunta “alongar agora?” se responde com a data em que você precisa do dinheiro, não com a taxa das 14h20. Se a data-alvo é 2029 e você consegue carregar o Prefixado até 1º de janeiro de 2029, a taxa nova é o ponto de entrada. A marcação some no vencimento. Tesouro até o vencimento entrega a taxa contratada. Venda antecipada realiza a marcação. Se o dinheiro pode ser resgatado em 2026 ou 2027, IMA-B 5+ e IRF-M 1+ são o erro de maio a julho com outro nome.

Horizonte do dinheiroGaveta AnbimaO que costuma caberAlongar na segunda 17/08?
Reserva / 6 a 12 mesesIMA-STesouro Selic, CDB e LCI pós com liquidezNão. Duration de 1 dia útil existe para isso.
Até julho de 2027IRF-M 1Prefixado curto, CDB prefixado de cerca de 1 anoSó se a data-alvo é 2027. Não “para ganhar do Selic no mês”.
2029IRF-M 1+Tesouro Prefixado 2029, CDB prefixado de ~3 anosSim, se carrega até o vencimento. Não, se pode resgatar em 2026-27.
2035IMA-B (intermediário / 5+)Tesouro IPCA+ 2035, híbrido com data realSó se o horizonte sobrevive à eleição e você aceita o extrato vermelho.
2040 a 2050IMA-B 5+Tesouro IPCA+ 2040/2050, debênture IPCA longaSó com 15 a 20+ anos. Taxa de sexta não encurta o prazo.

Alongar o prefixado 2029 é uma decisão de 2029, não de agosto. A EQI e o 14,26% de outro pregão são contexto. O 14,48% da sexta é outro pregão. Nenhum dos dois transforma reserva em prefixado de três anos. Do outro lado da curva, se o prefixado longo (jan/31) ainda é trava ou duration demais depende do mesmo teste: a data está no papel ou só na esperança de que o juro caia e o preço suba?

Onde podem estar as oportunidades

A oportunidade de julho não foi “sair do IPCA+”. Foi não financiar a reserva com duration de nove anos. A oportunidade da sexta, para quem já tinha data em 2029 ou 2035 e caixa parado no Tesouro Selic acima da reserva, foi uma taxa mais alta no vértice que o plano já previa. Fatia, não all-in. Quem não tinha a data não ganhou uma oportunidade. Ganhou um número na tela.

O vértice intermediário, 2029 a 2035, é o meio-termo que o carrego fraco do IPCA+ curto e a duration do 2050 deixam no meio da mesa. IPCA + 8,17% no 2029 no close semanal da XP, 8,10% no 2035. Não é “o título certo”. É o prazo em que muita família realmente tem um objetivo: filho na faculdade, troca de imóvel, aposentadoria próxima. Se o objetivo é 2050, o 2029 não substitui. Se o objetivo é 2027, o 2035 é duration demais.

Como proteger seu patrimônio

Proteção, neste sábado, é casar prazo do título com prazo do gasto. Reserva em IMA-S. Objetivo de 2027 em IRF-M 1 ou no análogo bancário. Objetivo de 2029 em prefixado só com o compromisso de não vender na próxima sexta feia. Inflação de longo prazo em IPCA+ com data verdadeira. O FGC, o Fundo Garantidor de Créditos, protege até R$ 250 mil por CPF por instituição em CDB, LCI, LCA e depósitos cobertos. Não protege marcação a mercado do Tesouro. Não transforma um IPCA+ 2050 em colchão.

Diversificar emissor no CDB pós não substitui diversificar duration. Cinco CDBs de liquidez diária são cinco vezes IMA-S. Útil para o FGC. Inútil se o plano pedia um prefixado de 2027 e o investidor ficou 100% em Selic “até o mercado acalmar” durante três meses em que o curto prefixado pagou e o longo não.

O que fazer até o Copom de 16 de setembro

Até o Copom de 16 de setembro, duration defensiva significa Selic e CDI na reserva, prefixado curto só alinhado ao objetivo de 2027, e IPCA+ intermediário só se o horizonte sobrevive à eleição. Não significa zerar o híbrido longo de quem já tinha 20 anos pela frente. Não significa comprar o 2050 porque a tela das 14h20 mostrou 7,43%.

O painel de indicadores de 15 de agosto mostrava Selic em 14,00%, com o próximo Copom em 16 de setembro; IPCA em 4,44% em 12 meses; DI em 13,90%; poupança em 8,32%; dólar em R$ 5,22. A XP projeta Selic em 14,00% no fim de 2026 e 11,50% em 2027. O mercado de opções, no close de sexta, punha 73% de corte a 13,75% em setembro. As duas frases convivem. O curto pode continuar ganhando mesmo com corte se o prêmio fiscal na ponta longa não fechar. Corte de 0,25 ponto na Selic não transforma IMA-B 5+ em campeão do quadrimestre.

O olhar da Meelion

A leitura da casa é IRFM Anbima duration defensiva: régua, não ranking do dia. O placar Anbima de três meses e o tombo de sexta no IRF-M 1+ contam a mesma história: prazo curto pagou, prazo longo cobrou nervos. Alongar é um verbo de calendário pessoal. Antes de decidir entre o CDB pós da reserva e o prefixado curto do objetivo de 2027, vale comparar as taxas disponíveis. A Meelion reúne opções de diferentes bancos para você simular prazo, liquidez e a cobertura do FGC, que é o trabalho que este placar pede, não a taxa da tela de uma sexta estressada.

O que não fazer com a taxa da tela. Não girar a reserva para o Prefixado 2029 porque 14,48% “parece 112% do CDI”. Não vender o IPCA+ 2040 no vermelho se a aposentadoria continua em 2040. Não tratar o IMA-Geral de +1,07% em julho como prova de que “renda fixa longa foi bem”. Não esperar o rebalanceamento de segunda como se fosse um leilão a favor do varejo. Não transformar a Guerra no Golfo nem o fiscal eleitoral em previsão de quarto mês seguido. Marcelo Cidade descreveu o presente. Ninguém vendeu o futuro.

Se o Copom cortar 0,25 ponto em 16 de setembro, a gaveta do IMA-S rende um pouco menos e continua cumprindo a função. A gaveta do IRF-M 1 já travou boa parte da taxa até 2027. A gaveta do IRF-M 1+ e a do IMA-B 5+ vão reprecificar o corte e o que o mercado ainda exigir de prêmio. Quem comprou prazo demais para o dinheiro que precisa em 2026 vai sentir de novo. Quem comprou prazo certo mal vai notar o Copom no extrato.

Em R$ 50 mil de reserva, um mês de CDI perto de 1,1% são cerca de R$ 550 brutos. Em R$ 50 mil no análogo do IMA-B 5+, julho foram cerca de R$ 375, e o ano até julho cerca de R$ 1.490, contra cerca de R$ 4.130 no IMA-S. A conta não manda vender o IPCA+ de quem tem 20 anos. Manda não colocar a reserva nessa coluna. A diferença entre as duas frases é a diferença entre um plano e uma reação.

Perguntas frequentes sobre o placar Anbima e a duration

IRF-M 1 é o mesmo que Tesouro Selic?

Não. IRF-M 1 é prefixado curto, hoje até julho de 2027. Tesouro Selic entra no IMA-S. Os dois ganharam julho (1,26% e 1,23%), mas um trava taxa e ainda oscila (risco 0,56%). O outro acompanha a Selic e quase não marca (risco 0,01%). Trocar um pelo outro muda o mecanismo, não só a etiqueta.

Se eu carregar o título até o vencimento, a marcação some?

Sim, no Tesouro e no CDB prefixado sem resgate antecipado. A taxa contratada é a que vale no vencimento. A linha vermelha do extrato é o preço de hoje. Quem vende agora realiza esse preço. Quem aguenta a data recebe o combinado, independentemente do placar do IMA-B 5+ em 2026.

O IMA-S pode ficar negativo?

Pode. A LFT negocia com ágio ou deságio, e a Anbima registra isso no índice. Em 14 de agosto o IMA-S subiu 0,05%. A proteção da duration de um dia útil é relativa, não absoluta. Continua sendo a gaveta da reserva. Não é um cofre imune a qualquer vírgula.

O rebalanceamento do IMA-B é neste sábado 15 de agosto?

Não. A regra é dia 15 ou o próximo dia útil. 15 de agosto de 2026 caiu no sábado. O rebalanceamento dos IMA-B vai para segunda 17 de agosto. Não use o calendário do índice como sinal de compra ou venda da sua carteira. Fundo que segue IMA-B rebalanceia. Você rebalanceia pelo objetivo.

Se o Copom cortar a Selic em setembro, o longo passa a ganhar?

Não automaticamente. Um corte de 0,25 ponto, de 14% para 13,75%, já está em boa parte nas opções (73% na sexta). O IRF-M 1+ e o IMA-B 5+ só passam a ganhar de forma persistente se o prêmio fiscal na ponta longa fechar. Julho mostrou o contrário: curto fechando, longo abrindo. Corte e prêmio podem andar juntos.

Devo comprar o Prefixado 2029 porque pagou 14,48% na sexta?

Só se 2029 for a sua data e você puder carregar até o vencimento. A taxa alta é o preço de entrada para quem já tinha o plano. Para a reserva e para o dinheiro de 2026 e 2027, 14,48% é a duration que perdeu o trimestre e ainda caiu 0,29% no IRF-M 1+ em um dia. Número bonito não encurta prazo.

Fundos que seguem o IMA acompanham esse placar?

Em linha geral, sim, com taxas de administração e eventuais desvios de cesta. Um fundo IMA-B 5+ viveu o ano de 2,98% até julho e o dia de -0,02% em 14 de agosto. Um fundo DI ou Tesouro Selic viveu o ano de cerca de 8% e o dia de +0,05%. Ler a lâmina do fundo é ler qual gaveta Anbima você comprou sem perceber.

A conclusão é simples de escrever e difícil de cumprir no aplicativo. O terceiro mês do curto no placar Anbima não pede heroísmo. Pede calendário. Reserva no análogo do IMA-S. Objetivo de 2027 no análogo do IRF-M 1. Objetivo de 2029 ou 2035 só com o compromisso de não abrir o extrato vermelho como se fosse prejuízo. Objetivo de 2050 só com 20 anos. A sexta mostrou o custo de inverter essa ordem. A segunda 17 de agosto não precisa repetir o experimento.

Você não precisa acertar o quarto mês. Precisa não financiar o gasto de 2027 com a duration de 2035. O placar oficial já fez a tradução. O restante é casar o título com a vida, com a calma de quem lê índice como régua, não como ordem de compra.

Este artigo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidades de índices Anbima são brutas, a preços de mercado, e não são garantia de resultado futuro. Títulos públicos e privados carregados até o vencimento entregam a taxa contratada. Venda antecipada realiza a marcação a mercado.

Glossário

  • Selic: taxa básica de juros da economia brasileira. Influencia empréstimos, financiamentos e a remuneração da renda fixa pós-fixada. Em 15 de agosto de 2026, estava em 14% ao ano.
  • CDI: taxa de referência da renda fixa, próxima da Selic. CDB, LCI, LCA e boa parte dos fundos DI são cotados como percentual do CDI.
  • IPCA: índice que mede a alta geral dos preços. É a inflação oficial usada no Tesouro IPCA+ e na meta do Banco Central.
  • Duration: prazo médio ponderado de um título. Quanto maior, mais o preço se mexe quando o juro de mercado sobe. No fechamento de 14 de agosto, o IMA-S tinha 1 dia útil e o IMA-B 5+, 2.344 dias úteis.
  • Marcação a mercado: atualização diária do preço do título conforme as taxas do dia. Quem vende antes do vencimento recebe esse preço, que pode estar abaixo do que pagou. No vencimento, vale a taxa contratada.
  • IMA: Índice de Mercado Anbima, família de índices que mede o retorno dos títulos públicos federais a preços de mercado. O IMA-Geral mistura as cestas na proporção da dívida.
  • IRF-M: índice Anbima dos Tesouros Prefixados (LTN e NTN-F). Não confundir com IRPFM, o imposto. O IRF-M 1 reúne os prefixados mais curtos. O IRF-M 1+ reúne os prefixados com prazo acima de um ano.
  • IMA-S: índice Anbima das LFTs, os títulos que o varejo conhece como Tesouro Selic. Duration típica de 1 dia útil. Pode registrar ágio ou deságio da LFT.
  • IMA-B e IMA-B 5+: índices das NTN-Bs, os Tesouros IPCA+. O IMA-B 5+ concentra os papéis com prazo de cinco anos ou mais, a duration longa da inflação.
  • LTN e NTN-F: títulos prefixados do Tesouro. A LTN não paga cupom. A NTN-F paga juros semestrais. Ambos entram no IRF-M.
  • LFT: Letra Financeira do Tesouro, o Tesouro Selic. Acompanha a Selic e pode negociar com ágio ou deságio.
  • NTN-B: Nota do Tesouro Nacional série B, o Tesouro IPCA+. Paga a inflação mais um juro real.
  • Yield: taxa média dos papéis de uma cesta. No IRF-M 1, 13,62% em 14 de agosto. No IMA-B 5+, 7,81% mais IPCA.
  • Ponto-base: 0,01 ponto percentual. Uma alta de 26 pontos-base no DI janeiro de 2031 é uma alta de 0,26 ponto percentual.
  • DI futuro: contrato de juros na B3 que reflete a expectativa de Selic em uma data. O DI janeiro de 2027 é a ponta curta. O DI janeiro de 2031 é a ponta longa deste texto.
  • Copom: Comitê de Política Monetária do Banco Central, que define a Selic. A próxima reunião está marcada para 16 de setembro de 2026.
  • Tesouro Direto: plataforma de títulos emitidos pelo governo federal, comprados diretamente pelo investidor.
  • CDB: empréstimo que o investidor faz ao banco em troca de uma remuneração, em geral atrelada ao CDI ou prefixada.
  • LCI e LCA: investimentos isentos de Imposto de Renda ligados ao crédito imobiliário e ao agronegócio.
  • Debêntures: títulos de dívida emitidos por empresas para captar recursos. Podem ser prefixados, pós-fixados ou atrelados ao IPCA.
  • FGC: Fundo Garantidor de Créditos, que protege até R$ 250 mil por CPF por instituição em CDB, LCI, LCA e depósitos cobertos. Não cobre títulos públicos nem a marcação a mercado.
  • Prefixado: título que trava uma taxa nominal conhecida na compra, como o Tesouro Prefixado 2029 a 14,48% na tarde de 14 de agosto.
  • IPCA+: título híbrido que paga a inflação mais um juro real, como o Tesouro IPCA+ 2032 a IPCA + 8,19% na mesma tarde.
  • Rebalanceamento do IMA: ajuste periódico da cesta teórica. Prefixados, IMA-S e IMA-Geral no dia 1º (ou próximo útil). IMA-B, IMA-B 5 e IMA-B 5+ no dia 15 (ou próximo útil).

Fontes Consultadas

Dan Mark Printes

Dan Printes é fundador da Meelion e empreendedor na área de tecnologia. Atua com inteligência artificial, produtos digitais e investimentos, com especial interesse em renda fixa e na aplicação de tecnologia para tornar decisões financeiras mais simples e inteligentes. Neste espaço, compartilha insights sobre investimentos, economia, renda fixa e outros temas relacionados ao mercado financeiro.

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