Digimais CDB: o que fazer após a Operação Miragem?
Você abre o noticiário na manhã de uma terça-feira e vê policiais federais entrando na sede de um banco onde parte do seu patrimônio está aplicada. Não é cenário de filme: foi exatamente o que aconteceu em 23 de junho de 2026, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Miragem contra supostas fraudes no Banco Digimais. Se você tem CDB, LCI ou saldo em conta nessa instituição, a pergunta que importa não é política nem religiosa. É financeira: digimais CDB o que fazer agora, com calma e método?
A reação natural é o desconforto. E faz sentido. Um dia antes, a Fitch rebaixou o rating do banco e declarou que a quebra ou calote é uma “possibilidade real”. Hoje, a PF investiga manipulação de balanços, supervalorização de ativos e captação via títulos remunerados a taxas muito acima do mercado. Tudo isso eleva o risco de crédito. Mas elevar risco não é o mesmo que perder o dinheiro amanhã. Até o momento da redação deste artigo, não há decretação de liquidação extrajudicial pelo Banco Central. Seus títulos seguem válidos contratualmente.
Este guia não repete o dossiê histórico do Digimais. Ele é a continuação prática para quem precisa agir hoje: um checklist em sete passos, a leitura correta do FGC, os cenários de risco e como decidir entre esperar o vencimento, vender no mercado secundário ou migrar gradualmente. Vamos do começo, com os fatos, e depois traduzimos cada um para o impacto no seu bolso.
O que aconteceu hoje: Operação Miragem e o que muda para o seu dinheiro
Na manhã de 23 de junho de 2026, mais de 50 agentes da Polícia Federal cumpriram nove mandados de busca e apreensão em São Paulo, no âmbito da Operação Miragem. O alvo é o Banco Digimais, instituição controlada por Edir Macedo e ligada ao ecossistema Record/IURD. A Justiça Federal autorizou quebra de sigilo bancário e fiscal dos investigados, além do bloqueio de até R$ 670.348.945,70 em bens e valores ligados a eles.
Esse detalhe importa: o bloqueio judicial atinge patrimônio dos investigados, não necessariamente os depósitos dos clientes. A operação policial não congela contas de investidores por si só. Seus CDBs, LCIs e saldos continuam operacionais enquanto o Banco Central não decretar intervenção ou liquidação extrajudicial. Até aqui, o banco não foi liquidado.
A PF aponta, com base em relatórios do Banco Central, um esquema de gestão fraudulenta: manipulação sistemática de balanços para ocultar a real situação financeira, supervalorização de ativos via fundos de investimento, geração artificial de receitas na casa de centenas de milhões de reais e possível inserção de dados falsos em sistemas regulatórios. O modus operandi é descrito como análogo ao do Banco Master, inclusive com CDBs emitidos a taxas de 110% do CDI ou mais entre 2023 e 2024 para captar recursos enquanto a saúde financeira seria maquiada.
Para ter dimensão: uma auditoria da Clifton Larson Allen, referente ao segundo semestre de 2025, registrou que o Digimais investiu R$ 3 bilhões em fundos sem demonstrações auditáveis, representando 73% do total aplicado em fundos. Uma valorização de 178% em poucos meses gerou resultado positivo de R$ 639,8 milhões sem avaliação de razoabilidade, segundo a Folha de S.Paulo. O caso Hermon ilustra a dimensão: ativos adquiridos por R$ 71 milhões foram reavaliados para R$ 741 milhões via teia de fundos da gestora ID.
O que isso significa para o seu dinheiro
A operação da PF não tira seu acesso ao extrato hoje, mas muda o cenário de risco de forma material. Investigação criminal em curso, rebaixamento de rating e exposição ao ecossistema Master (cerca de R$ 600 milhões em carteiras de crédito após a liquidação do Master em novembro de 2025) compõem um quadro que exige revisão imediata da carteira. Não é hora de pânico. É hora de método.
Seu CDB ou LCI no Digimais está em risco agora? Entenda os cenários
Sim, o risco de crédito do emissor elevou-se significativamente. Não, isso não significa perda automática do principal neste momento. Para responder com precisão, é preciso separar três camadas de risco que muitos investidores confundem.
Cenário 1: status quo (mais provável no curto prazo). O banco continua operando, honrando resgates e vencimentos, enquanto a investigação avança e negociações de mercado (como o acordo preliminar do BTG Pactual, travado desde abril de 2026) seguem incertas. Seus títulos rendem normalmente. O risco existe, mas o FGC ainda não entra em cena.
Cenário 2: solução de mercado com apoio do FGC. O Fundo Garantidor pode financiar uma transação estruturada, como a compra do banco pelo BTG, honrando credores sem liquidação extrajudicial. Esse caminho depende de diligência de balanço, aprovações do Banco Central e do Cade, e de processo competitivo do próprio FGC. A operação da PF complica, mas não enterrou automaticamente o deal.
Cenário 3: liquidação extrajudicial. Se o Banco Central decretar intervenção ou liquidação, o FGC passa a pagar investidores elegíveis, respeitando o limite de R$ 250 mil por CPF por instituição (principal mais rendimentos). No caso do Master, liquidado em 18 de novembro de 2025, o FGC pagou cerca de R$ 40,6 bilhões a aproximadamente 800 mil credores, com início dos pagamentos em 19 de janeiro de 2026. As lições desse episódio estão detalhadas em nossa cobertura sobre o efeito dominó do caso Banco Master.
A Fitch, em 22 de junho de 2026, rebaixou o rating de longo prazo de BB+(bra) para CCC(bra) e declarou que a quebra ou calote do banco é uma “possibilidade real”, retirando em seguida as classificações por falta de informações. A Moody’s Local já havia rebaixado para CCC+.br em maio. Essas notas não são sentença, mas são termômetros que o mercado leva a sério.
O Digimais, em nota divulgada na manhã da operação, classificou o rebaixamento da Fitch como “infundado”, afirmou ter caixa adequado e disse cumprir obrigações com clientes. O contraponto factual permanece: agências de rating em queda, auditoria questionando R$ 3 bilhões em fundos opacos e investigação criminal em andamento. O investidor precisa ponderar os dois lados sem tom de advogado de nenhuma das partes.
Checklist do investidor: 7 passos para revisar sua exposição hoje
Se você tem qualquer posição no Digimais, reserve 30 minutos para executar este roteiro. A ordem importa: primeiro mapear, depois decidir.
Passo 1: mapear exposição total
Abra o app da corretora ou do próprio banco e liste tudo que está no Digimais: CDBs (um empréstimo que o investidor faz ao banco em troca de uma remuneração), LCIs e LCAs (investimentos isentos de Imposto de Renda ligados ao setor imobiliário e ao agronegócio), saldo em conta corrente e poupança. Some o valor de mercado de cada posição, incluindo rendimentos acumulados. Muitos investidores esquecem a conta corrente, mas ela entra no cálculo do limite do FGC.
Passo 2: conferir o limite do FGC
O Fundo Garantidor de Créditos protege até R$ 250 mil por CPF por instituição financeira, somando principal e rendimentos de todos os produtos cobertos na mesma instituição. Há ainda um teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos por investidor, caso você precise acionar o FGC em mais de um banco no mesmo período. Para entender as regras atualizadas, consulte nosso guia sobre como funciona o FGC em 2026.
Exemplo prático: se você tem R$ 180 mil em CDB, R$ 50 mil em LCI e R$ 30 mil em conta corrente no Digimais, sua exposição total é R$ 260 mil. Os R$ 10 mil acima do teto ficam descobertos em caso de liquidação.
Passo 3: verificar liquidez de cada título
Para cada posição, anote: data de vencimento, se há liquidez diária ou carência, e o prazo de creditamento (D+0, D+1). Um CDB com vencimento em 2028 e sem liquidez diária só devolve o principal na data final, salvo venda no mercado secundário. Uma LCI com carência de seis meses pode estar bloqueada mesmo que o banco continue operando normalmente.
Passo 4: avaliar rating e sinais de alerta
Taxa alta isolada não define risco. O alerta é a combinação: taxa acima de 110% do CDI (a taxa de referência dos investimentos em renda fixa, próxima à taxa básica de juros da economia brasileira) + rating em queda + investigação criminal + maquiagem contábil apontada pela PF + dependência de captação via CDB. O Digimais acumula todos esses sinais em junho de 2026. Para o histórico completo, veja nossa análise completa de risco do Digimais.
Passo 5: decidir a estratégia por posição
Não existe resposta única. A decisão depende do valor, da liquidez e do perfil de cada título:
- Manter até o vencimento: faz sentido se você está dentro do limite do FGC, o prazo é curto e aceita o risco residual de crédito.
- Vender no mercado secundário: pode valer para quem está acima do teto do FGC ou tem reserva de emergência indevidamente alocada. Aceite o deságio como “prêmio de seguro”.
- Não renovar vencimentos: se um CDB vencer nos próximos dias, direcione o valor para outro emissor sem fazer novos aportes no Digimais.
Passo 6: não fazer novos aportes
Independentemente da estratégia escolhida para posições existentes, não aplique dinheiro novo no Digimais enquanto o cenário permanecer fluido. Taxas de 110% ou 135% do CDI no mercado secundário são sinal de fuga de investidores, não de oportunidade segura.
Passo 7: migrar gradualmente
Para o valor que decidir realocar, busque CDBs e LCIs de emissores com rating sólido (AAA, AA ou grandes bancos de varejo). Antes de decidir, vale comparar as taxas disponíveis: a Meelion reúne opções de diferentes bancos para você simular em tempo real na página de renda fixa. Para reserva de emergência, priorize liquidez imediata, como descrito em nosso guia sobre onde alocar reserva de emergência com segurança.
FGC no Digimais: limite de R$ 250 mil, o que está coberto e o que não está
O FGC só entra em ação após decretação de intervenção ou liquidação extrajudicial pelo Banco Central. Até lá, a garantia é contratual com o banco, não com o fundo. Esse ponto confunde muitos investidores que acreditam que o FGC “protege” o dinheiro em tempo real. Não protege: ele paga depois que o banco deixa de honrar obrigações e o BC aciona o mecanismo.
Produtos cobertos no Digimais incluem CDB, LCI, LCA, depósitos à vista, poupança e depósitos a prazo. Todos contam para o mesmo limite de R$ 250 mil por CPF. Investimentos em fundos de investimento administrados pelo banco, ações, debêntures de empresas privadas e títulos do Tesouro Direto (títulos emitidos pelo governo federal) não entram nesse cálculo porque não são cobertos pelo FGC da mesma forma.
| Produto no Digimais | Coberto pelo FGC? | Conta para o limite de R$ 250 mil? |
|---|---|---|
| CDB | Sim | Sim |
| LCI / LCA | Sim | Sim |
| Conta corrente | Sim | Sim |
| Poupança | Sim | Sim |
| Fundos de investimento | Não (regra geral) | Não |
| COE | Não | Não |
O Digimais tinha cerca de R$ 8,5 bilhões em depósitos totais em dezembro de 2025, segundo dados do IFData divulgados pelo Valor Econômico. Com patrimônio líquido de aproximadamente R$ 740 milhões e captação em CDB na casa de R$ 7,6 bilhões, a proporção entre depósitos e capital próprio gera desconforto no mercado. Uma contingência de R$ 462 a 500 milhões ligada a FIDCs e recompra de créditos agrava o quadro.
Como proteger seu patrimônio
Se sua exposição total no Digimais ultrapassa R$ 250 mil, considere reduzir o valor acima do teto, seja por venda no secundário (com deságio) ou por não renovar vencimentos próximos. Para quem está dentro do limite, a proteção do FGC existe, mas só se materializa em caso de liquidação. Enquanto isso, o risco de crédito é seu. Diversificar entre instituições é a regra mais simples e mais eficaz: nenhum banco deveria concentrar mais do que o teto do FGC do seu patrimônio em renda fixa bancária.
O episódio do Master mostrou que o FGC cumpre sua função, mas o processo leva tempo. Saiba o que aconteceu na prática lendo sobre o FGC após a liquidação do Master.
Sinais de alerta que o Digimais já acumulava (e por que a PF entrou em cena)
A Operação Miragem não surgiu do nada. Ela cristaliza sinais que o mercado e a Meelion vinham monitorando desde o início de 2026. Entender essa cronologia ajuda o investidor a calibrar a confiança em taxas aparentemente generosas.
Captação agressiva via CDB. Entre 2023 e 2024, o banco emitiu títulos a 110% do CDI ou mais para atrair recursos. Taxa acima do mercado, em banco de porte médio, costuma compensar percepção de risco elevado. Não é crime oferecer taxa alta. O problema surge quando a taxa financia operações opacas enquanto o balanço é maquiado.
Exposição ao ecossistema Master. Após a liquidação do Banco Master, o Digimais absorveu cerca de R$ 600 milhões em carteiras de crédito. O paralelo entre os dois casos foi reforçado pela própria Polícia Federal, que descreveu o modus operandi como análogo. Nosso dossiê sobre o efeito dominó do caso Master no Digimais detalha essa conexão.
Fundos opacos no balanço. A auditoria que identificou R$ 3 bilhões em fundos sem demonstrações auditáveis e valorização de 178% em poucos meses é o tipo de sinal que agências de rating e investidores institucionais não ignoram. Resultado contábil sem lastro auditável fragiliza a transparência que o regulador exige.
Rating em queda livre. De BB+(bra) para CCC(bra) em um único movimento da Fitch, com retirada posterior das notas. A Moody’s Local já havia antecipado o caminho com rebaixamento para CCC+.br em maio. Quando duas agências convergem para a faixa de default, o mercado repricia o risco imediatamente.
Dependência de solução externa. O acordo preliminar com o BTG Pactual, anunciado em abril de 2026, dependia de empréstimo do FGC e de aprovações regulatórias. A operação da PF adiciona uma camada de incerteza jurídica que pode retardar ou inviabilizar a transação, embora não a encerre automaticamente.
Vender no mercado secundário, esperar o vencimento ou migrar? Como decidir
Esta é a decisão mais difícil para quem tem dinheiro no Digimais hoje. Não existe fórmula única, mas um framework racional ajuda a evitar tanto o pânico quanto a paralisia.
| Situação do investidor | Estratégia mais racional | Ressalvas |
|---|---|---|
| Exposição total abaixo de R$ 250 mil, vencimento em até 6 meses | Manter até o vencimento e não renovar | Risco residual de crédito permanece; acompanhar comunicados do BC |
| Exposição acima de R$ 250 mil | Reduzir posição acima do teto (secundário ou vencimentos) | Deságio no secundário é o custo da proteção extra |
| Reserva de emergência no Digimais | Migrar para Tesouro Selic ou CDB de grande banco com liquidez diária | Reserva não pode ficar em emissor com rating CCC |
| CDB sem liquidez, vencimento longo (2027+) | Avaliar venda no secundário vs. custo de oportunidade | CDBs a 135% do CDI na XP sinalizam fuga; deságio pode ser alto |
| Posição pequena (abaixo de R$ 50 mil), fora da reserva | Manter com monitoramento ativo | Custo de migração (IR, deságio) pode superar o benefício |
O mercado secundário de CDBs Digimais registrou volume expressivo em junho de 2026, com papéis ofertados a 135% do CDI na plataforma da XP. Taxa alta no secundário, paradoxalmente, indica que vendedores aceitam “pagar” ao comprador para sair da posição. Quem compra nessas condições assume o risco de crédito em troca de rentabilidade elevada. Quem vende paga um prêmio de seguro para transferir esse risco.
Antes de vender com deságio, calcule: qual o percentual de perda no preço de saída? Compare com a probabilidade percebida de default e com o valor que excede o teto do FGC. Se você tem R$ 400 mil no Digimais e o deságio para liquidar R$ 150 mil (a parte acima do FGC) é de 8%, o custo de saída é R$ 12 mil. Para muitos investidores, R$ 12 mil para eliminar R$ 150 mil de exposição descoberta é um cálculo racional. Para quem tem R$ 80 mil e vencimento em 45 dias, o deságio pode ser desnecessário.
O olhar da Meelion
Desde março de 2026, a Meelion classificava o Digimais como emissor de risco elevado, com recomendação de não aumentar exposição. A Operação Miragem confirma a direção do alerta, sem alterar a mecânica: o FGC protege até o limite, a liquidação não foi decretada e cada investidor precisa calibrar sua posição com base em valor, prazo e tolerância a risco. Não recomendamos sacar tudo em pânico se isso gerar perda desnecessária por deságio ou tributação. Recomendamos executar o checklist, cessar novos aportes e diversificar o que exceder o teto do FGC.
Alternativas seguras: compare CDBs e LCIs de outros emissores
Para o dinheiro que você decidir realocar, o mercado oferece alternativas com perfil de risco muito diferente. A lógica é simples: substituir exposição a um emissor com rating CCC por instituições com classificação AAA ou AA, ou por grandes bancos com histórico de solidez.
Tesouro Selic para reserva de emergência: liquidez em D+1, risco soberano (governo federal), sem limite de FGC porque a garantia é do Tesouro Nacional. Ideal para a parcela que precisa estar disponível a qualquer momento.
CDB de grande banco com liquidez diária: taxas menores (geralmente entre 90% e 100% do CDI), mas risco de crédito drasticamente inferior. Para objetivos de médio prazo com segurança, é a troca mais comum.
LCI e LCA de bancos sólidos: isenção de Imposto de Renda compensa taxa nominal menor. Um CDB a 100% do CDI equivale, após IR, a uma LCI de aproximadamente 85% do CDI para prazos curtos. A vantagem fiscal pode fechar a conta a favor da LCI.
Ao comparar alternativas, olhe além da taxa: verifique o rating do emissor, a liquidez do título, o prazo e se o valor cabe dentro do limite do FGC na nova instituição. Concentrar a migração em um único banco apenas troca um risco por outro se o valor ultrapassar R$ 250 mil.
Onde podem estar as oportunidades
Crises de crédito em bancos médios costumam reprecificar o mercado de renda fixa como um todo. Emissores sólidos podem manter taxas estáveis enquanto bancos menores sob pressão oferecem prêmios cada vez maiores para reter captação. Para o investidor que não tem exposição ao Digimais, este não é momento de “caçar yield” em emissores com rating deteriorado. Para quem está migrando, a oportunidade está em consolidar carteira com qualidade, não em perseguir a taxa mais alta do painel.
Perguntas frequentes sobre o Digimais e seus investimentos
O Digimais quebrou?
Não. Até 23 de junho de 2026, não há decretação de liquidação extrajudicial pelo Banco Central. O banco continua operando e honrando obrigações, segundo sua própria comunicação. A investigação criminal e o rebaixamento de rating elevam o risco, mas não equivalem a falência decretada.
A Operação da PF congela meu dinheiro?
Não diretamente. O bloqueio judicial de até R$ 670 milhões atinge bens e valores dos investigados, não depósitos de clientes. Seus CDBs e LCIs seguem válidos e resgatáveis conforme as regras de cada título, salvo eventual medida futura do Banco Central.
Quando o FGC paga no caso Digimais?
Somente após decretação de intervenção ou liquidação extrajudicial pelo Banco Central. O processo, como visto no Master, pode levar meses entre a decretação e o início dos pagamentos. O limite é R$ 250 mil por CPF por instituição, com teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos.
Devo vender meu CDB Digimais no secundário?
Depende. Se você está acima do teto do FGC ou tem reserva de emergência no banco, a venda com deságio pode ser racional. Se está dentro do limite e o vencimento é curto, manter e não renovar pode custar menos. Calcule o deságio antes de decidir.
O BTG vai salvar o Digimais?
Há um acordo preliminar anunciado em abril de 2026, mas a conclusão depende de diligência de balanço, aprovações regulatórias e possível empréstimo do FGC. A operação da PF complica o cenário, sem encerrar automaticamente a negociação. Não conte com essa solução como garantia.
Posso aplicar em CDB Digimais a 135% do CDI no secundário?
Do ponto de vista de risco, um CDB de emissor com rating CCC negociado a taxa elevada no secundário reflete o prêmio que o mercado exige para assumir risco de crédito significativo. A taxa alta compensa o risco, não o elimina. Investidores conservadores devem evitar.
LCI e LCA no Digimais têm a mesma proteção que CDB?
Sim. LCIs e LCAs são cobertas pelo FGC no mesmo limite de R$ 250 mil por CPF, somadas aos demais produtos cobertos na mesma instituição. A isenção de IR não altera a cobertura do fundo garantidor.
Quais erros evitar neste momento?
Três armadilhas comuns: sacar tudo em pânico pagando deságio desnecessário; fazer novos aportes atraído por taxas altas; ignorar que conta corrente entra no cálculo do FGC. O checklist racional evita os três.
Método, não pânico
A Operação Miragem coloca o Banco Digimais no centro de uma investigação criminal sem precedentes recentes no setor, com paralelos que o mercado não ignora. Para quem tem dinheiro aplicado lá, o caminho passa por mapear a exposição, conferir o limite do FGC, avaliar a liquidez de cada título e decidir com base em números, não em manchetes. O risco de crédito é real e foi reconhecido pela Fitch como “possibilidade real” de quebra. Mas risco não é sentença, e liquidação não foi decretada.
Execute o checklist, cesse novos aportes, diversifique o que exceder R$ 250 mil e acompanhe os comunicados do Banco Central e do próprio banco. A situação é fluida e pode mudar nos próximos dias ou semanas. O investidor que age com método hoje está melhor posicionado do que aquele que espera a manchete seguinte para começar a pensar. E quando for realocar, compare emissores sólidos com ferramentas que traduzem taxa em risco real. Seu patrimônio merece essa disciplina.
A leitura sobre Digimais CDB ajuda a fechar a estratégia: Este artigo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento. A situação do Banco Digimais é fluida e pode mudar após a data de publicação (23 de junho de 2026). Consulte fontes oficiais e sua assessoria antes de tomar decisões.
Glossário
- CDB (Certificado de Depósito Bancário): empréstimo que o investidor faz ao banco em troca de uma remuneração prefixada ou atrelada ao CDI.
- CDI (Certificado de Depósito Interbancário): taxa de referência dos investimentos em renda fixa, próxima à taxa básica de juros da economia brasileira (Selic).
- FGC (Fundo Garantidor de Créditos): entidade que protege investidores em caso de liquidação extrajudicial de banco, até R$ 250 mil por CPF por instituição.
- LCI (Letra de Crédito Imobiliário): investimento isento de Imposto de Renda ligado ao setor imobiliário, coberto pelo FGC no mesmo limite dos CDBs.
- LCA (Letra de Crédito do Agronegócio): investimento isento de IR ligado ao agronegócio, com cobertura do FGC equivalente à LCI.
- Rating: classificação de risco de crédito atribuída por agências como Fitch e Moody’s. Faixas como CCC indicam alto risco de default.
- Liquidação extrajudicial: processo conduzido pelo Banco Central para encerrar as atividades de um banco insolvente, acionando o FGC para pagamento aos credores cobertos.
- Mercado secundário: ambiente onde investidores negociam títulos de renda fixa entre si antes do vencimento, muitas vezes com deságio ou ágio.
- Deságio: venda de um título por preço inferior ao valor de face ou de mercado, resultando em perda para o vendedor.
- Patrimônio líquido: diferença entre ativos e passivos de um banco. Indica a capacidade de absorver perdas antes de comprometer depositantes.
- Taxa básica de juros (Selic): referência para toda a economia. Influencia diretamente o CDI e a rentabilidade dos CDBs pós-fixados.
Fontes Consultadas
- G1: PF faz operação contra fraudes no sistema financeiro e bloqueia até R$ 670 milhões em bens ligados ao Digimais
- G1: Manipulação de balanços e operações fraudulentas: entenda operação da PF que investiga o Digimais
- Agência Brasil: Banco Digimais é alvo de operação da Polícia Federal
- Estadão: PF cumpre buscas no Digimais e pede bloqueio de R$ 670 milhões contra Edir Macedo e investigados
- Estadão: Recursos do FGC têm sido usados como subterfúgio para cometimento de crimes, diz Polícia Federal
- Folha de S.Paulo: PF bloqueia R$ 670 mi em operação contra Digimais, banco de Edir Macedo
- Valor Econômico: Fitch rebaixa rating do Digimais e diz que quebra do banco é possibilidade real
- Valor Econômico: Acordo do BTG para compra do Digimais já estava complicado antes da operação da PF
- Estadão: Fitch rebaixa rating do Digimais e vê risco real de falha ou default
- Moody’s Local: Comunicado de rating Banco Digimais S.A. (maio/2026)
- FGC: Fundo Garantidor de Créditos: regras de cobertura
- A Revista: CDB 135% do CDI explode na XP e levanta suspeitas no mercado
- Meelion: Análise de Risco Banco Digimais (link no corpo do artigo)

Escrito por:
Equipe de Redação da Meelion.
Ela é formada pelos founders Dan Mark Printes e Eduardo Horvarth e também escritores convidados. Entre em contato aqui.














