Renda fixa no 1º semestre de 2026: só 2 índices bateram o CDI

Com a Renda Fixa Semestre em foco, Você abre o aplicativo do banco no fim de junho esperando ver o patrimônio crescendo de forma previsível. A renda fixa sempre foi o porto seguro, o lugar onde o dinheiro rende sem surpresas. Só que o extrato de 2026 conta outra história: fundos de debêntures, títulos atrelados à inflação de prazo longo e papéis de crédito privado aparecem com números bem abaixo do que você imaginava. A sensação é de que algo deu errado, mesmo sem ter havido calote no seu CDB.

Esse desconforto tem explicação, e ela não está no seu bolso sozinho. O balanço da renda fixa no primeiro semestre de 2026 mostra um mercado dividido: enquanto a taxa de referência dos investimentos em renda fixa, próxima à Selic, acumulou 6,90% entre janeiro e junho, a maior parte das classes de ativos ficou para trás. Entre os 12 principais índices da ANBIMA, apenas dois superaram o CDI no período — sempre com marcação a mercado, método que atualiza o preço dos títulos dia a dia e pode distorcer a leitura de quem pretende levar os papéis até o vencimento.

Vamos traduzir esse ranking para a linguagem de quem investe de verdade. Você vai entender o que cada índice mede, por que IPCA+ e crédito privado sofreram na marcação a mercado, como checar a rentabilidade na curva se vai segurar até o vencimento, e o que vale considerar para o segundo semestre. Sem alarmismo: é um semestre difícil no preço de mercado, não necessariamente no contrato que você firmou.

Só 2 índices bateram o CDI no 1º semestre: o que os dados da ANBIMA mostram

A ANBIMA, associação que representa o mercado de capitais no Brasil, publica índices que funcionam como termômetro das carteiras teóricas de renda fixa. Todos os percentuais do ranking abaixo — e de qualquer índice ANBIMA — são calculados com marcação a mercado: o preço de cada título é atualizado dia a dia conforme a oferta e a demanda, como se a carteira fosse vendida naquele momento. Não é o rendimento contratual de quem comprou o papel e pretende levar até o vencimento.

Isso importa desde já. Se você abriu o aplicativo do banco e viu números fracos em fundos ou em títulos longos, pode estar olhando a fotografia do mercado — não necessariamente o que o seu dinheiro vai entregar se você segurar o investimento até a data combinada. Para avaliar a rentabilidade real da carteira com essa intenção, é preciso olhar os ativos na curva (projeção pelo fluxo contratual até o vencimento), e não só a cota ou o saldo marcado a mercado.

No fechamento de janeiro a junho de 2026, o CDI acumulou 6,90%. Apenas dois índices ficaram acima dessa referência:

  • IDA-DI (debêntures atreladas ao CDI): 7,09%, equivalente a 102,8% do CDI. Líder do semestre.
  • IMA-S (títulos públicos pós-fixados, como o Tesouro Selic): 6,95%, ou 100,7% do CDI.

Os outros dez índices ficaram abaixo. O pior desempenho coube ao IDA-IPCA Infraestrutura, debêntures incentivadas atreladas à inflação em projetos de infraestrutura, com apenas 1,43% no semestre, o equivalente a 20,7% do CDI.

Se você não acompanha o mercado todo dia: quando a curva de juros sobe, títulos prefixados e atrelados à inflação perdem valor de mercado. Quando há estresse no crédito privado, os spreads (a diferença entre a taxa que o emissor paga e a taxa de referência) abrem e penalizam fundos e ETFs. O pós-fixado curto, por outro lado, acompanha o CDI quase mecanicamente. Foi exatamente esse padrão que dominou o semestre.

O que isso significa para o seu dinheiro

Se você tinha a maior parte do patrimônio em CDBs ou LCIs pós-fixados de curto prazo, provavelmente acompanhou o CDI de perto. Se estava em fundos de debêntures IPCA+ ou em NTN-B de longo prazo, a cota pode ter decepcionado mesmo com cupons contratuais altos. O ranking não julga sua estratégia: ele mostra como o mercado precificou os ativos no período.

O ranking completo da renda fixa no primeiro semestre de 2026

A tabela abaixo consolida os 12 índices ANBIMA entre janeiro e junho de 2026, com a variação acumulada e o percentual em relação ao CDI. Cada linha reflete marcação a mercado — ou seja, ganhos e perdas de preço no período, somados aos cupons e à correção contratual. Não use esses números para concluir que o seu CDB ou a sua LCI renderam mal se você não pretende vender antes do vencimento.

ÍndiceO que representaVariação jan–jun/2026% do CDI
CDI (referência)Taxa interbancária, benchmark da renda fixa6,90%100,0%
IDA-DIDebêntures pós-fixadas (CDI)7,09%102,8%
IMA-STítulos públicos pós-fixados (Tesouro Selic/LFTs)6,95%100,7%
IRF-M 1Títulos públicos prefixados até 1 ano6,63%96,1%
IMA-B 5NTN-B (IPCA+) com vencimento até 5 anos6,48%93,9%
IMA-GeralTodos os títulos públicos federais5,83%84,5%
IDA-IPCA ex-InfraestruturaDebêntures IPCA+ sem isenção fiscal5,45%79,0%
IRF-MTodos os títulos públicos prefixados5,06%73,3%
IDA-GeralTodas as debêntures de mercado4,40%63,8%
IMA-BTodos os títulos públicos IPCA+4,08%59,1%
IMA-B 5+NTN-B com vencimento acima de 5 anos2,20%31,9%
IDA-IPCA InfraestruturaDebêntures incentivadas IPCA+ (infraestrutura)1,43%20,7%

Fonte: Anbima Data, compilado pelo InfoMoney em 1º de julho de 2026.

Dois padrões saltam aos olhos. Primeiro, o contraste brutal entre prazo curto e prazo longo: o IRF-M 1 (prefixados até um ano) rendeu 6,63%, enquanto o IRF-M 1+ (acima de um ano) ficou em 4,47%, ou 64,7% do CDI. O mesmo vale para NTN-B: IMA-B 5 com 6,48% versus IMA-B 5+ com apenas 2,20%.

Segundo, o abismo entre debêntures DI e debêntures IPCA+. O IDA-DI liderou o ranking; o IDA-IPCA Infraestrutura ficou no último lugar. Não é que toda debênture de infraestrutura seja ruim: o índice mede uma carteira específica marcada a mercado em um semestre de estresse nos spreads de crédito privado atrelado à inflação.

Por que IPCA+ e crédito privado ficaram para trás

O primeiro semestre de 2026 combinou três forças que costumam penalizar títulos longos e de crédito privado: volatilidade na curva de juros, estresse em emissores corporativos e marcação a mercado.

Volatilidade na curva de juros

A taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, saiu de 15% ao ano no início do ano para 14,25% após cortes do Copom. Parece boa notícia, mas o caminho foi turbulento. A comunicação do Banco Central e a expectativa de eleições em outubro aumentaram a incerteza. Juros futuros oscilaram, e o Tesouro Nacional chegou a cancelar leilão de NTN-B diante de taxas consideradas elevadas demais.

Quando os juros futuros sobem, títulos prefixados e atrelados à inflação perdem valor de mercado. Quem acompanha cotas de fundos ou ETFs vê isso no extrato. Quem comprou um título IPCA+ com cupom real alto e segura até o vencimento continua recebendo o fluxo contratual, mas a cota diária reflete o preço de mercado. Para entender esse mecanismo com mais profundidade, vale ler sobre como funciona a marcação a mercado.

Estresse em Raízen, GPA e crédito privado

Entre março e abril, processos de recuperação judicial de empresas como Raízen e GPA abriram os spreads de debêntures. O mercado passou a exigir prêmio maior para financiar emissores de crédito privado, e fundos que carregavam papéis dessas companhias sofreram resgates. O IDA-Geral, que reúne todas as debêntures, fechou o semestre em 4,40%, apenas 63,8% do CDI.

Na reta final de junho houve alívio parcial: spreads de debêntures incentivadas AAA recuaram 23 pontos-base desde o pico de maio, segundo o Bradesco BBI. O petróleo Brent caiu de cerca de US$ 82 para US$ 73, o IPCA-15 de junho veio em 0,41%, abaixo do esperado, e os juros futuros recuaram. Mas o estrago acumulado no semestre já estava feito. Para acompanhar a recuperação recente, confira nosso texto sobre spreads de debêntures recuando em junho.

Inflação abaixo do CDI

O IPCA acumulado até maio de 2026 ficou em 2,60%, bem abaixo dos 6,90% do CDI. Multimercados, medidos pelo IHFA da ANBIMA, renderam 3,04% no semestre (dado até 26 de junho). Em um ano em que a inflação, o índice que mede a alta geral dos preços, não acompanha os juros nominais, títulos híbridos e fundos diversificados também ficam para trás da referência.

Como proteger seu patrimônio

Proteção não significa abandonar IPCA+ ou crédito privado de uma vez. Significa alinhar prazo, indexador e liquidez ao seu objetivo. Reserva de emergência e metas de curto prazo pedem pós-fixado com vencimento compatível. Objetivos de longo prazo podem tolerar a volatilidade da marcação, desde que você não precise resgatar no pior momento. Diversificar emissores e evitar concentração em crédito de menor qualidade também reduz o risco de surpresas como as vividas em março. Nosso artigo sobre renda fixa negativa em março de 2026 detalha esse episódio.

Prazo curto ganhou de novo: o padrão que se repetiu

A tendência não é nova, mas o primeiro semestre de 2026 a confirmou com força. No primeiro trimestre, o IMA-S (Tesouro Selic) já liderava com 3,49%, enquanto o IDA-DI rendia 2,63% e o IDA IPCA Infraestrutura apenas 1,96%. Marcelo Cidade, da ANBIMA, destacou na época a cautela do investidor e a preferência por papéis de menor prazo.

Vamos do começo para entender por que isso acontece. Títulos pós-fixados de curto prazo acompanham o CDI quase dia a dia. Prefixados de até um ano sofrem menos com variações de juros do que os de 10 ou 20 anos. NTN-B longas têm duration (prazo médio ponderado do título) elevada: uma pequena alta nos juros futuros pode gerar queda relevante no preço de mercado.

Esse detalhe importa na hora de montar a carteira. Se você comprou NTN-B 2035 ou 2045 esperando ganhar com a queda de juros e o mercado foi na direção oposta, a cota sofre. O cupom contratual continua alto em termos reais (títulos IPCA+ pagando juros reais acima de 8% ao ano mais inflação eram comuns no semestre), mas o investidor que olha o extrato mensalmente sente o impacto da marcação.

Marcação a mercado, na curva e até o vencimento: como ler o extrato de verdade

Antes de tirar conclusões do ranking, vale fixar três formas diferentes de medir a mesma carteira. Confundir uma com a outra é o que faz muita gente achar que a renda fixa “falhou” no semestre.

Marcação a mercado

É o método dos índices ANBIMA, dos fundos de renda fixa, dos ETFs e de boa parte do que aparece no extrato quando o preço do título oscila no mercado secundário. O valor da posição sobe e desce conforme juros futuros, spreads de crédito e liquidez — mesmo que o cupom contratado não tenha mudado. Todo o balanço semestral deste artigo está nessa régua. Quando o IMA-B 5+ cai para 2,20% no semestre, é a carteira teórica sendo repriced dia a dia, não o investidor que segurou NTN-B até 2045 recebendo só isso no contrato.

Na curva

É a visão pelo fluxo contratual: quanto o investimento deve acumular até o vencimento se nada for vendido antes e o emissor honrar o pagamento. Não ignora o mercado para sempre — se você resgatar antecipadamente, a marcação volta a mandar —, mas responde à pergunta certa para quem tem plano de carregar o papel: “se eu levar até o fim, quanto rende de fato?”

Muitos aplicativos de banco e corretora permitem alternar entre rentabilidade a mercado e na curva (às vezes chamada de “projeção”, “até o vencimento” ou “rentabilidade contratual”). Se a sua intenção é não resgatar antes da data, olhe a posição na curva antes de comparar com o CDI do semestre. O número na curva é a rentabilidade real da sua carteira para esse horizonte; o a mercado é uma estimativa de quanto valeria hoje se você saísse da posição.

Até o vencimento (título em carteira própria)

CDB, LCI, LCA e LIG contratados diretamente com taxa definida — em especial os pós-fixados — tendem a entregar exatamente o que foi combinado se você segurar até o vencimento e não houver calote. Um CDB a 110% do CDI não “perde para o CDI” por causa do ranking ANBIMA: ele simplesmente não entra nesse índice. O mesmo vale para LCIs e LCAs isentas com taxa atrativa.

A distinção fica mais sutil em prefixados e IPCA+ comprados no Tesouro Direto ou em debêntures em carteira própria: o cupom contratual continua valendo até o vencimento, mas o extrato pode mostrar variação a mercado no meio do caminho. Quem pretende levar até o fim deve cruzar a leitura na curva com o prazo e o indexador — não comparar a cota de junho com o CDI acumulado como se fosse rendimento definitivo.

Para aprofundar o mecanismo, leia sobre como funciona a marcação a mercado e quando ela ajuda ou atrapalha.

Isso significa que seu CDB rendeu mal?

Aqui está a distinção que poucos artigos fazem, e que muda completamente a leitura do balanço semestral — resumindo o que vimos acima aplicado ao seu bolso.

Os índices ANBIMA medem carteiras teóricas marcadas a mercado. Eles atualizam o preço dos títulos todos os dias, como se você comprasse e vendesse constantemente. Um CDB contratado a 110% do CDI e mantido até o vencimento não aparece nesse ranking — e, segurado até o fim, deve superar o CDI na proporção contratada (descontado IR, quando couber). Para saber se isso de fato aconteceu na sua carteira, compare o rendimento na curva ou o saldo projetado até o vencimento, não a variação a mercado de um fundo equivalente.

Por isso existe uma aparente contradição: você lê que “só 2 índices bateram o CDI”, mas também vê anúncios de CDBs pagando 114% do CDI ou LCIs isentas de Imposto de Renda com taxas atrativas. As duas coisas podem ser verdade ao mesmo tempo. O ranking mede classes de ativos em condições de mercado; o seu produto individual mede o contrato que você firmou com o banco ou a corretora.

Segundo dados do O Globo (30 de junho de 2026), o CDB médio rendeu 5,3% no semestre e a poupança 4,04%. O CDI acumulou 6,84% na mesma fonte (ligeiramente abaixo dos 6,90% da Anbima Data). Quem tinha CDB acima de 100% do CDI e segurou até junho provavelmente superou a média e, em muitos casos, ficou próximo ou acima do CDI, especialmente com a vantagem fiscal das LCIs e LCAs.

O problema aparece em três situações específicas:

  • Fundos e ETFs de renda fixa: cotas marcadas a mercado, como os índices ANBIMA.
  • Resgate antecipado: títulos prefixados ou IPCA+ vendidos antes do vencimento podem gerar perda, mesmo com cupom alto.
  • Crédito privado de emissor estressado: além da marcação, há risco de calote ou renegociação, como nos casos de Raízen e GPA.

Se você está em fundo de debêntures incentivadas com cota em queda, a dúvida é legítima: resgatar ou aguardar? Nosso texto sobre fundos de debêntures incentivadas em queda aborda esse dilema com critérios objetivos.

Onde podem estar as oportunidades no 2º semestre de 2026

Semestre difícil não é sinônimo de mercado fechado. Com a Selic ainda em 14,25% ao ano, o pós-fixado continua atrativo para reserva e metas de curto prazo. CDBs, LCIs e LCAs pagando acima de 100% do CDI oferecem remuneração real elevada em termos nominais.

No lado IPCA+, a volatilidade do semestre deixou taxas reais historicamente altas em títulos do Tesouro Direto e debêntures. Para quem tem horizonte longo e não depende do resgate nos próximos anos, comprar IPCA+ com juro real acima de 8% mais inflação pode fazer sentido estratégico, desde que você aceite ver a cota oscilar. O artigo sobre risco de desacoplamento entre CDI e IPCA ajuda a calibrar essa escolha.

No crédito privado, a recomendação do BB Investimentos para o segundo semestre é de cautela: preferir emissores de maior qualidade e estruturas robustas. Spreads que abriram em março e abril podem representar oportunidade para quem faz análise de crédito, mas não compensam correr risco desnecessário em emissor frágil.

O olhar da Meelion

O balanço do semestre reforça o que a Meelion propõe desde o início: comparar taxas reais antes de alocar. Índices ANBIMA explicam o mercado; CDBs, LCIs, debêntures e títulos do Tesouro Direto disponíveis hoje mostram o que você pode contratar agora. Antes de realocar a carteira no segundo semestre, vale simular diferentes combinações de prazo e indexador na plataforma e ver qual remuneração líquida cada opção entrega para o seu perfil.

O que fazer no 2º semestre de 2026: guia prático

Com eleições à frente e volatilidade esperada nos juros, alguns passos ajudam a navegar o segundo semestre com mais clareza.

1. Revise o que você realmente tem — e em qual régua está olhando

Separe investimentos contratuais (CDB, LCI, LCA com taxa fixa até o vencimento) de fundos e ETFs (cotas marcadas a mercado). Para os primeiros, abra a visão na curva ou “até o vencimento” no app antes de comparar com o CDI do semestre. Para fundos, a cota é a mercado por definição — e aí o ranking ANBIMA faz sentido como referência. Um CDB a 112% do CDI não “perdeu para o CDI” se você não resgatou antes do prazo e está olhando o rendimento contratual; só parece que perdeu se você confunde com a performance a mercado de outra classe.

2. Alinhe prazo ao objetivo

Reserva de emergência: pós-fixado curto, liquidez diária ou D+0. Meta em 3 anos: prefixado ou IPCA+ de prazo compatível, sem alongar além do necessário. Aposentadoria em 15 anos: IPCA+ longo pode fazer sentido, desde que você tolere oscilações na cota.

3. Não panicar com fundos IPCA+

Se o horizonte é longo e o cupom contratual continua alto, a queda da cota no semestre é efeito de marcação, não necessariamente perda definitiva. Resgatar no vale pode cristalizar prejuízo. Avalie o emissor, a liquidez do fundo e se você precisa do dinheiro antes de decidir.

4. Compare taxas antes de realocar

O mercado muda semanalmente. Um CDB que pagava 105% do CDI em janeiro pode ter concorrente a 115% em julho. LCIs isentas de IR com taxa equivalente a 125% do CDI bruto aparecem com frequência em plataformas de distribuição. Comparar em um só lugar economiza tempo e melhora a decisão.

5. Mantenha diversificação por emissor

O FGC, o Fundo Garantidor de Créditos, protege até R$ 250 mil por CPF por instituição. Em crédito privado, diversificar emissores reduz o impacto de um caso pontual como Raízen ou GPA. Não concentre tudo em um único fundo alavancado de debêntures.

Perguntas frequentes sobre a renda fixa no 1º semestre de 2026

Por que só 2 índices ANBIMA bateram o CDI?

Porque todos os índices ANBIMA usam marcação a mercado, e a maior parte das classes sofreu com juros voláteis e estresse no crédito privado no semestre. Apenas debêntures pós-fixadas (IDA-DI) e títulos públicos pós-fixados (IMA-S) acompanharam de perto o CDI nessa régua. Isso não significa que todo investidor em renda fixa ficou abaixo do CDI — CDBs e LCIs segurados na curva até o vencimento seguem outra lógica.

Qual a diferença entre marcação a mercado e na curva?

Marcação a mercado atualiza o valor da posição pelo preço de hoje no mercado — é o que os índices ANBIMA e as cotas de fundos mostram. Na curva projeta o rendimento pelo contrato até o vencimento, sem repricing diário. Se você pretende levar o título até o fim, a leitura na curva é a rentabilidade real da sua carteira para esse plano; a mercado só importa de verdade se você for vender antes.

Meu CDB perdeu dinheiro no semestre?

Provavelmente não, se era pós-fixado, você manteve até o vencimento (ou ainda vai manter) e olhou o rendimento na curva. CDBs rendem a taxa contratada — um CDB a 110% do CDI deve entregar 110% do CDI no período, não o desempenho a mercado do IMA-B ou do IDA-Geral. A exceção é resgate antecipado em título prefixado ou IPCA+, quando a marcação a mercado pode gerar perna negativa mesmo com cupom alto.

Devo sair de fundos de debêntures IPCA+?

Depende do prazo, do emissor e da sua necessidade de liquidez. Resgatar após queda forte pode cristalizar prejuízo. Avalie se o horizonte continua longo e se a taxa contratual compensa aguardar a recuperação da cota.

IPCA+ ainda vale a pena com Selic em 14,25%?

Para objetivos de longo prazo, títulos IPCA+ com juro real acima de 8% mais inflação continuam atrativos em termos contratuais. A volatilidade da cota é o preço dessa escolha. Para curto prazo, o pós-fixado tende a ser mais confortável.

O que esperar do 2º semestre de 2026?

Mais volatilidade com eleições em outubro, segundo analistas citados pelo O Globo. Cautela em crédito privado, oportunidades em pós-fixado com Selic elevada e possível recuperação parcial de spreads em debêntures de qualidade.

Qual a diferença entre índice ANBIMA e meu investimento?

O índice mede uma carteira teórica com preços atualizados diariamente (marcação a mercado). Seu CDB ou LCI em carteira própria mede o contrato — e, até o vencimento, a rentabilidade real aparece na visão na curva, não no ranking ANBIMA. Fundos e ETFs se comportam como os índices; títulos segurados até o vencimento se comportam como contrato.

O que o semestre ensina para a sua carteira

O primeiro semestre de 2026 foi um lembrete de que renda fixa não é monólito — e de que marcação a mercado não é a mesma coisa que rentabilidade até o vencimento. Debêntures DI e Tesouro Selic lideraram o ranking a mercado; IPCA+ longo e crédito privado alavancado ficaram para trás. A volatilidade da curva, o estresse em emissores corporativos e a marcação explicam o placar sem precisar de narrativa catastrófica.

Para o seu dinheiro, o balanço pede revisão consciente, não movimentos impulsivos. Entenda o que você tem, confira se está olhando a posição a mercado ou na curva conforme o seu plano, alinhe prazo e indexador aos objetivos e compare taxas reais antes de realocar. A renda fixa continua sendo o alicerce do patrimônio brasileiro: o semestre difícil mostra que escolher bem — e ler o extrato na régua certa — importa tanto quanto escolher renda fixa.

A leitura sobre Renda Fixa Semestre ajuda a fechar a estratégia: Este artigo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não garante resultados futuros. Confirme taxas, prazos e condições diretamente com a instituição emissora antes de investir.

Glossário

  • Selic: taxa básica de juros da economia brasileira. Influencia empréstimos, financiamentos e a remuneração dos investimentos pós-fixados.
  • CDI: taxa de referência dos investimentos em renda fixa, próxima à Selic. É o benchmark mais usado para comparar rendimentos no Brasil.
  • IPCA: índice que mede a inflação oficial, ou seja, a alta geral dos preços. Títulos IPCA+ pagam uma taxa fixa mais a variação desse índice.
  • ANBIMA: Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais. Publica índices que medem o desempenho de carteiras teóricas de renda fixa.
  • Marcação a mercado: atualização diária do valor de um título conforme os preços praticados no mercado, e não apenas pelo contrato. É a régua dos índices ANBIMA e das cotas de fundos.
  • Na curva: projeção do rendimento pelo fluxo contratual até o vencimento, sem repricing diário de mercado. É a visão correta para quem pretende levar o título até o fim.
  • Debêntures: títulos de dívida emitidos por empresas para captar recursos no mercado. Podem ser pós-fixadas (CDI), prefixadas ou atreladas à inflação.
  • NTN-B: título do Tesouro Direto atrelado ao IPCA, com juros semestrais. Usado para proteção contra inflação em prazos longos.
  • Spread: diferença entre a taxa que o emissor paga ao investidor e a taxa de referência de mercado. Spreads maiores indicam maior percepção de risco.
  • Duration: prazo médio ponderado de um título. Quanto maior, mais sensível às variações de juros.
  • FGC: Fundo Garantidor de Créditos. Protege até R$ 250 mil por CPF por instituição financeira em caso de falência do emissor.
  • LCI / LCA: investimentos isentos de Imposto de Renda ligados ao setor imobiliário (LCI) ou ao agronegócio (LCA).
  • CDB: Certificado de Depósito Bancário. Empréstimo que o investidor faz ao banco em troca de uma remuneração.

Fontes Consultadas

  • InfoMoney: Balanço da renda fixa ANBIMA no 1º semestre de 2026. https://www.infomoney.com.br/onde-investir/balanco-renda-fixa-anbima-1-semestre-2026/
  • ANBIMA: Cautela do investidor favorece renda fixa de menores prazos no 1º trimestre de 2026. https://www.anbima.com.br/pt_br/imprensa/cautela-do-investidor-favorece-renda-fixa-de-menores-prazos-no-primeiro-trimestre-de-2026.htm
  • ANBIMA: Metodologia dos índices IDA. https://www.anbima.com.br/pt_br/informar/precos-e-indices/indices/ida.htm
  • O Globo: Investimentos, bolsa, dólar, primeiro semestre 2026. https://oglobo.globo.com/economia/financas/noticia/2026/06/30/investimentos-bolsa-dolar-primeiro-semestre-2026-veja-quanto-rendeu.ghtml
  • Exame: Retorno de títulos IPCA se aproxima de 9%. https://exame.com/invest/onde-investir/retorno-de-titulos-ipca-se-aproxima-de-9-oportunidade-ou-sinal-de-alerta/
Dan Mark Printes

Dan Printes é fundador da Meelion e empreendedor na área de tecnologia. Atua com inteligência artificial, produtos digitais e investimentos, com especial interesse em renda fixa e na aplicação de tecnologia para tornar decisões financeiras mais simples e inteligentes. Neste espaço, compartilha insights sobre investimentos, economia, renda fixa e outros temas relacionados ao mercado financeiro.

Outros artigos do seu interesse