NTN-F tesouro prefixado: guia dos cupons semestrais
A NTN-F tesouro prefixado permite travar hoje uma taxa de juros nominal acima de 14% ao ano e, ainda assim, receber dinheiro na conta a cada seis meses, sem precisar resgatar o investimento. Esse título do Tesouro Direto também é conhecido comercialmente como Tesouro Prefixado com juros semestrais. Enquanto a LTN concentra todo o retorno no vencimento, a série F distribui parte do rendimento ao longo do tempo.
Para quem busca complementar renda, reinvestir parcelas ou simplesmente ver o patrimônio “trabalhar” com pagamentos periódicos, a NTN-F ocupa um lugar único na renda fixa pública. Não é o título mais simples do Tesouro Direto, mas é o único prefixado soberano que combina taxa travada na compra com fluxo de caixa semestral.
Neste guia, vamos desmontar a mecânica dos cupons, entender por que julho de 2026 pode ser um momento relevante para quem quer fixar taxas nominais altas, comparar a NTN-F com LTN, LFT e CDB prefixado, simular quanto R$ 10 mil rendem na prática e apontar os impostos e armadilhas que costumam pegar investidores de surpresa.
O que é NTN-F tesouro prefixado e por que ela existe
A sigla NTN-F significa Nota do Tesouro Nacional, série F. No site do Tesouro Direto, você a encontra como Tesouro Prefixado com Juros Semestrais. Trata-se de um título emitido pelo governo federal com rentabilidade prefixada: a taxa que você contrata no momento da compra fica travada até o vencimento, independentemente do que aconteça com a taxa básica de juros da economia brasileira (Selic) depois disso.
Cada unidade do título tem valor de face de R$ 1.000,00, pago integralmente no vencimento. O que muda é o preço que você paga hoje para adquirir esse direito futuro. Em julho de 2026, a NTN-F 2037 negocia a cerca de R$ 786,67 por título, com taxa contratada em torno de 14,27% ao ano, segundo cotações divulgadas após o IPCA de junho (Valor Investe, 10/07/2026).
Vamos do começo: prefixado significa que a taxa nominal está definida. Se você compra a 14,27% ao ano e mantém o título até 2037, essa é a rentabilidade contratada, antes de impostos e descontando a taxa de custódia da B3. O risco principal não é crédito (o emissor é o Tesouro Nacional), e sim a oscilação do preço do título se você precisar vender antes do prazo.
NTN-F não é NTN-B: a distinção que evita confusão
Outro título do Tesouro Direto também paga cupons semestrais: o Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTN-B). A diferença é fundamental. A NTN-B corrige o valor pelo índice que mede a alta geral dos preços (inflação), enquanto a NTN-F paga taxa fixa em reais. Se o seu objetivo é travar uma taxa nominal em reais e receber cupons previsíveis, a série F é a escolha. Se quer proteção contra inflação, o caminho é outro.
O que isso significa para o seu dinheiro
Ao comprar NTN-F, você está fazendo duas coisas ao mesmo tempo: emprestando ao governo a uma taxa conhecida e programando entradas de caixa semestrais. Isso muda a forma como o patrimônio evolui. Parte do retorno “sai” da posição a cada cupom, o que reduz a sensibilidade do título a variações de juros (menor duration em relação a uma LTN de mesmo vencimento), mas também significa que o Imposto de Renda incide antes do vencimento final.
Como funcionam os cupons semestrais da NTN-F
Os cupons da NTN-F são pagos sempre no dia 1º de janeiro e no dia 1º de julho, até o vencimento do título. Cada pagamento corresponde a R$ 48,81 por unidade, valor fixo calculado sobre o valor de face de R$ 1.000,00. Isso equivale a 4,88% semestrais sobre a face, referência derivada de uma taxa de cupom de 10% ao ano definida na emissão.
Esse detalhe importa: o cupom de R$ 48,81 não é a rentabilidade do seu investimento. É apenas o fluxo de pagamento contratual do título. A rentabilidade real depende do preço que você pagou na compra. Se comprou a 14,27% ao ano pagando R$ 786,67, o retorno total (cupons + valor de face no vencimento) converge para essa taxa. Se pagou mais caro, a rentabilidade efetiva cai; se pagou mais barato, sobe.
No vencimento, você recebe o último cupom semestral mais os R$ 1.000,00 de valor de face por título. Até lá, o preço unitário (PU) do título oscila diariamente conforme as expectativas de juros futuros, mas tende a convergir para o valor de face na data final.
Calendário prático de cupons
Para a NTN-F 2037 (vencimento em 1º de janeiro de 2037), quem comprar em julho de 2026 receberá o primeiro cupom em janeiro de 2027. Depois disso, os pagamentos seguem semestralmente: julho/2027, janeiro/2028, julho/2028, e assim por diante, até o vencimento. São mais de vinte eventos de cupom entre a compra e a data final, o que transforma o título em uma fonte de renda periódica de longo prazo.
Quem já montou estratégias de renda com cupons semestrais em crédito privado reconhecerá a lógica. A diferença aqui é o emissor soberano e a tributação específica do Tesouro Direto. Para aprofundar essa comparação, vale ler nosso conteúdo sobre estratégia de renda com cupons semestrais em debêntures e CRI.
NTN-F tesouro prefixado em julho de 2026: taxas e cenário
O contexto macroeconômico de julho de 2026 favorece a conversa sobre prefixados. A Selic está em 14,25% ao ano (Meelion, 11/07/2026), patamar elevado em termos históricos recentes. O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central em 6 de julho, projeta a Selic em 14,00% ao fim de 2026, sinalizando que o mercado espera cortes adicionais de juros ao longo do semestre.
A inflação medida pelo IPCA veio abaixo das projeções em junho: 0,16% no mês, 4,64% nos últimos 12 meses e 3,36% acumulado no ano (IBGE, 10/07/2026). O Focus mediano para o IPCA em 2026 recuou para 5,30%. Esse cenário de inflação mais contida reforçou a queda nas taxas dos títulos prefixados: a NTN-F 2037 passou de 14,48% para 14,27% ao ano entre 9 e 10 de julho (Valor Investe, 10/07/2026).
Na mesma sessão, o Tesouro Prefixado 2032 (LTN) fechou a 14,26% e o Prefixado 2029 a 13,98%. A curva de juros futuros (DI) também recuou: o contrato para janeiro de 2028 caiu de 14,04% para 13,83% (Valor, 10/07/2026). Para quem acompanha o timing de compra, entender essa dinâmica passa pela curva DI e timing de compra.
Onde podem estar as oportunidades
Quando o mercado precifica queda de juros futuros, os prefixados longos tendem a pagar taxas nominais atraentes para quem acredita que a Selic cairá mais do que o preço atual dos títulos reflete. Travar 14,27% ao ano em um título soberano, com cupons semestrais, pode fazer sentido para investidores que: (1) têm horizonte de longo prazo; (2) não precisarão do principal antes de 2037; (3) valorizam renda periódica ou reinvestimento programado.
A janela, porém, não é eterna. Taxas que recuam após IPCA fraco indicam que o mercado já embute parte desse cenário. Quem espera queda adicional pode ganhar taxas melhores, mas corre o risco de ver os prefixados subirem de preço (e cair de taxa) se o Banco Central surpreender com postura mais dura.
NTN-F tesouro prefixado vs LTN vs LFT vs CDB: qual escolher?
A escolha entre títulos prefixados depende menos da taxa nominal isolada e mais do objetivo financeiro, do fluxo de caixa desejado e da tolerância a volatilidade. A tabela abaixo resume as diferenças práticas entre as principais alternativas disponíveis em julho de 2026.
| Critério | NTN-F (Prefixado c/ juros) | LTN (Prefixado) | LFT (Tesouro Selic) | CDB prefixado |
|---|---|---|---|---|
| Taxa travada na compra | Sim (~14,27% NTN-F 2037) | Sim (~14,26% LTN 2032) | Não (acompanha Selic) | Sim (varia por banco/prazo) |
| Fluxo de renda periódica | Sim (cupons jan/jul) | Não (tudo no vencimento) | Não | Geralmente não |
| Imposto de Renda | Regressivo; incide a cada cupom | Regressivo; incide no resgate | Regressivo; incide no resgate | Regressivo; incide no resgate |
| Liquidez | D+1 (marcação a mercado) | D+1 (marcação a mercado) | D+1 (baixa volatilidade) | Depende do banco/prazo |
| Risco de crédito | Governo federal | Governo federal | Governo federal | Banco (FGC até R$ 250 mil) |
| Duration / volatilidade | Menor que LTN equivalente | Maior (sem cupons) | Muito baixa | Varia conforme prazo |
| Melhor para | Renda semestral + taxa travada | Acumulação até o vencimento | Reserva / caixa / pós-fixado | Taxa bancária + FGC |
Se o objetivo é acumular patrimônio sem pagamentos intermediários e maximizar a eficiência fiscal do IR regressivo (tributação única no resgate), a LTN tende a ser mais eficiente que a NTN-F de mesma taxa nominal. Os cupons da série F antecipam o pagamento de imposto, o que reduz o efeito da tabela regressiva ao longo do tempo.
A LFT (Tesouro Selic) não compete diretamente: é pós-fixada e serve como “caixa” de alta liquidez com baixíssima volatilidade. Para reserva de emergência ou quem precisa de liquidez imediata sem oscilação, a NTN-F de vencimento 2037 é inadequada. Para esse perfil, a LFT ou produtos com liquidez diária são mais adequados.
Já o CDB prefixado bancário pode pagar taxas nominais superiores em alguns casos. Em julho de 2026, um CDB prefixado do BTG Pactual com vencimento em abril de 2033 oferecia 14,74% bruto ao ano, equivalente a cerca de 13,65% líquido após IR de 15% (Meelion comparador). Um CDB de prazo curto, com vencimento em dezembro de 2026, pagava 14,35% bruto, mas com alíquota de 20% resultava em cerca de 11,03% líquido (Investidor10). A decisão passa por comparar liquidez, garantia do FGC e se você prefere crédito bancário ou soberano. Para aprofundar essa análise, confira nosso artigo sobre quando optar por prefixado bancário.
Quanto rende na prática: simulação com R$ 10 mil
Para dimensionar o impacto real no bolso de um NTN-F tesouro prefixado, vamos simular um aporte de R$ 10.000,00 na NTN-F 2037 a 14,27% ao ano, com preço unitário de R$ 786,67 (dados de julho de 2026).
Quantos títulos dá para comprar?
Com R$ 10.000,00, é possível adquirir 12 títulos (12 × R$ 786,67 = R$ 9.440,04). Sobram R$ 559,96 que ficam disponíveis na conta do Tesouro Direto para a próxima compra ou para pagar taxas. A simulação considera os 12 títulos.
Valor dos cupons semestrais
Cada título paga R$ 48,81 por cupom. Com 12 títulos, o fluxo bruto semestral é de R$ 585,72. Isso equivale a aproximadamente R$ 97,62 por mês em média, antes de impostos. Não é uma renda substancial, mas é previsível e cresce conforme você acumula mais títulos ao longo do tempo.
O Imposto de Renda incide sobre cada cupom na alíquota vigente na data do pagamento, conforme a tabela regressiva de IR na renda fixa:
- Até 180 dias: 22,5%
- De 181 a 360 dias: 20%
- De 361 a 720 dias: 17,5%
- Acima de 720 dias: 15%
Para o primeiro cupom (janeiro de 2027, cerca de seis meses após a compra), a alíquota provável é de 20%. O cupom líquido seria de aproximadamente R$ 468,58 (R$ 585,72 menos 20%). Nos cupons seguintes, conforme o tempo de permanência avança, a alíquota tende a cair até 15%, aumentando o valor líquido recebido.
Reinvestir cupons ou usar como renda?
Duas estratégias comuns:
Usar como renda: os R$ 468,58 (líquidos no primeiro cupom) entram na conta corrente para complementar despesas. Ao longo de dez anos, os cupons acumulados representam uma parcela relevante do retorno total, especialmente para quem se aposentará antes de 2037 e valoriza fluxo de caixa.
Reinvestir cupons: cada pagamento semestral é reaplicado em novos títulos ou em outros investimentos. Isso acelera o crescimento patrimonial, mas exige disciplina e atenção à tributação de cada evento. Reinvestir cupons da NTN-F em prefixados bancários ou em nova NTN-F pode fazer sentido se as taxas continuarem atrativas.
Retorno total se mantido até 2037
Mantendo os 12 títulos até o vencimento em janeiro de 2037, o investidor recebe todos os cupons semestrais (cerca de 21 pagamentos a partir de janeiro de 2027) mais R$ 12.000,00 de valor de face (12 × R$ 1.000,00). O retorno total bruto converge para a taxa contratada de 14,27% ao ano sobre o valor investido de R$ 9.440,04, antes de impostos sobre os cupons e sobre o ganho de capital no resgate final.
Em termos absolutos, a diferença entre o preço pago (R$ 9.440,04) e o valor de face recebido (R$ 12.000,00), somada aos cupons, compõe o retorno. A rentabilidade líquida final depende das alíquotas de IR aplicadas em cada cupom e no resgate, o que torna a NTN-F menos eficiente fiscalmente que uma LTN de mesma taxa nominal mantida até o fim.
Impostos, custos e armadilhas da NTN-F
A tributação é o ponto onde mais investidores tropeçam ao migrar de LTN para NTN-F. Cada cupom semestral é tratado como um evento tributável independente. Isso significa que, nos primeiros anos, alíquotas de 17,5% a 22,5% podem incidir sobre os pagamentos, reduzindo o fluxo líquido e antecipando o pagamento de imposto em relação a um título “bullet” que só tributa no resgate.
Além do IR, existem outros custos e riscos operacionais:
Taxa de custódia da B3
O Tesouro Direto cobra taxa de custódia de 0,20% ao ano sobre o valor investido, com isenção para aplicações de até R$ 10.000,00 (desde que o investidor possua no máximo um título do Tesouro Selic). Acima desse patamar, a taxa incide normalmente. Em um aporte de R$ 10.000,00 exclusivamente em NTN-F, a isenção pode não se aplicar da mesma forma que ocorre com o Tesouro Selic. Vale verificar as regras vigentes no site do Tesouro Direto no momento da compra.
IOF no resgate antes de 30 dias
Se você resgatar o título em menos de 30 dias da compra, o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) incide sobre o rendimento, além do IR. Para um investimento de longo prazo como a NTN-F 2037, isso raramente é relevante, mas importa se você comprar e vender rapidamente por algum motivo.
Marcação a mercado no resgate antecipado
Se precisar vender a NTN-F antes de 2037, o preço de mercado pode estar acima ou abaixo do que você pagou. Se os juros futuros subirem após a sua compra, o preço do título cai: você pode resgatar com prejuízo, mesmo tendo recebido cupons ao longo do caminho. Se os juros caírem, o preço sobe e o resgate antecipado pode gerar ganho adicional.
A NTN-F tem duration menor que uma LTN de mesmo vencimento, porque os cupons devolvem parte do capital antes do prazo final. Isso reduz, mas não elimina, a volatilidade. Para entender o quanto o preço pode oscilar, consulte nosso guia sobre duration e volatilidade do título.
Como proteger seu patrimônio
Três regras práticas: (1) só aloque dinheiro que não precisará nos próximos anos; (2) trate a NTN-F como posição estrutural, não como reserva de emergência; (3) se a taxa contratada já atende seu objetivo, evite olhar o preço diário do título e se desesperar com oscilações temporárias.
Erros comuns ao investir em NTN-F
Confundir cupom com rentabilidade: R$ 48,81 semestrais por título é fluxo de pagamento, não taxa de retorno. A rentabilidade depende do preço pago na compra.
Ignorar o IR antecipado: comparar a NTN-F com LTN ou CDB apenas pela taxa bruta nominal, sem descontar a tributação semestral, leva a conclusões distorcidas.
Comprar sem horizonte de longo prazo: com vencimento em 2037 como opção predominante em julho de 2026, a NTN-F exige paciência. Resgate antecipado expõe à marcação a mercado.
Usar para reserva de emergência: a volatilidade e o prazo longo tornam a série F inadequada para caixa de curto prazo. A LFT (Tesouro Selic) cumpre esse papel.
Esquecer de reinvestir ou planejar os cupons: receber R$ 585,72 a cada seis meses sem destino definido pode diluir o retorno. Defina antes se os cupons serão renda ou reinvestimento.
Passo a passo: como comprar e montar renda com NTN-F
A compra da NTN-F segue o fluxo padrão do Tesouro Direto:
- Abra conta em uma corretora habilitada no Tesouro Direto (a maioria das corretoras brasileiras oferece acesso).
- Cadastre-se no Tesouro Direto pelo site ou aplicativo da corretora. O cadastro é gratuito.
- Transfira recursos para a conta da corretora.
- Escolha “Tesouro Prefixado com Juros Semestrais” e selecione o vencimento disponível (em julho de 2026, predominantemente 2037).
- Informe o valor ou a quantidade de títulos e confirme a taxa contratada exibida no momento da operação.
- Aguarde a liquidação (geralmente no dia útil seguinte) e acompanhe os cupons no calendário jan/jul.
Para montar uma estratégia de renda, some quantos títulos você precisa para atingir o fluxo semestral desejado. Se a meta é R$ 2.000,00 líquidos por semestre (após IR), será necessário acumular dezenas de títulos ao longo do tempo, considerando que cada unidade gera cerca de R$ 39,05 líquidos no primeiro cupom (R$ 48,81 menos 20% de IR).
O olhar da Meelion
A NTN-F brilha quando o investidor combina três elementos: horizonte longo, desejo de fluxo semestral e convicção de que travar taxa nominal acima de 14% faz sentido no ciclo atual. Antes de decidir, vale contrastar essa opção com prefixados bancários disponíveis no mercado. A Meelion reúne opções de diferentes instituições no comparador de renda fixa, onde você simula rendimentos líquidos e compara prazos, liquidez e taxas em tempo real. As ofertas mudam diariamente, por isso a comparação no dia da compra é essencial.
Perguntas frequentes sobre NTN-F
Qual a diferença entre NTN-F e Tesouro Prefixado com Juros Semestrais?
Não há diferença. NTN-F é a sigla técnica do título; Tesouro Prefixado com Juros Semestrais é o nome comercial usado no Tesouro Direto.
Quantos cupons a NTN-F 2037 paga por ano?
Dois cupons por ano, sempre em 1º de janeiro e 1º de julho, até o vencimento em 1º de janeiro de 2037.
A NTN-F é isenta de Imposto de Renda?
Não. O IR incide sobre cada cupom semestral e sobre o ganho no resgate, conforme a tabela regressiva da renda fixa.
Posso perder dinheiro com NTN-F?
Se mantiver até o vencimento e o governo honrar a dívida (o que historicamente ocorre), você recebe os cupons e o valor de face. Se vender antes do prazo, o preço de mercado pode gerar ganho ou perda temporária.
NTN-F ou LTN: qual rende mais?
Para taxas nominais equivalentes, a LTN tende a ser mais eficiente fiscalmente porque tributa apenas no resgate. A NTN-F compensa quando o fluxo semestral é prioridade.
Existe NTN-F com vencimento curto?
Em julho de 2026, a opção disponível no Tesouro Direto é predominantemente a NTN-F 2037. Vencimentos mais curtos existiram no passado, mas hoje o prazo é longo.
Os cupons caem automaticamente na conta?
Sim. Os pagamentos semestrais são creditados na conta do Tesouro Direto vinculada à corretora, já com IR retido na fonte.
Conclusão
A NTN-F tesouro prefixado ocupa um nicho específico e valioso dentro do Tesouro Direto: é o único prefixado soberano que combina taxa travada na compra com pagamentos semestrais previsíveis. Em julho de 2026, com a Selic ainda em patamar elevado e prefixados longos pagando cerca de 14,27% ao ano, o título oferece uma combinação rara de renda periódica e remuneração nominal alta.
Esse perfil, porém, não serve para todos. Exige horizonte de longo prazo, tolerância à oscilação de preço e clareza sobre o destino dos cupons. Quem busca acumulação pura com maior eficiência fiscal pode preferir a LTN; quem precisa de liquidez imediata, a LFT. A NTN-F faz sentido quando o fluxo semestral é parte central da estratégia, não um detalhe secundário.
Antes de alocar, compare taxas, simule o impacto do IR e defina se os cupons serão renda ou reinvestimento. Investir com consciência, entendendo a mecânica do título, é o que transforma uma taxa nominal atraente em resultado real para o seu patrimônio.
Este artigo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento.
Glossário
- NTN-F: Nota do Tesouro Nacional, série F. Título público prefixado com pagamento de cupons semestrais e valor de face no vencimento.
- Tesouro Prefixado com Juros Semestrais: nome comercial da NTN-F no Tesouro Direto.
- LTN: Letra do Tesouro Nacional. Título prefixado do Tesouro Direto que paga o valor integral apenas no vencimento, sem cupons intermediários.
- LFT: Letra Financeira do Tesouro. Título pós-fixado que acompanha a Selic, usado como reserva de liquidez.
- NTN-B: Nota do Tesouro Nacional, série B. Título indexado à inflação (IPCA+) com cupons semestrais. Diferente da NTN-F.
- Cupom semestral: pagamento periódico feito ao detentor do título, a cada seis meses. Na NTN-F, corresponde a R$ 48,81 por unidade sobre valor de face de R$ 1.000,00.
- Valor de face: valor nominal do título no vencimento. Na NTN-F, R$ 1.000,00 por unidade.
- Preço unitário (PU): preço de mercado do título em um determinado dia. Varia conforme expectativas de juros futuros.
- Taxa prefixada: taxa de juros definida no momento da compra, que não muda até o vencimento.
- Selic: taxa básica de juros da economia brasileira. Influencia empréstimos, financiamentos e investimentos de renda fixa.
- IPCA: índice que mede a alta geral dos preços (inflação) no Brasil.
- Duration: prazo médio ponderado de um título. Quanto maior, mais sensível às variações de juros. A NTN-F tem duration menor que LTN de mesmo vencimento.
- Marcação a mercado: atualização diária do preço do título conforme condições de mercado. Pode gerar ganho ou perda no resgate antecipado.
- Tesouro Direto: programa que permite a compra de títulos públicos federais diretamente pelo investidor, via corretoras habilitadas.
- FGC: Fundo Garantidor de Créditos. Protege até R$ 250 mil por CPF por instituição em investimentos bancários cobertos, como CDB.
- Curva DI: projeção do mercado sobre a trajetória futura dos juros, derivada dos contratos de juros futuros negociados na B3.
- Boletim Focus: pesquisa semanal do Banco Central que reúne projeções de economistas para Selic, inflação e outras variáveis.
- IOF: Imposto sobre Operações Financeiras. Incide sobre rendimentos de resgates realizados em menos de 30 dias da aplicação.
Fontes Consultadas
- Tesouro Direto: O que são juros semestrais
- Tesouro Transparente: Metadados oficiais dos títulos públicos
- B3: Cálculo de rentabilidade e liquidação no Tesouro Direto
- Valor Investe: Taxas do Tesouro Direto após IPCA de junho (10/07/2026)
- Valor Econômico: Juros futuros após IPCA de junho (10/07/2026)
- G1: IPCA de junho de 2026 (IBGE, 10/07/2026)
- Estadão/eInvestidor: Projeções do Boletim Focus (06/07/2026)
- Meelion: Indicador Selic (11/07/2026)
- Meelion: CDB BTG Pactual prefixado 14,74% (comparador)
- Seu Dinheiro: Tipos de títulos no Tesouro Direto
- InvestNews: NTN-F: o que é e como funciona
- Investing.com: Precificação dos títulos prefixados LTN e NTN-F

Dan Printes é fundador da Meelion e empreendedor na área de tecnologia. Atua com inteligência artificial, produtos digitais e investimentos, com especial interesse em renda fixa e na aplicação de tecnologia para tornar decisões financeiras mais simples e inteligentes. Neste espaço, compartilha insights sobre investimentos, economia, renda fixa e outros temas relacionados ao mercado financeiro.














