Investimentos mais buscados: casal compara opções no celular e anota no caderno onde aplicar antes do segundo turno

Investimentos mais buscados antes do 2º turno: o que rende mais?

Camila e Rafael, um casal na casa dos 38 anos de São Paulo, têm R$ 30 mil parados na conta e uma semana estranha pela frente. Toda manhã, o celular traz uma nova pesquisa eleitoral, um novo sobe e desce dos juros e uma nova manchete sobre o dólar. Na quinta-feira, os dois sentam no sofá, abrem o aplicativo do banco e fazem a pergunta que milhões de brasileiros estão fazendo agora: entre os investimentos mais buscados do momento, qual deles realmente faz sentido para o nosso dinheiro?

Eles não estão sozinhos. Um levantamento do buscador de investimentos Yubb, publicado pelo Valor Investe nesta quinta-feira (22), mostra que o brasileiro se recolheu ao que conhece. O CDB segue na liderança absoluta das buscas, o Tesouro Direto subiu para o segundo lugar e as criptomoedas despencaram do segundo para o sétimo. Ativos internacionais, como BDRs e ETFs, saíram do top 10. A três dias do segundo turno, marcado para domingo (25), o investidor parece ter escolhido a prudência.

Mas busca não é recomendação. Saber que todo mundo está procurando CDB não diz qual CDB, por quanto tempo, nem se ele rende mais do que uma LCA isenta ou um título do Tesouro. Este artigo pega o ranking dos investimentos mais buscados e faz a conta com as taxas reais desta semana: quanto cada opção entrega em reais, qual o risco de cada uma, o que muda com a eleição e como montar uma carteira que não dependa de acertar o resultado das urnas.

O ranking dos investimentos mais buscados em outubro

Vamos do começo. O levantamento do Yubb mede o que as pessoas procuram no buscador, e não onde elas efetivamente aplicam. Ainda assim, ele é um termômetro valioso do humor do investidor pessoa física. Veja a ordem divulgada pelo Valor Investe, com base nos dados do Yubb:

PosiçãoTipo de investimentoMovimento em relação ao levantamento anterior
1ºCDBManteve a liderança
2ºTesouro DiretoSubiu para a vice-liderança
3ºAções livresEntre os mais procurados
4ºFundos de açõesSubiu do 9º lugar
5ºFundos imobiliários (FIIs)Voltou ao top 10, depois de ficar fora
6ºLCI/LCASubiu do 8º lugar
7ºCriptomoedasCaiu do 2º lugar
8ºLC/RDBEntre os mais procurados
9ºFundos multimercadoEntre os mais procurados
10ºFundos de renda fixaConquistou o 10º lugar

Três leituras saltam da tabela. A primeira: a renda fixa domina. CDB, Tesouro Direto, LCI/LCA, LC/RDB e fundos de renda fixa ocupam metade do ranking, incluindo as duas primeiras posições. A segunda: o investidor não abandonou o risco, ele trocou de endereço. Saiu das teses globais e especulativas, como cripto, BDRs e ETFs internacionais, e foi para ativos domésticos, como ações, fundos de ações e fundos imobiliários. A terceira: a palavra-chave da semana é “casa”. O brasileiro quer investir no que entende e no que está perto.

Esse comportamento faz sentido num momento em que a renda fixa brasileira paga muito. A Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, está em 13,75% ao ano, e o CDI, a taxa de referência dos investimentos em renda fixa, próxima à Selic, gira em torno de 13,65% ao ano. Com a inflação acumulada em 12 meses em 4,58% até setembro, segundo o IBGE, o juro real do CDI fica perto de 8,7% ao ano. É um patamar alto para quem empresta dinheiro a bancos sólidos ou ao próprio governo.

Por que o investidor correu para a renda fixa agora?

O pano de fundo é a eleição. Na quarta-feira (21), a pesquisa Quaest mostrou Flávio Bolsonaro (PL) com 45% das intenções de voto no segundo turno e Lula (PT) com 44%, empate técnico dentro da margem de erro. Na rodada anterior, de 14 de outubro, o placar era de 46% a 44%. O Datafolha divulga nova pesquisa nesta quinta-feira, às 19h, e os institutos publicam os últimos levantamentos no sábado (24), segundo o resumo de mercado do UOL Economia.

Cada pesquisa mexe nos preços. Na quarta, o Ibovespa fechou em queda de 0,86%, aos 206.495 pontos, e o dólar subiu 0,17%, a R$ 5,027, movimentos que o mercado associou à divulgação da Quaest. No Tesouro Direto, os prefixados tinham caído com força na terça-feira (20), depois de pesquisas mais favoráveis à oposição, e voltaram a subir levemente na quarta.

Para quem não vive o mercado diariamente, vale traduzir: quando o investidor profissional acha que o risco fiscal do país vai diminuir, ele aceita juros menores nos títulos longos, e os preços desses títulos sobem. Quando a percepção piora, acontece o contrário. É por isso que, em semana de eleição apertada, quem tem dinheiro aplicado em títulos longos vê o saldo oscilar mais do que o normal.

Diante desse vaivém, a escolha pelo CDB e pelo Tesouro Direto é quase instintiva. São produtos conhecidos, com regras claras, e que pagam bem mesmo sem que o investidor precise adivinhar quem vai ganhar no domingo. Esse detalhe importa: a melhor carteira para esta semana é aquela que você consegue manter, qualquer que seja o resultado.

Quanto rende cada um dos investimentos mais buscados

Agora, a conta. Para comparar de forma justa, vamos simular uma aplicação de R$ 10 mil por 12 meses, considerando o CDI constante em 13,65% ao ano. Essa hipótese é uma simplificação: o Boletim Focus de 19 de outubro, do Banco Central, mostra que o mercado espera a Selic em 13,25% no fim de 2026, ou seja, o CDI deve cair um pouco ao longo do período. Os valores abaixo servem para comparar as opções entre si, e não como promessa de rendimento.

As taxas usadas são as que estavam disponíveis nesta semana. Na quarta-feira (21), segundo a vitrine de renda fixa bancária da XP publicada pelo InfoMoney, os CDBs pós-fixados pagavam até 101,7% do CDI em 12 meses, os prefixados até 13,74% ao ano em mais de 12 meses, as LCAs pós-fixadas até 86% do CDI em mais de um ano e as LCIs pós-fixadas até 80,5% do CDI em um ano. No Tesouro Direto, o Tesouro Selic 2031 pagava Selic mais 0,0989% ao ano.

Investimento (R$ 10 mil, 12 meses)Taxa consideradaRendimento brutoImposto de RendaRendimento líquido
CDB 100% do CDI13,65% ao anoR$ 1.36517,5%R$ 1.126
CDB 101,7% do CDIcerca de 13,89% ao anoR$ 1.38817,5%R$ 1.145
CDB prefixado13,74% ao anoR$ 1.37417,5%R$ 1.134
Tesouro Selic 2031Selic + 0,0989%, cerca de 13,75%R$ 1.37517,5%R$ 1.134
LCA 86% do CDIcerca de 11,74% ao anoR$ 1.174IsentaR$ 1.174
LCI 80,5% do CDIcerca de 10,99% ao anoR$ 1.099IsentaR$ 1.099
Poupança0,5% ao mês + TRcerca de R$ 617 + TRIsentacerca de R$ 617 + TR

Alguns pontos merecem atenção. O Imposto de Renda da renda fixa segue a tabela regressiva: 22,5% para aplicações de até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias e 15% acima de 720 dias. Como a simulação tem 12 meses, a alíquota aplicada é de 17,5%. No Tesouro Selic, há ainda a taxa de custódia da B3, de 0,20% ao ano, que é isenta para quem tem até R$ 10 mil nesse título, como no exemplo. A poupança, com a Selic acima de 8,5% ao ano, rende 0,5% ao mês mais a TR, o que dá cerca de 6,17% ao ano antes da TR.

O que a tabela revela

O primeiro recado é que, entre os produtos tributados, a diferença é pequena. CDB de 100% do CDI, CDB prefixado e Tesouro Selic entregam entre R$ 1.126 e R$ 1.145 líquidos. O que separa um do outro não é tanto a taxa, e sim o risco, a liquidez e a forma de remuneração.

O segundo recado é que a LCA de 86% do CDI venceu todos os CDBs da vitrine no prazo de um ano, porque é isenta de Imposto de Renda. Para empatar com ela, um CDB precisaria pagar cerca de 104,2% do CDI no prazo de um a dois anos. A LCI de 80,5% do CDI, por outro lado, ficou abaixo do CDB de 100% do CDI depois do imposto: o CDB equivalente seria de 97,6% do CDI. Esse é o cálculo do chamado gross-up, a conversão da taxa isenta para uma taxa bruta comparável.

O terceiro recado é o mais importante para quem ainda deixa dinheiro parado: a poupança entrega pouco mais da metade de um CDB comum. Em R$ 10 mil, a diferença passa de R$ 500 em um ano. Já mostramos aqui quando a poupança chega a empatar com o CDB, e com a Selic em 13,75% esse ponto ainda está longe.

CDB: o campeão de buscas, mas qual CDB?

O CDB é um empréstimo que o investidor faz ao banco em troca de uma remuneração. Ele lidera as buscas por um motivo simples: é fácil de entender, está disponível em qualquer banco ou corretora e tem a proteção do FGC, o Fundo Garantidor de Créditos, que protege até R$ 250 mil por CPF por instituição.

Mas “CDB” é uma família inteira de produtos. Há os pós-fixados, que pagam um percentual do CDI; os prefixados, com taxa definida no dia da aplicação; e os atrelados à inflação, que pagam o IPCA mais uma taxa fixa. Na vitrine da XP de quarta-feira, por exemplo, apareciam um CDB do Banco XP a 101,72% do CDI com vencimento em outubro de 2028, um CDB Omni a 13,03% ao ano com vencimento em outubro de 2029 e um CDB Cloudwalk a 105% do CDI com vencimento em outubro de 2030.

O Valor Investe lembra que bancos grandes costumam pagar até 100% do CDI em CDBs com liquidez, enquanto bancos pequenos e médios podem pagar mais de 120% do CDI. A taxa maior não vem de graça: ela remunera um risco de crédito maior e, em geral, um prazo mais longo sem liquidez. Vale ler com calma nossa análise sobre quando um CDB sem liquidez diária vale a pena.

Pós, pré ou IPCA+: qual CDB escolher nesta semana?

O CDB pós-fixado é o mais simples para atravessar a eleição. Ele acompanha o CDI todos os dias, então não sofre com a oscilação dos juros futuros. Se a Selic cair mais rápido do que o esperado, ele rende menos; se o corte de juros for interrompido, ele rende mais. É a escolha natural para a reserva de emergência e para objetivos de curto prazo.

O CDB prefixado trava a taxa. Na quarta, a vitrine mostrava até 13,74% ao ano para prazos acima de 12 meses, praticamente o mesmo nível do CDI atual. Isso significa que, se o CDI cair como o mercado espera, o prefixado sai na frente; se os juros voltarem a subir depois do domingo, o pós-fixado vence. É uma aposta moderada na queda da Selic.

O CDB atrelado à inflação protege o poder de compra no longo prazo. A vitrine de quarta trazia títulos de inflação bancários pagando até IPCA mais 6,80% em mais de um ano. Para quem pensa em cinco anos ou mais, é uma forma de garantir juro real alto sem depender do Tesouro.

Tesouro Direto: o vice-líder dos investimentos mais buscados

O Tesouro Direto reúne títulos emitidos pelo governo federal, comprados diretamente pelo investidor. Subir para o segundo lugar nas buscas não é coincidência: os títulos longos ainda pagam juro real acima de 6,6% ao ano, e a eleição colocou o Tesouro no noticiário todos os dias.

No fechamento de quarta-feira (21), segundo o E-Investidor, do Estadão, e a oferta registrada do Tesouro Direto, as taxas eram estas:

TítuloTaxa em 21/10/2026Vencimento
Tesouro Selic 2031Selic + 0,0989%01/03/2031
Tesouro Reserva 2036100% da Selic01/01/2036
Tesouro Prefixado 202912,66%01/01/2029
Tesouro Prefixado 203212,85%01/01/2032
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 203712,90%01/01/2037
Tesouro IPCA+ 2032IPCA + 6,78%15/08/2032
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037IPCA + 6,84%15/05/2037
Tesouro IPCA+ 2040IPCA + 6,71%15/08/2040
Tesouro IPCA+ 2050IPCA + 6,71%15/08/2050

Repare num detalhe: os prefixados do Tesouro pagam menos do que o CDI atual. O Prefixado 2029, a 12,66%, está abaixo dos 13,65% do CDI. Isso acontece porque o mercado já embute cortes de juros nos próximos anos. Quem compra o prefixado hoje está dizendo, na prática, que acredita que a Selic vai cair mais do que o mercado imagina.

Os prefixados já fizeram boa parte do caminho

Segundo levantamento do InfoMoney com gestores de renda fixa, o Tesouro Prefixado 2032 pagava 14,21% antes do primeiro turno e estava em 12,78% na atualização de quarta-feira. A queda de mais de 1,4 ponto percentual mostra que boa parte do otimismo já foi para o preço. Gestores ouvidos pela reportagem avaliam que os prefixados têm pouco espaço para novos ganhos.

Os títulos atrelados à inflação também caíram, mas menos. O Tesouro IPCA+ 2050 pagava IPCA mais 7,08% antes do primeiro turno, chegou a IPCA mais 6,32% na abertura de 5 de outubro e depois devolveu parte da queda, voltando para a casa de 6,7%. Para Alfredo Menezes, da Armor Capital, quem investe pensando no longo prazo deve ficar com os títulos IPCA+, que ainda pagam juro real acima de 6,6% ao ano em todos os vencimentos. Discutimos esse tema em detalhe no artigo sobre os juros reais brasileiros e o dilema de travar IPCA+.

Para ter dimensão: um título que paga IPCA mais 6,78% ao ano, como o IPCA+ 2032, renderia cerca de 11,67% em um ano se a inflação repetisse os 4,58% dos últimos 12 meses. Esse número é ilustrativo, porque a inflação futura é desconhecida, mas mostra o tamanho do juro real que está na mesa.

O cuidado com a marcação a mercado

O ponto que mais pega o investidor iniciante é a marcação a mercado: a atualização diária do preço de um título conforme a taxa de juros vigente. Ela só afeta quem vende antes do vencimento, mas pode assustar quem olha o extrato todo dia. Gestores ouvidos pelo InfoMoney concordam que a reação a uma vitória de Lula tende a ser mais forte do que a reação a uma vitória de Flávio. Menezes prevê alta de pelo menos 1 ponto percentual nas taxas longas em caso de reeleição. Luiz Cesario, da Asset1, vê as taxas longas caindo até 0,5 ponto com Flávio, a depender do nome escolhido para o Ministério da Fazenda.

Como preço e taxa andam em sentidos opostos, uma alta de 1 ponto nas taxas derrubaria o valor de títulos longos, como o IPCA+ 2050, na marcação a mercado. Para quem leva o título até o vencimento, a rentabilidade contratada na compra continua valendo. O problema é precisar do dinheiro no meio do caminho.

LCI, LCA e LC/RDB: as alternativas que subiram no ranking

As LCIs e LCAs são investimentos isentos de Imposto de Renda ligados ao setor imobiliário e ao agronegócio. Elas subiram do oitavo para o sexto lugar nas buscas, e a tabela de rendimentos explica o interesse: a LCA de 86% do CDI rendeu mais do que qualquer CDB da vitrine no prazo de um ano.

O problema é que a oferta nem sempre acompanha a procura, e as taxas das letras isentas ficam bem abaixo das dos CDBs. Na quarta, as LCAs prefixadas pagavam até 10,65% em um ano, e as atreladas à inflação até IPCA mais 4,74% em 12 meses. Já mostramos o que fazer quando as LCIs e LCAs somem e o CDB passa a render mais.

As LCs, letras de câmbio, e os RDBs, recibos de depósito bancário, ocupam o oitavo lugar. Eles funcionam de forma parecida com o CDB, mas são emitidos por financeiras e instituições que não são bancos tradicionais. Segundo o Valor Investe, normalmente não dão liquidez antes do vencimento. A boa notícia é que LC e RDB também estão na garantia ordinária do Fundo Garantidor de Créditos, junto com CDB, LCI, LCA e poupança, dentro do limite de R$ 250 mil por CPF por instituição ou conglomerado.

Quando a LCA vence o CDB e quando perde

A comparação muda com o prazo, porque a alíquota do Imposto de Renda cai com o tempo. Em dois anos, a alíquota do CDB desce para 15%. Vamos refazer a conta com R$ 10 mil por dois anos, ainda com CDI constante em 13,65%:

Investimento (R$ 10 mil, 2 anos)TaxaRendimento líquidoCDB equivalente
LCA 86% do CDI (isenta)cerca de 11,74% ao anocerca de R$ 2.486cerca de 101,2% do CDI
CDB 101,72% do CDI (IR de 15%)cerca de 13,89% ao anocerca de R$ 2.524101,72% do CDI

Em dois anos, o CDB de 101,72% do CDI passa levemente à frente da LCA de 86% do CDI. A diferença é pequena, de algumas dezenas de reais em R$ 10 mil, mas mostra por que é preciso comparar sempre no mesmo prazo. Uma LCA que parece imbatível em um ano pode empatar ou perder em prazos mais longos, quando o imposto do CDB fica menor.

Ações, FIIs e fundos: o risco que voltou para casa

O ranking não é só renda fixa. Ações livres aparecem em terceiro, fundos de ações saltaram da nona para a quarta posição e os fundos imobiliários voltaram ao top 10, em quinto lugar. Os fundos multimercado ficaram em nono, e os fundos de renda fixa, em décimo.

Esse movimento conversa com o mercado de ações. O Ibovespa está acima dos 200 mil pontos, e o investidor estrangeiro tem olhado oportunidades no Brasil, como nota o próprio Valor Investe. Mas é justamente aqui que a eleição pesa mais. Ações e FIIs não têm garantia do FGC, oscilam todos os dias e podem reagir de forma brusca ao resultado de domingo. Quem entra agora precisa ter horizonte longo e estômago para a volatilidade.

Os fundos de renda fixa e multimercado têm outra questão a considerar: as taxas. Um fundo que cobra 1% ao ano de administração precisa render bem acima do CDI para entregar o mesmo que um CDB de 100% do CDI comprado diretamente. Além disso, os fundos abertos têm o come-cotas, a antecipação semestral do Imposto de Renda cobrada no último dia útil de maio e de novembro. Antes de escolher um fundo, vale comparar o rendimento líquido com o de um título comprado diretamente.

O que isso significa para o seu dinheiro

Voltemos a Camila e Rafael. Eles têm R$ 30 mil e três perguntas: quanto precisam ter à mão, quando vão usar o resto e quanto risco aceitam correr. A resposta para cada parcela é diferente, e é isso que torna o ranking dos investimentos mais buscados útil apenas como ponto de partida.

Uma forma de organizar a decisão, sem depender do resultado da eleição, é dividir o dinheiro por objetivo:

ObjetivoPrazoOpções coerentesPor quê
Reserva de emergênciaImediatoCDB com liquidez diária perto de 100% do CDI, Tesouro Selic ou Tesouro ReservaAcompanham o CDI, sem oscilação relevante e com resgate rápido
Objetivo de 1 a 2 anosCurto e médioLCA ou LCI com bom percentual do CDI, CDB pós-fixado acima de 100% do CDIComparar sempre o rendimento líquido no mesmo prazo
Objetivo de 3 a 5 anosMédioCDB prefixado ou parte em Tesouro PrefixadoTrava taxa caso a Selic continue caindo
Aposentadoria e longo prazoMais de 5 anosTesouro IPCA+ ou CDB atrelado à inflação, com aportes graduaisProtege o poder de compra com juro real alto

No caso do casal, faria sentido deixar a reserva no pós-fixado, comparar LCA e CDB para o dinheiro da viagem do ano que vem e, se houver uma parcela para o longo prazo, começar a montar posição em IPCA+ aos poucos. O Tesouro Reserva, que rende a Selic sem marcação a mercado e pode ser resgatado a qualquer hora, é outra porta de entrada simples para quem está começando.

Como proteger seu patrimônio na semana da eleição

Os especialistas ouvidos pelo InfoMoney repetem a mesma ideia: não é hora de especular, e sim de proteger a carteira pensando no horizonte de cada objetivo. Alguns cuidados práticos ajudam a atravessar a semana com tranquilidade.

  • Não decida com base em pesquisa. João Debom, da Supernova Investimentos, lembra que quem compra ou vende título no meio do vaivém corre o risco de pegar o pior momento.
  • Entre aos poucos. Fracionar os aportes dispensa acertar o resultado das urnas e dilui o preço médio de compra.
  • Atenção à liquidez. Como a votação é no domingo, a primeira chance de reagir ao resultado será na segunda-feira (26), e o Tesouro Direto pode suspender negociações em dias de oscilação forte.
  • Atenção aos impostos. Aplicações de até 180 dias pagam 22,5% de Imposto de Renda, e resgates antes de 30 dias pagam IOF. Operar no curto prazo come boa parte do ganho.
  • Respeite o limite do FGC. Em CDB, LCI, LCA, LC e RDB, mantenha até R$ 250 mil por CPF em cada instituição ou conglomerado. Tesouro Direto, debêntures, CRI, CRA e fundos não têm essa garantia.

Vale lembrar também que a semana tem outros eventos. Nesta sexta-feira (23), às 9h, o IBGE divulga o IPCA-15 de outubro, a prévia da inflação, no último pregão antes do segundo turno. Em setembro, o IPCA-15 subiu 0,70%, e o IPCA cheio avançou 0,82%. Um número mais alto do que o esperado pode pressionar os juros. Já comentamos esse calendário no texto sobre o IPCA-15 de outubro e o segundo turno.

Onde podem estar as oportunidades

Se há uma oportunidade nesta semana, ela está menos no que o mercado vai fazer na segunda-feira e mais no nível de juros que o Brasil oferece hoje. Com o CDI a 13,65% e a inflação em 4,58% em 12 meses, o investidor conservador recebe um juro real raro. Isso vale para o CDB de banco sólido, para a LCA isenta bem remunerada e para o Tesouro IPCA+ de longo prazo.

O erro mais comum é tratar o ranking dos investimentos mais buscados como uma lista de recomendações. Procurar o que todo mundo procura é natural, mas a decisão boa depende do prazo, do imposto, da liquidez e do risco de cada produto. Um CDB de 120% do CDI de um banco pequeno pode ser ótimo para quem respeita o limite do FGC e não precisa do dinheiro antes do vencimento, e péssimo para quem vai precisar sacar daqui a três meses.

O olhar da Meelion

Na nossa leitura, a migração para a renda fixa doméstica é uma reação sensata, não um sinal de medo. O que faz diferença daqui para frente é a disciplina de comparar. Antes de decidir, vale olhar as taxas lado a lado: a Meelion reúne opções de CDB, LCI, LCA e outros títulos de diferentes instituições para você comparar o rendimento líquido em tempo real, no mesmo prazo e com o mesmo valor.

Erros comuns de quem segue os investimentos mais buscados

  • Comparar taxa bruta com taxa isenta. Uma LCA de 86% do CDI não rende menos que um CDB de 100% do CDI. Faça sempre o gross-up.
  • Ignorar o prazo. A alíquota do Imposto de Renda cai com o tempo, e a comparação entre CDB e LCA muda conforme o vencimento.
  • Esquecer a liquidez. Muitos CDBs de taxa alta, LCs e RDBs não permitem resgate antes do vencimento.
  • Comprar título longo para usar no curto prazo. A marcação a mercado pode transformar uma boa taxa em prejuízo se você precisar vender numa semana ruim.
  • Concentrar tudo em uma instituição. A garantia do FGC tem limite por CPF e por instituição ou conglomerado.
  • Apostar tudo no resultado da eleição. Ninguém sabe o que vai acontecer no domingo, e a carteira não deveria depender disso.

Perguntas frequentes

Qual é o investimento mais buscado pelos brasileiros agora?

Segundo o levantamento do Yubb divulgado em 22 de outubro de 2026, o CDB lidera as buscas, seguido pelo Tesouro Direto, ações livres, fundos de ações e fundos imobiliários. As criptomoedas caíram do segundo para o sétimo lugar, e BDRs e ETFs saíram do top 10.

Vale a pena investir em CDB antes do segundo turno?

Para quem busca segurança, o CDB pós-fixado de um banco sólido é uma opção coerente, porque acompanha o CDI e não oscila com a eleição. A proteção do FGC vale até R$ 250 mil por CPF por instituição. O importante é escolher o prazo e a liquidez de acordo com o seu objetivo.

O que rende mais em um ano: CDB, LCA ou Tesouro Selic?

Com as taxas desta semana e CDI constante em 13,65%, uma LCA de 86% do CDI rende cerca de R$ 1.174 em R$ 10 mil, contra cerca de R$ 1.134 no Tesouro Selic e R$ 1.126 em um CDB de 100% do CDI, já descontado o Imposto de Renda. Em prazos maiores, um CDB acima de 101% do CDI pode passar a LCA.

É seguro comprar Tesouro Direto às vésperas da eleição?

O risco de crédito do Tesouro é o do governo federal, o mais baixo do país. O risco desta semana é outro: a oscilação de preço dos títulos longos. Quem leva o título até o vencimento recebe a taxa contratada. Quem pode precisar vender antes deve preferir o Tesouro Selic ou o Tesouro Reserva.

LC e RDB têm garantia do FGC?

Sim. LC e RDB estão na garantia ordinária do FGC, assim como CDB, LCI, LCA e poupança, até R$ 250 mil por CPF por instituição ou conglomerado. Em geral, esses títulos não têm liquidez antes do vencimento.

A poupança ainda vale a pena?

Com a Selic acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês mais a TR, cerca de 6,17% ao ano antes da TR. Um CDB de 100% do CDI rende quase o dobro, mesmo depois do imposto. A poupança só faz sentido para valores muito pequenos ou de uso imediato.

Conclusão

O ranking dos investimentos mais buscados mostra um investidor brasileiro mais maduro do que muitos imaginam. Diante de uma eleição apertada, ele não fugiu do mercado, mas trocou apostas especulativas e globais por produtos que entende e que pagam bem: CDB, Tesouro Direto, letras isentas e ativos domésticos. Com o CDI a 13,65% ao ano, essa escolha tem fundamento.

O passo seguinte é transformar a busca em decisão. Separe o dinheiro por objetivo, compare o rendimento líquido no mesmo prazo, respeite o limite do FGC e evite mexer na carteira por causa de pesquisa eleitoral. Seja qual for o resultado de domingo, quem investe com método atravessa a segunda-feira com mais tranquilidade. Se quiser aprofundar o planejamento de fim de ano, veja também onde investir o 13º salário em 2026.

Este artigo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento.

Glossário

  • Selic: taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Copom do Banco Central.
  • CDI: taxa de referência dos investimentos em renda fixa, próxima à Selic.
  • IPCA: índice oficial de inflação, que mede a alta geral dos preços ao consumidor.
  • CDB: Certificado de Depósito Bancário, um empréstimo que o investidor faz ao banco em troca de uma remuneração.
  • LCI e LCA: Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio, investimentos isentos de Imposto de Renda para pessoa física.
  • LC: Letra de Câmbio, título emitido por financeiras, com lógica parecida com a do CDB.
  • RDB: Recibo de Depósito Bancário, título bancário semelhante ao CDB, em geral sem liquidez antes do vencimento.
  • Tesouro Direto: programa para compra de títulos emitidos pelo governo federal diretamente pelo investidor.
  • Tesouro Reserva: título do Tesouro que rende a Selic sem marcação a mercado, com resgate a qualquer hora.
  • FGC: Fundo Garantidor de Créditos, que protege até R$ 250 mil por CPF por instituição.
  • Marcação a mercado: atualização diária do preço de um título conforme a taxa de juros vigente.
  • Gross-up: cálculo que converte a taxa de um investimento isento na taxa bruta equivalente de um investimento tributado.
  • Come-cotas: antecipação semestral do Imposto de Renda nos fundos abertos, em maio e novembro.
  • BDR: recibo negociado na B3 que representa ações de empresas estrangeiras.
  • ETF: fundo de índice negociado em bolsa.
  • FII: fundo de investimento imobiliário.

Fontes Consultadas

  • Valor Investe: Longe de cripto e do exterior, veja quais os refúgios dos brasileiros antes da eleição (22/10/2026): https://valorinveste.globo.com/objetivo/hora-de-investir/noticia/2026/10/22/longe-de-cripto-e-do-exterior-veja-quais-os-refugios-dos-brasileiros-antes-da-eleicao.ghtml
  • InfoMoney: IPCA+ ou prefixado? Como investir no Tesouro Direto às vésperas do 2º turno (22/10/2026): https://www.infomoney.com.br/onde-investir/ipca-ou-prefixado-como-investir-no-tesouro-direto-as-vesperas-do-2o-turno/
  • InfoMoney: Renda Fixa Hoje, taxas de CDBs, LCIs e LCAs na XP (21/10/2026): https://www.infomoney.com.br/onde-investir/renda-fixa-hoje-confira-as-taxas-de-cdbs-lcis-e-lcas-na-xp-nesta-quarta-feira-21/
  • Estadão E-Investidor: Tesouro Direto hoje, IPCA+ 2050 (21/10/2026): https://www.estadao.com.br/einvestidor/cenarios-e-mercado/tesouro-preserva-o-alivio-mesmo-com-inflacao-mais-forte-ipca-2050-cai-a-668/
  • O Investimento Certo: Taxas do Tesouro Direto, oferta de 21/10/2026: https://oinvestimentocerto.com/tesouro-direto-hoje/
  • UOL Economia: Balanço do Bradesco, arrecadação federal e eleições movem mercado hoje (22/10/2026): https://economia.uol.com.br/colunas/por-dentro-da-bolsa/2026/10/22/balanco-do-bradesco-arrecadacao-federal-pesquisa-datafolha-o-que-move-o-mercado-hoje.htm
  • Estadão E-Investidor: Calendário econômico, IPCA-15 e Focus na semana do segundo turno: https://www.estadao.com.br/einvestidor/cenarios-e-mercado/ipca-15-traz-ultima-previa-da-inflacao-antes-do-segundo-turno-confira-o-calendario-economico/
  • Capital Agora: Selic, CDI e IPCA de referência (21/10/2026): https://capitalagora.com.br/noticia/renda-fixa-hoje-confira-as-taxas-de-cdbs-lcis-2110
  • Banco Central do Brasil: Boletim Focus (19/10/2026): https://www.bcb.gov.br/publicacoes/focus
  • FGC: Sobre a garantia FGC: https://www.fgc.org.br/sobre-garantia-fgc
  • Tesouro Direto: https://www.tesourodireto.com.br/
Dan Mark Printes

Dan Printes é fundador da Meelion e empreendedor na área de tecnologia. Atua com inteligência artificial, produtos digitais e investimentos, com especial interesse em renda fixa e na aplicação de tecnologia para tornar decisões financeiras mais simples e inteligentes. Neste espaço, compartilha insights sobre investimentos, economia, renda fixa e outros temas relacionados ao mercado financeiro.

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